18/04 -
Dia do Livro Infantil: histórias com monstros e animais são as favoritas de crianças hospitalizadas; veja lista
Capas dos livros que compõem o grupo de narrativas simples no levantamento "Entre bichos e monstros".
Reprodução/Entre bichos e monstros
Livros cujos personagens são animais ou monstros com traços e comportamentos humanizados são os favoritos de crianças hospitalizadas. É o que revela o levantamento "Entre bichos e monstros", realizado por pesquisadoras da Unicamp e da Unifesp, e publicado na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos (RBEP).
O estudo mostra que, quando os pequenos têm o poder de decidir, eles preferem ler sobre seres fantásticos que agem como gente em vez de histórias protagonizadas por seres humanos (sejam adultos ou crianças).
As pesquisadoras avaliaram as respostas de 174 crianças, com idades entre 6 e 10 anos, internadas em dois hospitais de perfis bem diferentes: o Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas, e o Hospital da Criança Rede D’Or São Luiz, em São Paulo.
Mesmo com as diferenças socioeconômicas entre as crianças, que são de diversas partes do país e possuem históricos educacionais e familiares distintos, a conclusão foi semelhante: o gosto pelo fantástico foi praticamente o mesmo entre os pacientes.
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No contexto do Dia Nacional do Livro Infantil, celebrado neste 18 de abril, veja os títulos mais citados pelas crianças:
"O ratinho, o morango vermelho maduro e o grande urso esfomeado" (de Audrey e Don Wood)
"O grande rabanete" (de Tatiana Belinky)
"Monstro Rosa" (de Olga de Dios)
"Macaco danado" (de Julia Donaldson)
"Carona" (de Guilherme Karsten)
"Pinóquio" (de Carlo Collodi)
"O monstro monstruoso e a caverna cavernosa" (de Rosana Rios)
"Um leão dentro de nós" (de Rachel Bright)
"Os músicos de Bremen" (dos Irmãos Grimm)
"Gildo" (de Silvana Rando)
O impacto dos livros durante a hospitalização de crianças
O resultado não é apenas uma curiosidade interessante, mas um dado que pode ter impacto real na dinâmica de cuidado e atendimento das crianças hospitalizadas, de acordo com Beatriz Burgo, pesquisadora da Unicamp e uma das responsáveis pelo estudo.
O ser fantástico cria um distanciamento emocional: a criança se envolve com a história sem precisar se confrontar diretamente com temas humanos, que no ambiente hospitalar pode ser pesada e dolorosa. É quase como uma válvula de escape segura. E isso tem desdobramentos práticos importantes.
Para a pesquisadora, os livros proporcionam acolhimento e atenuam o sofrimento de um momento sensível, especialmente quando a criança é inserida em um espaço desconhecido, pouco acolhedor, está sujeita a procedimentos muitas vezes ameaçadores — além de estar separada de sua família e de tudo que considera acolhedor, como seus seus brinquedos, amigos e o ambiente escolar.
“A leitura e a contação de histórias fornecem para a criança, mesmo que por um breve momento, um espaço de imaginação, de prazer, de identificação, em um ambiente que tende a diluir tudo isso”, avalia.
O resultado da inserção de leituras prazerosas às crianças é um impacto perceptível em seu bem-estar físico e emocional.
O poder de escolha nas mãos dos pequenos
Um dos pontos mais sensíveis considerado pela pesquisa foi o de devolver à criança a liberdade de escolha, algo que costuma ser muito limitado durante uma internação. No estudo, os pequenos puderam examinar as capas, sentir o formato dos livros e ouvir resumos curtos — sem spoilers — antes de decidirem o que queriam ler.
Isso revelou uma curiosa diferença: enquanto os adultos costumam comprar livros com "mensagens educativas" ou temas sociais, as crianças buscam, no fundo, uma "virada de chave". Elas querem personagens que as transportem para longe da rotina hospitalar.
Para chegar a esses resultados, as pesquisadoras dividiram os livros em grupos para entender se a estrutura do texto mudava o interesse:
Narrativas Simples: Ações lineares e rápidas, ideais para uma leitura leve e com final previsível.
Narrativas Complexas: Histórias onde os personagens podem errar, correr riscos e passar por grandes transformações.
Poesias Narrativas: Onde o ritmo e o som das rimas trazem uma camada extra de ludicidade.
Voluntários do projeto Viva e Deixe Viver em atendimento a crianças hospitalizadas.
Divulgação/Viva e Deixe Viver
Por que bichos e monstros?
A ciência por trás disso sugere que animais que usam roupas ou monstros que têm medo (como o elefante Gildo) ajudam a criança a elaborar seus próprios sentimentos. É mais fácil lidar com o medo da injeção ou a saudade de casa quando você vê um monstro rosa procurando seu lugar no mundo ou um ratinho tentando esconder seu morango de um urso faminto.
Esses personagens fora do imaginário comum oferecem o distanciamento necessário para que a criança processe temas difíceis, como perda e ansiedade, de uma forma segura e, acima de tudo, divertida.
A magia dos contadores de história
A leitura também representa um momento de descontração para as crianças, e alguns grupos tornam a experiência mais humanizada — tanto para a criança, quanto para os responsáveis. É o caso Viva e Deixe Viver, uma organização da sociedade civil que promove a literatura e o lúdico criativo em ambientes hospitalares com a ajuda de voluntários.
Com quase 30 anos de história, a organização é reconhecida pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura, recebe apoio de empresas e, atualmente, conta com 721 voluntários ativos.
Voluntários do projeto Viva e Deixe Viver em atendimento a crianças hospitalizadas.
Divulgação/Viva e Deixe Viver
São esses voluntários que atuam nos 90 hospitais que participam da iniciativa, com livros, instrumentos musicais e muita animação para contar histórias para as crianças. Apenas em 2025, foram mais de 13,4 mil livros lidos.
Valdir Cimino, professor universitário e fundador da Associação Viva e Deixe Viver, celebra a longevidade do programa. Ele avalia que a leitura atua como um "remédio para a alma":
Para a criança, "o contador é uma janela para o mundo fora do hospital; ela deixa de ser 'paciente' para ser apenas criança";
Para os pais e acompanhantes, "nossa presença oferece um respiro emocional. Eles percebem que não estão sozinhos".
Mais mais que isso: "[A leitura] reduz a percepção da dor, diminui a ansiedade e estimula a imaginação, o que é vital para o desenvolvimento cognitivo”, diz Valdir.
Mesmo com quase três décadas, o projeto segue em expansão, inclusive contou com a inclusão recente de temas como letramento racial, povos originários e a diversidade brasileira.
Nossa motivação é a crença de que uma sociedade se constrói com relações humanizadas. Saúde é um estado de bem-estar integral. Ao humanizar o atendimento, garantimos direitos fundamentais: o brincar, a cultura e a educação. Nossa causa é a ética do afeto.
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17/04 -
Jorginho Mello critica derrubada pelo STF de lei que proibia cotas raciais em universidades de SC
STF conclui hoje votação sobre cotas em SC
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), se manifestou após o Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para declarar inconstitucional a lei aprovada no estado e sancionada por ele proibindo o ingresso via cotas raciais ou outras ações afirmativas no ensino superior em instituições que recebem verbas estaduais.
"Quem perdeu não foi o governo ou o governador", publicou nas redes sociais, nesta sexta-feira (17). Na postagem, Mello declarou que a lei "não extinguia cotas, melhorava: focava nos mais pobres". Também escreveu que "Infelizmente o nosso país não aceita sequer discutir o tema".
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Lei de SC segue suspensa pelo TJ durante votação no STF
Veja como votaram os ministros do STF
Fachin vota para formar maioria no STF por inconstitucionalidade de lei
A maioria pela inconstitucionalidade foi formada na tarde de quinta-feira (16) após o voto de Edson Fachin. Ele seguiu o relator Gilmar Mendes, que também foi acompanhado anteriormente por Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Nesta sexta-feira (17), votaram Luiz Fux e Nunes Marques.
Como acontece o julgamento?
A votação acontece no plenário virtual, onde cada ministro vota de forma independente. O Tribunal discute se a lei aprovada em Santa Catarina é ou não inconstitucional. No total, dez ministros votam. Os votos precisam ser dados até às 23h59 desta sexta (17).
O julgamento começou em 10 de abril. Os ministros ainda vão decidir se a decisão da Corte sobre a lei de Santa Catarina deve ser aplicada a outras legislações estaduais semelhantes que, eventualmente, sejam promulgadas.
O que estabelecia a proibição de cotas em SC
A norma catarinense foi aprovada em dezembro na Assembleia Legislativa e sancionada em janeiro pelo governador Jorginho Mello (PL).
O texto catarinense estabelecia a proibição da política de reserva de vagas para estudantes, professores e técnicos através de cotas raciais ou outras ações afirmativas, como indígenas, pessoas trans, entre outras. As exceções são para pessoas com deficiência (PCDs), oriundas de escolas públicas e ingresso por critérios de renda.
Jorginho Mello, governador de Santa Catarina
Roberto Zacarias/Secom/Divulgação
Lei de SC está suspensa por decisão do TJSC
A lei foi sancionada em 22 de janeiro e foi suspensa cinco dias depois pela desembargadora Maria do Rocio Luz Santa Ritta, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
Na decisão, na época, a magistrada escreveu que a lei poderia produzir efeitos antes do julgamento definitivo da ação judicial, sobretudo no contexto do início do ano acadêmico, período em que se decidem regras de ingresso e contratação.
Lei é discutida no STF através de Ação Direta de Inconstitucionalidade
A lei catarinense está em discussão em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF. Entraram com o processo o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), em parceria com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro).
Nessa mesma ação, o ministro Gilmar Mendes já havia pedido para o governo de Santa Catarina, a Assembleia Legislativa catarinense, que propôs a lei, e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), diretamente afetada pela norma, dessem explicações.
Lei de Cotas
Getty Images
O que disseram os ministros?
Os ministros Flávio Dino e Edson Fachin, além do relator Gilmar Mendes, escreveram os próprios votos no julgamento.
Como prevê o regimento das sessões virtuais, não há a obrigatoriedade da apresentação de voto, com exceção do relator e de votos divergentes.
Voto de Gilmar Mendes
No voto, Mendes, que também é o relator da ação, sustentou que Lei Estadual 19.722/2026 desconsiderou que ações afirmativas baseadas em critérios étnico-raciais já foram reconhecidas como constitucionais pelo STF.
Destacou ainda que as políticas de cotas encontram respaldo não apenas na jurisprudência da Corte, mas também em normas internacionais incorporadas ao ordenamento brasileiro com status equivalente ao de emenda constitucional.
"[...] é possível concluir que a aprovação e a sua sanção pelo Governador do Estado de Santa Catarina basearam-se eminentemente na noção de que as ações afirmativas baseadas exclusivamente em critérios étnico-raciais representariam possível violação ao princípio da isonomia – premissa, como exposto acima, inconstitucional", narra o ministro no voto.
O ministro cita que a lei catarinense começa proibindo a adoção de qualquer política de reserva de vagas em processos seletivos. Em seguida, porém, a própria norma prevê três exceções: a reserva de vagas para pessoas com deficiência, a adoção de critérios exclusivamente econômicos e a destinação de vagas a estudantes oriundos da rede pública estadual de ensino médio.
Na avaliação do ministro, essa combinação revela o objetivo prático da lei: impedir, na prática, apenas as políticas baseadas em critérios étnico-raciais.
"[...] esta Suprema Corte há muito assentou que a utilização chamadas cotas raciais para ingresso no ensino superior público não viola o princípio da isonomia (Constituição, art. 5º, caput). Pelo contrário, políticas dessa natureza, quando bem utilizadas, efetivamente concretizam o princípio da igualdade, concebido como igual respeito às diferenças e mandado de combate às desigualdades materiais", continuou.
Voto de Flávio Dino
O ministro Flávio Dino também considerou inconstitucional a norma catarinense. Ele argumentou que "A lei foi aprovada em tramitação célere, sem audiências públicas, sem oitiva das universidades afetadas e sem qualquer análise concreta dos resultados da política pública que se pretendia extinguir".
Ele também escreveu que o argumento da norma de Santa Catarina, de que as cotas raciais violariam o princípio da isonomia, contraria o entendimento consolidado sobre o assunto no STF.
O ministro também lembrou que o Brasil assumiu um compromisso, através do decreto número 19.932/2022, para adotar políticas de promoção da igualdade de oportunidades para pessoas ou grupos sujeitos ao racismo, à discriminação racial e formas correlatas de intolerância.
"O legislador catarinense não apenas deixou de avaliar os resultados da política pública, como, conforme bem delineado pelo Relator, editou a norma impugnada com fundamento em premissa expressamente reconhecida como inconstitucional por esta Corte", escreveu Flávio Dino no voto.
Voto de Edson Fachin
O ministro Edson Fachin também escreveu o próprio voto. Ele declarou que a inconstitucionalidade da lei catarinense reafirma o compromisso do STF com a Constituição e com os “objetivos fundamentais da República”, citando “a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a promoção do desenvolvimento nacional e a redução das desigualdades sociais e regionais”.
“A neutralidade estatal diante de assimetrias históricas profundas não constitui virtude constitucional, mas forma de omissão inconstitucional, pois acaba por conservar e agravar situações de exclusão sistemática de grupos historicamente vulnerabilizados”, escreveu.
Segundo Fachin, a política pública das cotas, mesmo não sendo a única medida possível, é um mecanismo “adequado e necessário de combate ao racismo estrutural”.
Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc)
Vinícius Graton/Secom Udesc
VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias
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17/04 -
'Farmou': professora cria sistema digital de aura para estimular alunos e evitar bagunça
Professora cria sistema para monitorar alunos que ‘farmam aura’
Você dispensaria o presentão de ganhar um ponto extra na média final da escola? Os pré-adolescentes de 2026 não estão ligando muito para isso. O que realmente os move é a possibilidade de… farmar aura.
Foi usando essa terminologia jovem que a professora Vilma Gama, de 51 anos, criou um sistema de controle de disciplina nas turmas de 6º a 9º ano do Colégio São Gabriel, em Osasco (SP).
O aluno fez a lição de casa? Levou o material para a aula? Respeitou o amigo? Ganhou 1.000 pontos no painel de aura. Esqueceu o livro? Não fez a atividade? Certamente vai ouvir o deboche de outro colega: “Ihhhh, perdeu aura!”.
✨Afinal, o que é farmar aura? “Farmar” é uma expressão vinda de jogos eletrônicos como Minecraft e Fortnite: significa cumprir alguma tarefa para acumular recursos, pontos ou experiências. E “aura” é o carisma ou a energia que alguém transmite. Ao farmar aura, a pessoa acumula feitos que a transformam em alguém inspirador e interessante. Leia mais aqui.
Painel Aura monitora pontuação de alunos
Arquivo pessoal
“O melhor jeito de manter os alunos prestando atenção é dizer que vão perder aura. Acaba pegando onde ficam mais fragilizados. No fim do dia, perguntam: ‘e aí, professora, farmei aura?'”, conta Vilma.
E não pense que a parte contábil é amadora: a docente criou um painel eletrônico para registrar o ganho e a perda de aura dos alunos. O objetivo é que cada pré-adolescente chegue ao final do bimestre com 5 mil auras para ganhar uma nota extra.
“Mostro para eles como está a pontuação e sempre dou a chance de recuperarem aura fazendo as atividades”, conta.
“É uma plataforma gamificada, em que cada criança pode também ter uma skin [fantasia]: tem a do arqueiro, a do mago, a do curandeiro… O poder do mago, por exemplo, faz farmar mais aura. Mas é preciso ser merecedor dessa conquista.”
LEIA TAMBÉM: '6 7', 'six seven': por que esses dois números viraram um pesadelo para professores de inglês
Faz três semanas que a professora implementou esse sistema nas disciplinas que ministra na escola (Projeto de Vida e robótica). Segundo ela, o sucesso absoluto já gerou o interesse de outros professores, como o de matemática.
“O docente que não é flexível para entender a molecada fica à margem. A gente precisa entrar na deles e entender o que estão falando”, diz Vilma, incontestavelmente farmando aura com seu projeto.
Professora Vilma Gama, de Osasco (SP), usou a moda da 'aura' para engajar alunos
Arquivo pessoal
O que é ‘farmar aura’?
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17/04 -
Lei de SC que proíbe cotas raciais em universidades segue suspensa pelo TJ durante votação no STF
STF conclui hoje votação sobre cotas em SC
Nesta sexta-feira (17), termina o prazo para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votarem sobre a ação de inconstitucionalidade da lei aprovada em Santa Catarina que proíbe o ingresso via cotas raciais ou outras ações afirmativas no ensino superior em instituições que recebem verbas do Estado. Enquanto a votação não termina, a norma segue suspensa.
Isso ocorre por causa de uma decisão da Justiça estadual. A medida foi tomada em janeiro.
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Veja como votaram os ministros do STF
Fachin vota para formar maioria no STF por inconstitucionalidade de lei
Em relação à votação no STF, o placar era de 9x0 até o final da noite desta sexta-feira (17). Os ministros Gilmar Mendes, que é o relator, Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Edson Fachin e Cármen Lúcia, Luiz Fux e Nunes Marques votaram por declarar a inconstitucionalidade da lei, formando maioria.
A norma catarinense foi aprovada em dezembro na Assembleia Legislativa e sancionada em janeiro pelo governador Jorginho Mello (PL).
O texto catarinense estabelece a proibição da política de reserva de vagas para estudantes, professores e técnicos através de cotas de gênero ou outras ações afirmativas, como indígenas, pessoas trans, entre outras. As exceções são para pessoas com deficiência (PCDs), oriundas de escolas públicas e ingresso por critérios de renda.
Suspensão é para evitar efeitos antes de julgamento definitivo da ação
A lei foi sancionada em 22 de janeiro. A suspensão ocorreu cinco dias depois, feita pela desembargadora Maria do Rocio Luz Santa Ritta, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
Na decisão na época, a desembargadora escreveu que a lei poderia produzir efeitos antes do julgamento definitivo da ação judicial, sobretudo no contexto do início do ano acadêmico, período em que se definem regras de ingresso e contratação.
Lei é discutida no STF através de Ação Direta de Inconstitucionalidade
A lei catarinense está em discussão em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF. Entraram com o processo o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), em parceria com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro).
Nessa mesma ação, o ministro Gilmar Mendes já havia pedido para o governo de Santa Catarina, a Assembleia Legislativa catarinense, que propôs a lei, e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), diretamente afetada pela norma, dessem explicações.
Lei de Cotas
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Lei estadual proíbe cotas raciais e prevê multa por descumprimento
A lei 19722/2026 proíbe a adoção de cotas e outras ações afirmativas no ingresso em universidades públicas estaduais ou entidades de ensino superior comunitárias e privadas que recebam verbas públicas do governo de Santa Catarina.
A regra vale para o ingresso de estudantes ou contratação de professores, técnicos e qualquer outro profissional em instituições de ensino superior públicas ou que recebam verbas públicas.
Com isso, o fim das cotas raciais atingiria estudantes e profissionais:
da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), que oferece atualmente 59 cursos presenciais de graduação, distribuídos em 13 centros de ensino;
instituições do sistema de Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe), que reúne 14 instituições comunitárias e mais de 100 mil alunos;
faculdades privadas que recebem bolsas do programa Universidade Gratuita e do Fundo de Apoio à Educação Superior (Fumdesc).
A lei diz que ficam excluídas da proibição a reserva de vagas para:
Pessoas com Deficiência (PCD);
Estudantes vindos de instituições estaduais públicas de ensino médio;
Aquelas baseadas em critérios exclusivamente econômicos.
Em caso de descumprimento, a lei prevê as seguintes penalidades:
anulação do edital;
multa de R$ 100 mil por edital em desacordo com a lei;
corte dos repasses de verbas públicas;
agentes públicos responsáveis por fazer e publicar o edital serão submetidos a Procedimento Administrativo Disciplinar.
Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc)
Vinícius Graton/Secom Udesc
VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias
STF forma maioria para declarar inconstitucional lei de SC que proíbe cotas raciais
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16/04 -
Ministro da Educação assina portaria que cria programa Participa Jovem, voltado para grêmios estudantis
Ministro Leonardo Barchini em evento da UBES em São Bernardo do Campo (SP).
Emily Santos/g1
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, assinou nesta quinta-feira (16) uma portaria que cria o Participa Jovem, novo programa do governo federal voltado aos grêmios estudantis. A política visa fomentar e fortalecer os grêmios estudantis, promovendo o protagonismo juvenil e a participação democrática nas escolas.
De acordo com o governo, o programa busca ampliar a participação política e social dos estudantes, garantir equidade educacional e promover práticas que valorizem a diversidade.
A portaria foi assinada na cerimônia de abertura do 46º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), que acontece de 16 a 19 de abril em São Bernardo do Campo (SP).
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Em dezembro de 2025, o governo anunciou que o programa seria implementado por meio de ações articuladas com os estados, municípios e escolas.
A atuação da iniciativa dever ser organizada em três eixos:
coordenação federativa, por meio da articulação entre o MEC, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e a Ubes;
formação, que visa à capacitação de secretarias, gestores, professores e representantes estudantis; e
mobilização e conexão, com a criação da Rede de Grêmios e de uma plataforma nacional para comunicação, repositório e interação entre os estudantes.
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16/04 -
STF decide que professores temporários da educação básica têm direito ao piso nacional do magistério
O Supremo Tribunal Federal decidiu, nesta quinta-feira (16), que professores temporários da educação básica na rede pública têm direito ao piso salarial nacional do magistério.
Prevaleceu o voto do relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes. A decisão foi por unanimidade.
"A previsão do piso nacional não se restringiu apenas aos profissionais que integram carreiras, não se restringiu somente aos profissionais contratados de forma efetiva, abrangendo todos os profissionais do magistério da educação básica independentemente da natureza do vínculo estabelecido", concluiu o ministro.
Seguiram nesta linha os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, André Mendonça, Dias Toffoli, Nunes Marques, Luiz Fux, Cármen Lúcia, o decano Gilmar Mendes e o presidente Edson Fachin.
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A Corte aprovou uma tese, um resumo da decisão a ser aplicado em processos semelhantes em instâncias inferiores.
💰 Para este ano, o valor do piso é de R$ 5.130,63.
Os ministros deixaram claro que o reconhecimento da equiparação do piso não significa uma isonomia entre temporários e efetivos também quanto a outros benefícios.
Por maioria, o plenário também definiu um limite para a cessão de profissionais da educação efetivos para outras funções na Administração Pública.
O remanejamento, que acaba fazendo surgir a necessidade de contratação temporária, será restrito a 5% do total do quadro de servidores da área em cada estado.
Imagem de professor em sala de aula
Freepik
Caso concreto
A disputa jurídica chegou ao Supremo a partir de uma ação proposta na Justiça estadual por uma professora temporária contra o estado de Pernambuco.
A profissional recebia salário abaixo do piso. Por isso, solicitou a equiparação com o valor recebido por professores que exerciam o cargo efetivo.
O pedido foi negado na primeira instância, mas reconhecido pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE).
O tribunal considerou que a professora exercia as mesmas atribuições de colegas efetivos. Assim, o fato de o contrato ser por tempo determinado não impediria o direito a ter remuneração igual.
O estado, então, recorreu da decisão ao STF, que analisa a questão com a chamada repercussão geral. Ou seja, sua decisão servirá de modelo para resolver processos semelhantes por todo o país.
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16/04 -
O que dizem os ministros do STF sobre inconstitucionalidade da lei de SC que proíbe cotas raciais em universidades
STF forma maioria para declarar inconstitucional lei de SC que proíbe cotas raciais
Os ministros Flávio Dino e Edson Fachin, além do relator Gilmar Mendes, escreveram os próprios votos no julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a lei aprovada em Santa Catarina que proíbe o ingresso via cotas raciais ou outras ações afirmativas no ensino superior em instituições que recebem verbas do Estado.
Na tarde desta quinta-feira (16), o tribunal formou maioria, já que sete ministros votaram pela inconstitucionalidade, de um total de 10. São eles: Gilmar Mendes, Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Edson Fachin e Cármen Lúcia.
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Os outros três votos precisam ser dados até às 23h59 desta sexta-feira (17). Faltam as manifestações dos ministros Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça. Como prevê o regimento das sessões virtuais, não há a obrigatoriedade da apresentação de voto, com exceção do relator e de votos divergentes.
O julgamento no plenário virtual começou em 10 de abril. Os ministros ainda vão decidir se a decisão da Corte sobre a lei de Santa Catarina deve ser aplicada a outras legislações estaduais semelhantes que, eventualmente, sejam promulgadas.
A norma catarinense foi aprovada em dezembro na Assembleia Legislativa e sancionada em janeiro pelo governador Jorginho Mello (PL).
O texto da lei estadual estabelece a proibição da política de reserva de vagas para estudantes, professores e técnicos através de cotas raciais ou outras ações afirmativas, como indígenas, pessoas trans, entre outras. As exceções são para pessoas com deficiência (PCDs), oriundas de escolas públicas e ingresso por critérios de renda.
TJ suspende lei que proíbe cotas raciais nas universidades de SC
Fundação Palmares classifica lei como 'retrocesso de direitos'
Entidades questionam constitucionalidade de lei aprovada
Veja abaixo o resumo dos votos dos ministros que se manifestaram por escrito.
Voto de Gilmar Mendes
No voto, Mendes, que também é o relator da ação, sustentou que Lei Estadual 19.722/2026 desconsiderou que ações afirmativas baseadas em critérios étnico-raciais já foram reconhecidas como constitucionais pelo STF.
Destacou ainda que as políticas de cotas encontram respaldo não apenas na jurisprudência da Corte, mas também em normas internacionais incorporadas ao ordenamento brasileiro com status equivalente ao de emenda constitucional.
"[...] é possível concluir que a aprovação e a sua sanção pelo Governador do Estado de Santa Catarina basearam-se eminentemente na noção de que as ações afirmativas baseadas exclusivamente em critérios étnico-raciais representariam possível violação ao princípio da isonomia – premissa, como exposto acima, inconstitucional", narra o ministro no voto.
O ministro cita que a lei catarinense começa proibindo a adoção de qualquer política de reserva de vagas em processos seletivos. Em seguida, porém, a própria norma prevê três exceções: a reserva de vagas para pessoas com deficiência, a adoção de critérios exclusivamente econômicos e a destinação de vagas a estudantes oriundos da rede pública estadual de ensino médio.
Na avaliação do ministro, essa combinação revela o objetivo prático da lei: impedir, na prática, apenas as políticas baseadas em critérios étnico-raciais.
"[...] esta Suprema Corte há muito assentou que a utilização chamadas cotas raciais para ingresso no ensino superior público não viola o princípio da isonomia (Constituição, art. 5º, caput). Pelo contrário, políticas dessa natureza, quando bem utilizadas, efetivamente concretizam o princípio da igualdade, concebido como igual respeito às diferenças e mandado de combate às desigualdades materiais", continuou.
Voto de Flávio Dino
O ministro Flávio Dino também considerou inconstitucional a norma catarinense. Ele argumentou que "A lei foi aprovada em tramitação célere, sem audiências públicas, sem oitiva das universidades afetadas e sem qualquer análise concreta dos resultados da política pública que se pretendia extinguir".
Ele também escreveu que o argumento da norma de Santa Catarina, de que as cotas raciais violariam o princípio da isonomia, contraria o entendimento consolidado sobre o assunto no STF.
O ministro também lembrou que o Brasil assumiu um compromisso, através do decreto número 19.932/2022, para adotar políticas de promoção da igualdade de oportunidades para pessoas ou grupos sujeitos ao racismo, à discriminação racial e formas correlatas de intolerância.
"O legislador catarinense não apenas deixou de avaliar os resultados da política pública, como, conforme bem delineado pelo Relator, editou a norma impugnada com fundamento em premissa expressamente reconhecida como inconstitucional por esta Corte", escreveu Flávio Dino no voto.
Voto de Edison Fachin
O ministro Edson Fachin também escreveu o próprio voto. Ele declarou que a inconstitucionalidade da lei catarinense reafirma o compromisso do STF com a Constituição e com os “objetivos fundamentais da República”, citando “a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a promoção do desenvolvimento nacional e a redução das desigualdades sociais e regionais”.
“A neutralidade estatal diante de assimetrias históricas profundas não constitui virtude constitucional, mas forma de omissão inconstitucional, pois acaba por conservar e agravar situações de exclusão sistemática de grupos historicamente vulnerabilizados”, escreveu.
Segundo Fachin, a política pública das cotas, mesmo não sendo a única medida possível, é um mecanismo “adequado e necessário de combate ao racismo estrutural”.
Lei de Cotas
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Lei estava suspensa no estado e aguardava julgamento no STF
A lei catarinense está em discussão na Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF. Entraram com o processo o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), em parceria com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro).
Nessa mesma ação, o ministro Gilmar Mendes já havia pedido para o governo de Santa Catarina, a Assembleia Legislativa catarinense, que propôs a lei, e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), diretamente afetada pela norma, dessem explicações.
Em janeiro, o governo, através da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), justificou para a legalidade da lei a afirmação de Santa Catarina ser o estado com "maior população branca do país". Para embasar, utilizou dados desatualizados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Governo de SC defende proibição de cotas raciais com dados que estado é o mais branco do país; IBGE aponta aumento da população negra
Além do argumento racial, o governo de Santa Catarina afirmou que a lei “não tem índole discriminatória ou segregacionista” e que a autonomia universitária “não é absoluta”. Também diz que as universidades continuam autorizadas a reservar vagas para pessoas com deficiência, estudantes de baixa renda e egressos da rede pública estadual.
Na prática, a norma estadual está suspensa, já que há outra ação no mesmo estilo que tramita no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc)
Vinícius Graton/Secom Udesc
Lei estadual proíbe cotas raciais e prevê multa por descumprimento
A lei 19722/2026 proíbe a adoção de cotas e outras ações afirmativas no ingresso em universidades públicas estaduais ou entidades de ensino superior comunitárias e privadas que recebam verbas públicas do governo de Santa Catarina.
A regra vale para o ingresso de estudantes ou contratação de professores, técnicos e qualquer outro profissional em instituições de ensino superior públicas ou que recebam verbas públicas.
Com isso, o fim das cotas raciais atingiria estudantes e profissionais:
da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), que oferece atualmente 59 cursos presenciais de graduação, distribuídos em 13 centros de ensino;
instituições do sistema de Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe), que reúne 14 instituições comunitárias e mais de 100 mil alunos;
faculdades privadas que recebem bolsas do programa Universidade Gratuita e do Fundo de Apoio à Educação Superior (Fumdesc).
A lei diz que ficam excluídas da proibição a reserva de vagas para:
Pessoas com Deficiência (PCD);
Estudantes vindos de instituições estaduais públicas de ensino médio;
Aquelas baseadas em critérios exclusivamente econômicos.
Em caso de descumprimento, a lei prevê as seguintes penalidades:
anulação do edital;
multa de R$ 100 mil por edital em desacordo com a lei;
corte dos repasses de verbas públicas;
agentes públicos responsáveis por fazer e publicar o edital serão submetidos a Procedimento Administrativo Disciplinar.
O que disseram as entidades
Udesc
Em nota, a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) afirmou que recebeu com satisfação a maioria formada no STF pela inconstitucionalidade da lei e reafirmou o compromisso da instituição com a democratização do acesso ao ensino superior.
"A Universidade recebe com satisfação e senso de responsabilidade institucional a formação de maioria no STF em favor da preservação das políticas de ações afirmativas, reconhecendo este resultado como um importante passo na defesa da equidade, da inclusão social e da autonomia universitária.
[...[ A Udesc acompanhará a conclusão do julgamento com atenção e continuará atuando de forma firme na defesa de uma universidade pública inclusiva, plural e socialmente comprometida."
Deputado Alex Brasil
O autor da lei que proíbe cotas raciais em Santa Catarina, afirmou em nota que a maioria formada no STF para derrubar a norma causa tristeza, mas não surpresa, e criticou o que classificou como uma decisão política que desconsidera a vontade da maioria dos deputados catarinenses, que defenderam a adoção de cotas com base exclusivamente no critério de renda.
O parlamentar ressaltou que o julgamento ainda não terminou e afirmou que irá acompanhar a decisão final do STF, estudar os votos dos ministros e trabalhar na elaboração de um novo projeto de lei, alinhado ao entendimento da Corte e, segundo ele, aos interesses da população catarinense.
Governo de Santa Catarina
O Governo de Santa Catarina afirmou que, por ora, não pretende se manifestar sobre o tema e que irá aguardar a conclusão definitiva do julgamento no Supremo Tribunal Federal antes de qualquer posicionamento.
Alesc
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) informou que, caso a inconstitucionalidade da lei seja confirmada, irá aguardar a publicação do acórdão e cumprirá integralmente a decisão do Supremo Tribunal Federal.
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16/04 -
Fachin vota para formar maioria no STF por inconstitucionalidade de lei de SC que proíbe cotas raciais em universidades
STF tem 4 votos pela inconstitucionalidade da lei de SC que proíbe cotas raciais
O voto do ministro Edson Fachin formou maioria para o Supremo Tribunal Federal (STF) declarar inconstitucional a lei aprovada em Santa Catarina que proíbe o ingresso via cotas raciais ou outras ações afirmativas no ensino superior em instituições que recebem verbas do Estado.
Ele acompanhou o voto do relator, Gilmar Mendes. Além desses, os ministros Flávio Dino, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes também votaram pela inconstitucionalidade.
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O julgamento no plenário virtual começou na sexta-feira (10). Até as 14h50 desta quinta-feira (16), o placar no STF estava em 6x0 a favor da inconstitucionalidade da norma catarinense, aprovada em dezembro na Assembleia Legislativa e sancionada em janeiro pelo governador Jorginho Mello (PL).
O que diz a lei que restringe cotas em Santa Catarina?
O texto catarinense estabelece a proibição da política de reserva de vagas para estudantes, professores e técnicos através de cotas de gênero ou outras ações afirmativas, como indígenas, pessoas trans, entre outras. As exceções são para pessoas com deficiência (PCDs), oriundas de escolas públicas e ingresso por critérios de renda.
A discussão no plenário virtual do STF iniciou no fim da manhã de sexta. O voto de Mendes será apreciado pelos outros quatro ministros da corte com prazo de até 17 de abril.
Ainda faltam votar: Luiz Fux, Nunes Marques, André Mendonça, Cármen Lúcia.
Até a última atualização desta reportagem, as justificativas por escrito dos votos de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Cristiano Zanin não estavam disponíveis no processo. Como prevê o regimento, das sessões virtuais, não há a obrigatoriedade da apresentação de voto, com exceção do relator e de votos divergentes.
Lei de Cotas
Getty Images
Voto de Gilmar Mendes
No voto, Mendes, que também é o relator da ação, sustentou que Lei Estadual 19.722/2026 desconsiderou que ações afirmativas baseadas em critérios étnico-raciais já foram reconhecidas como constitucionais pelo STF.
Destacou ainda que as políticas de cotas encontram respaldo não apenas na jurisprudência da Corte, mas também em normas internacionais incorporadas ao ordenamento brasileiro com status equivalente ao de emenda constitucional.
"[...] é possível concluir que a aprovação e a sua sanção pelo Governador do Estado de Santa Catarina basearam-se eminentemente na noção de que as ações afirmativas baseadas exclusivamente em critérios étnico-raciais representariam possível violação ao princípio da isonomia – premissa, como exposto acima, inconstitucional", narra o ministro no voto.
O ministro cita que a lei catarinense começa proibindo a adoção de qualquer política de reserva de vagas em processos seletivos. Em seguida, porém, a própria norma prevê três exceções: a reserva de vagas para pessoas com deficiência, a adoção de critérios exclusivamente econômicos e a destinação de vagas a estudantes oriundos da rede pública estadual de ensino médio.
Na avaliação do ministro, essa combinação revela o objetivo prático da lei: impedir, na prática, apenas as políticas baseadas em critérios étnico-raciais.
"[...] esta Suprema Corte há muito assentou que a utilização chamadas cotas raciais para ingresso no ensino superior público não viola o princípio da isonomia (Constituição, art. 5º, caput). Pelo contrário, políticas dessa natureza, quando bem utilizadas, efetivamente concretizam o princípio da igualdade, concebido como igual respeito às diferenças e mandado de combate às desigualdades materiais", continuou.
Voto de Flávio Dino
O ministro Flávio Dino também considerou inconstitucional a norma catarinense. Ele argumentou que "A lei foi aprovada em tramitação célere, sem audiências públicas, sem oitiva das universidades afetadas e sem qualquer análise concreta dos resultados da política pública que se pretendia extinguir".
Ele também escreveu que o argumento da norma de Santa Catarina, de que as cotas raciais violariam o princípio da isonomia, contraria o entendimento consolidado sobre o assunto no STF.
O ministro também lembrou que o Brasil assumiu um compromisso, através do decreto número 19.932/2022, para adotar políticas de promoção da igualdade de oportunidades para pessoas ou grupos sujeitos ao racismo, à discriminação racial e formas correlatas de intolerância.
"O legislador catarinense não apenas deixou de avaliar os resultados da política pública, como, conforme bem delineado pelo Relator, editou a norma impugnada com fundamento em premissa expressamente reconhecida como inconstitucional por esta Corte", escreveu Flávio Dino no voto.
Voto de Edison Fachin
O ministro Edson Fachin também escreveu o próprio voto. Ele declarou que a inconstitucionalidade da lei catarinense reafirma o compromisso do STF com a Constituição e com os “objetivos fundamentais da República”, citando “a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a promoção do desenvolvimento nacional e a redução das desigualdades sociais e regionais”.
“A neutralidade estatal diante de assimetrias históricas profundas não constitui virtude constitucional, mas forma de omissão inconstitucional, pois acaba por conservar e agravar situações de exclusão sistemática de grupos historicamente vulnerabilizados”, escreveu.
Segundo Fachin, a política pública das cotas, mesmo não sendo a única medida possível, é um mecanismo “adequado e necessário de combate ao racismo estrutural”.
Lei estava suspensa no estado e aguardava julgamento no STF
A lei catarinense está em discussão em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF. Entraram com o processo o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), em parceria com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro).
Nessa mesma ação, o ministro Gilmar Mendes já havia pedido para o governo de Santa Catarina, a Assembleia Legislativa catarinense, que propôs a lei, e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), diretamente afetada pela norma, dessem explicações.
Na prática, a norma estadual está suspensa, já que há outra ação no mesmo estilo que tramita no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc)
Vinícius Graton/Secom Udesc
Lei estadual proíbe cotas raciais e prevê multa por descumprimento
A lei 19722/2026 proíbe a adoção de cotas e outras ações afirmativas no ingresso em universidades públicas estaduais ou entidades de ensino superior comunitárias e privadas que recebam verbas públicas do governo de Santa Catarina.
A regra vale para o ingresso de estudantes ou contratação de professores, técnicos e qualquer outro profissional em instituições de ensino superior públicas ou que recebam verbas públicas.
Com isso, o fim das cotas raciais atingiria estudantes e profissionais:
da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), que oferece atualmente 59 cursos presenciais de graduação, distribuídos em 13 centros de ensino;
instituições do sistema de Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe), que reúne 14 instituições comunitárias e mais de 100 mil alunos;
faculdades privadas que recebem bolsas do programa Universidade Gratuita e do Fundo de Apoio à Educação Superior (Fumdesc).
A lei diz que ficam excluídas da proibição a reserva de vagas para:
Pessoas com Deficiência (PCD);
Estudantes vindos de instituições estaduais públicas de ensino médio;
Aquelas baseadas em critérios exclusivamente econômicos.
Em caso de descumprimento, a lei prevê as seguintes penalidades:
anulação do edital;
multa de R$ 100 mil por edital em desacordo com a lei;
corte dos repasses de verbas públicas;
agentes públicos responsáveis por fazer e publicar o edital serão submetidos a Procedimento Administrativo Disciplinar.
VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias
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16/04 -
STF forma maioria para derrubar lei de SC que proíbe cotas raciais em universidades
STF forma maioria para declarar inconstitucional lei de SC que proíbe cotas raciais
O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta quinta-feira (16) para declarar inconstitucional a lei aprovada em Santa Catarina que proíbe o ingresso via cotas raciais ou outras ações afirmativas no ensino superior em instituições que recebem verbas do Estado.
O placar está em 7 a 0. O sexto voto, que formou a maioria, foi o do ministro Edson Fachin. Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia também foram favoráveis ao voto do relator Gilmar Mendes.
Ainda faltam votar: Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça. O julgamento no plenário virtual começou em 10 de abril e caso não haja pedidos de vista ou destaque, o que não ocorreu até o momento, segue até as 23h59 desta sexta-feira (17).
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O que disseram os ministros do STF sobre inconstitucionalidade da lei
O entendimento adotado no caso de Santa Catarina deve ser seguido pelo Supremo na análise de eventuais leis estaduais semelhantes sobre cotas.
O texto sancionado em janeiro pelo governador Jorginho Mello (PL) estabelecia a proibição da política de reserva de vagas para estudantes, professores e técnicos através de cotas raciais ou outras ações afirmativas, como indígenas, pessoas trans, entre outras.
As exceções eram para pessoas com deficiência (PCDs), oriundas de escolas públicas e ingresso por critérios de renda.
Até a última atualização desta reportagem, as justificativas por escrito dos votos de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Cristiano Zanin não estavam disponíveis no processo. Como prevê o regimento das sessões virtuais, não há a obrigatoriedade da apresentação de voto, com exceção do relator e de votos divergentes.
Edson Fachin, presidente da corte, apresentou voto. Ele declarou que a inconstitucionalidade da lei catarinense reafirma o compromisso do STF com a Constituição e com os “objetivos fundamentais da República”, citando “a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a promoção do desenvolvimento nacional e a redução das desigualdades sociais e regionais”.
“A neutralidade estatal diante de assimetrias históricas profundas não constitui virtude constitucional, mas forma de omissão inconstitucional, pois acaba por conservar e agravar situações de exclusão sistemática de grupos historicamente vulnerabilizados”, escreveu.
Segundo Fachin, a política pública das cotas, mesmo não sendo a única medida possível, é um mecanismo “adequado e necessário de combate ao racismo estrutural”
Lei de Cotas
Getty Images
Lei estava suspensa no estado e aguardava julgamento no STF
A lei catarinense está em discussão em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF. O PSOL, em parceria com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro), entrou com o processo.
Nessa mesma ação, o ministro Gilmar Mendes já havia pedido para que o governo de Santa Catarina, a Assembleia Legislativa catarinense, que propôs a lei, e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), diretamente afetada pela norma, dessem explicações.
Em janeiro, o governo afirmou, por meio da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que a lei é legal porque Santa Catarina tem a "maior população branca do país". Para embasar, utilizou dados desatualizados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Governo de SC defende proibição de cotas raciais com dados que estado é o mais branco do país; IBGE aponta aumento da população negra
Além do argumento racial, o governo de Santa Catarina afirmou que a lei “não tem índole discriminatória ou segregacionista” e que a autonomia universitária “não é absoluta”. Também diz que as universidades continuam autorizadas a reservar vagas para pessoas com deficiência, estudantes de baixa renda e egressos da rede pública estadual.
Na prática, a norma estadual está suspensa, já que há outra ação no mesmo estilo tramitando no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
Como foi o voto do relator Gilmar Mendes
No voto, Mendes sustentou que Lei Estadual 19.722/2026 desconsiderou que ações afirmativas baseadas em critérios étnico-raciais já foram reconhecidas como constitucionais pelo STF.
Destacou ainda que as políticas de cotas encontram respaldo não apenas na jurisprudência da Corte, mas também em normas internacionais incorporadas ao ordenamento brasileiro com status equivalente ao de emenda constitucional.
"[...] é possível concluir que a aprovação e a sua sanção pelo Governador do Estado de Santa Catarina basearam-se eminentemente na noção de que as ações afirmativas baseadas exclusivamente em critérios étnico-raciais representariam possível violação ao princípio da isonomia – premissa, como exposto acima, inconstitucional", narra o ministro no voto.
O ministro cita que a lei catarinense começa proibindo a adoção de qualquer política de reserva de vagas em processos seletivos. Em seguida, porém, a própria norma prevê três exceções: a reserva de vagas para pessoas com deficiência, a adoção de critérios exclusivamente econômicos e a destinação de vagas a estudantes oriundos da rede pública estadual de ensino médio.
Na avaliação do ministro, essa combinação revela o objetivo prático da lei: impedir, na prática, apenas as políticas baseadas em critérios étnico-raciais.
"[...] esta Suprema Corte há muito assentou que a utilização chamadas cotas raciais para ingresso no ensino superior público não viola o princípio da isonomia (Constituição, art. 5º, caput). Pelo contrário, políticas dessa natureza, quando bem utilizadas, efetivamente concretizam o princípio da igualdade, concebido como igual respeito às diferenças e mandado de combate às desigualdades materiais", continuou.
Voto de Flávio Dino
O ministro Flávio Dino também considerou inconstitucional a norma catarinense. Ele argumentou que "A lei foi aprovada em tramitação célere, sem audiências públicas, sem oitiva das universidades afetadas e sem qualquer análise concreta dos resultados da política pública que se pretendia extinguir".
Ele também escreveu que o argumento da norma de Santa Catarina, de que as cotas raciais violariam o princípio da isonomia, contraria o entendimento consolidado sobre o assunto no STF.
O ministro também lembrou que o Brasil assumiu um compromisso, através do decreto número 19.932/2022, para adotar políticas de promoção da igualdade de oportunidades para pessoas ou grupos sujeitos ao racismo, à discriminação racial e formas correlatas de intolerância.
"O legislador catarinense não apenas deixou de avaliar os resultados da política pública, como, conforme bem delineado pelo Relator, editou a norma impugnada com fundamento em premissa expressamente reconhecida como inconstitucional por esta Corte", escreveu Flávio Dino no voto.
Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc)
Vinícius Graton/Secom Udesc
Lei estadual proibia cotas raciais e prevê multa por descumprimento
A lei 19722/2026 proibia a adoção de cotas e outras ações afirmativas no ingresso em universidades públicas estaduais ou entidades de ensino superior comunitárias e privadas que recebam verbas públicas do governo de Santa Catarina.
A regra valia para o ingresso de estudantes ou contratação de professores, técnicos e qualquer outro profissional em instituições de ensino superior públicas ou que recebam verbas públicas.
Com isso, o fim das cotas raciais atingiria estudantes e profissionais:
da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), que oferece atualmente 59 cursos presenciais de graduação, distribuídos em 13 centros de ensino;
instituições do sistema de Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe), que reúne 14 instituições comunitárias e mais de 100 mil alunos;
faculdades privadas que recebem bolsas do programa Universidade Gratuita e do Fundo de Apoio à Educação Superior (Fumdesc).
A lei diz que ficavam excluídas da proibição a reserva de vagas para:
Pessoas com Deficiência (PCD);
Estudantes vindos de instituições estaduais públicas de ensino médio;
Aquelas baseadas em critérios exclusivamente econômicos.
Em caso de descumprimento, a lei previa as seguintes penalidades:
anulação do edital;
multa de R$ 100 mil por edital em desacordo com a lei;
corte dos repasses de verbas públicas;
agentes públicos responsáveis por fazer e publicar o edital serão submetidos a Procedimento Administrativo Disciplinar.
O que disseram as entidades
Udesc
Em nota, a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) afirmou que recebeu com satisfação a maioria formada no STF pela inconstitucionalidade da lei e reafirmou o compromisso da instituição com a democratização do acesso ao ensino superior.
"A Universidade recebe com satisfação e senso de responsabilidade institucional a formação de maioria no STF em favor da preservação das políticas de ações afirmativas, reconhecendo este resultado como um importante passo na defesa da equidade, da inclusão social e da autonomia universitária.
[...[ A Udesc acompanhará a conclusão do julgamento com atenção e continuará atuando de forma firme na defesa de uma universidade pública inclusiva, plural e socialmente comprometida."
Deputado Alex Brasil
O autor da lei que proíbe cotas raciais em Santa Catarina, afirmou em nota que a maioria formada no STF para derrubar a norma causa tristeza, mas não surpresa, e criticou o que classificou como uma decisão política que desconsidera a vontade da maioria dos deputados catarinenses, que defenderam a adoção de cotas com base exclusivamente no critério de renda.
O parlamentar ressaltou que o julgamento ainda não terminou e afirmou que irá acompanhar a decisão final do STF, estudar os votos dos ministros e trabalhar na elaboração de um novo projeto de lei, alinhado ao entendimento da Corte e, segundo ele, aos interesses da população catarinense.
Governo de Santa Catarina
O Governo de Santa Catarina afirmou que, por ora, não pretende se manifestar sobre o tema e que irá aguardar a conclusão definitiva do julgamento no Supremo Tribunal Federal antes de qualquer posicionamento.
Alesc
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) informou que, caso a inconstitucionalidade da lei seja confirmada, irá aguardar a publicação do acórdão e cumprirá integralmente a decisão do Supremo Tribunal Federal.
VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias
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16/04 -
STF tem 5 votos e fica a 1 pela inconstitucionalidade da lei de SC que proíbe cotas raciais em universidades
STF tem 4 votos pela inconstitucionalidade da lei de SC que proíbe cotas raciais
O ministro Cristiano Zanin votou para o Supremo Tribunal Federal (STF) declarar inconstitucional a lei aprovada em Santa Catarina que proíbe o ingresso via cotas raciais ou outras ações afirmativas no ensino superior em instituições que recebem verbas do Estado.
Ele acompanhou o voto do relator, Gilmar Mendes. Além desses, os ministros Flávio Dino, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes também votaram pela inconstitucionalidade. O plenário, que conta hoje com 10 ministros, precisa formar maioria.
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O julgamento no plenário virtual começou na sexta-feira (10). Até as 9h desta quinta-feira (16), o placar no STF estava em 5x0 a favor da inconstitucionalidade da norma catarinense, aprovada em dezembro na Assembleia Legislativa e sancionada em janeiro pelo governador Jorginho Mello (PL).
O que diz a lei que restringe cotas em Santa Catarina?
O texto catarinense estabelece a proibição da política de reserva de vagas para estudantes, professores e técnicos através de cotas de gênero ou outras ações afirmativas, como indígenas, pessoas trans, entre outras. As exceções são para pessoas com deficiência (PCDs), oriundas de escolas públicas e ingresso por critérios de renda.
A discussão no plenário virtual do STF iniciou no fim da manhã de sexta. O voto de Mendes será apreciado pelos outros cinco ministros da corte com prazo de até 17 de abril
Ainda faltam votar: Luiz Fux, Nunes Marques, André Mendonça, Cármen Lúcia e Edson Fachin.
Até a última atualização desta reportagem, as justificativas por escrito dos votos de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Cristiano Zanin não estavam disponíveis no processo. Como prevê o regimento, das sessões virtuais, não há a obrigatoriedade da apresentação de voto, com exceção do relator e de votos divergentes.
Lei de Cotas
Getty Images
Voto de Gilmar Mendes
No voto, Mendes, que também é o relator da ação, sustentou que Lei Estadual 19.722/2026 desconsiderou que ações afirmativas baseadas em critérios étnico-raciais já foram reconhecidas como constitucionais pelo STF.
Destacou ainda que as políticas de cotas encontram respaldo não apenas na jurisprudência da Corte, mas também em normas internacionais incorporadas ao ordenamento brasileiro com status equivalente ao de emenda constitucional.
"[...] é possível concluir que a aprovação e a sua sanção pelo Governador do Estado de Santa Catarina basearam-se eminentemente na noção de que as ações afirmativas baseadas exclusivamente em critérios étnico-raciais representariam possível violação ao princípio da isonomia – premissa, como exposto acima, inconstitucional", narra o ministro no voto.
O ministro cita que a lei catarinense começa proibindo a adoção de qualquer política de reserva de vagas em processos seletivos. Em seguida, porém, a própria norma prevê três exceções: a reserva de vagas para pessoas com deficiência, a adoção de critérios exclusivamente econômicos e a destinação de vagas a estudantes oriundos da rede pública estadual de ensino médio.
Na avaliação do ministro, essa combinação revela o objetivo prático da lei: impedir, na prática, apenas as políticas baseadas em critérios étnico-raciais.
"[...] esta Suprema Corte há muito assentou que a utilização chamadas cotas raciais para ingresso no ensino superior público não viola o princípio da isonomia (Constituição, art. 5º, caput). Pelo contrário, políticas dessa natureza, quando bem utilizadas, efetivamente concretizam o princípio da igualdade, concebido como igual respeito às diferenças e mandado de combate às desigualdades materiais", continuou.
Voto de Flávio Dino
O ministro Flávio Dino também considerou inconstitucional a norma catarinense. Ele argumentou que "A lei foi aprovada em tramitação célere, sem audiências públicas, sem oitiva das universidades afetadas e sem qualquer análise concreta dos resultados da política pública que se pretendia extinguir".
Ele também escreveu que o argumento da norma de Santa Catarina, de que as cotas raciais violariam o princípio da isonomia, contraria o entendimento consolidado sobre o assunto no STF.
O ministro também lembrou que o Brasil assumiu um compromisso, através do decreto número 19.932/2022, para adotar políticas de promoção da igualdade de oportunidades para pessoas ou grupos sujeitos ao racismo, à discriminação racial e formas correlatas de intolerância.
"O legislador catarinense não apenas deixou de avaliar os resultados da política pública, como, conforme bem delineado pelo Relator, editou a norma impugnada com fundamento em premissa expressamente reconhecida como inconstitucional por esta Corte", escreveu Flávio Dino no voto.
Lei estava suspensa no estado e aguardava julgamento no STF
A lei catarinense está em discussão em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF. Entraram com o processo o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), em parceria com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro).
Nessa mesma ação, o ministro Gilmar Mendes já havia pedido para o governo de Santa Catarina, a Assembleia Legislativa catarinense, que propôs a lei, e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), diretamente afetada pela norma, dessem explicações.
Na prática, a norma estadual está suspensa, já que há outra ação no mesmo estilo que tramita no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc)
Vinícius Graton/Secom Udesc
Lei estadual proíbe cotas raciais e prevê multa por descumprimento
A lei 19722/2026 proíbe a adoção de cotas e outras ações afirmativas no ingresso em universidades públicas estaduais ou entidades de ensino superior comunitárias e privadas que recebam verbas públicas do governo de Santa Catarina.
A regra vale para o ingresso de estudantes ou contratação de professores, técnicos e qualquer outro profissional em instituições de ensino superior públicas ou que recebam verbas públicas.
Com isso, o fim das cotas raciais atingiria estudantes e profissionais:
da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), que oferece atualmente 59 cursos presenciais de graduação, distribuídos em 13 centros de ensino;
instituições do sistema de Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe), que reúne 14 instituições comunitárias e mais de 100 mil alunos;
faculdades privadas que recebem bolsas do programa Universidade Gratuita e do Fundo de Apoio à Educação Superior (Fumdesc).
A lei diz que ficam excluídas da proibição a reserva de vagas para:
Pessoas com Deficiência (PCD);
Estudantes vindos de instituições estaduais públicas de ensino médio;
Aquelas baseadas em critérios exclusivamente econômicos.
Em caso de descumprimento, a lei prevê as seguintes penalidades:
anulação do edital;
multa de R$ 100 mil por edital em desacordo com a lei;
corte dos repasses de verbas públicas;
agentes públicos responsáveis por fazer e publicar o edital serão submetidos a Procedimento Administrativo Disciplinar.
VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias
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15/04 -
STF tem 4 votos pela inconstitucionalidade da lei de SC que proíbe cotas raciais em universidades
STF tem 4 votos pela inconstitucionalidade da lei de SC que proíbe cotas raciais
O ministro Dias Toffoli votou para o Supremo Tribunal Federal (STF) declarar inconstitucional a lei aprovada em Santa Catarina que proíbe o ingresso via cotas raciais ou outras ações afirmativas no ensino superior em instituições que recebem verbas do Estado.
Ele acompanhou o voto do relator, Gilmar Mendes. Além desses, os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes também votaram pela inconstitucionalidade.
O julgamento começou na sexta-feira (10). Até as 19h18 desta quarta-feira (15), o placar no STF estava em 4x0 a favor da inconstitucionalidade da norma catarinense, que foi aprovada em dezembro na Assembleia Legislativa e sancionada em janeiro pelo governador Jorginho Mello (PL).
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O texto catarinense estabelece a proibição da política de reserva de vagas para estudantes, professores e técnicos através de cotas de gênero ou outras ações afirmativas, como indígenas, pessoas trans, entre outras. As exceções são para pessoas com deficiência (PCDs), oriundas de escolas públicas e ingresso por critérios de renda.
A discussão no plenário virtual do STF iniciou no fim da manhã de sexta. O voto de Mendes será apreciado pelos outros seis ministros da corte com prazo de até 17 de abril.
Até a publicação desta notícia, as justificativas por escrito dos votos de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli não estavam disponíveis no processo.
Ainda faltam votar os ministros Luiz Fux, Nunes Marques, Cristiano Zanin, André Mendonça, Cármen Lúcia e Edson Fachin.
Voto de Gilmar Mendes
No voto, Mendes, que também é o relator da ação, sustentou que Lei Estadual 19.722/2026 desconsiderou que ações afirmativas baseadas em critérios étnico-raciais já foram reconhecidas como constitucionais pelo STF.
Destacou ainda que as políticas de cotas encontram respaldo não apenas na jurisprudência da Corte, mas também em normas internacionais incorporadas ao ordenamento brasileiro com status equivalente ao de emenda constitucional.
"[...] é possível concluir que a aprovação e a sua sanção pelo Governador do Estado de Santa Catarina basearam-se eminentemente na noção de que as ações afirmativas baseadas exclusivamente em critérios étnico-raciais representariam possível violação ao princípio da isonomia – premissa, como exposto acima, inconstitucional", narra o ministro no voto.
O ministro cita que a lei catarinense começa proibindo a adoção de qualquer política de reserva de vagas em processos seletivos. Em seguida, porém, a própria norma prevê três exceções: a reserva de vagas para pessoas com deficiência, a adoção de critérios exclusivamente econômicos e a destinação de vagas a estudantes oriundos da rede pública estadual de ensino médio.
Na avaliação do ministro, essa combinação revela o objetivo prático da lei: impedir, na prática, apenas as políticas baseadas em critérios étnico-raciais.
"[...] esta Suprema Corte há muito assentou que a utilização chamadas cotas raciais para ingresso no ensino superior público não viola o princípio da isonomia (Constituição, art. 5º, caput). Pelo contrário, políticas dessa natureza, quando bem utilizadas, efetivamente concretizam o princípio da igualdade, concebido como igual respeito às diferenças e mandado de combate às desigualdades materiais", continuou.
Voto de Flávio Dino
O ministro Flávio Dino também considerou inconstitucional a norma catarinense. Ele argumentou que "A lei foi aprovada em tramitação célere, sem audiências públicas, sem oitiva das universidades afetadas e sem qualquer análise concreta dos resultados da política pública que se pretendia extinguir".
Ele também escreveu que o argumento da norma de Santa Catarina, de que as cotas raciais violariam o princípio da isonomia, contraria o entendimento consolidado sobre o assunto no STF.
O ministro também lembrou que o Brasil assumiu um compromisso, através do decreto número 19.932/2022, para adotar políticas de promoção da igualdade de oportunidades para pessoas ou grupos sujeitos ao racismo, à discriminação racial e formas correlatas de intolerância.
"O legislador catarinense não apenas deixou de avaliar os resultados da política pública, como, conforme bem delineado pelo Relator, editou a norma impugnada com fundamento em premissa expressamente reconhecida como inconstitucional por esta Corte", escreveu Flávio Dino no voto.
Lei estava suspensa no estado e aguardava julgamento no STF
A lei catarinense está em discussão em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF. Entraram com o processo o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), em parceria com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro).
Nessa mesma ação, o ministro Gilmar Mendes já havia pedido para o governo de Santa Catarina, a Assembleia Legislativa catarinense, que propôs a lei, e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), diretamente afetada pela norma, dessem explicações.
Na prática, a norma estadual está suspensa, já que há outra ação no mesmo estilo que tramita no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc)
Vinícius Graton/Secom Udesc
Lei estadual proíbe cotas raciais e prevê multa por descumprimento
A lei 19722/2026 proíbe a adoção de cotas e outras ações afirmativas no ingresso em universidades públicas estaduais ou entidades de ensino superior comunitárias e privadas que recebam verbas públicas do governo de Santa Catarina.
A regra vale para o ingresso de estudantes ou contratação de professores, técnicos e qualquer outro profissional em instituições de ensino superior públicas ou que recebam verbas públicas.
Com isso, o fim das cotas raciais atingiria estudantes e profissionais:
da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), que oferece atualmente 59 cursos presenciais de graduação, distribuídos em 13 centros de ensino;
instituições do sistema de Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe), que reúne 14 instituições comunitárias e mais de 100 mil alunos;
faculdades privadas que recebem bolsas do programa Universidade Gratuita e do Fundo de Apoio à Educação Superior (Fumdesc).
A lei diz que ficam excluídas da proibição a reserva de vagas para:
Pessoas com Deficiência (PCD);
Estudantes vindos de instituições estaduais públicas de ensino médio;
Aquelas baseadas em critérios exclusivamente econômicos.
Em caso de descumprimento, a lei prevê as seguintes penalidades:
anulação do edital;
multa de R$ 100 mil por edital em desacordo com a lei;
corte dos repasses de verbas públicas;
agentes públicos responsáveis por fazer e publicar o edital serão submetidos a Procedimento Administrativo Disciplinar.
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14/04 -
Novo Plano Nacional de Educação é sancionado com 19 objetivos; saiba quais são
Estudantes do ensino médio em sala de aula
Gabriel Jabur/Agência Brasil
O novo Plano Nacional de Educação (PNE) foi sancionado nesta terça-feira (14) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com isso, os novos 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias para a educação nacional nos próximos 10 anos entrarão em vigor imediatamente após a publicação no Diário Oficial da União (DOU).
📝 O PNE é uma lei com as metas para a educação para a década seguinte que determina diretrizes, objetivos e estratégias para a política educacional. A versão anterior vigorou de 2014 a 2025 (após prorrogação) e tinha 20 metas. Atualmente, não há nenhum plano nacional para o setor em vigência.
É o PNE que guia as principais políticas educacionais do país, ajudando a definir prioridades de investimentos e criação ou expansão de políticas publicas. Foi com base na meta 11 do PNE 2014-2025, por exemplo, que nasceu uma parte da política do novo ensino médio que integra a etapa ao ensino técnico.
O novo plano aprovado prevê que as novas políticas sejam acompanhadas a cada dois anos. Entre as metas, estão:
Ampliar o atendimento em creches para 60% das crianças de até 3 anos;
Garantir que todas as crianças de 4 e 5 anos estejam na pré-escola;
Ter ensino em tempo integral em pelo menos 65% das escolas e atender 50% dos alunos;
Reduzir desigualdades na educação básica entre grupos sociais, raciais e regionais;
Alfabetizar 80% dos alunos até o fim do 2º ano do ensino fundamental, chegando a 100% ao final da vigência do plano;
Incluir a matemática entre as metas de alfabetização.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
O plano também estabelece metas para a educação ambiental e o uso responsável de tecnologias como suporte no ensino.
O texto fixa ainda medidas de monitoramento direto e mecanismos de incentivo, fiscalização e controle interno, externo e social, e estipula parâmetros para que estados e municípios cumpram obrigações na oferta educacional.
Além disso, o novo Plano também retoma a meta de investimento na educação pública, que não foi cumprida na versão anterior. O PNE aprovado em 2014 previa que 10% do produto interno bruto (PIB) fosse investido em educação — atualmente, o percentual está em cerca de 5,5%. O novo projeto propõe um aumento gradual do investimento, começando em 7% até o sexto ano de vigência e chegando a 10% ao final de dez anos.
Objetivos do novo PNE
O novo PNE tem 19 objetivos para os quais foram estabelecidas metas que permitem seu monitoramento ao longo dos dez anos. São objetivos do novo PNE:
ampliar a oferta de matrículas em creche e universalizar a pré-escola;
garantir a qualidade da oferta de educação infantil;
assegurar a alfabetização ao final do 2º segundo ano do ensino fundamental para todas as crianças;
assegurar que crianças, adolescentes e jovens concluam o ensino fundamental e médio na idade regular;
garantir a aprendizagem dos estudantes no ensino fundamental e médio;
ampliar a oferta de educação em tempo integral na rede pública;
promover a educação digital para o uso crítico, reflexivo e ético das tecnologias da informação e da comunicação;
promover a educação ambiental e o enfrentamento das mudanças climáticas em todos os estabelecimentos de ensino;
garantir o acesso, a qualidade e a permanência em todos os níveis e modalidades da educação indígena, quilombola e do campo;
garantir o acesso, a oferta e a aprendizagem dos alunos da educação especial e bilíngue de surdos;
assegurar a alfabetização e ampliar a conclusão da educação básica para todos os jovens, adultos e idosos;
ampliar o acesso e a permanência na educação profissional e tecnológica;
garantir a qualidade e a adequação da formação às demandas da sociedade, do mundo do trabalho e das diversidades de populações na educação profissional e tecnológica;
ampliar o acesso, a permanência e a conclusão na graduação, com inclusão e redução de desigualdades;
garantir a qualidade de cursos de graduação e instituições de ensino superior;
ampliar a formação de mestres e doutores, de forma equitativa e inclusiva, com foco na solução dos problemas da sociedade;
garantir formação e condições de trabalho adequadas aos profissionais da educação básica;
assegurar a participação social no planejamento e gestão educacional;
assegurar a qualidade e a equidade nas condições de oferta da educação básica.
Tramitação
O PNE anterior ficou em vigor até 31 de dezembro de 2025, após ser prorrogado em 2024, quando, inicialmente, deixaria de ter valor. A proposta do novo PNE só foi enviada pelo governo ao Congresso um mês antes do fim do prazo, e só foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 10 de dezembro. Com as atividades limitadas de fim de ano, o Senado não conseguiu votar a pauta ainda em 2025.
Em 25 de março, após meses sem um PNE vigente, a proposta foi aprovada na Comissão de Educação e Cultura do Senado e foi analisada pelo Plenário.
O texto seguiu para sanção do presidente Lula (PT) e foi assinado nesta terça-feira (14) em uma cerimônia que aconteceu em Brasília e contou com a presença do ex-ministro da Educação, Camilo Santana, do atual ministro Leonardo Barchini, da deputada federal Tabata Amaral, que preside a Frente Parlamentar da Educação, do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, entre outros.
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14/04 -
Lula sanciona novo Plano Nacional de Educação; proposta define metas para os próximos 10 anos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta terça-feira (14) o novo Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece objetivos e metas da educação nacional para os próximos 10 anos (2026-2036).
📝 O PNE é uma lei com as metas para a educação para a década seguinte que determina diretrizes, objetivos e estratégias para a política educacional.
A versão anterior vigorou de 2014 a 2025 (após prorrogação) e tinha 20 metas. Desde então, não havia nenhum plano nacional para o setor em vigência.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante sanção do Plano Nacional de Educação.
Ricardo Stuckert / PR
Durante a cerimônia de sanção da proposta, Lula ressaltou a importância do projeto e disse que "se a gente não cuidar de fiscalizar, as coisas não acontecem".
"O mais difícil foi construir isso aqui num momento em que a sociedade vive uma dualidade muito grande, uma dualidade em que muitos de nós ainda não compreendeu. Um negacionismo que não tínhamos experiencia política da existência dele"', disse o presidente.
É o PNE que guia as principais políticas educacionais do país, ajudando a definir prioridades de investimentos e criação ou expansão de políticas publicas.
Foi com base em uma das metas do plano vigente entre 2014 e 2025, por exemplo, que nasceu uma parte da política do novo ensino médio que integra a etapa ao ensino técnico.
A nova versão do Plano estabelece 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias que deverão ser acompanhadas a cada dois anos.
Entre as metas, estão:
ampliar o atendimento em creches para 60% das crianças de até 3 anos;
garantir que todas as crianças de 4 e 5 anos estejam na pré-escola;
ter ensino em tempo integral em pelo menos 65% das escolas e atender 50% dos alunos;
teduzir desigualdades na educação básica entre grupos sociais, raciais e regionais;
alfabetizar 80% dos alunos até o fim do 2º ano do ensino fundamental, chegando a 100% ao final da vigência do plano;
incluir a matemática entre as metas de alfabetização;
plano também estabelece metas para a educação ambiental e o uso responsável de tecnologias como suporte no ensino.
O texto fixa ainda medidas de monitoramento direto e mecanismos de incentivo, fiscalização e controle interno, externo e social, e estipula parâmetros para que estados e municípios cumpram obrigações na oferta educacional.
Além disso, o novo Plano também retoma a meta de investimento na educação pública, que não foi cumprida na versão anterior.
O PNE aprovado em 2014 previa que 10% do produto interno bruto (PIB) fosse investido em educação — atualmente, o percentual está em cerca de 5,5%. O novo projeto propõe um aumento gradual do investimento, começando em 7% até o sexto ano de vigência e chegando a 10% ao final de dez anos.
Tramitação
O PNE anterior ficou em vigor até 31 de dezembro de 2025, após ser prorrogado em 2024, quando, inicialmente, deixaria de ter valor. A proposta do novo PNE só foi enviada pelo governo ao Congresso um mês antes do fim do prazo, e só foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 10 de dezembro.
Com as atividades limitadas de fim de ano, o Senado não conseguiu votar a pauta ainda em 2025.
Senado aprova Plano Nacional de Educação
Em março deste ano, após meses sem um PNE vigente, a proposta foi aprovada na Comissão de Educação e Cultura do Senado e foi analisada pelo Plenário.
Objetivos do novo PNE
O novo PNE tem 19 objetivos para os quais foram estabelecidas metas que permitem seu monitoramento ao longo dos dez anos. São objetivos do novo PNE:
ampliar a oferta de matrículas em creche e universalizar a pré-escola;
garantir a qualidade da oferta de educação infantil;
assegurar a alfabetização ao final do 2º segundo ano do ensino fundamental para todas as crianças;
assegurar que crianças, adolescentes e jovens concluam o ensino fundamental e médio na idade regular;
garantir a aprendizagem dos estudantes no ensino fundamental e médio;
ampliar a oferta de educação em tempo integral na rede pública;
promover a educação digital para o uso crítico, reflexivo e ético das tecnologias da informação e da comunicação;
promover a educação ambiental e o enfrentamento das mudanças climáticas em todos os estabelecimentos de ensino;
garantir o acesso, a qualidade e a permanência em todos os níveis e modalidades da educação indígena, quilombola e do campo;
garantir o acesso, a oferta e a aprendizagem dos alunos da educação especial e bilíngue de surdos;
assegurar a alfabetização e ampliar a conclusão da educação básica para todos os jovens, adultos e idosos;
ampliar o acesso e a permanência na educação profissional e tecnológica;
garantir a qualidade e a adequação da formação às demandas da sociedade, do mundo do trabalho e das diversidades de populações na educação profissional e tecnológica;
ampliar o acesso, a permanência e a conclusão na graduação, com inclusão e redução de desigualdades;
garantir a qualidade de cursos de graduação e instituições de ensino superior;
ampliar a formação de mestres e doutores, de forma equitativa e inclusiva, com foco na solução dos problemas da sociedade;
garantir formação e condições de trabalho adequadas aos profissionais da educação básica;
assegurar a participação social no planejamento e gestão educacional;
assegurar a qualidade e a equidade nas condições de oferta da educação básica.
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14/04 -
'Farmar aura': o que significa uma das principais gírias da geração alfa e qual sua origem
O que é ‘farmar aura’?
Se você tem navegado pelas redes sociais ou convive com jovens nascidos nos últimos anos da geração Z (entre 1997 e 2009) ou da geração Alfa (entre 2010 e 2025), é muito provável que já tenha ouvido a expressão "farmar aura".
O termo, que se tornou um dos mais populares de 2025, pode parecer confuso à primeira vista, mas revela muito sobre como a imagem pessoal é construída e entendida na atualidade.
O verbo "farmar" vem diretamente dos jogos eletrônicos, como Minecraft, World of Warcraft e Fortnite. Nesses ambientes, "farmar" significa realizar tarefas repetitivas para acumular recursos, pontos ou experiência. É uma referência ao termo “farm” (fazenda em inglês), que aparece repetidamente nestes jogos.
Já a "aura" é entendida como o carisma, a presença, a energia ou a "vibe" que uma pessoa transmite.
Ilustração de um grupo de jovens.
Freepik
Portanto, farmar aura significa agir de forma a acumular pontos de estilo, construindo uma imagem de alguém interessante, inspirador ou "cool". É como se a pessoa estivesse constantemente aumentando seu "nível" de admiração perante os outros — em uma tentativa ativa ou não.
Em geral, essa gíria vêm acompanhada de outros termos:
Sigma: termo usado para se referir a quem é bem-sucedido na tarefa de farmar aura. "Ele é sigma, farmou aura demais naquela festa."
Beta: é quem falha na missão de farmar aura. "Ele é muito beta, não consegue farmar aura de jeito nenhum."
‘6 7’ ou ‘six seven’: os dois números que viraram pesadelo para professores de inglês
Como se "farma aura"?
A mato-grossense Maria Antônia Carrasco Frederico, de 15 anos, explica a lógica por trás da gíria:
Nos animes Naruto, Dragon Ball e Bleach, quando os personagens aumentam seus poderes, seus "kis" ou "chakras", ficam com uma aura em volta de si, o que os tornam mais fortes.
Em jogos como Minecraft, farmar é quando se coletam recursos iguais para ganhar pontos. No jogo, há "farms" (fazendas, colheitas, garimpos) de minérios, ferro, XP, que fazem o jogador ganhar pontos e subir de nível.
Quando alguém tenta parecer mais misterioso, mais chamativo, quando desdenha de algo que outra pessoa fez ou disse, é "cool", é uma pessoa que farma aura.
O ato de farmar aura também pode estar relacionado a uma boa ação, segundo a estudante paulista Gabriela Ferreira, de 14 anos.
“Farma aura alguém que fez algo muito legal, algo bom. Por exemplo, alguém que ajuda um cachorrinho machucado farma aura. Em resumo, é o resultado de toda situação em que a pessoa tenha feito algo bom, legal, descolado, que melhore a visão que as pessoas têm dela.”
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13/04 -
Regras sobre uso de IA em escolas e universidades serão debatidas pelo CNE nesta segunda
Uso inadequado de IA pode enfraquecer a capacidade de estudantes, alerta professor especialista no assunto. Esta imagem foi gerada por IA, com o promt (comando) "crie uma imagem hiperrealista de um estudante usando uma ferramenta de IA para estudar. A cena se passa em uma escola no Ceará"
Geração por IA
O Conselho Nacional de Educação (CNE) deve votar, nesta segunda-feira (13), a primeira regulamentação oficial para o uso da inteligência artificial (IA) no ensino brasileiro. As normas, que passaram por ajustes recentes após sugestões do Ministério da Educação (MEC), têm como objetivo criar um “filtro ético-pedagógico” para o emprego da tecnologia em escolas e universidades.
Segundo Celso Niskier, um dos relatores da proposta, o texto original foi "enxugado" para que passasse a focar mais nas diretrizes centrais. Debates específicos, como o ensino sobre IA em cursos que formam professores, serão feitos em outros contextos.
➡️ Se aprovado nesta segunda, o relatório do CNE ainda passará por consulta pública e será votado em plenário pelo Conselho, antes de seguir para a homologação final do ministro da Educação.
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O que está em jogo na votação
Com base na síntese de Niskier e do relator Israel Batista, os pilares da nova norma reforçam que a tecnologia não deve ser "titular" no jogo do aprendizado:
Centralidade do professor: A resolução que será votada reafirma que a IA é um suporte — jamais substitui o papel do docente, que segue como mediador essencial.
Aprendizado 'com' a IA nas escolas: Na educação básica, o foco é o letramento digital. Ou seja: ensinar o aluno a usar a ferramenta com ética e senso crítico.
Foco no emprego nas faculdades: No ensino superior, a ideia é preparar o estudante para um mercado de trabalho que já usa robôs e análise de dados no dia a dia.
Revisão humana obrigatória: Qualquer conteúdo gerado por máquinas exige supervisão e intencionalidade pedagógica clara.
Ética e dados: Deve haver regras rigorosas para garantir a transparência e proibir o uso indevido de informações pessoais dos alunos.
Equidade: A tecnologia deve ser usada para reduzir desigualdades, e não para ampliar o abismo entre quem tem e quem não tem acesso ao digital.
O que ficou de fora (por enquanto)
A pedido do MEC, alguns pontos foram retirados da proposta original e serão tratados posteriormente:
Formação de professores: O ensino de IA nas licenciaturas deve ser discutido dentro das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) dos cursos de graduação.
Observatório de IA: A criação de um centro nacional para analisar dados sobre a tecnologia na educação foi postergada.
Financiamento: A linha de crédito para que estados e municípios contratassem soluções tecnológicas também ficou de fora desta votação.
Norma do CNE x Guia do MEC: entenda a diferença
O documento do MEC “Inteligência Artificial da Educação Básica”, publicado em março deste ano, é mais detalhado e divide o aprendizado em duas frentes: o ensino "sobre IA" (conhecimento técnico) e o ensino "com IA" (uso da ferramenta como apoio). Não há menção às universidades, e o conteúdo apenas dá sugestões às redes
Já as normas do CNE funcionam como um marco regulatório abrangente que estabelece diretrizes para todos os níveis de ensino. Elas definem responsabilidades institucionais e objetivos estratégicos para universidades e escolas.
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‘6 7’ ou ‘six seven’: os dois números que viraram pesadelo para professores de inglês
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13/04 -
Enem 2026: prazo para pedir isenção da taxa de inscrição começa nesta segunda; veja quem tem direito
Começa prazo para pedir isenção da inscrição no Enem 2026
Os interessados em participar do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 podem pedir a isenção da taxa de inscrição a partir desta segunda-feira (13). O período de solicitação vai até às 23h59 de 24 de abril.
💰Quem tem direito à isenção? Segundo o edital do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), entra no grupo quem:
estiver cursando o último ano do ensino médio no ano de 2026, em qualquer modalidade de ensino, em escola da rede pública declarada ao Censo Escolar da Educação Básica;
tiver cursado todo o ensino médio em escola da rede pública ou como bolsista integral na rede privada e ter renda per capita igual ou inferior a um salário mínimo e meio;
declarar situação de vulnerabilidade socioeconômica, por ser membro de família de baixa renda, e que está inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).
Cadernos de prova do primeiro dia do ENEM 2025.
Angelo Miguel/MEC
💰Como fazer a solicitação? Para pedir a isenção de pagamento da taxa de inscrição para o Enem 2026, o participante deve:
Acessar o site enem.inep.gov.br/participante;
Fazer login com a conta Gov.br ou criar uma se ainda não tiver;
Solicitar a isenção dentro do prazo, de 13 a 24 de abril de 2026;
Informar os dados pessoais pedidos, como CPF e data de nascimento;
Preencher as informações exigidas pelo sistema, incluindo dados de contato e socioeconômicos;
Se for o caso, informar o NIS para pedir a isenção pelo CadÚnico;
Se faltou ao Enem 2025 com isenção, fazer também a justificativa de ausência no mesmo sistema.
Anexar os documentos necessários, se o sistema solicitar, em PDF, PNG ou JPG, com até 2 MB.
Consultar o resultado na Página do Participante em 8 de maio de 2026.
Se o pedido for negado, apresentar recurso entre 11 e 15 de maio de 2026.
Ver o resultado final do recurso em 22 de maio de 2026.
Depois, fazer normalmente a inscrição no Enem 2026, porque a isenção não garante inscrição automática.
✏️ Como justificar a ausência no Enem 2025? Quem estava isento da taxa na última edição da prova e, ainda assim, faltou a um ou dois dias do exame deverá apresentar uma documentação que comprove o motivo da ausência. Só assim terá direito novamente à gratuidade.
Para isso, é preciso acessar o mesmo sistema de solicitação de isenção da taxa de inscrição (enem.inep.gov.br/participante) e inserir uma das opções abaixo:
boletim de ocorrência comprovando assalto, furto ou acidente de trânsito;
certidão de casamento ou contrato de união estável no dia da prova;
certidão de óbito comprovando morte na família;
certidão e nascimento comprovando maternidade ou paternidade;
mandado de prisão que ateste privação de liberdade;
documento que comprove mudança de domicílio;
documento que comprove exercício de atividade profissional na véspera do exame;
documento que comprove intercâmbio acadêmico ou atividade escolar.
Não serão aceitos documentos autodeclaratórios ou emitidos por pais ou responsáveis. E não é possível justificar ausência no Enem 2025 sem antes solicitar isenção da taxa de inscrição no Enem 2026.
📅Qual é o cronograma completo?
Justificativa de ausência no Enem 2025 e solicitação de isenção de pagamento da taxa de inscrição para o Enem 2026: 13/4/2026 a 24/4/2026
Resultado da justificativa de ausência no Enem 2025 e solicitação de isenção de pagamento da taxa de inscrição para o Enem 2026: 8/5/2026
Recurso da justificativa de ausência no Enem 2025 e solicitação de isenção de pagamento da taxa de inscrição para o Enem 2026: 11/5/2025 a 15/5/2026
Resultado do recurso da justificativa de ausência no Enem 2025 e solicitação de isenção de pagamento da taxa de inscrição para o Enem 2026: 22/5/2026
✏️Já dá para fazer a inscrição no Enem? Não. O Inep ainda vai publicar os editais específicos com as regras e datas do Enem 2026.
E atenção: ter a aprovação da justificativa de ausência no Enem 2025 e/ou da solicitação de isenção de pagamento da taxa de inscrição para o Enem 2026 não garante a efetivação da inscrição.
Os interessados em realizar o Enem 2026, isentos ou não, deverão realizar sua inscrição na Página do Participante, no período que ainda será divulgado.
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11/04 -
'6 7', 'six seven': por que esses dois números viraram um pesadelo para professores de inglês
‘6 7’ ou ‘six seven’: os dois números que viraram pesadelo para professores de inglês
Se os alunos tiverem de abrir o livro na página 67; se forem 6h07 da manhã; se alguém tirar 6,7 na prova; se os exercícios da apostila naquele dia forem justamente o 6 e o 7… a sala de aula provavelmente irá abaixo.
➡️Esses dois números, pronunciados em inglês (six-seven), viraram um pesadelo para os professores de inglês graças a um meme completamente sem sentido. Qualquer referência a esses algarismos provoca uma reação em cadeia: crianças e adolescentes começam a rir, a gritar e a balançar as mãos alternadamente, com as palmas voltadas para cima, como se estivessem representando uma gangorra.
E lá se vão vários minutos até que a turma se acalme e volte a se concentrar na aula.
“Parece que esses números nos perseguem. Eles aparecem em tudo. Quando a página é 67, prefiro anotar na lousa em vez de falar em voz alta”, conta uma professora de escola particular de São Paulo, que preferiu não se identificar.
Eduardo Felipe, docente do ensino fundamental I de um colégio privado em Natal, diz que a brincadeira é sempre “muito acalorada”. “Vira uma catarse coletiva, com todos eles se olhando e fazendo aquele movimento com as mãos”, diz.
“Outro dia, uma das questões sobre horários em inglês tinha ‘six o’clock’ [6 horas]. Um aluno chamou o outro e começou a falar “six seven”. Como sempre, isso se espalhou muito facilmente pela sala.”
Mas por que “6-7”?
'Six seven' tomou salas de aula
Reprodução
Essa brincadeira é do tipo “brain rot” (“cérebro podre”, em inglês) — conteúdo superficial, viciante e sem sentido específico, como memes absurdos, vídeos curtos com sequências repetitivas e frases que inexplicadamente são “engraçadas”.
O ponto principal é entender que… não há o que entender. A origem do “6-7”, por exemplo, é uma mistura de fatos aleatórios:
uma música de drill (gênero do sul de Chicago) chamada “Doot Doot”, do rapper Skrilla, em que ele repete “six seven” no refrão de forma bem marcante e ritmada;
a altura do jogador de basquete LaMelo Ball, da NBA, de exatamente 6 pés e 7 polegadas de altura (1,98 m);
um menino americano que apareceu em um vídeo sobre basquete em que olha para a câmera, faz um gesto com as mãos e grita bem alto: “six-seven!”. Ele virou o rosto oficial do meme.
Há quem tente usar a “brincadeira” a seu favor. “Se não conseguimos vencê-los, o melhor que fazemos é nos juntar a eles. Quando eu preciso que prestem atenção em mim, falo ‘six’ e espero que eles completem com ‘seven’. Uso isso para que a aula faça parte do universo deles”, afirma Ariadne Catanzaro, professora de inglês do Colégio Liceu Pasteur Start Anglo Trilingual School.
🙏De qualquer forma… ainda bem que 06/07 cai durante as férias escolares.
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11/04 -
Estudo da UnB em fase inicial vê ômega-3 como possível aliado no combate ao câncer de ovário
Gabriel Pasquarelli, pesquisador do estudo sobre o Ômega-3 DHA no combate ao câncer de ovário
SECOM UnB/Divulgação
Resultados iniciais de um estudo da Universidade de Brasília (UnB) apontam para a capacidade do ômega-3 DHA de induzir a morte das células de câncer de ovário.
A pesquisa foi desenvolvida no Laboratório de Imunologia e Inflamação do Departamento de Biologia Celular (Limi/CEL/IB), ligado ao Instituto de Biologia da UnB.
Nos primeiros testes, os pesquisadores identificaram que o Ômega-3 DHA pode induzir a piroptose, uma espécie de morte inflamatória e programada da célula de câncer.
➡️ O diferencial, segundo os responsáveis pelo estudo, é que esse processo rompe a membrana celular e estimula o próprio sistema imunológico a atacar o tumor.
Nos testes feitos em laboratório, a substância matou células cancerígenas e não causou grandes efeitos nas saudáveis.
🚨 IMPORTANTE: Os achados são iniciais, a partir de testes em laboratório, e a pesquisa ainda precisa passar por várias fases antes de uma conclusão "definitiva". Nos próximos passos, os testes devem ser feitos em animais – e só se derem certo, poderão ser feitos também em humanos.
➡️ Se os resultados forem confirmados, o ômega-3 DHA pode se tornar um aliado dos tratamentos atuais de referência, como a quimioterapia.
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Pacientes com câncer têm direito a isenção de impostos, saque do FGTS e mais
"A gente busca não substituir nenhum tratamento atual, de quimioterapia do câncer de ovário, mas sim apresentar possibilidades de moléculas adjuvantes", explica a imunologista e coordenadora do laboratório, Kelly Grace.
Dentre os cânceres que afetam órgãos reprodutores femininos, o de ovário é o segundo que mais causa mortes no mundo.
A doença é inicialmente assintomática – o que dificulta o diagnóstico precoce – e tem uma taxa de recorrência alta após a realização de tratamentos.
A descoberta
A coordenadora do Limi, Kelly Grace, conta que a descoberta foi uma surpresa.
O laboratório pesquisa como a alimentação pode impactar o desenvolvimento tumoral há dez anos – mas os resultados com ômega-3 DHA em relação ao câncer de ovário foram inesperados.
Gabriel Pasquarelli e Kelly Grace, pesquisadores responsáveis pelo estudo do Ômega-3 DHA no combate ao câncer de ovário
Secom UnB/Divulgação
"A gente ficou bastante satisfeito com o resultado, mostrando que um suplemento de fácil acesso da população pode ter um efeito antitumoral importante", ressaltou ela.
A pesquisa foi fruto do projeto de mestrado do imunologista Gabriel Pasquarelli, primeiro autor do artigo publicado sobre o estudo.
Ômega-3 DHA
Cápsulas de ômega-3, em imagem de arquivo
Pexels/Reprodução
O ômega-3 DHA pode ser obtido na alimentação através do consumo de peixes de águas frias, como salmão, sardinha e atum.
Além disso, pode ser também encontrado em óleos e sementes oleaginosas, ou mesmo na suplementação.
O estudo sugere o consumo do ômega-3 DHA tanto como forma preventiva de diversos tipos de câncer, quanto como uma forma de tratamento aliada aos protocolos convencionais.
Atualmente, a pesquisa está na fase pré clinica, onde a molécula de Ômega-3 DHA é insererida em camundongos com as células cancerigenas.
O próximo passo é o estudo em seres humanos – mas Kelly Grace ressalta que precisam do investimento adequado para conseguirem avançar nas etapas da pesquisa.
"Agora, a gente depende de um financiamento para fazer esse estudo clínico que seria exatamente tentar verificar essa taxa de proteção em mulheres fazendo a quimioterapia com e sem o uso do Omega-3 DHA", explica.
"A gente busca parceiros para que possam financiar essa etapa para que de fato a gente consiga fazer essa transposição da pesquisa para a parte clínica, onde a gente poderia testar mesmo a atividade dessa molécula durante o tratamento contra o câncer de ovário."
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10/04 -
STF tem 3 votos pela inconstitucionalidade da lei de SC que proíbe cotas raciais em universidades
STF começa a julgar lei que proíbe cotas raciais em universidades de SC
Os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Alexandre de Moraes votaram para o Supremo Tribunal Federal (STF) declarar inconstitucional a lei aprovada em Santa Catarina que proíbe o ingresso via cotas raciais ou outras ações afirmativas no ensino superior em instituições que recebem verbas do Estado.
O julgamento começou nesta sexta-feira (10). Até as 17h38, o placar no STF estava em 3x0 a favor da inconstitucionalidade da norma catarinense, que foi aprovada em dezembro na Assembleia Legislativa e sancionada em janeiro pelo governador Jorginho Mello (PL).
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O texto catarinense estabelece a proibição da política de reserva de vagas para estudantes, professores e técnicos através de cotas de gênero ou outras ações afirmativas, como indígenas, pessoas trans, entre outras. As exceções são para pessoas com deficiência (PCDs), oriundas de escolas públicas e ingresso por critérios de renda.
A discussão no plenário virtual do STF iniciou no fim da manhã desta sexta-feira (10). O voto de Mendes será apreciado pelos outros oito ministros da corte com prazo de até 17 de abril.
Voto de Gilmar Mendes
No voto, Mendes, que também é o relator da ação, sustentou que Lei Estadual 19.722/2026 desconsiderou que ações afirmativas baseadas em critérios étnico-raciais já foram reconhecidas como constitucionais pelo STF.
Destacou ainda que as políticas de cotas encontram respaldo não apenas na jurisprudência da Corte, mas também em normas internacionais incorporadas ao ordenamento brasileiro com status equivalente ao de emenda constitucional.
"[...] é possível concluir que a aprovação e a sua sanção pelo Governador do Estado de Santa Catarina basearam-se eminentemente na noção de que as ações afirmativas baseadas exclusivamente em critérios étnico-raciais representariam possível violação ao princípio da isonomia – premissa, como exposto acima, inconstitucional", narra o ministro no voto.
O ministro cita que a lei catarinense começa proibindo a adoção de qualquer política de reserva de vagas em processos seletivos. Em seguida, porém, a própria norma prevê três exceções: a reserva de vagas para pessoas com deficiência, a adoção de critérios exclusivamente econômicos e a destinação de vagas a estudantes oriundos da rede pública estadual de ensino médio.
Na avaliação do ministro, essa combinação revela o objetivo prático da lei: impedir, na prática, apenas as políticas baseadas em critérios étnico-raciais.
"[...] esta Suprema Corte há muito assentou que a utilização chamadas cotas raciais para ingresso no ensino superior público não viola o princípio da isonomia (Constituição, art. 5º, caput). Pelo contrário, políticas dessa natureza, quando bem utilizadas, efetivamente concretizam o princípio da igualdade, concebido como igual respeito às diferenças e mandado de combate às desigualdades materiais", continuou.
Voto de Flávio Dino
O ministro Flávio Dino também considerou inconstitucional a norma catarinense. Ele argumentou que "A lei foi aprovada em tramitação célere, sem audiências públicas, sem oitiva das universidades afetadas e sem qualquer análise concreta dos resultados da política pública que se pretendia extinguir".
Ele também escreveu que o argumento da norma de Santa Catarina, de que as cotas raciais violariam o princípio da isonomia, contraria o entendimento consolidado sobre o assunto no STF.
O ministro também lembrou que o Brasil assumiu um compromisso, através do decreto número 19.932/2022, para adotar políticas de promoção da igualdade de oportunidades para pessoas ou grupos sujeitos ao racismo, à discriminação racial e formas correlatas de intolerância.
"O legislador catarinense não apenas deixou de avaliar os resultados da política pública, como, conforme bem delineado pelo Relator, editou a norma impugnada com fundamento em premissa expressamente reconhecida como inconstitucional por esta Corte", escreveu Flávio Dino no voto.
Lei estava suspensa no estado e aguardava julgamento no STF
A lei catarinense está em discussão em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF. Entraram com o processo o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), em parceria com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro).
Nessa mesma ação, o ministro Gilmar Mendes já havia pedido para o governo de Santa Catarina, a Assembleia Legislativa catarinense, que propôs a lei, e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), diretamente afetada pela norma, dessem explicações.
Na prática, a norma estadual está suspensa, já que há outra ação no mesmo estilo que tramita no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc)
Vinícius Graton/Secom Udesc
Lei estadual proíbe cotas raciais e prevê multa por descumprimento
A lei 19722/2026 proíbe a adoção de cotas e outras ações afirmativas no ingresso em universidades públicas estaduais ou entidades de ensino superior comunitárias e privadas que recebam verbas públicas do governo de Santa Catarina.
A regra vale para o ingresso de estudantes ou contratação de professores, técnicos e qualquer outro profissional em instituições de ensino superior públicas ou que recebam verbas públicas.
Com isso, o fim das cotas raciais atingiria estudantes e profissionais:
da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), que oferece atualmente 59 cursos presenciais de graduação, distribuídos em 13 centros de ensino;
instituições do sistema de Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe), que reúne 14 instituições comunitárias e mais de 100 mil alunos;
faculdades privadas que recebem bolsas do programa Universidade Gratuita e do Fundo de Apoio à Educação Superior (Fumdesc).
A lei diz que ficam excluídas da proibição a reserva de vagas para:
Pessoas com Deficiência (PCD);
Estudantes vindos de instituições estaduais públicas de ensino médio;
Aquelas baseadas em critérios exclusivamente econômicos.
Em caso de descumprimento, a lei prevê as seguintes penalidades:
anulação do edital;
multa de R$ 100 mil por edital em desacordo com a lei;
corte dos repasses de verbas públicas;
agentes públicos responsáveis por fazer e publicar o edital serão submetidos a Procedimento Administrativo Disciplinar.
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10/04 -
Bananildos e espermatozoides: questão de reprodução humana com frutas do TikTok viraliza, mas pode confundir crianças
Bananildo e reprodução humana: questão de prova traz escorregões conceituais
Quem nunca fez prova com perguntas ilustradas por uma tirinha da Turma da Mônica? Pois bem, em uma escola pública em Viamão, no Rio Grande do Sul, Cebolinha e companhia perderam espaço para… Bananildo e Moranguete.
As duas frutas falantes, criadas por inteligência artificial e famosas em novelinhas do TikTok, viraram os personagens centrais de uma questão de ciências do 9º ano, sobre reprodução humana.
'Bananildo produzia milhões de minibananildos': questão de ciências com 'frutas do TikTok' viraliza, mas pode confundir alunos
Montagem/g1
O texto-base começa assim:
“Bananildo dizia produzir milhões de minibananildos todos os dias. Ele contou para Moranguete que esses minibananildos eram produzidos em um lugar e depois viajavam por um canal”.
A conversa entre as frutas continua, sempre com analogias ao processo de produção de espermatozoides e de fecundação do óvulo. E o problema é justamente esse: a tentativa de tornar o tema mais lúdico para os pré-adolescentes acaba levando a equívocos conceituais.
🍌Casca de banana número 1: elenco problemático
O primeiro erro, segundo professores de biologia ouvidos pelo g1, está na seleção do “elenco” para encenar a conversa.
As bananas vendidas atualmente são frutos partenocárpicos, ou seja, que se desenvolvem a partir do ovário da flor, sem formação de sementes.
"Não existe fecundação entre as bananas que produzimos hoje", explica Marcelo Perrenoud, professor de biologia do Curso Anglo.
“Não foi um bom exemplo misturar a reprodução de plantas, ainda mais de um espécime que não faz reprodução cruzada. Seria melhor usar algum mamífero, como um cão, para falar de reprodução cruzada e transferência de gametas”.
Mesmo se a fruta escolhida não fosse partenocárpica, como o Abacatudo (o abacate das novelinhas), seria didaticamente arriscado fazer essa mistura de universos. Nas plantas, os gametas masculinos são chamados de células espermáticas, e os femininos, oosferas. Usar "espermatozoides" e "óvulos" para o mundo das frutas pode confundir os alunos.
🍌Casca de banana número 2: espermatozoides não são mini-homens
Ao utilizar o termo "minibananildos", a questão reforça uma ideia equivocada de que o espermatozoide seria uma versão miniatura do ser humano.
"Dá a impressão de que o espermatozoide é um mini-homem, o que não é verdade. Ele carrega apenas metade do material genético da espécie e precisa se juntar ao óvulo na fecundação para formar um embrião", explica o professor Gabriel Antonini.
Para os especialistas, a tentativa de "suavizar" o conteúdo para o 9º ano acabou sacrificando o rigor científico. "O sistema humano envolve genitais e glândulas específicas. Fazer essa comparação direta com frutas fica muito complexo e induz ao erro. Foi uma tentativa lúdica de falar sobre o assunto, mas, às vezes, na tentativa de deixar o assunto mais leve, acabamos gerando mais dúvidas”, diz Perrenoud.
Íntegra da questão:
Prova trouxe quatro perguntas sobre os 'minibananildos'
Reprodução/Redes sociais
Vídeos
Abaixo, veja vídeo sobre as novelinhas de TikTok:
‘Novelas de frutas' divertem, mas acendem alerta de psicólogos
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10/04 -
Como saber se você vai receber o Pé-de-Meia em 2026
Como saber se você vai receber o Pé-de-Meia em 2026
Reprodução/EPTV
Os alunos que iniciaram o ensino médio em 2026, além daqueles que já estão no 2º ou 3º ano, podem conferir se irão receber o Pé-de-Meia neste ano. A consulta deve ser feita na página oficial do programa e permite que o estudante confirme sua inclusão ou entenda os motivos caso não tenha sido contemplado.
📚 O programa oferece incentivo financeiro a estudantes do ensino médio. Entre seus objetivos estão o combate à evasão escolar e a redução da desigualdade no acesso à universidade e ao mercado de trabalho.
👉🏾 A participação é automática para quem preenche os requisitos. Para que isso aconteça, os dados dos alunos são coletados em bancos de dados da escola e do governo federal. Eles são usados para verificação das informações pessoais, de matrícula, frequência escolar e aprovação ao final do ano, e para garantir que o aluno receba o benefício na data correta.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Para ter direito ao benefício, o estudante deve:
Estar matriculado em uma escola da rede pública;
Ter entre 14 e 24 anos (no ensino médio regular) ou entre 19 e 24 anos (na modalidade EJA);
Integrar família inscrita no no CadÚnico com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa;
Possuir CPF regular e manter uma frequência escolar mínima de 80%.
Neste ano, o Ministério da Educação (MEC) utilizará os dados do CadÚnico registrados até o dia 7 de agosto de 2026 para validar a participação.
A próxima parcela do benefício será paga entre os dias 27 de abril e 4 de maio. O depósito segue o mês de nascimento do aluno e é realizado em uma conta aberta automaticamente pela Caixa Econômica Federal.
Como conferir se sua conta já pode ser utilizada
Os estudantes beneficiados recebem o incentivo por meio de uma conta digital aberta automaticamente pela Caixa Econômica Federal. A movimentação do dinheiro pode ser feita por meio do aplicativo Caixa Tem.
O acesso depende da idade do aluno:
Alunos com 18 anos ou mais: a conta é desbloqueada de forma automática. O estudante só precisa acessar o aplicativo com o número do CPF e cadastrar uma senha para começar a usar os valores.
Alunos menores de 18 anos: precisam obrigatoriamente da autorização de um responsável legal para movimentar o benefício.
Como autorizar: se o responsável for o pai ou a mãe, a autorização pode ser feita diretamente pelo aplicativo Caixa Tem. No caso de outros responsáveis legais, o procedimento deve ser realizado presencialmente em uma agência da Caixa.
g1 em 1 Minuto: Pé-de-Meia: quando quem se formou no ensino médio ganhará o incentivo?
Calendário de pagamentos do Pé-de-Meia 2026
O calendário de depósitos do Pé-de-Meia é organizado de forma escalonada, seguindo o mês de nascimento do aluno beneficiário. Essa estratégia visa organizar o fluxo de atendimentos e saques nas contas abertas pela Caixa Econômica Federal.
Os pagamentos são realizados à medida que as redes de ensino (estaduais, municipais e federais) repassam os dados de matrícula e frequência dos alunos para o MEC.
🗓️ Confira as datas de pagamento das parcelas de 2026:
Incentivo matrícula: 23 a 30 de março.
2ª parcela: 27 de abril a 4 de maio.
3ª parcela: 25 de maio a 1º de junho.
4ª parcela: 29 de junho a 6 de julho.
5ª parcela: 24 a 31 de agosto.
6ª parcela: 21 a 28 de novembro.
7ª parcela: 19 a 26 de outubro.
8ª parcela: 23 a 30 de novembro.
9ª parcela: 21 a 28 de dezembro.
10ª parcela: 25 de janeiro a 1º de fevereiro de 2027.
Valores do benefício para o ensino médio regular
Ao longo de cada ano letivo, o estudante elegível ao programa pode acumular diferentes tipos de incentivos financeiros:
Matrícula: parcela única de R$ 200 paga no início do ano.
Frequência: valor anual de R1.800, dividido em nove parcelas de R$ 200, para quem mantém frequência mínima de 80%.
Conclusão: bônus de R$ 1.000 ao final de cada ano letivo aprovado (o saque total só é permitido após a formatura no 3º ano).
Enem: parcela única de R$ 200 para concluintes que participam dos dois dias de prova do exame.
Regras e valores para o EJA de ensino médio
Os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) também têm direito à poupança do ensino médio. Para este grupo, os incentivos funcionam da seguinte forma:
Matrícula: uma parcela de R$ 200
Frequência: até oito parcelas de R$ 225 (sendo até quatro por semestre)
Conclusão e Enem: parcelas de R$ 1.000 por aprovação e R$ 200 pelo Enem, seguindo a mesma lógica do ensino médio regular.
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09/04 -
Europa não existe? Entenda por que a divisão dos continentes não é um consenso mundial
Afinal, quantos continentes existem?
Se alguém te perguntasse hoje quantos continentes existem no mundo, você provavelmente diria que há seis. Mas isso não é uma verdade tão absoluta assim, e a resposta pode ser diferente em outros países.
O que você aprendeu na escola sobre a divisão do mundo não é a mesma lição ensinada a um estudante nos Estados Unidos, na Rússia ou na Grécia. E, embora pareça uma pergunta teoricamente simples, o número de continentes no planeta Terra varia entre quatro e sete, dependendo dos critérios geográficos, geológicos ou culturais utilizados por cada país ou organização.
No Brasil, a "verdade escolar" consolidada nos livros didáticos e cobrada em exames como o Enem e vestibulares é o modelo de seis continentes: África, América (unificada), Antártica, Ásia, Europa e Oceania. No entanto, essa é apenas uma das formas de ler o mapa-múndi. (Entenda mais abaixo.)
“A ideia de continente não é apenas natural [geológica], mas também uma construção histórica, o que explica a ausência de consenso, porque os critérios variam. Se considerarmos apenas fatores físicos, temos uma divisão oficial. Mas, ao incluir aspectos culturais, históricos e políticos, a definição se torna mais complexa”, explica o doutor em educação pela USP e professor de geografia da Universidade São Judas, Sidnei Ferreira de Vares.
Mapa mundi segundo projeção Gall-Peters
Wikimedia Commons
Para o especialista, essas variações em conceitos tão práticos mostram como o ensino da geografia é influenciado por tradições culturais, o que, segundo ele, pode gerar diferentes percepções sobre o mundo.
Abaixo, entenda as diferentes formas de contabilizar os continentes do nosso planeta:
Modelo de 4 continentes
É o modelo mais rigoroso do ponto de vista geográfico, pois considera apenas grandes massas de terra naturalmente separadas por água. Canais artificiais, como o de Suez ou do Panamá, não são levados em conta para a divisão. Sob essa ótica, existem apenas:
Afro-Eurasia (ou Eurafrásia): O imenso bloco que une África, Europa e Ásia.
América: Unificada.
Antártica.
Austrália (ou Oceania).
Mapa-Múndi com 4 continentes.
Arte: Kayan Albertin/Juan Silva/g1
Modelo de 5 continentes
Este modelo é famoso por ser o adotado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), representado pelos cinco anéis olímpicos. Ele foca apenas nos continentes habitados, excluindo a Antártica. Os cinco continentes são: África, América (unificada), Ásia, Europa e Oceania.
Mapa-Múndi com 5 continentes (versão Comitê Olímpico Internacional).
Arte: Kayan Albertin/Juan Silva/g1
Modelo de 6 continentes
Existem duas versões principais para este modelo:
América unificada (Padrão no Brasil): Considera a América (Norte e Sul) como um único bloco, junto com África, Antártica, Ásia, Europa e Oceania. É a visão predominante na América Latina e em países como a Grécia.
Mapa-Múndi com 6 continentes (padrão América Latina).
Arte: Kayan Albertin/Juan Silva/g1
Versão Eurásia: Popular na Rússia e em partes da Europa Oriental, este modelo considera que a Europa e a Ásia são uma única massa de terra contínua (a Eurásia), mas mantém as Américas separadas. Geologicamente, faz sentido, já que não há um oceano separando os dois continentes, apenas marcos como os Montes Urais.
Divisão continental com Eurásia.
Arte: Kayan Albertin/Juan Silva/g1
Modelo de 7 continentes
Este é o padrão mais utilizado em países de língua inglesa, como Estados Unidos e Reino Unido, e por órgãos como a CIA. Nesse modelo, a América é dividida em duas (Norte e Sul), resultando na lista: África, Antártica, Ásia, Europa, América do Norte, América do Sul e Oceania. A divisão reflete mais critérios históricos e culturais do que propriamente geológicos.
Mapa-Múndi com 7 continentes.
Arte: Kayan Albertin/Juan Silva/g1
“No modelo de sete continentes, todas as divisões são adotadas. Isso mostra que não há um único critério absoluto, mas diferentes formas de interpretar o espaço geográfico”, explica o Prof. Dr. Sidnei Ferreira de Vares.
Por que a Europa é um continente se está grudada na Ásia?
“Essa divisão não é geográfica, mas cultural e política. Europa e Ásia formam uma única massa de terra, mas, ao longo da história, a Europa foi sendo construída como um espaço distinto, associado a uma identidade própria e a uma ideia de centralidade. Essa separação, portanto, reflete mais uma visão histórica do que uma realidade física”, continua o especialista.
Ou seja, a definição de continente não é puramente física. A Europa "decidiu" existir como um continente separado por razões políticas e culturais, apesar de estar fisicamente conectada à Ásia.
Países como a Rússia exemplificam essa confusão: o país é transcontinental, ou seja, se estende pelos dois lados. A maior parte do território fica na Ásia, mas a maioria da população e os centros políticos estão situados na parte europeia.
Além disso, no caso da Europa, "essa divisão entre Ocidente e Oriente está ligada a uma ideia de progresso que, durante muito tempo, colocou algumas regiões como referência e outras como atrasadas. Isso acabou entrando nos materiais escolares e sendo reproduzido sem muito questionamento", diz Sidnei Ferreira de Vares.
Por estes motivos, o professor aconselha que, mais do que decorar quantos continentes existem, é preciso entender que essas divisões são construções históricas que dizem muito sobre quem as criou e sobre o contexto em que foram criadas.
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09/04 -
Cidade aposta em progressão salarial para professores; um em cada três municípios não paga nem sequer o piso
Professores recebem salários mais altos do que médicos em cidade no Piauí
Quando o Ministério da Educação anunciou, em janeiro, o novo piso salarial do magistério, de R$ 5,1 mil, os professores do município de Campo Largo do Piauí (PI) já ganhavam cerca de R$ 8 mil como remuneração base.
Somadas as gratificações, o salário pode chegar a quase R$ 13 mil, no caso de um professor nos anos finais da carreira que trabalha 40 horas semanais. Isso é mais do que ganham alguns médicos no mesmo município, cerca de R$ 11 mil.
Segundo o Anuário Brasileiro de Educação Básica 2025, essa não é a realidade da maioria dos municípios brasileiros. Os dados mostram que uma a cada três prefeituras nem sequer paga o piso salarial do magistério, determinado por lei.
O rendimento bruto médio dos professores da rede pública foi de R$ 5,5 mil em 2024, enquanto o de outros profissionais com mesmo nível de escolaridade foi de R$ 6,4 mil, de acordo com o anuário.
O Piauí se destaca positivamente, com quase 94% dos municípios pagando acima do piso. Em primeiro lugar está o Ceará, com 98%. Na outra ponta, apenas 37% dos municípios do Espírito Santo e 33% de Roraima fazem o mesmo.
Salário é essencial, mas não é suficiente
Para Ivan Gontijo, gerente de Políticas Educacionais da ONG Todos pela Educação, a valorização salarial dos professores de educação básica é essencial para atrair bons profissionais e mantê-los na sala de aula, em um cenário em que há déficit de professores para os anos iniciais.
Mas ele alerta que só isso não é suficiente para melhorar os resultados educacionais a médio e longo prazo.
“Precisa dar uma formação continuada de qualidade para esses professores, dar boas condições de trabalho. Não adianta aumentar o salário e colocar o professor para atuar numa sala com 50 alunos, não dar ferramentas pedagógicas ou um bom livro didático”, afirmou Gontijo.
Não há dados recentes sobre a qualidade da educação básica em Campo Largo do Piauí que possam mensurar os resultados das ações atuais no município.
Segundo o IBGE, em 2022, a taxa de escolarização das crianças entre 6 e 14 anos era de 99,5%. Nos anos iniciais do ensino fundamental, em 2024, a nota no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica era 4 em uma escala que vai de 0 a 10. Já nos anos finais, era 3,7.
Projeto de judô com campeã olímpica
Campo Largo do Piauí aposta no regime de tempo integral para 100% dos alunos e em atividades extracurriculares artísticas e esportivas, como judô, balé, handebol, futsal e capoeira.
Uma dessas iniciativas é o Projeto Crescer, que oferece aulas de judô para mais de 300 estudantes em parceria com o Instituto Sarah Menezes, criado pela campeã olímpica brasileira.
Projeto Crescer oferece aulas de judô para mais de 300 estudantes em parceria com o Instituto Sarah Menezes.
Divulgação
As aulas acontecem aos sábados com uma equipe da judoca. Menezes disse que acompanha as atividades de perto, sempre em busca de atletas que também possam se tornar campeões olímpicos como ela. “Nosso papel é descobrir talentos e projetá-los, dando suporte com nosso conhecimento e, acima de tudo, com o nome que temos no esporte”, afirmou.
Gestores veem dificuldade para pagar o piso; entidade cobra cumprimento da lei
Para o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Luiz Miguel Martins Garcia, a dificuldade de muitas prefeituras para pagar o piso do magistério se deve ao modelo de financiamento da educação no país.
🔎 Por lei, os municípios têm que aplicar 25% do que arrecadam com educação básica. Além disso, as prefeituras recebem, a cada 10 dias, recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que são enviados pelo Ministério da Educação, além de verbas adicionais.
“Hoje, o financiamento da educação está vinculado à arrecadação. Se ela cai, os recursos diminuem, mas os custos da educação não variam dessa forma. Pelo contrário, eles tendem a crescer”, afirma.
O ideal, defende Garcia, seria um financiamento baseado no custo aluno-qualidade. Ou seja, um modelo que assegure o pagamento do custo real da educação, garantindo o funcionamento com qualidade, independentemente do que foi arrecadado com impostos.
Segundo Fátima Silva, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), o que falta mesmo é os municípios cumprirem a lei do piso.
“Em alguns casos, o valor só é alcançado por meio de gratificações e abonos, e não como vencimento básico. Isso também contraria a lei”, diz Silva.
Gontijo destaca que o caso de Campo Largo do Piauí chama atenção porque contraria essa prática citada por Silva. Além do vencimento base, o município paga uma gratificação chamada “regência de classe”, que funciona como um incentivo para quem permanece dando aulas, em vez de ocupar outras funções. Ela não é obrigatória, por isso, nem todas as pefeituras pagam.
O município também conseguiu estruturar uma progressão salarial significativa ao longo dos anos, na avaliação de Gontijo. O “adicional por tempo de serviço” faz com que o professor, no fim da carreira, esteja ganhando mais que o dobro do piso.
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08/04 -
Travessão não é vilão: Machado de Assis e Dostoiévski provam que sinal não é ‘coisa de ChatGPT’
Machado e Dostoiévski mostram que travessão não é vilão nem ‘coisa de ChatGPT’
🧐Um sinal de pontuação está sofrendo boicote intenso — mesmo tendo sido usado por grandes gênios da literatura.
Desde que o ChatGPT e outras ferramentas de inteligência artificial tornaram-se mais populares, o travessão virou basicamente uma “prova do crime”, como se a presença dele fosse um atestado de que o autor do texto é um robô.
Mas, obviamente, Machado de Assis não digitou o seguinte comando para um computador: “Por favor, escreva um romance em que um morto, sem querer parecer virtuoso, conte sua vida com ironia e vaidade, como um ‘defunto-autor’ cruelmente elegante.”
E, ainda assim, “Memórias Póstumas de Brás Cubas” traz o seguinte trecho: "Mas, enfim, vivia. — E que mal há nisso? — perguntar-me-á algum leitor."
➡️O travessão está lá, firme e forte. Assim como também aparece com frequência em obras de Clarice Lispector, João Guimarães Rosa, Fiódor Dostoiévski e Marcel Proust… Veja exemplos mais abaixo.
Vamos focar aqui em uma função específica desse sinal, justamente a que foi “vilanizada”: não quando o travessão introduz a fala de um personagem, e sim quando tem um valor parecido com o da vírgula.
“Normalmente, quando a pessoa quer aumentar a clareza do texto e variar a pontuação, ela pode optar pelo travessão. É um uso sofisticado, comum em textos acadêmicos e jurídicos”, explica Eduardo Calbucci, professor de Linguagens do Curso Anglo.
“A IA produz textos a partir de outros que já foram escritos. Se ela tomar como base materiais acadêmicos, vai imitá-los.”
➡️Ou seja: o travessão é um sinal “refinado” e característico de pessoas que têm amplo domínio da norma padrão da língua. Ele pode ter sido gerado por uma ferramenta de IA? Sim. Mas não necessariamente. Esse elemento, isolado, não deve levantar desconfiança do leitor.
“As pessoas estão tirando o travessão dos seus textos ou pedindo para o ChatGPT escrever uma resposta sem esse sinal. Passaram a ver como se fosse um problema. Só que a verdadeira desconfiança [do uso de IA] não deve vir de algo isolado assim, e sim de uma quebra estilítisca”, afirma Calbucci.
Ou seja: se o professor notar que o aluno mudou de estilo da noite para o dia e passou a adotar recursos mais refinados de linguagem, pode conversar com ele e entender a razão disso.
A verdade é: não vai ser a presença ou a ausência do travessão que indicará se seu texto é de IA.
“Existem ferramentas hoje disponíveis que, em tese, mostram se um texto foi gerado por IA ou não, e qual o percentual feito pela máquina. Mas nenhum é garantido. Muitos podem gerar falsos positivos: dizer que um texto é de IA, mas ele não é”, diz Luiz Leduíno de Salles Neto, professor do ICT/Unifesp.
Se, portanto, o travessão deixar um parágrafo mais claro e fluido, não se reprima — Dostoiévski está ao seu lado.
Broche defende uso do travessão e vira piada nas redes
Reprodução/Redes sociais
Veja exemplos de uso de travessão na literatura (bem antes do ChatGPT)
📖Machado de Assis — Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881, português original brasileiro)
"A vida é uma ópera — e uma ópera grande, meu caro."
O travessão destaca a comparação metafórica, dando ênfase e pausa reflexiva.
Machado de Assis usava travessões
Arquivo Nacional/BBC
📖Clarice Lispector — A hora da estrela (1977, português original brasileiro)
Clarice usa o travessão para interrupções introspectivas ou para marcar o fluxo de consciência:
"Ela não sabia que era nordestina — quem sabe nem sabia o que era isso — e por isso mesmo era tão livre."
📖João Guimarães Rosa — Grande Sertão: Veredas (1956, português original brasileiro)
Rosa emprega o travessão em interrupções reflexivas ou para enfatizar o tom de ensaio:
"O senhor sabe: o diabo não existe — não é uma pessoa, é um estado — a gente dá passagem."
Aqui, o travessão cria uma pausa para aprofundar a ideia filosófica.
📖Emily Dickinson (poesia em inglês original, século XIX)
Dickinson é famosa pelo uso abundante de “dashes” (—) para pausas abruptas, hesitações ou ênfase emocional:
"Because I could not stop for Death –
He kindly stopped for me –
The Carriage held but just Ourselves –
And Immortality."
📖Virginia Woolf — Mrs. Dalloway (1925, inglês original)
Exemplo de fluxo de consciência com interrupção:
"She had a perpetual sense, as she watched the taxi cabs, of being out, out, far out to sea and alone; she always had the feeling that it was very, very dangerous to live even one day — not to speak of a lifetime."
O travessão interrompe a frase para enfatizar o perigo existencial, criando uma pausa dramática.
📖Marcel Proust — Em Busca do Tempo Perdido (francês original, início do século XX)
Proust usa o tiret (—) para digressões longas e interrupções reflexivas:
"Le bonheur — ou du moins l’absence de souffrance — est le seul but que l’homme doive se proposer dans la vie."
O travessão insere uma precisão ou reformulação.
📖Fiódor Dostoiévski - Crime e Castigo (russo original, 1866, traduzido para o inglês)
Dostoiévski usa o travessão (em traduções inglesas fiéis e em edições russas modernas) para pausas reflexivas, ironia ou interrupções no fluxo de pensamento do narrador/personagem:
"He had become so... how shall I say it? — so completely absorbed in himself..."
O travessão marca uma hesitação para buscar a “palavra certa”.
📖William Shakespeare — Júlio César (inglês original, 1599)
Shakespeare usava traços (frequentemente representados como travessões em edições modernas) para interrupções abruptas no pensamento ou pausas dramáticas, especialmente em monólogos:
"O, that we then could come by Caesar's spirit,
And not dismember Caesar! But, alas,
Caesar must bleed for it. — And, gentle friends,
Let's kill him boldly, but not wrathfully..."
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07/04 -
PND: quando começam as inscrições para a Prova Nacional Docente?
Professora dá aula para crianças
Divulgação
As inscrições para a edição de 2026 da Prova Nacional Docente (PND) estarão abertas de 15 a 26 de junho, segundo calendário publicado nesta segunda-feira (6).
A prova, organizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), será aplicada em 20 de setembro, e os resultados devem ser disponibilizados em dezembro.
➡️O que é a PND? Criada pelo Ministério da Educação (MEC), ela é uma prova anual que funciona como um concurso nacional e unificado para selecionar professores de educação básica que lecionarão nas redes públicas de ensino. Por meio da mesma avaliação, será possível que um docente se candidate tanto para uma vaga de um município no Sul do país quanto para uma oportunidade no Nordeste, por exemplo.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
De acordo com a pasta, a PND:
pode reduzir custos com licitações;
padroniza a aplicação de avaliações;
preserva a autonomia das redes para decidir como usar os resultados.
Calendário da PND em 2026
Adesão dos entes federados: a partir de abril
Divulgação dos entes aderidos: até junho
Inscrição dos candidatos: de 15 a 26 de junho
Aplicação da prova: 20 de setembro
Disponibilização dos resultados: dezembro
Veja Mais
07/04 -
Como funciona o MEC Livros, biblioteca digital pública e gratuita lançada pelo governo federal
MEC Livros, plataforma do Ministério da Educação.
Reprodução
O Ministério da Educação (MEC) lançou nesta semana o MEC Livros, uma iniciativa que visa democratizar o acesso à leitura em todo o país. Abaixo, o g1 preparou um guia completo com as respostas às principais dúvidas sobre o funcionamento da plataforma.
O que é o MEC Livros?
É uma biblioteca digital pública e gratuita que reúne obras literárias nacionais e internacionais. O acervo é composto por obras em domínio público e títulos contemporâneos licenciados, atendendo a estudantes, professores e leitores em geral.
Como faço para acessar?
O acesso é feito de forma digital, seja pelo site oficial (meclivros.mec.gov.br/) ou pelo aplicativo MEC Livros, disponível nas principais lojas de aplicativos. Para entrar, o usuário deve utilizar sua conta gov.br.
No primeiro acesso, o usuário pode selecionar seus gêneros literários favoritos, o que permitirá que a ferramenta personalize recomendações com base nas preferências.
MEC Livros personaliza recomendações com base na preferência do usuário.
Reprodução.
Quais livros estão disponíveis?
O acervo tem quase 8 mil obras. Entre os destaques, estão:
Clássicos consagrados: Clarice Lispector, José Saramago e Ariano Suassuna.
Best-sellers contemporâneos: títulos como Harry Potter, Jogos Vorazes, O Hobbit e Eu Sou Malala.
Domínio Público: cerca de 2 mil obras que podem ser convertidas para o formato ePub, melhorando a experiência de leitura digital.
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Como funciona o sistema de empréstimo?
Diferentemente de um download comum, a plataforma funciona com um sistema de reserva temporária:
Prazo de leitura: o usuário tem 14 dias para ler a obra emprestada.
Renovação: existe a possibilidade de renovar o empréstimo do livro por mais 14 dias.
Limite de livros: só é possível realizar um novo empréstimo após a devolução do livro que já está com o usuário.
Formato: a leitura pode ser feita diretamente no navegador ou via aplicativo.
Por enquanto, a devolução das obras ocorre ao final do prazo de 14 dias. De acordo com o Ministério da Educação, ao final deste prazo, o usuário pode optar pela renovação do empréstimo ou pela devolução do título.
A pasta informou que está trabalhando na implementação de melhorias que "permitirão a devolução a qualquer tempo, além da possibilidade de habilitar essa função a partir de 90% da leitura, ampliando a autonomia do usuário na gestão dos empréstimos."
Posso pegar mais de um livro emprestado ao mesmo tempo?
Não. O sistema do MEC Livros permite apenas um empréstimo por vez. Um novo livro só poderá ser solicitado após a devolução da obra que já está com o leitor.
MEC Livros não permite o empréstimo de mais de uma obra por vez.
Reprodução
Existem limites para livros populares?
Sim. A plataforma trabalha com três faixas de acesso, que variam conforme o tipo de obra:
Lançamentos e best-sellers (cerca de 1,2 mil títulos): têm um limite operacional de aproximadamente 18,6 mil empréstimos por mês, somando todos os usuários.
Catálogo mais antigo (longsellers) — cerca de 3,6 mil obras: permitem até 1,4 milhão de leituras por ano.
Outros títulos (cerca de 1 mil): têm empréstimos ilimitados.
Quais são os recursos de acessibilidade?
A plataforma foi desenhada para ser inclusiva, oferecendo:
ajuste de tamanho de fonte e contraste;
suporte específico para pessoas com dislexia;
compatibilidade com leitores de tela.
Nos primeiros dias após o lançamento, usuários afirmaram que recursos como ajuste de fonte e configuração de tela apresentaram instabilidade e nem sempre funcionaram corretamente.
Procurado, o Ministério da Educação afirmou que, até o momento, não identificaram registros de problemas nessas funcionalidades.
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06/04 -
O que é o 'lado oculto' da Lua e por que ele nunca é visto da Terra?
Por que existe um lado oculto da Lua?
A missão Artemis II, da Nasa, iniciada na última quinta-feira (1º), marca um momento histórico: pela primeira vez em mais de 50 anos, quatro astronautas estão na Lua para um voo rasante que os leva aonde nenhum humano esteve desde a década de 1970.
Durante a jornada, eles estão passando pelas "costas" do nosso satélite natural, ou seja, pela face que fica escondida de quem está aqui na Terra.
➡️Afinal, por que a Lua nunca mostra o seu "outro lado" para nós? Não é nada pessoal. O fenômeno é resultado de um ajuste gravitacional que mantém o satélite "travado" em relação ao nosso planeta.
Nesta reportagem, entenda:
O que é a rotação sincronizada?
Por que a Lua leva o mesmo tempo para girar e para orbitar a Terra?
Qual a diferença entre lado oculto e lado escuro (e por que Pink Floyd não foi preciso cientificamente)?
O que os astronautas da Artemis II devem encontrar por lá?
🌕 Por que a Lua mostra sempre a mesma face para a Terra?
Lua nunca mostra 'as costas' para a Terra
NASA/EPIC
A Lua não gira só em torno da Terra — ela também gira em torno de si mesma, em total sincronia. Esse é um fator determinante na explicação de por que não vemos as "costas" do satélite.
Para entender a dinâmica, imagine dois movimentos ocorrendo simultaneamente:
Rotação: O giro da Lua em torno de si mesma
Translação: O giro da Lua ao redor da Terra
A Lua leva exatamente o mesmo tempo — cerca de 27,3 dias — para completar ambos os movimentos. Isso faz com que sempre a mesma face do satélite fique visível para quem está na Terra.
“Se ela não girasse em torno de si mesma, veríamos todos os seus lados ao longo de um mês. Para manter a mesma face voltada para o centro da órbita, ela precisa completar uma volta de 360° sobre o próprio eixo enquanto completa uma volta ao redor da Terra”, afirma João Batista Garcia Canalle, astrônomo e coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA).
🌙 Por que o tempo de giro é igual?
A Lua girava muito mais rápido antes. No entanto, a gravidade da Terra exerceu uma espécie de "fricção" constante sobre o satélite ao longo de milhões de anos.
O "puxão" desigual: A gravidade da Terra atraía a Lua com tanta força que acabou deformando o satélite, criando um leve abaulamento (como se a Lua ficasse levemente esticada, em formato de ovo).
O efeito de freio: Como a Lua girava rápido, esse "calombo" saía do alinhamento com a Terra. A gravidade do nosso planeta, então, puxava esse calombo de volta, agindo como um freio invisível.
O ajuste final: Aos poucos, essa resistência foi diminuindo a velocidade de rotação da Lua.
Esse processo de "frenagem" só se estabilizou quando os tempos se igualaram: 1 volta em torno de si mesma = 1 volta em torno da Terra.
“Ao longo de muito tempo, a interação gravitacional entre a Terra e a Lua fez esse sistema evoluir para um estado mais estável”, diz José Lages, professor de física e coordenador de itinerários formativos do Colégio Andrews (RJ).
🌘 Lado oculto ou lado escuro?
Um erro comum, cometido até pela banda Pink Floyd no álbum “The Dark Side of The Moon” (1973), é chamar a face escondida de "lado escuro da Lua". Na verdade, o lado oculto recebe tanta luz solar quanto o lado que vemos.
Lado Oculto: É uma definição geográfica. A maior parte dessa face nunca pode ser vista diretamente da Terra.
Lado Escuro: É uma definição de iluminação. Refere-se a qualquer parte da Lua que esteja passando pela noite lunar naquele momento.
Durante a fase de Lua Nova, por exemplo, o lado que vemos da Terra está totalmente no escuro, enquanto o lado oculto está plenamente iluminado pelo Sol.
🌕 O que existe do outro lado da Lua?
Segundo Canalle, o lado oculto:
“quase não possui os famosos "mares" (aquelas manchas escuras de lava basáltica que vemos daqui);
é muito mais acidentado e repleto de crateras de impacto;
tem uma crosta mais espessa do que o lado voltado para nós”.
Caio Britto, autor de física do Sistema de Ensino pH, explica que há várias hipóteses para explicar essas diferenças.
“A mais atual e mais aceita é a que cada face sofreu níveis de aquecimento/resfriamento diferentes no início do nosso Sistema Solar. Essa diferença de temperatura fez com que houvesse mais cristalização no lado oculto, criando superfícies irregulares, e, no lado visível, as pedras e cristais foram derretidos e criaram uma superfície mais lisa e plana”, diz.
🚀 Qual a relação com a missão Artemis II da Nasa?
Como a Lua é um corpo sólido e opaco, ela bloqueia as ondas de rádio vindas da Terra. Elas não conseguem chegar ao lado "oculto".
Quando a cápsula Orion passar por trás da Lua, os astronautas ficarão sem comunicação direta com a Nasa por alguns minutos. Todo o “corpo” da Lua funcionará como um bloqueio aos sinais enviados da Terra — a “massa” do satélite natural ficará entre o ponto onde estarão os astronautas e o ponto da face visível da Lua, onde chegam as ondas de rádio.
Será um isolamento total por um intervalo curto de tempo.
Se tudo der certo, os tripulantes serão os primeiros humanos a verem o lado oculto com os próprios olhos desde a missão Apollo 17, em 1972. Eles poderão documentar detalhes geológicos que os satélites, mesmo com alta tecnologia, ainda tentam desvendar completamente.
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05/04 -
Por que pais não têm ideia de como filhos estão usando inteligência artificial
ChatGPT e Gemini
Aerps/Unsplash; Amanz/Unsplash
A inteligência artificial (IA) tem um papel enorme na vida de Isis Joseph.
"Eu uso todos os dias", diz a estudante de 17 anos, que está no 11º ano em Nova York, nos Estados Unidos (série equivalente ao segundo ano do Ensino Médio no Brasil).
Ela conta que usa a tecnologia para fazer tarefas escolares. A IA também a ajuda a decidir onde comer e fornece inspiração para suas poesias. Às vezes, ela até recorre à ferramenta para tirar dúvidas sobre sua vida pessoal.
"Os pais podem exagerar a ideia de que a IA é algo muito ameaçador", e, claro, muitas dessas preocupações são válidas, afirma. "Mas acho que a IA é, de modo geral, boa."
Joseph ilustra uma tendência mais ampla. Há uma grande discrepância entre como pais e adolescentes percebem o papel da IA na vida dos jovens, segundo dois novos estudos do Pew Research Center e do Common Sense Media, grupo de defesa dos direitos das crianças.
Mas há um dado muito mais chocante nos detalhes. Os estudos mostram que um grande número de pais não tem ideia do que seus filhos estão fazendo com a IA.
Alguns usos são triviais, mas alguns adolescentes usam a tecnologia de formas que suas famílias considerariam alarmantes.m
Uma coisa é clara: os pais precisam fazer muito mais perguntas à mesa de jantar sobre como seus filhos usam chatbots.
Há uma grave falta de comunicação sobre IA dentro das famílias, diz Monica Anderson, diretora-geral do Pew Research Center: "Essa não é uma conversa que esteja acontecendo com uma grande parcela dos pais", afirma.
O Pew Research Center entrevistou 1.458 adolescentes americanos de 13 a 17 anos e seus pais. "Encontramos uma diferença entre o que os pais acreditam estar acontecendo com a IA e o que os adolescentes nos dizem que realmente fazem", diz Anderson.
Quando o Pew perguntou aos pais se seus filhos usam IA, apenas 51% responderam que sim. Na realidade, 64% dos adolescentes dizem usar chatbots.
A organização sem fins lucrativos Common Sense Media encontrou diferenças igualmente drásticas. Milhões de pais não sabem o que acontece nas telas de seus filhos.
Isso faz sentido porque, segundo o Pew, quatro em cada dez pais disseram nunca ter tido uma conversa com seus filhos sobre IA.
Esse é um grande problema, afirma Rachel Barr, professora de desenvolvimento infantil e chefe do departamento de psicologia da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos. "Isso me surpreende", diz Barr. As famílias deveriam lidar com a IA em conjunto, em vez de deixar os adolescentes resolverem isso sozinhos, afirma.
Apoio emocional
Quando os estudos compararam o que os jovens estavam fazendo com as expectativas de seus pais, encontraram diferenças significativas. Parece que muitos adolescentes estão tomando decisões sobre IA por conta própria.
"Uma minoria significativa de crianças que têm acesso à IA está usando a tecnologia de formas sociais que podem deixar os pais desconfortáveis", diz Michael Robb, chefe de pesquisa do Common Sense.
Entre todas as preocupações dos pais sobre o que seus filhos fazem com chatbots, a busca por companhia se destacou.
Segundo o Pew, 58% dos pais americanos disseram não se sentir confortáveis com seus filhos adolescentes usando IA para apoio emocional, e outros 20% disseram não ter certeza. Mas isso está acontecendo.
"Às vezes eu conto para a IA algo sobre como estou me sentindo, ou sobre alguma situação que pode ter acontecido comigo. E ela me responde colocando a situação em perspectiva ou [explicando] a melhor forma de lidar com a situação", diz Joseph.
"Ela pode, sim, oferecer apoio emocional, mas, claro, é um robô."
Os adolescentes com quem conversei sobre isso são mais conscientes do que se poderia imaginar. Joseph, por exemplo, diz reconhecer que a IA pode estar apenas dizendo o que ela quer ouvir e, por isso, encara os conselhos com cautela.
Ainda assim, a maioria deles, incluindo Joseph, afirma que usar a IA para aconselhamento ou companhia pode ir longe demais.
Vários mencionaram o caso de um garoto de 14 anos que tirou a própria vida após conversas obsessivas com um chatbot.
"Um dos meus amigos, em determinado momento, falava com a IA o tempo todo", diz Kingston Rieben, 16, de San Diego, Califórnia, nos Estados Unidos.
"Às vezes estávamos sentados juntos e o ouvíamos rindo ao nosso lado, digitando coisas no celular."
Quando o Pew perguntou a adolescentes nos EUA sobre IA, 12% disseram usá-la para aconselhamento ou apoio emocional, e 16% afirmaram utilizá-la para conversas informais.
Essas proporções podem parecer pequenas, mas ainda assim representam milhões de crianças em todo o país, se a pesquisa for representativa. E há grandes disparidades raciais.
Segundo o estudo, 21% dos adolescentes negros usam IA para apoio emocional, em comparação com 13% dos adolescentes hispânicos e 8% dos adolescentes brancos (não havia adolescentes asiáticos suficientes na pesquisa para permitir uma análise separada).
"Também vemos muitas evidências, a partir de regressões e outras análises, de que a raça se destaca por si só, mesmo quando controlamos outros fatores, como renda", diz Anderson.
O estudo do Pew não abordou as razões para essas diferenças. Barr, da Universidade de Georgetown, sugere que adolescentes com menos redes de apoio podem recorrer à IA como recurso por ser tão acessível, mas afirma que é impossível saber com certeza sem mais pesquisas.
Enquanto os chatbots estiverem disponíveis no mercado, é provável que as pessoas passem a usá-los como amigos e terapeutas. A Associação Americana de Psicologia oferece um guia para pais cujos filhos adolescentes recorrem a chatbots.
Entre as principais recomendações, está a de fazer perguntas em vez de dar sermões e observar sinais de alerta de que os adolescentes estão usando a IA de formas que substituem a interação humana.
❌ Os sinais de uso problemático de IA em adolescentes podem incluir:
Eles descreveram a IA como sua "melhor amiga" ou principal confidente;
Ficarem arrasados quando não conseguem acessá-la;
O desempenho escolar, o sono ou as amizades verdadeiras apresenta piora;
Usam a IA para evitar conversas difíceis;
Mudanças notáveis no humor, comportamento ou pensamento.
É recomendado procurar ajuda imediatamente se alguém estiver usando a IA para discutir automutilação, depressão grave ou crises de saúde mental, segundo as recomendações da Associação Americana de Psicologia.
Trabalho e lazer
Entre os adolescentes, alguns dos usos mais comuns da IA são os que se poderia esperar. "Eu geralmente uso para estudar", diz Eloise Chu, de 13 anos, de Chatham, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.
"Tipo, se tenho uma prova de matemática, coloco um problema que não sei resolver para que ela gere mais questões, assim posso treinar."
Segundo o Pew, o principal uso da IA entre adolescentes é simplesmente buscar informações (como se fazia no Google antigamente, quando eu era adolescente).
Em seguida, vem a ajuda com tarefas escolares. Cerca de metade dos adolescentes nos Estados Unidos afirma usar a IA para pesquisa, e muitos a utilizam para auxílio em matemática e redação.
Um em cada dez adolescentes diz fazer todo ou a maior parte do dever de casa com ajuda da IA. Muitos dos adolescentes com quem conversei afirmam que seus professores incentivam ativamente o uso da tecnologia, com restrições para garantir que ela não prejudique o aprendizado.
Quase nenhum dos adolescentes com quem conversei admite colar com o uso de IA. No entanto, quando se pergunta sobre outros estudantes, o quadro é bem diferente — 59% dos adolescentes disseram ao Pew Research Center que alunos em suas escolas usam IA para colar, enquanto 34% afirmaram que isso acontece com uma certa ou muita frequência.
"Já tive colegas que literalmente gritam com o professor: 'Ei, se você não vier responder minha pergunta, eu vou usar a IA para fazer isso por mim'", diz Rieben.
Cash, seu irmão de 14 anos, tem relatos semelhantes. "Na aula de ciências, tivemos que pesquisar um tema e escrever sobre ele, e um dos alunos da minha mesa simplesmente copiou tudo o que a IA disse", afirma. "Mas depois ele não conseguia ler a própria letra e nem lembrava o que tinha escrito."
Mas não é só estudo e cola: 47% dos adolescentes americanos disseram usar a IA para entretenimento. Chu, por exemplo, afirma que se diverte bastante usando IA para gerar imagens de pinguins e panquecas, duas de suas coisas favoritas. Prometi a ela que tentaria fazer o mesmo. Posso dizer que é tão bom quanto ela descreveu.
Conflitos de percepção
Algumas das maiores diferenças apontadas no estudo dizem respeito a como pais e adolescentes encaram a IA — e nem tudo são más notícias. Há uma grande divisão geracional, e existem boas razões para otimismo, desde que se aceite que os jovens não são completamente alheios ao tema.
Segundo um estudo do Common Sense Media, 52% dos pais dizem que usar a IA em trabalhos escolares é "antiético e deveria ter consequências".
Mas, ao perguntar aos adolescentes, o mesmo percentual afirma que usar a IA para tarefas escolares é "inovador e deveria ser incentivado".
Ou os jovens estão deixando passar algo, ou os pais estão.
"Sinto que os adultos podem achar que as crianças só usam IA de forma inadequada, para colar nas tarefas e coisas assim", diz Chu.
"Não acho que a maioria faça isso." (A mãe de Chu disse que se sente confortável com como seus filhos usam IA.)
Mas, de modo geral, os adolescentes parecem mais à vontade com as ferramentas.
A Common Sense Media constatou que 92% dos jovens dizem conseguir distinguir quando estão interagindo com um sistema de IA ou com um ser humano, em comparação com 73% dos pais.
Segundo o Pew Research Center, quase seis em cada dez adolescentes afirmam estar confiantes em sua capacidade de usar chatbots, e um quarto disse estar muito ou extremamente confiante.
"As crianças costumam estar na linha de frente das novas tecnologias e se sentem mais confortáveis em testar os limites do que essas tecnologias podem fazer", afirma Robb.
A maioria dos adolescentes não compartilha a visão catastrófica sobre IA que preocupa muitos adultos. Quando questionados pelo Pew Research Center, 36% disseram esperar que a IA tenha um impacto positivo em suas vidas no longo prazo, e apenas 15% preveem um impacto negativo.
Os pais não precisam ter todas as respostas, diz Robb, mas precisam começar a fazer perguntas. "Não há problema em pedir aos seus filhos que mostrem como estão usando a IA em suas vidas", afirma. "No mínimo, isso já abre espaço para uma conversa."
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03/04 -
Os mistérios de uma antiga civilização avançada ainda pouco conhecida
Acredita-se que a civilização do Vale do Indo era altamente sofisticada.
DEA/A Dagli Orti via Getty Images
Casas de tijolos de vários andares, ruas uniformes e um sistema de drenagem avançado, com vasos sanitários com descarga. Parece familiar?
Isso pode parecer uma cidade moderna, mas a descrição é de centros urbanos da antiga civilização do Vale do Indo, que existiu há milhares de anos.
Acredita-se que essa civilização era altamente sofisticada e existiu ao mesmo tempo que o antigo Egito e a Mesopotâmia, mas, ainda assim, sabemos relativamente pouco sobre ela.
Esse mistério, segundo especialistas, se deve em parte à sua escrita ainda não decifrada, além do fato de que sua sociedade pode ter sido mais igualitária do que outras da época.
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Quem eram eles?
A fase mais desenvolvida da civilização do Vale do Indo existiu entre 2600 a.C. e 1900 a.C., embora o seu desenvolvimento tenha começado muito antes, por volta de 4000 a.C., segundo o pesquisador Sangaralingam Ramesh, da Universidade de Oxford e da University College London (UCL), no Reino Unido.
Ela se concentrava ao longo do rio Indo, no que hoje corresponde ao Paquistão e à Índia. Era formada por comunidades agrícolas em vilarejos, além de mais de 1.400 cidades e povoados, sendo os maiores Harappa e Mohenjo-daro.
O que sabemos a civilização do Vale do Indo?
BBC/GETTY IMAGES
Era maior do que o Antigo Egito e a Mesopotâmia, com cerca de 1 milhão de habitantes distribuídos em 80 mil assentamentos, segundo Ramesh.
E são considerados extraordinárias por vários motivos.
1. Planejamento urbano avançado
O Vale do Indo foi uma das primeiras civilizações a construir moradias de tijolo, inclusive com tamanhos padronizados, segundo Ramesh.
"As cidades eram organizadas em ângulos retos, com ruas uniformes e perpendiculares", afirma. "Havia também poços, as casas tinham latrinas… um sistema de esgoto 2.000 anos antes dos romanos."
Esse sistema de esgoto, combinado com a presença de áreas de banhos escavados, indica que a civilização tinha consciência sobre doenças e "valorizava a limpeza", diz Ramesh.
As cidades da civilização do Vale do Indo tinham ruas uniformes com casas de tijolo.
DEA/W Buss via Getty Images
A densidade das áreas urbanas também permitia a organização de cadeias de abastecimento, o que, por sua vez, favorecia o comércio.
"Eles comerciavam com a antiga Mesopotâmia, especialmente em matérias-primas como madeira, contas, cobre, ouro e também tecidos de algodão", explica Ramesh.
2. Governança coletiva
Ramesh afirma que a organização das áreas urbanas também revela outro aspecto.
"Isso é evidência de que havia uma autoridade cívica bem estruturada… responsável por manter a infraestrutura das cidades e dos assentamentos", diz o pesquisador.
"Era uma forma de governança mais sofisticada, mais coletiva do que centralizada, sem evidências de palácios ou de uma nobreza."
Segundo Ramesh, isso diferencia a civilização do Vale do Indo de outras sociedades comparáveis.
Muito já foi escavado em sítios do Vale do Indo, incluindo esta estátua de terracota, mas ainda há muito que não sabemos.
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"A evidência arqueológica aponta para uma forma de governança menos centrada em governantes ostentosos do que no Egito ou na Mesopotâmia, onde faraós e instituições palacianas e templárias são inconfundíveis", afirma.
"Nessas regiões, a autoridade era centralizada e altamente visível por meio de construções monumentais, textos burocráticos e demonstrações de poder real."
3. Relativamente igualitária e pacífica
Há evidências de que existia alguma hierarquia social no Vale do Indo, mas ela é menos evidente do que em outras sociedades da época.
"A estratificação social é mais fácil de identificar no Egito e na Mesopotâmia… no Vale do Indo, há variações no tamanho das casas, mas, em geral, são mais sutis", diz Ramesh.
E, embora arqueólogos tenham encontrado alguns esqueletos com sinais de trauma, alguns pesquisadores consideram que a sociedade era mais pacífica do que outras.
"Há pouca iconografia inequívoca de guerra, relativamente poucos contextos de elite ricos em armas, e algumas amostras de esqueletos mostram taxas menores de trauma craniano do que em partes do antigo Oriente Próximo", afirma o pesquisador.
Foram encontradas menos lesões cranianas nos sítios funerários do Vale do Indo do que em outras sociedades.
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Mas ele ressalta que isso não significa que não houvesse violência; a falta de evidências pode ser resultado de viés de preservação — que se dá porque certos itens (como conchas duras ou ossos) têm maior probabilidade de serem preservados do que outros (como tecidos moles).
"Se uma sociedade não registra a guerra em monumentos duráveis ou textos, ou se esses materiais não sobrevivem, observadores posteriores podem acabar com um 'sinal' mais silencioso de conflito, mesmo que a violência tenha existido", diz Ramesh.
Mistérios restantes
Mas ainda há muito que não sabemos sobre a civilização do Vale do Indo.
Ramesh afirma que isso se deve, em parte, ao fato de grande parte dos sítios ainda não ter sido escavada.
"Ainda estão sendo encontrados locais no oeste da Índia, e a civilização também se estendia até o Afeganistão, onde, devido à situação atual, pouca escavação pode ser realizada", diz o pesquisador.
Isso também pode estar relacionado aos materiais e métodos de construção utilizados.
"O Egito e a Mesopotâmia deixaram monumentos duráveis em pedra… o Vale do Indo construiu principalmente com tijolos de barro e tijolos cozidos", afirma Ramesh.
"Sem grandes templos de pedra, palácios ou túmulos reais… o Estado do Vale do Indo é mais difícil de reconstruir."
Mas há outro fator: ao contrário da escrita cuneiforme — um dos primeiros sistemas de escrita da antiga Mesopotâmia —, ainda não conseguimos decifrar a escrita do Vale do Indo.
A escrita encontrada nos selos do Vale do Indo ainda não foi decifrada.
DEA/G Nimatallah via Getty Images
Ela foi encontrada em relevos de sinetes ou selos em sítios do Vale do Indo e é "a escrita mais decifrada que não foi decifrada", brinca a pesquisadora Nisha Yadav, do Tata Institute of Fundamental Research, em Mumbai, na Índia.
"A cada 10 dias, mais ou menos, recebo um e-mail dizendo: 'Ok, eu decifrei a escrita do Indo'", afirmou.
Mas, até agora, nenhuma interpretação obteve consenso científico.
Yadav diz que decifrar a escrita é difícil porque ela é muito breve, geralmente com apenas cinco a 14 símbolos por selo, e, até hoje, não foi encontrado um equivalente à Pedra de Roseta. A Pedra de Roseta traz um decreto inscrito em três sistemas de escrita — hieróglifo egípcio, demótico egípcio e grego clássico —, o que foi crucial para decifrar os hieróglifos.
Mas sua própria pesquisa, que utiliza modelagem computacional para identificar padrões nos símbolos, encontrou evidências de sintaxe — regras que organizam a estrutura das frases — e uma "lógica subjacente" na escrita.
"Se conseguíssemos lê-la… seria como uma única chave abrindo portas", disse. "E, por trás de cada porta, viria uma avalanche de conhecimento, que nos revelaria aspectos muito importantes da civilização."
Segundo Yadav, a escrita pode oferecer pistas sobre as crenças e a visão de mundo dessa sociedade, além de lançar mais luz sobre seu comércio e o papel dos selos.
Decifrar essa escrita pode revelar como era a vida das pessoas na civilização do Vale do Indo.
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O que aconteceu com eles?
Uma das principais teorias para o declínio da civilização do Vale do Indo é a mudança ambiental.
"Os sítios começaram a ser abandonados por volta de 1900 a.C., e arqueólogos e especialistas em clima atribuem isso a uma alteração nas monções", diz Ramesh.
Ele afirma que escavações em Mohenjo-daro também encontraram evidências de que a população tentava mitigar o impacto de inundações.
Ramesh acredita que compreender esse processo pode trazer implicações para as sociedades atuais, já que, se as geleiras do Himalaia derreterem mais rapidamente hoje, a história pode se repetir.
Segundo ele, o estilo de governança da civilização do Vale do Indo — baseado em consenso e que permitia um pensamento mais voltado ao longo prazo — não foi suficiente para salvá-los, mas pode ser para as sociedades modernas.
"Eles não tinham a tecnologia para entender exatamente o que estava acontecendo", afirmou.
"Mas nós temos essa capacidade tecnológica — de usar a tecnologia de forma mais consciente — para garantir que nossa civilização se sustente."
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03/04 -
A história indígena das máscaras do Brasil que rodam o mundo
Máscaras cara-grande, do povo indígena Apyãwa-Tapirapé, são usadas para rituais e depois destruídas.
Ana Coutinho/DW
Ao longo de décadas, as máscaras cara-grande, do povo indígena Apyãwa-Tapirapé, se espalharam do Mato Grosso ao redor do mundo. Além de integrarem acervos de museus, elas são hoje revendidas em casas de leilão no exterior ou até populares plataformas de comércio eletrônico, com preços iniciais variando de 600 doláres a 17 mil dólares (R$ 3 mil a R$ 90 mil).
Em inglês, as máscaras (também chamadas de Ypé ou Upé) são frequentemente apresentadas como raros artefatos espirituais de um místico povo indígena num Brasil remoto. Nos anos 1960, elas adentraram o vasto universo do comércio mundial de objetos culturais, tendo as próprias aldeias na ponta inicial da cadeia.
"Essas máscaras são fundamentais para a prática espiritual dos Tapirapé, sendo utilizadas principalmente em contextos cerimoniais para estabelecer contato com forças sobrenaturais e espíritos ancestrais," diz um dos anúncios, pedindo 1,6 mil dólares (R$ 8,2 mil) por um exemplar. "Elas são confeccionadas com materiais naturais provenientes do seu próprio ambiente."
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Mas nem tudo pode o olho do homem branco. Foi o que explicaram os indígenas Nivaldo Paroo'i Tapirapé e Koxamare'i Tapirapé, numa visita na semana passada a Bonn, na Alemanha, onde a exposição "Amazônia, Mundos Indígenas" exibe máscaras cara-grande.
Para o seu povo, que prefere a autodenominação Apyãwa, as peças hoje à venda ou em exibição se limitam a uma versão adaptada das máscaras de fato usadas nos seus rituais. Ao serem dessacralizadas, as réplicas preservaram algumas tradições e, ao mesmo tempo, sofreram alterações estéticas decisivas para a cultura indígena.
Subsistência versus proibição
A manufatura familiar se tornou, seis décadas atrás, uma estratégia para engajar com a demanda comercial nos arredores do Rio Araguaia, afirma a antropóloga Ana Coutinho, que acompanhou a incursão à Alemanha. Viajantes, comerciantes e curiosos, inclusive estrangeiros, passavam por ali desejosos de vestígios materiais do que percebiam como um mundo longínquo e misterioso.
"As pessoas que comercializaram as máscaras para cá [Europa], na nossa visão, não sabiam realmente se elas eram para rituais", disse Nivaldo Paroo'i. Não há clareza sobre os valores cobrados no século 20, mas especialistas apontam para a tendência de supervalorização uma vez que objetos culturais cruzam fronteiras.
Sagradas ou não, as máscaras confeccionadas com matéria-prima de animais silvestres, que impliquem na sua destruição ou apanha, não poderiam ser comercializadas, conforme prevê a legislação brasileira, desde 1967, independentemente de quando foram produzidas. Elas estão, inclusive, na Lista Vermelha de Objetos Culturais Brasileiros em Risco, do Conselho Internacional de Museus (ICOM, na sigla em inglês), que elenca os itens do gênero mais vulneráveis ao tráfico ilícito.
A vedação da comercialização deste tipo de peças, entretanto, esbarra em outros aspectos, pondera Anauene Soares, advogada especializada em patrimônio cultural, que atuou como coordenadora técnica da lista brasileira. "Não se pode destituir totalmente tal prática de compartilhamento cultural das comunidades indígenas, por ser uma forma de autodeterminação dos próprios costumes. A questão é como conciliarmos uma proteção ao patrimônio cultural e um mercado de arte responsável."
Em âmbito internacional, a venda também pode ser passível de sanções, mas depende de vários fatores, incluindo o que dizem legislações nacionais vigentes, bem como a adesão ou não de cada país à Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES), de 1975.
Mudanças para olhos atentos
Foi uma transação proibida pela própria comunidade indígena que deu início à comercialização das máscaras, conta Coutinho. Uma peça idêntica às usadas em rituais foi vendida por um indivíduo Apyãwa a um colecionador particular, em troca de uma arma de fogo.
"Esse evento repercutiu muito negativamente na aldeia e causou muito conflito. Então eles resolveram, a partir de várias conversas e reuniões, começar a confeccionar máscaras diferentes daquelas dos rituais," afirma a pesquisadora do Centro de Convivialidade-Desigualdade na América Latina Maria Sibylla Merian (Mecila).
As mudanças estéticas começam nas dimensões, menores ou maiores do que as máscaras dos rituais, ao ponto de serem incompatíveis com uma cabeça humana.
Tampouco as cores são as mesmas nas peças de produção familiar. Nas cara-grande originais — estas produzidas por coletivos na Takãra, a casa cerimonial dos Apyãwa —, as penas de arara e diademas seguem combinações cromáticas fixas, cada uma representando os espíritos de um dos seus tradicionais inimigos.
Combinado sempre com o vermelho, o azul, por exemplo, é uma referência aos Kayapó, que iam à guerra pintados com o pigmento do jenipapo. Já o amarelo e o vermelho correspondem às cores que os Karajá usam nos próprios adornos, enquanto os Avá-Canoeiro são representados pelos grafismos que os caracterizam.
Os não-indígenas são também retratados como inimigos. As máscaras que os representam são exclusivamente da cor vermelha, fazendo lembrar a pele branca exposta ao sol.
Soluções nativas
Para as versões à venda, os Apyãwa recorreram à tapiragem, prática tradicional entre indígenas sul-americanos. Ela transforma as cores originais das penas, geralmente ao esfregá-las em substâncias naturais, como a gordura de tartaruga, o urucum ou o sangue de sapo.
Já os materiais das máscaras não ritualísticas são ossos de vaca ou madeira. Eles substituíram as longas caudas de arara vermelha, os afiados dentes de pecaris ou pirarucus e os bicos de tucano. As matérias-primas nativas não só adicionam imponência à primeira vista aos originais, com também servem a um simbolismo próprio dos Apyãwa na representação das suas guerras históricas.
Os conflitos com vizinhos, epidemias e a ocupação de territórios pela agropecuária já arriscaram levar os Apyãwa à extinção. Eram cerca de 50 indivíduos estimados por especialistas nos anos 1950.
As seguintes vendas de máscaras acompanharam o reflorescimento espiritual, contrariando receios de que o novo comércio canibalizasse práticas ancestrais, relata Coutinho. Segundo a antropóloga, foi um período de "afirmação interna, com a retomada de rituais depois de um quase desaparecimento, e, ao mesmo tempo, de projeção para o mundo exterior".
Koxamare'i Tapirapé se descreveu emocionada ao testemunhar na Alemanha o trabalho dos seus anciãos . "Para meu povo é muito importante. Um dia, as futuras gerações Apyãwa vão vir também conhecer."
No Mato Grosso, as máscaras sagradas continuam sendo usadas anualmente pelos Apyãwa, nas festas da cara-grande. A crença indígena é de que os espíritos ficam nas peças, que, por isso, são destruídas no dia seguinte.
Resistindo a violências
Em 2020, 917 indivíduos Apyãwa foram contabilizados por dados oficiais levantados pelo Instituto Socioambiental (ISA), divididos nas Terras Indígenas Urubu Branco e Tapirapé/Karajá.
O povo indígena hoje convive com a pressão fundiária decorrente das invasões de garimpeiros e fazendeiros na transição entre o Cerrado e a Amazônia. O seu território figura entre os mais atingidos por queimadas no Brasil.
Para Nivaldo Paroo'i, o papel da viagem à Alemanha era fazer com "que as pessoas não vejam as máscaras [só] como arte, mas sim [que enxerguem] os vários conhecimentos produzidos na comunidade" dos Apyãwa.
"Estas máscaras permitem evocar, como eles próprios explicam, por meio destes objetos, a construção de relações com o mundo dos brancos, bem como as diferentes estratégias indígenas para controlar o seu patrimônio," diz Leandro Varison, curador da exposição sobre a Amazônia.
Os dois Apyãwa participaram de três dias de eventos em museus de Bonn e Colônia, com apoio do governo brasileiro e do Mecila.
As máscaras cara-grande também compõem os acervos do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), na capital paulista, o Museu do Quai Branly, em Paris, e o Metropolitan Museum of Art (The Met), em Nova York, entre outros. É crescente a preocupação com a origem de objetos culturais indígenas, enquanto ganha tração o debate sobre repatriações aos povos e países de origem.
Em 2023, uma máscara cara-grande entrou numa lista de 611 itens arqueológicos ou históricos cuja devolução o Brasil reivindicou da França, numa disputa de quase uma década entre os dois países. Segundo o governo brasileiro, as peças haviam sido emprestadas ao Museu de História Natural de Lille e deveriam ter sido retornadas em 2009.
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03/04 -
Real ou IA? Vídeo viral mostra som 'pintando' formas geométricas
Vídeo viral mostra som 'pintando' formas geométricas
Se você navegou pelas redes sociais nos últimos dias, provavelmente se deparou com um vídeo impressionante: uma pessoa passa um arco de violino na borda de uma placa de metal coberta com grãos de cuscuz e, instantaneamente, o alimento se organiza em formas geométricas perfeitas. O vídeo parece efeito especial ou inteligência artificial, mas é física pura.
O fenômeno, conhecido como Figuras de Chladni, é o objeto de estudo da cimática, que analisa como vibrações e sons podem organizar a matéria.
〰️ Basicamente, é uma forma de visualizar a onda sonora.
Imagem mostra grãos desorganizados e organizados depois de passar corda de violino na mesa
Steve Mould
Por que os grãos se organizam em formas?
Para entender o que se vê na imagem, o primeiro passo é entender que o som não é algo invisível que apenas ouvimos; ele é uma onda mecânica que faz a placa de metal vibrar fisicamente
Quando o arco do violino passa na borda, ele faz as partículas do metal "dançarem" em uma velocidade altíssima (a frequência).
〰️ Para entender melhor, imagine uma cama elástica com várias crianças pulando:
Se você jogar areia nela, a areia vai saltar até cair nas bordas ou em algum lugar com menos movimento;
Na placa de metal, existem pontos chamados antinós, que vibram freneticamente e "chutam" o cuscuz para longe;
Os grãos acabam se acumulando nos nós, que são justamente os pontos onde a placa vibra menos do que na região de antinó.
Imagem mostra ondas sonoras formando desenho sobre a mesa
Steve Mould
Esses pontos de repouso são chamados de nós, enquanto as áreas de vibração intensa são os antinós. O padrão geométrico que enxergamos é, basicamente, o desenho dos lugares onde a placa de metal não está se mexendo.
"O grão foge da parte que vibra muito e é empurrada para os pontos onde o metal fica com menos movimento", explica a física e divulgadora científica Gabriela Bailas, física e divulgadora científica.
〰️ E você pode se perguntar: por que esses pontos parados formam desenhos geométricos? Isso acontece por causa da interferência.
As ondas sonoras viajam pelo metal, batem na borda e voltam.
Nesse "vai e vem", as ondas que estão indo se chocam com as que estão voltando.
Onde elas se cancelam (interferência destrutiva), a placa não se mexe. Onde elas se somam (interferência construtiva), a vibração é máxima.
O resultado final é uma onda estacionária, que é como um mapa invisível de áreas paradas e áreas agitadas. O cuscuz apenas "pinta" esse mapa para nós.
Sons graves criam padrões mais simples e abertos e os sons agudos, que têm frequências alta, fazem a placa vibrar de forma muito mais rápida e detalhada, criando formas geométricas extremamente complexas e intrincadas.
"Quanto maior a frequência da vibração das partículas do metal em si, maior e mais complexa é aquela forma geométrica, que fica todinha intrincada na placa. Sons mais agudos tendem a ser frequências maiores e aí nós temos formações de figuras geométricas mais complexas", explica o professor de física Emerson Bezerra.
Cuidado com a desinformação
O sucesso desses vídeos também atraiu teorias pseudocientíficas. Algumas postagens sugerem que, se o som organiza o cuscuz, ele poderia "reorganizar células" e curar doenças como o câncer.
🔴 ATENÇÃO: os especialistas alertam que isso é falso.
O experimento da imagem é um experimento de física básica e só funciona porque os grãos são poucos, leves e finos.
“Se você colocar mais grãos ali, já não iria se mexer da mesma forma. Isso não seria possível com o corpo humano e nossas células", afirma Gabiriela Bailas, PhD em física.
A teoria seria o mesmo que dizer que ao parar em frente a caixas de som gigantes, nossas células teriam algum movimento – o que não é verdade.
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02/04 -
É #FAKE que site Domínio Público, do MEC, será desativado por 'falta de acessos'
Domínio Público do MEC não será descontinuado
g1
Circula nas redes sociais uma mensagem alegando que o site Domínio Público, do Ministério da Educação (MEC), será desativado por falta de acessos. É #FAKE.
Selo Fake (Horizontal)
g1
📲 Como o conteúdo chegou ao Fato ou Fake?
Leitores enviaram a mensagem ao nosso WhatsApp, no número +55 (21) 97305-9827, questionando se o conteúdo era verdadeiro.
🛑 Como é a mensagem?
Ela voltou a circular, no final de março, como uma corrente de WhatsApp, mas também aparece em posts no Facebook, no Instagram e no X.
O texto sugere que o site https://www.dominiopublico.gov.br/ será "desativado em breve". Criado em 2004, o portal é um acervo que disponibiliza gratuitamente obras como livros, teses e dissertações, além de pesquisas e conteúdos acadêmicos.
Segundo a página oficial do MEC, o mesmo boato circula há anos na internet. Veja o que diz a mensagem:
"Caros amigos,
Estamos sob risco de perdermos um importante site de consulta cultural absolutamente grátis, por pura falta de uso. Assim, se acharem interessante, reencaminhem a quantos puderem, por favor. A população precisa saber da existência de tão importante instrumento de promoção de cultura. GRÁTIS! Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, mas que está prestes a ser desativada por falta de acessos. Imaginem um lugar onde podemos gratuitamente:
- Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci;
- Escutar músicas em MP3 de alta qualidade;
- Ler poesia de Fernando Pessoa
- Ler obras de Machado de Assis ou a Divina Comédia;
- Ter acesso às melhores histórias infantis e vídeos da TV ESCOLA
- E muito mais...
Esse lugar existe! O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, bastando acessar o site: www.dominiopublico.gov.brSó de literatura portuguesa são 732 obras! Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acessos é muito pequeno. Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura. Divulguem para o máximo de pessoas ✨ ☺️🌸".
⚠️ Por que a mensagem é falsa?
O Fato ou Fake entrou em contato com a assessoria de imprensa do MEC, que respondeu, por e-mail: "O site Domínio Público, lançado em 2004, não será desativado e os arquivos da plataforma seguem disponíveis para consulta pela população brasileira em diferentes formatos (imagens, sons, textos e vídeos)".
A nota acrescenta: "Recentemente, o presidente Lula anunciou a plataforma MEC Livros, que será disponibilizada com cerca de 8 mil títulos gratuitos, entre obras clássicas e contemporâneas, para promover o acesso à literatura em todo o território nacional. A ferramenta funcionará como uma biblioteca virtual, com mecanismos de empréstimo, cujo acervo também será composto pelas obras literárias que estão disponíveis no site www.dominiopublico.gov.br, além de outras obras que serão disponibilizadas de forma gratuita".
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VÍDEOS: Fato ou Fake explica
. .. É #FAKE
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01/04 -
122 cidades brasileiras têm 100% de crianças alfabetizadas na idade certa, revela levantamento do MEC
MEC divulga percentual de crianças alfabetizadas por municípios em 2025.
Reprodução/EPTV
Pelo menos 122 municípios brasileiros tinham 100% dos alunos do 2º ano do ensino fundamental alfabetizados em 2025. O dado é do Indicador Criança Alfabetizada, que divulgou nesta quarta-feira (1º) os resultados por município.
São cidades com 100% de alfabetização na idade certa :
Antônio Almeida (PI)
Bela Vista do Piauí (PI)
Belém do Piauí (PI)
Bom Jesus (PI)
Buriti dos Montes (PI)
Caldeirão Grande do Piauí (PI)
Cristino Castro (PI)
Demerval Lobão (PI)
Floresta do Piauí (PI)
Francinópolis (PI)
Fronteiras (PI)
Ipiranga do Piauí (PI)
Júlio Borges (PI)
Morro Cabeça no Tempo (PI)
Palmeira do Piauí (PI)
Porto Alegre do Piauí (PI)
Riacho Frio (PI)
Santo Antônio dos Milagres (PI)
São João da Canabrava (PI)
Vila Nova do Piauí (PI)
Alcântaras (CE)
Ararendá (CE)
Barroquinha (CE)
Chorozinho (CE)
Coreaú (CE)
Forquilha (CE)
Groaíras (CE)
Guaramiranga (CE)
Independência (CE)
Itatira (CE)
Martinópole (CE)
Milhã (CE)
Monsenhor Tabosa (CE)
Mucambo (CE)
Nova Olinda (CE)
Pedra Branca (CE)
Pires Ferreira (CE)
Senador Pompeu (CE)
Senador Sá (CE)
Umari (CE)
Amparo (PB)
Aparecida (PB)
Nova Palmeira (PB)
Ouro Velho (PB)
Parari (PB)
Quixaba (PB)
São Francisco (PB)
Carnaubeira da Penha (PE)
Belo Monte (AL)
Ibateguara (AL)
Santana do Mundaú (AL)
São José da Laje (AL)
Casa Grande (MG)
Conquista (MG)
Desterro do Melo (MG)
Dom Viçoso (MG)
Doresópolis (MG)
Fama (MG)
São Gonçalo do Rio Preto (MG)
Ferros (MG)
Itacambira (MG)
Passabém (MG)
Pedro Teixeira (MG)
Queluzito (MG)
Rio Doce (MG)
Santo Hipólito (MG)
São Sebastião do Rio Preto (MG)
Balbinos (SP)
Guarani d'Oeste (SP)
Nova Canaã Paulista (SP)
Pongaí (SP)
Sebastianópolis do Sul (SP)
Suzanápolis (SP)
Vitória Brasil (SP)
Ângulo (PR)
Ariranha do Ivaí (PR)
Atalaia (PR)
Bom Jesus do Sul (PR)
Cruzmaltina (PR)
Diamante do Sul (PR)
Iracema do Oeste (PR)
Ivatuba (PR)
Nova Fátima (PR)
Nova Olímpia (PR)
Novo Itacolomi (PR)
Pinhal de São Bento (PR)
Santa Amélia (PR)
São Sebastião da Amoreira (PR)
Arroio Trinta (SC)
Herveiras (RS)
Ilópolis (RS)
Mato Queimado (RS)
Nova Roma do Sul (RS)
São Pedro do Butiá (RS)
Três Arroios (RS)
Vespasiano Corrêa (RS)
Vista Alegre do Prata (RS)
Novo Santo Antônio (MT)
Água Limpa (GO)
Aloândia (GO)
Buriti de Goiás (GO)
Córrego do Ouro (GO)
Estrela do Norte (GO)
Fazenda Nova (GO)
Ipiranga de Goiás (GO)
Israelândia (GO)
Itauçu (GO)
Ivolândia (GO)
Lagoa Santa (GO)
Marzagão (GO)
Mimoso de Goiás (GO)
Moiporá (GO)
Morro Agudo de Goiás (GO)
Novo Brasil (GO)
Paraúna (GO)
Rio Quente (GO)
Santa Isabel (GO)
Santa Rita do Novo Destino (GO)
Santa Rosa de Goiás (GO)
São Patrício (GO)
Trombas (GO)
Turvânia (GO)
Problemas na alfabetização: o que é fluência leitora e por que ler devagar é preocupante
No sentido contrário, pelo menos 1.657 cidades tiveram taxas de alfabetização inferiores a 64%, meta nacional definida para o ano de 2025.
Os dados disponibilizados nesta quarta complementam outros recortes que já haviam sido divulgados no final de março pelo Ministério da Educação (MEC), que revelaram que:
66% das crianças do Brasil estavam alfabetizadas em 2025;
O país superou a meta de alfabetização do ano, que era de 64%;
Índice de alfabetização nacional avançou em relação a 2024, quando 59,2% das crianças foram consideradas alfabetizadas;
Em 2025, seis estados não atingem metas de alfabetização na idade certa;
Três estados já atingiram meta de 80% de alfabetização prevista para 2030: Ceará (84%), Goiás (80%) e Paraná (80%).
Como a alfabetização é calculada
O Indicador Criança Alfabetizada é calculado a partir de um teste aplicado a estudantes do final do 2º ano do ensino fundamental de, em média, 7 anos.
A avaliação é composta por 16 itens de múltipla escolha e três de resposta construída, sendo uma produção textual.
O padrão nacional é definido por um corte de 743 pontos na escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Para serem consideradas alfabetizadas, as crianças devem ser capazes de ler pequenos textos, fazer inferências básicas e escrever textos simples da vida cotidiana.
Próximas metas
O governo federal espera que, por meio da política de colaboração entre estados e municípios, o Brasil chegue a 80% de crianças alfabetizadas até 2030.
Essa meta já foi atingida em 2025 por três estados: Ceará (84%), Goiás (80%) e Paraná (80%).
A projeção é que as metas nacionais e estaduais aumentem de maneira progressiva ao longo dos próximos anos, até chegar a 80%.
2026: 67%
2027: 71%
2028: 74%
2029: 77%
2030: 80%
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31/03 -
Encceja 2026: Inep divulga edital; veja prazos, regras e data da prova
Encceja celebra a certificação do ensino fundamental e do ensino médio.
Ascom Sejus
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) publicou nesta terça-feira (31) o edital do Encceja 2026, com calendário completo, regras de inscrição e aplicação do exame, segundo publicação no Diário Oficial da União.
O documento estabelece que quem faltou às provas de 2025 deverá justificar a ausência entre 6 e 17 de abril para garantir a gratuidade na inscrição deste ano.
A justificativa de ausência é obrigatória para participantes que não compareceram a todas as provas do Encceja 2025 e desejam se inscrever sem custo em 2026.
Caso o pedido seja negado, será possível recorrer. Se a justificativa for reprovada novamente, o candidato terá que pagar uma taxa de R$ 40 para participar do exame.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Inscrições e datas principais
O cronograma do Encceja 2026 prevê:
Justificativa de ausência: 6 a 17 de abril
Resultado da justificativa: 24 de abril
Inscrição: 4 a 15 de maio
Pagamento de taxa (se necessário): até 20 de maio
Aplicação da prova: 23 de agosto
Quem pode fazer o Encceja
O exame é voltado a jovens e adultos que não concluíram os estudos na idade adequada.
Para participar, é necessário ter:
15 anos completos para certificação do ensino fundamental
18 anos completos para o ensino médio
A participação é voluntária e gratuita, desde que cumpridas as regras previstas no edital.
Como é a prova
O Encceja é composto por quatro provas objetivas, cada uma com 30 questões, além de uma redação.
As avaliações são divididas por áreas do conhecimento, com aplicação em dois turnos no mesmo dia.
Para que serve o exame
Os resultados do Encceja podem ser usados para certificação de conclusão do ensino fundamental ou médio por secretarias estaduais de educação e institutos federais.
O exame também serve como referência para políticas públicas e avaliação da educação de jovens e adultos no país.
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31/03 -
Candidatos do Prouni concorrerão à ampla concorrência antes de disputar vagas de cotas, decide governo
Sala de aula em Campinas; estudantes; alunos; escola
Reprodução/EPTV
O presidente Lula assinou nesta terça-feira (31) um decreto que altera o funcionamento das cotas do Programa Universidade Para Todos (Prouni). Agora, todos concorrerão à ampla concorrência e, caso não seja beneficiado, o candidato com perfil da vaga será automaticamente direcionado às cotas.
O objetivo é fazer com que alunos pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência concorram tanto na ampla concorrência quanto por cotas, aumentando, assim, o número de estudantes com essas características nas instituições privadas de ensino superior.
Para isso, o participante deverá indicar no ato de inscrição se possui perfil para concorrer às bolsas destinadas à cotas e se deseja concorrer também nesta modalidade.
Ainda assim, todos concorrerão inicialmente às bolsas destinadas à ampla concorrência e, se não for alcançada nota para ingresso por meio dessa modalidade, passarão a concorrer às bolsas destinadas à implementação de políticas afirmativas.
As mudanças passarão a valer a partir da data de publicação do decreto. O anúncio foi feito durante um evento que acontece no Parque Anhembi em São Paulo, e celebra os 21 anos de criação do Prouni.
Na ocasião, o governo destacou alguns números do programa no período:
27,1 milhões de estudantes inscritos;
7,7 milhões de bolsas ofertadas;
3,6 milhões de vagas ocupadas;
1,5 milhão formados pelo Prouni.
Programa Escola Nacional de Hip-Hop H2E
O presidente Lula e o ministro Camilo Santana apresentaram, nesta terça-feira (31), o novo programa do governo federal, Escola Nacional de Hip-Hop H2E. O programa busca fortalecer a aplicação das leis que tornam obrigatório o ensino das histórias e das culturas afro-brasileiras, africanas e indígenas na educação básica.
Além disso, o governo quer promover uma inovação no currículo das escolas da redes públicas por meio da “valorização e da integração de pedagogias e culturas de hip-hop, [e] da formação continuada de professores”.
A iniciativa conta com um investimento de R$ 50 milhões em 2026 e 2027.
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O governo definiu o programa como uma “estratégia inovadora para o engajamento juvenil”, e detalhou:
“O hip-hop tem relevância cultural entre os jovens brasileiros pelo seu potencial transformador na educação em direitos humanos, diversidade, aprendizagem e cidadania ativa.”
Entre os objetivos da iniciativa, estão:
Fomentar o protagonismo juvenil nas redes de ensino;
Contribuir para o enfrentamento das desigualdades educacionais por meio de inovações pedagógicas e curriculares;
Contribuir para a implementação das Leis nº 10.639 e nº 11.645;
Fortalecer a integração de saberes tradicionais, populares e científicos nos currículos escolares;
Apoiar as redes de ensino na integração do hip-hop como instrumento didático-pedagógico nos currículos da educação básica;
Contribuir para a formação continuada dos profissionais da educação, estimulando o desenvolvimento de competências para a utilização da cultura hip-hop como abordagem pedagógica.
Apoio à cursinhos populares
O ministro Camilo Santana também anunciou nesta terça uma ampliação na Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), criado em 2025.
No ano passado, foram 384 cursinhos apoiados pelo governo federal, e R$ 74,4 milhões em investimento nos cursos preparatórios populares.
Em 2026, todos os cursos inscritos na iniciativa serão apoiados, de acordo com o ministro. Serão mais de mil cursinhos e R$ 290 milhões aplicados na CPOP.
Lei de Cotas
A Lei de Cotas foi outra política destacada durante o evento.
Quase 95 mil estudantes cotistas ingressaram na educação superior de 2024 a 2026.
O número de cotistas aprovados por ampla concorrência no Sisu 2025 cresceu 124% em relação a 2024.
O número de bolsistas do Prouni autodeclarados pretos, pardos ou indígenas aumentou 65%.
307,5 mil cotistas se matricularam em instituições públicas entre 2023 e 2026 (39% dos ingressantes desde o início da Lei de Cotas).
Crescimento de 177% de cotistas matriculados pelo Sisu de 2023 a 2025 (de 45 mil para 105 mil).
E, em 14 anos, quase 2 milhões de cotistas matriculados em universidades públicas e privadas.
790,1 mil cotistas pelo Sisu, 1,1 milhão pelo Prouni e 29,6 mil pelo Fies.
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31/03 -
O bebê chama, mas ninguém responde: como adultos exaustos e distraídos pelo celular afetam a primeira infância
Como adultos exaustos e distraídos pelo celular afetam a primeira infância
Como aprendemos a andar? Além de todas as questões motoras envolvidas, há um pressuposto básico para que a criança dê os primeiros passos: confiança. Ela precisa ter a certeza de que alguém estará por perto para segurá-la ou confortá-la se ela se machucar. É uma interação simples, mas essencial para o desenvolvimento infantil.
E são exatamente essas conexões do dia a dia que estão se perdendo:
📱 adultos esquecem que são mais interessantes (e que têm muito mais a ensinar) para bebês e crianças do que as telas;
😫 estresse e cansaço acumulados prejudicam as interações pessoais e reduzem a qualidade delas;
👩🏫 professores de educação infantil sentem-se desmotivados para se dedicar a essas conexões, diante de salários baixos, sobrecarga de trabalho e falta de reconhecimento.
Por isso, Junlei Li, professor da Harvard Graduate School of Education, defende que, para o desenvolvimento de uma sociedade saudável, o foco dos investimentos públicos esteja em políticas que favoreçam as relações — especialmente aquelas que envolvem a primeira infância.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Dos 0 aos 6 anos, o cérebro forma até 1 milhão de novas conexões neurais por segundo. É a fase de maior plasticidade da vida.
“Além de segurança básica, saúde e alimentação, é a interação que realmente vai ajudar as crianças a se desenvolverem. A lógica, portanto, é que os apoios financeiros sejam direcionados para as famílias e para os professores”, diz, em entrevista ao g1.
“Se você apoia com licença maternidade e paternidade, por exemplo, está ajudando nas interações que uma criança receberá. Se investe no bem-estar e no desenvolvimento dos professores, estimula que eles estejam mais presentes. Nenhum recurso visível, como um prédio mais moderno, vai substituir a importância de uma pessoa verdadeiramente envolvida.”
Que tipo de interação deve acontecer — e por que o celular atrapalha tanto?
Estresse e falta de apoio para pais, mães e professores diminuem qualidade nas interações com as crianças
Reprodução/August de Richelieu
O professor Li lista quatro características essenciais para uma interação de qualidade:
1- Conexão: Percepção de quão sintonizadas as pessoas estão durante uma interação. São três estados principais:
distanciamento ou hostilidade
desencontro emocional
Modo Z (o ideal): sintonização mútua e presença compartilhada
Transitar entre esses estados é normal. O verdadeiro motor do desenvolvimento não é a conexão constante, mas sim o ciclo de "ruptura e reparo" — a habilidade de sair do "desencontro" e voltar para a "sintonia".
Exemplo Prático: Uma criança tenta mostrar um desenho para o pai.
⭐No Modo Z (Conexão): O pai abaixa, olha nos olhos da criança e comenta sobre as cores. Há uma "faísca" de reconhecimento mútuo.
📲O impacto do celular: O pai olha o desenho por cima do aparelho, balança a cabeça e diz "legal" sem desviar os olhos da tela. A criança sente que, embora o pai esteja fisicamente presente, ele está emocionalmente ausente. Isso gera uma ruptura da conexão.
2- Reciprocidade: Equilíbrio de papéis e trocas entre os participantes. Ela flutua entre diferentes níveis de engajamento:
Unilateralidade: Interação direcionada por apenas um dos lados
Parceria Equilibrada (ideal): Uma troca recíproca tão fluida que se torna difícil distinguir quem lidera e quem segue
Li ressalta que as crianças devem experienciar diversos modos de interação. Momentos direcionados por adultos não são necessariamente negativos.
Exemplo Prático: Uma professora e um aluno montam um quebra-cabeça.
⭐No Modo Z (Parceria): Eles alternam as peças; um espera a vez do outro de forma fluida.
📲O impacto do celular: A professora interrompe a atividade para responder uma mensagem rápida. A criança para de tentar colaborar e passa apenas a esperar (conformidade) ou desiste da atividade por frustração (resistência).
3- Inclusão: Observação ativa de quem participa das atividades, com atenção especial aos "menores do grupo" ou àqueles menos propensos ao engajamento.
Exemplo Prático: Na hora do recreio ou de uma brincadeira entre os primos, uma criança está mais tímida, sozinha em um canto.
⭐No Modo Z (Inclusão): O adulto percebe esse isolamento e convida essa criança para ajudar a organizar o jogo, integrando-a aos colegas.
📲O impacto do celular: Se já for dado um celular ou um tablet para quem está sozinho, as chances de esse aluno participar do grupo diminuem. A tela capta toda a atenção.
4- Oportunidade de Crescimento: Equilíbrio entre desafio e apoio, auxiliando no desenvolvimento de competências “acadêmicas” e socioemocionais.
O estímulo, às vezes, precisa ir além da zona de conforto: é como se o adulto oferecesse um andaime para a criança subir a um patamar mais alto. Esse suporte pode ser retirado conforme a autonomia cresce.
Exemplo Prático: Uma criança aprendendo a amarrar o tênis.
⭐No Modo Z (Crescimento): O adulto observa a dificuldade e oferece apenas uma dica ("tente fazer a orelhinha do coelho com o cadarço"), permitindo que a criança consiga cumprir a tarefa sozinha.
📲O impacto do celular: Para "ganhar tempo" e voltar logo para o celular, o adulto faz a tarefa pela criança (retirando o desafio) ou ignora o pedido de ajuda (deixando a tarefa inalcançável). A oportunidade de crescimento é desperdiçada.
Pesquisadores utilizam o termo "tecnoferência" para descrever como pequenas interrupções digitais (um olhar rápido para uma notificação ou uma resposta no WhatsApp) fragmentam a atenção compartilhada. O problema não é o uso do celular em si, mas como ele quebra o ritmo do desenvolvimento cerebral.
🎾O que as crianças aprendem com essas interações?
Ler antes de dormir é uma opção para acalmar e ajudar a elaborar fantasias
Marcelo Brandt/G1
Especialistas do Centro de Desenvolvimento da Criança da Universidade de Harvard comparam essas interações a um jogo de tênis ou vôlei: o bebê "saca" (com um balbucio, um gesto ou um choro) e o adulto "devolve" a bola (com um olhar, uma fala ou um carinho).
Esse vaivém constrói a “arquitetura” do cérebro. Quando o adulto não "devolve a bola" — seja por distração com o celular ou por estresse —, os circuitos neurais que deveriam ser formados naquele momento ficam enfraquecidos.
Em casa, a importância da criação do vínculo e das pequenas interações interferem nos seguintes aspectos:
Quando o bebê faz um som e alguém responde, aponta para um objeto e a mãe o nomeia, chora e recebe colo, busca o olhar e encontra o de alguém conhecido, ele aprende algo fundamental: que vale a pena tentar se comunicar. Aos poucos, entende que suas ações produzem respostas — e que o mundo ao redor pode ser previsível, compreensível e seguro. É assim que começam a se desenvolver a linguagem, o vínculo e a capacidade de se relacionar.
Se a criança percebe que sempre há alguém por perto que está emocionalmente presente, ela ganha confiança para explorar, testar uma nova tarefa, errar e tentar de novo.
No momento de atenção compartilhada, quando adulto e bebê estão focados no mesmo brinquedo ou no mesmo livro, o pequeno vai ampliar o vocabulário, ficar mais curioso, perceber intenções e desenvolver o foco.
Na creche e na pré-escola, os alunos aprendem, na interação com pares ou com professores, a:
esperar a própria vez;
resolver conflitos;
nomear emoções;
entrar em brincadeiras;
tolerar frustração;
confiar em outras pessoas.
Ou seja: se o professor estiver exausto, desestimulado e sobrecarregado, sem políticas de apoio constante, não é só “qualidade pedagógica” que cairá: as relações da comunidade escolar perderão qualidade.
Culpar os adultos não é o caminho
Especialistas recomendam moderação no uso das tecnologias
Marcelo Brandt/G1
Para onde está indo a atenção que não é direcionada aos bebês e às crianças?
1- Boa parte do tempo dos adultos é voltada para obrigações de trabalho. O expediente pode até ter acabado, mas as mensagens continuam chegando, a preocupação com a tarefa do dia seguinte não sai da cabeça…
Os professores, por exemplo, costumam dar aula em mais de uma escola para garantir uma renda mínima. No tempo livre, preparam atividades e planejam a dinâmica do dia seguinte. Nem sempre têm à disposição os recursos de que precisam para trabalhar.
2- Na vida pessoal, pais, mães e docentes estão estressados, sobrecarregados e tensos com problemas financeiros.
O que aparece como a solução mais imediata? O celular e seu aparente alívio do estresse.
“O que precisamos perguntar, em vez de culpar os adultos, é: por que eles estão estressados? Pais e mães estressados não têm confiança neles próprios — acabam achando que o tablet terá muito mais a oferecer ao bebê ou à criança do que eles mesmos”, diz Li.
“Por isso, precisamos ajudar a diminuir esse esgotamento. A cada investimento, as autoridades deveriam pensar: isso vai ajudar na interação dos adultos com as crianças? Investir na saúde e na segurança, por exemplo, pode aliviar parte do estresse. Investir na formação continuada dos professores, também.”
Que tipos de investimento podem ser benéficos?
Juliana Prates, professora do Instituto de Psicologia da Universidade Federal da Bahia, analisa como esses princípios se aplicariam exclusivamente ao contexto brasileiro.
Ela diz que jornadas de trabalho exaustivas, por exemplo, reduzem o tempo e a qualidade das interações entre cuidadores e crianças pequenas. Colocar a primeira infância no centro das políticas públicas, segundo a especialista, exige uma rede de apoio mais ampla, com licença-maternidade e paternidade garantidas, número adequado de educadores nos espaços de cuidado, cidades mais acessíveis para as famílias e medidas de proteção social.
“A agenda de cuidado com as crianças implica não só cuidar delas, mas cuidar de quem cuida delas", afirma Prates.
Como resume Li, de Harvard, nada substitui o valor de um adulto emocionalmente disponível. Apoiar quem cuida é garantir que o "jogo de tênis" (um “saca” e o outro “recebe”) do desenvolvimento infantil continue acontecendo.
“O recurso mais importante que as crianças têm é aquela pessoa ao lado delas”.
Professor Junlei Li, de Harvard, defende a importância das relações humanas para o desenvolvimento da primeira infância
Divulgação/Fundação Maria Cecília Souto Vidigal
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30/03 -
Lula anuncia Leonardo Barchini como novo ministro da Educação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta segunda-feira (30) que o secretário-executivo do Ministério da Educação (MEC), Leonardo Barchini, assumirá a pasta nos próximos dias, no lugar de Camilo Santana.
Segundo o petista, Camilo Santana deixará o cargo para participar da campanha eleitoral deste ano. Lula disse não saber se Camilo vai concorrer a algum mandato nas eleições de outubro. Ex-governador do Ceará, Camilo foi eleito em 2022 para o Senado, mas se afastou para ser ministro da Educação.
O presidente fez o anúncio do novo ministro durante um evento, em Brasília, sobre obras na área de educação. Ele apresentou Barchini à plateia.
"Leonardo é da minha confiança, do Camilo Santana e da equipe. Tenho o prazer de chamá-lo de novo ministro da Educação", disse Lula, dirigindo-se ao secretário-executivo do MEC.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Ao falar sobre a troca no Ministério da Educação, Lula disse que teve muita sorte com sua equipe de ministros. Que Fernando Haddad (PT) foi o melhor chefe do MEC até a gestão Camilo Santana.
O petista também disse que mais trocas na Esplanada devem acontecer nesta semana, a última do prazo para desincompatibilização – ou seja, do período em que pessoas que pretendem disputar as eleições de outubro deste ano precisam deixar os cargos públicos que ocupam.
16 ministros devem deixar cargos para disputar eleição
"O Rui Costa já está com cara de sainte", brincou Lula em referência ao ministro-chefe da Casa Civil, que vai tentar uma vaga de senador pela Bahia em outubro.
Quem é o novo ministro?
Leonardo Barchini, secretário-executivo do Ministério da Educação anunciado por Lula como novo titular da pasta
Reprodução/Canal Gov
Graduado em Direito pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Barchini, segundo currículo disponível no site do MEC, tem mestrado em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília (UnB) e está cursando doutorado em Administração Pública na Fundação Getúlio Vargas (FGV).
No MEC, já ocupou os cargos de diretor de Programas, chefe de gabinete e chefe da Assessoria Internacional da pasta.
Ainda conforme o currículo divulgado pelo MEC, foi chefe de gabinete da Prefeitura de São Paulo e secretário municipal de Relações Internacionais e Federativas, na gestão Fernando Haddad (PT).
Também ocupou cargos na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e é pesquisador associado da FGV.
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29/03 -
Como a escravidão, crime mais grave contra a humanidade, ainda impacta o Brasil e o mundo
Escravidão, o crime mais grave contra a humanidade
Uma decisão histórica da Organização das Nações Unidas (ONU) reacendeu o debate global sobre racismo, desigualdades e reparação histórica: o tráfico transatlântico de africanos escravizados foi classificado como o crime mais grave contra a humanidade.
A medida foi proposta por Gana, um dos países mais afetados pelo tráfico de africanos escravizados, e recebeu apoio de 120 países, entre eles o Brasil, considerado o último país das Américas a abolir a escravidão.
Na votação, países com passado colonialista, como Portugal, Espanha, França, Alemanha e Reino Unido, se abstiveram. Apenas três países votaram contra a resolução: Estados Unidos, Israel e Argentina.
Por que a decisão é considerada histórica? Para a fundadora e diretora executiva do Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), Luana Génot, o peso simbólico da decisão está no reconhecimento das consequências atuais da escravidão.
“É histórica porque convida a sociedade a parar de relativizar a questão racial e suas consequências até hoje. Quando você vê um menino negro jogando bolinha no sinal da rua e levanta o vidro do seu carro, essa é uma consequência até hoje. E isso não penaliza só o menino, mas penaliza toda a humanidade”, afirma.
O presidente de Gana, John Dramani Mahama, discursa na Assembleia Geral da ONU durante sessão para votação de resolução que considera o tráfico de escravizados africanos como o pior crime da humanidade, em 25 de março de 2026.
Jeenah Moon/ Reuters
Segundo Génot, os efeitos da escravidão transatlântica ainda estruturam desigualdades no Brasil e no mundo.
A gente entende que o racismo e a escravidão transatlântica ainda criam consequências muito graves na dinâmica da sociedade no Brasil e no mundo. A gente sabe, em termos de concentração de renda e poder, quem tem mais renda e quem tem mais poder? A população branca. Quem tem menos renda e menos poder? A população negra, a população indígena.
O impacto histórico do tráfico transatlântico
Entre os séculos 16 e 19, mais de 15 milhões de africanos foram escravizados e transportados por colonialistas europeus para as Américas e o Caribe. Milhões morreram durante a travessia. O processo durou cerca de 400 anos.
A resolução da ONU destaca justamente a escala desse processo e os impactos duradouros que ele deixou sobre africanos e pessoas com ascendência africana em diferentes partes do mundo.
ONU declara o tráfico de escravizados africanos 'o crime mais grave contra a humanidade'
Debate sobre comparação entre tragédias históricas
A decisão, no entanto, também gerou críticas. Há quem argumente que a classificação possa relativizar outras tragédias históricas, como o Holocausto.
Especialistas que defendem a resolução afirmam que o objetivo não é estabelecer uma disputa entre sofrimentos, mas reconhecer a dimensão global e os efeitos prolongados do tráfico transatlântico de escravizados.
“Que, por ser o crime mais grave contra a humanidade, não há uma hierarquia de dores e opressões. Não é que a escravidão e o tráfico transatlântico sejam mais graves, por exemplo, que o Holocausto. Não é. São dores que precisam ser tratadas, são problemas graves que precisam de políticas, precisam de tratamento e punições, inclusive”, acrescenta Génot.
O que a resolução destaca
A resolução aprovada pela ONU enfatiza a necessidade de enfrentar injustiças históricas que ainda afetam africanos e pessoas com ascendência africana.
A decisão também amplia o debate sobre como o passado escravista continua presente em desigualdades sociais, econômicas e raciais observadas até hoje.
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28/03 -
Meninas relatam mais tristeza, desamparo e insatisfação com o próprio corpo, mostram dados do IBGE
Meninas relatam mais tristeza, desamparo e insatisfação com o próprio corpo
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada na última quarta-feira (25), revela um cenário alarmante sobre a realidade das adolescentes brasileiras, que representam metade da população escolar (cerca de 6,2 milhões de jovens): as meninas apresentam indicadores de saúde mental, percepção corporal e exposição à violência mais críticos do que os meninos.
🔎 A PeNSE é uma pesquisa escolar realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação e traça um diagnóstico sobre mais de 12,3 milhões de jovens entre 13 e 17 anos das redes pública e privada do Brasil.
Segundo os dados, 41% das meninas relataram ter se sentido tristes na maioria das vezes ou sempre nos 30 dias anteriores à pesquisa — índice quase 2,5 vezes maior que o dos meninos (16,7%). A vulnerabilidade emocional também aparece em outros sentimentos negativos:
Ideação de autolesão: 43,4% das meninas relataram ter sentido vontade de se machucar de propósito nos últimos 12 meses (entre os meninos, 20,5%).
Desamparo: 33% afirmam sentir que ninguém se preocupa com elas.
Desesperança: 25% dizem acreditar que a vida não vale a pena ser vivida (entre os meninos, 12%).
Ansiedade e humor: 61,0% relatam preocupação excessiva com o cotidiano, e 58,1% dizem sentir irritabilidade ou mau humor com frequência.
Fatores sociais, culturais e estruturais ajudam a explicar o maior impacto na saúde mental de adolescentes — sobretudo entre meninas. De acordo com Gabriela Mora, do UNICEF no Brasil, questões como violência de gênero, assédio online, pobreza menstrual e padrões estéticos inalcançáveis estão por trás do cenário mostrado pela PeNSE: mais tristeza, maior insatisfação corporal e mais comportamentos de autoagressão entre elas.
Menina triste
Eric Ward/ Unsplash
Enquanto isso, meninos são socializados em uma lógica de masculinidade que valoriza o controle emocional e restringe a expressão de sentimentos — o que também impacta a saúde mental. Esse contraste, segundo a especialista, ajuda a moldar relações afetivas marcadas por ciúmes, controle e exposição nas redes, com efeitos para ambos os grupos.
Sinais como mudanças de comportamento, isolamento e sofrimento emocional precisam ser levados a sério por famílias e escolas. O acolhimento sem julgamento e a criação de espaços de escuta são fundamentais para evitar o agravamento desses quadros.
“Isso tudo é reflexo de um contexto de desigualdade de gênero e violência. Não se trata de um drama individual de cada menina, mas de uma questão social que ainda precisa ser enfrentada para que meninos e meninas vivenciem a adolescência de forma mais equilibrada e saudável.”
Para Gabriela, a escola tem papel central nesse cenário. Além de espaço de aprendizagem, pode funcionar como ambiente de proteção e de identificação precoce de situações de risco.
Pressão estética e imagem corporal
A satisfação com o próprio corpo é significativamente menor entre meninas. Segundo os dados, 36,1% se declaram insatisfeitas ou muito insatisfeitas com a própria imagem — o dobro do registrado entre meninos (18,2%).
Enquanto eles tendem a buscar ganho de peso, 31,7% delas tentam emagrecer, e 21,0% se percebem como “gordas ou muito gordas”, muitas vezes com uma percepção distorcida do próprio corpo.
Vulnerabilidade à violência e assédio
Os dados de segurança mostram que meninas são as principais vítimas de diferentes formas de violência, incluindo agressões recorrentes e abusos de natureza sexual:
Bullying e cyberbullying: 30,1% relataram humilhações frequentes por colegas, e 15,2% disseram ter sido vítimas de agressões no ambiente virtual.
Violência sexual: 26,0% afirmaram ter sofrido assédio sexual — como toques ou exposição contra a vontade — e 11,7% disseram ter sido forçadas a ter relações sexuais.
Violência sexual atinge mais de 1 milhão de adolescentes no país, aponta IBGE
Kayan Albertin - Arte/g1
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Outro ponto destacado é a pobreza menstrual. É a primeira vez que a PeNSE traz dados sobre dignidade menstrual, que mostram que 15% das adolescentes deixaram de ir à escola ao menos um dia no último ano por falta de absorventes.
Falta de absorvente leva alunas a faltarem às aulas
Kayan Albertin - Arte/g1
Apesar da existência de políticas públicas para distribuição de absorventes, barreiras burocráticas e logísticas ainda dificultam o acesso, especialmente para meninas em situação de vulnerabilidade.
De acordo com Gabriela Mora, o problema vai além do acesso a produtos. Falta de infraestrutura adequada nas escolas, como banheiros com privacidade e acesso à água, agrava a situação.
Além disso, o tema ainda é cercado por tabus culturais, dificultando o debate e a busca por soluções.
Percentual de estudantes entre 13 e 17 anos que estudavam em escolas que forneciam absorventes, segundo IBGE
Kayan Albertin - Arte/g1
Impactos de longo prazo
Mesmo apresentando melhores índices de conclusão escolar, as meninas ainda enfrentam desafios específicos, como gravidez não planejada, sobrecarga de responsabilidades domésticas e vigilância sobre sua sexualidade.
"Elas ainda tem um papel dentro de casa, na política do cuidado, de muita responsabilidade com seus irmãos menores, com as pessoas idosas da família. Então é muito desigual o que se cobra das meninas, até em relação a essas possibilidades de cuidado"
Gabriela Mora defende que meninas sejam prioridade nas políticas públicas, com garantia de direitos, proteção contra violências e oportunidades de participação social. “Tudo isso mostra o quão urgente é que as políticas públicas de hoje olhem para as meninas como prioridade, reservem orçamento para políticas que impactem o desenvolvimento de meninas e fomentem espaço e liderança delas”, afirma.
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27/03 -
Aluno tira zero na redação da Fuvest ao usar 'palavras difíceis' e processa reitor da USP; entenda o caso
Aluno tira zero na redação da Fuvest ao usar 'palavras difíceis'
"Perpassa em altivez, pela procela, a grandiloquência condoreira, em cuja máxima aforismática revela a tétrica languidez do sofrer recôndito.”
Esta é a frase inicial de uma redação que recebeu nota zero na 2ª fase da Fuvest 2026, vestibular da Universidade de São Paulo (USP). O candidato, Luis Henrique Etechebere Bessa, de 18 anos, disputava uma vaga no curso de Direito e foi desclassificado do processo seletivo. Diante disso, entrou na Justiça para solicitar uma justificativa da instituição de ensino.
“Recebi um e-mail genérico quando perguntei qual o motivo da eliminação. Juntamente à minha mãe, que é advogada, entrei com pedido de mandado de segurança”, diz Luiz ao g1. “Ainda estou aguardando uma resposta do reitor da USP. Só queria entender minha nota.”
Mais abaixo, leia a íntegra do texto entregue pelo aluno.
➡️O que diz a universidade? Segundo a Fuvest afirmou à reportagem, o candidato foi eliminado porque o texto não abordou o tema definido pela frase temática (“O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado”).
“Não há indícios suficientes que demonstrem essa compreensão [do tema] e desenvolvimento (...), o que prejudica sensivelmente a pertinência das informações e da efetiva progressão textual", diz a nota.
Redação entregue por Luis na Fuvest 2026 recebeu nota zero
Arquivo pessoal
A organização do vestibular informou ainda que, para que a nota zero fosse atribuída, o texto “passou por mais de três avaliações cegas”. E que, exatamente por já haver uma banca com até quatro corretores, não há possibilidade, em caso algum, de pedir uma revisão da nota da redação.
✏️Professores de cursinhos pré-vestibulares ouvidos pelo g1 analisaram a redação de Luiz e concordaram com a atribuição da nota zero. Segundo eles, houve uma preocupação maior com o uso de vocabulário rebuscado e de citações eruditas do que com a clareza de argumentos. (leia mais abaixo a explicação)
'Nessa vereda, sobrepuja-se a subjetividade'
Luis, de 18 anos, busca entender por que tirou zero na redação da Fuvest
Arquivo pessoal
O jovem fez posts no X relatando o caso, mas deletou todos após receber centenas de comentários com críticas e piadas em relação ao léxico usado na redação, como nos trechos:
“Sob essa perspectiva, Ferdinand de Saussure preconiza a relação simbiótica entre significado e significante a partir da coesão engendrada pelo domínio tradicional concomitante ao coercitivo.”
“Nessa vereda, sobrepuja-se a subjetividade ao “modus vivendi” da superestrutura cívico-identitária.”
“Nesse sentido, é diminuída a grandiloquência condoreira pela tecnocracia e pela violência simbólica, sendo o sofrer recôndito o seu suplício, em distintos significantes.”
“Pessoalmente, sempre tive estilo de escrita com vocabulário não tão usual. Em todas as dissertações que escrevi nos últimos anos, nunca recebi nenhum apontamento sobre excesso de rebuscamento”, diz.
“As dissertações argumentativas dos candidatos ao curso de Direito sempre se destacam, em especial no processo de vestibular da USP, por serem textos densos em termos de conteúdo e de vocabulário. Sei que meu texto tinha inconsistências e que eu poderia ter me aprofundado mais, mas não recebi até agora a justificativa da anulação da redação.”
'Zero é justificável', afirmam professores; veja motivos
O g1 enviou o texto a três professores de redação de cursinhos pré-vestibular — e todos concordaram que o excesso de rebuscamento no vocabulário acabou comprometendo a argumentação do candidato e a clareza da expressão de suas ideias.
“O aluno elabora construções sintáticas extremamente confusas devido ao alto teor de formalidade. Essas estruturas comprometem a compreensão do texto, o que é um grave problema em termos de vestibular”, afirma Marina Rocha, professora de redação do Curso Skued e do Curso Raio-X.
Para Sérgio Paganim, professor e coordenador de Redação do Curso Anglo, “o texto é um exemplo de um zero” pelos seguintes motivos:
📝Falta de conexão de ideias: “Há uma série de afirmações, de autores e de conceitos que são arrolados no texto. Eles vão se ligando um ao outro, porém não se ligam frontalmente, explicitamente, ao tema. Ou seja, o texto acaba sendo uma colagem de uma série de pensadores, de conceitos, mas que não estão a serviço de um posicionamento claro a respeito do tema do perdão limitado ou condicionado.”
“Parece mais um texto em que há uma série de argumentos de autoridade, de pensadores e de conceitos articulados entre si e só”, diz.
📝Estrutura pouco clara: “É difícil, por meio desse tipo de linguagem, identificar um projeto de texto em que se perceba uma clareza de tese e os argumentos que a sustentem. A linguagem também dificulta essa articulação das partes de um texto dissertativo-argumentativo.”
📝Excesso de citações: “Quando a Fuvest fala em traço de autoria, ela está pensando em um posicionamento do autor do texto, uma reflexão autoral que pode, sim, se escorar, por exemplo, em pensadores”, afirma.
“Mas este é um texto em que há, na verdade, mais a preocupação com uma coleção de pensadores e de conceitos e com a exposição de uma erudição do que, de fato, com a construção de um texto dissertativo que apresenta um posicionamento a respeito do tema do perdão ser limitado ou condicionado.”
Thiago Braga, autor e professor de Língua Portuguesa do Colégio e Sistema pH, também concorda que o excesso de erudição prejudicou o aluno.
“O que pode parecer uma qualidade, na verdade, é o maior defeito dessa redação: as referências ficam empilhadas e não são utilizadas com o intuito de formular uma argumentação que responda à proposição temática”, diz.
“Elas mais ornamentam o texto do que sustentam uma tese dentro do recorte sugerido pela banca.”
Redação completa de Luis
Abaixo, veja a íntegra do texto:
Intentona pela Reconstituição da Interioridade
Perpassa em altivez, pela procela, a grandiloquência condoreira, em cuja máxima aforismática revela a tétrica languidez do sofrer recôndito. Djaimilia de Almeida concebe, em A Visão das Plantas, valer-se a epísteme lírico-narrativa de concepções hermenêutico-historiográficas, as quais decorrem da dialética antagônica e maquiavélica ao postularem a teleologia hodierna. Sob essa perspectiva, Ferdinand de Saussure preconiza a relação simbiótica entre significado e significante a partir da coesão engendrada pelo domínio tradicional concomitante ao coercitivo. Entretanto, à medida em que impera a dinamicidade, fragilizam-se axiomas em difusas postulações. Nesse ínterim, ressoa o sofrer recôndito na fragmentação identitária ao se concernir ao perdão - significado - múltiplos significantes: o condicionamento e a limitação, seja em razão da violência simbólica ou da tecnocracia.
Nessa vereda, sobrepuja-se a subjetividade ao “modus vivendi” da superestrutura cívico-identitária. Articula a dialética bourdiana - de Pierre Bourdieu - a internalização de signos culturais, fundamentados por efemérides violentas, a partir da impotência reflexiva inerente ao sujeito-interlocutor, o qual se resigna à unidimensionalidade distópica que o cerca. Dessa forma, transfigura-se a universalidade associada ao imperativo categórico no perdão condicionado: busca incessante por relegar a outrem o esvaziamento eudaimônico da individualidade esvaziada.
Ademais, nota-se haver a instrumentalização da razão a partir do Antropo-tecno-ceno - era em que ocorre a comodificação cultural a partir do uso de emergentes adventos tecnológicos. Nesse ínterim, Michael Sandel postula ser promovida pela tecnocracia a associação de concepções desenvolvimentistas à égide capitalista, ocasionando a negligência da seguridade social. Assim, desnuda-se o perdão limitado como sendo uma intentona à valorização do indivíduo cujo “status quo” encontra-se invisibilizado, uma vez que ocorre a busca mercadológica pelo perdão.
Diante do exposto, revela-se a tendência, no espectro contemporâneo, à fragmentação da “psique” coletiva, sendo o “perdão” a elucidação de sua fenomenologia. Nesse sentido, é diminuída a grandiloquência condoreira pela tecnocracia e pela violência simbólica, sendo o sofrer recôndito o seu suplício, em distintos significantes.
Nota da defesa de Luis Bessa
"Sob o tema, vale esclarecer algumas questões jurídicas. A USP, como autarquia de regime especial, submete se aos princípios constitucionais da Legalidade, Motivação e Devido Processo Legal. O que se buscou até o momento nada mais foi que a justificativa aderente da nota zero atribuída e as disposições do Manual do Candidato - que até o momento não foi compartilhada no Recurso Administrativo interposto ou mesmo no MS impetrado. Questões de mérito, cabem aos efetivamente competentes para tal análise - reforçando apenas que a livre manifestação de pensamento não abrange os excessos que, inclusive, podem tipificar ilícito penal."
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Redação do vestibular da Fuvest muda depois de mais de 30 anos
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27/03 -
Quais vírus perigosos são mantidos em laboratórios de universidades? Entenda por que cientistas armazenam microrganismos vivos
Níveis de biossegurança vão de 1 a 4
Reprodução/Paulo Sanches
Desde o início da semana, quando a Polícia Federal divulgou que uma pesquisadora teria furtado material biológico de um laboratório da Unicamp, surgiram as seguintes dúvidas:
Por que manter um “estoque” de vírus causadores de patologias graves é tão importante para a ciência?
Que tipos de vírus e de outros microrganismos vivos são mantidos em universidades?
Como funciona um laboratório com “o maior nível de biossegurança disponível no Brasil”?
É comum transportar vírus de um local para outro (se houver autorização)?
Veja as respostas abaixo. No fim da reportagem, leia um resumo do caso da Unicamp.
🧫 Por que manter um 'estoque' de vírus causadores de patologias graves é tão importante para a ciência?
Equipamento de laboratório NB3
Reprodução/Biosafe
Em primeiro lugar, é fundamental entender por que as instituições de ensino precisam armazenar vírus, bactérias e fungos vivos.
“São várias possibilidades: com vírus, por exemplo, nós expandimos o material e o multiplicamos, para entender a estrutura dele e o modo como causa a doença”, explica Paulo Sanches, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp e coordenador do Laboratório de Virologia.
“É assim que conseguimos posteriormente desenvolver vacinas e antivirais. O risco é mínimo, ainda mais se formos avaliar os benefícios. Em 2015, na epidemia de zika, o vírus foi isolado, ampliado em laboratório de contenção e estudado em minicérebros para compreender como ele se multiplicava.”
🦠 Que tipos de vírus e de outros microrganismos vivos são mantidos em universidades?
Laboratórios de nível de biossegurança alto são controlados por digitais ou identificação facial, por exemplo
Reprodução/Paulo Sanches
Tudo depende do nível de biossegurança (NB) do laboratório — ou seja, do nível de contenção necessário para que os cientistas, os animais, o meio ambiente e a população em geral não sejam colocados em risco.
Os critérios básicos são:
Virulência (grau de capacidade de causar doença grave ou morte) e potencial de infecção do agente biológico - Se for um vírus altamente contagioso, por exemplo, que se transmite por aerossol, pode exigir um nível de biossegurança maior.
Existência de vacinas e/ou de tratamentos para a doença causada pelo agente - Quando não há esses recursos disponíveis, os cuidados para evitar a contaminação precisam ser ainda mais rígidos.
“As micobactérias da tuberculose (Mycobacterium tuberculosis) que cultivamos em laboratório, por exemplo, são multirresistentes a drogas. O pesquisador não pode se contaminar, porque não existe tratamento. Por isso, exigem um nível de cuidado maior”, explica Edison Luiz Durigon, professor titular de virologia na Universidade de São Paulo (USP).
Tipo de procedimento realizado - Cada um exige determinado volume de material. Estudar a estrutura de um vírus demanda uma amostra maior do que analisar uma amostra individual de um paciente.
Infraestrutura e equipamentos de segurança disponíveis - quanto maior o nível de NB, mais protocolos existirão.
Qualificação dos funcionários - só podem trabalhar em laboratórios de NB mais alto aqueles profissionais que tiverem sido capacitados para isso.
Ao todo, existem 4 níveis de segurança:
Nível 1: o mais comum de todos. Pode abrigar vírus e microrganismos que não têm risco de causar doenças para o ser humano ou para animais sadios. Exemplos:
Lactobacillus spp; Bacillus subtilis; Microbiota normal (bactérias da flora humana que não possuem potencial patogênico reconhecido)
Nível 2: agentes que provocam infecções no homem e/ou nos animais, mas que apresentam risco moderado, já que existem medidas profiláticas e tratamentos eficazes. Exemplos:
Schistosoma mansoni (esquistossomose); vírus da rubéola; Clostridium tetani (tétano); Vibrio cholerae (cólera)
“O vírus da febre amarela, em tese, pode ser trabalhado em NB2, porque existe vacina. Mas eu prefiro usar o NB3 para ter mais estrutura e equipamentos melhores”, conta Durigon, da USP.
Nível 3 (caso da Unicamp): agentes que causam doenças potencialmente letais, com capacidade de transmissão por via respiratória. Representam risco se forem disseminados na comunidade. Exemplos:
Mycobacterium tuberculosis (tuberculose); Bacillus anthracis (antraz ou carbúnculo, doença infecciosa grave que pode afetar pele, pulmões ou trato gastrointestinal); Yersinia pestis (peste); SARS-CoV (Síndrome Respiratória Aguda Grave); H5N1 (gripe aviária); vírus do Nilo Ocidental
“No meu laboratório [NB3, na USP], tenho zika, SARS-CoV, chikungunya, gripe aviária… Como há estrutura para isso, a população não fica em risco”, explica Durigon.
Sanches, da Unesp, explica que os vírus são mantidos congelados em freezers ou contêineres, a temperaturas baixíssimas (-80°C a -150°C). Quando o pesquisador vai manipular o material, faz o descongelamento e, depois de tudo, a destruição do vírus em alta temperatura.
Nível 4: Agentes de alto risco, com grande poder de transmissibilidade (especialmente por via respiratória) e para os quais não há prevenção ou tratamento eficazes. Não existe nenhum em funcionamento no Brasil (o Orion, em Campinas, será o primeiro; abertura está prevista para 2027). Exemplos:
Vírus ebola (febre hemorrágica por ebola); vírus da varíola; vírus marburg (febre hemorrágica de Marburg); vírus lassa (febre de Lassa); vírus sabiá (febre hemorrágica brasileira)
😷 Como funciona um laboratório com 'o maior nível de biossegurança disponível no Brasil', como os da Unicamp, da USP, da UFMG e da Unesp?
A professora Rejane Maria Tommasini Grotto, da Unesp de Botucatu, explica que os laboratórios NB3 seguem protocolos rigorosos de contenção e de segurança. Segundo ela, esses espaços ficam em áreas de pequena circulação, têm entrada altamente controlada (por digitais, reconhecimento facial ou senha) e só podem ser acessados por profissionais com treinamento específico.
Ela detalha que o ambiente conta com sistema próprio de exaustão com filtros de ar, de forma que nada do que entra consiga sair para o meio ambiente. E tudo o que é manipulado ali — inclusive o lixo — precisa ser autoclavado (processo de esterilização a vapor sob alta pressão e temperatura) antes de deixar o local.
Entre as características desses laboratórios, estão:
pressão negativa (o ar dentro do laboratório fica com uma pressão menor do que a do lado de fora — assim, se houver algum vírus, bactéria ou partícula no ambiente, ela fica contida dentro do laboratório e não escapa);
sistema de exaustão com filtros de ar;
autoclavagem obrigatória de materiais e de resíduos;
roupas especiais (às vezes, soldadas, sem costuras ou reentrâncias);
paredes com pintura especial, sem reentrâncias;
protocolos de emergência bem definidos;
fluxo de entrada unidirecional.
“Você entra na antessala e, só depois de fechar a primeira porta, consegue abrir uma segunda, que leva à área de paramentação, onde vai vestir o macacão especial, as botas e as luvas. Só depois de estar paramentado é que entra na área de manipulação”, explica a professora.
“Se todos os procedimentos forem seguidos, não existirá risco para o operador nem para o ambiente.”
Laboratório de nível de biossegurança 3 tem protocolos rígidos de higienização
Reprodução/Biosafe
✈️ Vírus podem ser transportados?
Vírus são mantidos a baixíssimas temperaturas
Reprodução/Paulo Sanches
Sim, o transporte de vírus e outros materiais biológicos é uma prática rotineira e essencial na ciência mundial. Ele permite o intercâmbio de amostras entre universidades e centros de pesquisa para o desenvolvimento de vacinas e diagnósticos.
Segundo o professor Durigon, esse trânsito ocorre globalmente sob protocolos de segurança rigorosos que garantem que o material não represente risco, mesmo em casos de acidentes durante o trajeto.
Para garantir a segurança, o transporte deve seguir normas técnicas específicas, como as da IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), e envolver as seguintes medidas:
⚫Embalagem Tripla Licenciada: O material infeccioso é colocado em um frasco rígido, envolvido por papel absorvente com desinfetante imediato (que mata o vírus em caso de vazamento) e protegido por uma segunda e uma terceira camadas de embalagem. Essas embalagens são projetadas para resistir a quedas de mais de um metro sem sofrer danos.
⚫Controle de Saída: Nos laboratórios de alta segurança (NB3), o material é retirado por um armário de porta dupla. Antes de sair, a embalagem externa pode passar por desinfecção com lâmpada UV germicida e, em alguns casos, borrifamento de desinfetante.
⚫Condições de Preservação: Como os vírus são sensíveis, eles são transportados em condições de congelamento, utilizando freezers de -80°C ou contêineres de nitrogênio líquido a -153°C para manter a viabilidade da amostra.
⚫Documentação e Credenciamento: O transporte só pode ocorrer entre laboratórios credenciados e com as devidas autorizações nacionais e internacionais, envolvendo órgãos como a Anvisa no caso de trâmites internacionais. Esse material jamais é enviado pelo correio comum.
⚫Treinamento Profissional: Apenas pesquisadores devidamente treinados e qualificados podem manipular e preparar essas amostras para o transporte.
Sem o transporte e cultivo de vírus como o SARS-CoV-2 e o Zika, o país não teria ferramentas para diagnosticar doenças ou realizar testes de antivirais em larga escala.
Resumo do caso da Unicamp
Antes, confira um resumo do que ocorreu na Unicamp:
⭕Suspeita: A professora doutora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, foi presa em flagrante pela Polícia Federal em 23 de março de 2026, suspeita de furtar material biológico (amostras de vírus) de um laboratório de virologia do Instituto de Biologia da universidade.
⭕Material furtado: As amostras, que desapareceram em 13 de fevereiro de 2026, incluíam vírus como H1N1 e H3N2 (causadores da gripe tipo A). O material foi transportado sem autorização para laboratórios da FEA, dentro da própria Unicamp.
⭕Investigação: A PF instaurou inquérito após a Unicamp acionar a polícia. Os laboratórios envolvidos foram interditados, e o material, recuperado e encaminhado para análise. As autoridades descartaram risco de contaminação externa à população.
⭕Situação judicial: Soledad foi liberada provisoriamente pela Justiça Federal em 24 de março. Ela responderá em liberdade por: furto, exposição da saúde pública a risco e transporte irregular de material biológico geneticamente modificado.
⭕Outros envolvidos: O marido da pesquisadora, Michael Edward Miller (veterinário e doutorando na Unicamp), também é investigado pela PF por possível envolvimento no caso.
⭕O que diz a defesa: Soledad Palameta Miller (36 anos, argentina) desenvolve pesquisas sobre criação de vacinas e estudo de doenças em animais, incluindo zoonoses. A defesa alega que não houve furto, mas uso compartilhado de estrutura por falta de laboratório próprio na FEA.
Furto de vírus na Unicamp: entenda em vídeo distância percorrida por material biológico
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26/03 -
Lei prevê estrutura mínima obrigatória para escolas públicas; veja exigências
Uma lei publicada no "Diário Oficial da União" desta quinta-feira (26) estabelece os requisitos mínimos para o funcionamento das escolas públicas da Educação Básica no Brasil.
A norma determina que o poder público deve garantir infraestrutura adequada para o funcionamento das escolas. Entre as exigências estão:
número apropriado de alunos por turma
biblioteca
laboratórios de ciências
laboratórios de informática equipados e com acesso à internet
quadra poliesportiva coberta.
cozinha e refeitório
banheiros
condições de acessibilidade.
A lei também determina a obrigatoriedade de serviços considerados essenciais, como energia elétrica, abastecimento de água tratada, esgotamento sanitário e manejo de resíduos sólidos.
Como estão as escolas no Brasil?
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Dados do Painel de Estatísticas da Educação Básica de 2025 mostram que o Brasil tem 178.766 escolas de educação básica.
Desse total:
52% possuem biblioteca ou sala de leitura;
2,7% ainda não contam com banheiro;
11% têm laboratório de ciências;
28,3% dispõem de laboratório de informática.
38,7% das escolas possuem quadras de esportes.
Combate à violência contra mulheres
Junto com a lei, também foi publicada uma portaria que prevê a inclusão de conteúdos de combate à violência contra meninas e mulheres na educação.
A norma estabelece que o Conselho Nacional de Educação (CNE) terá prazo de 30 dias para propor uma atualização das diretrizes curriculares da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio, com foco na prevenção de todas as formas de violência, especialmente as praticadas contra meninas e mulheres.
Sala de aula de escola pública em Roraima
DPE-RR/Divulgação
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26/03 -
O que é o PNE aprovado no Senado e o que ele prevê como rumo da educação no Brasil para os próximos 10 anos
O que é o PNE aprovado no Senado
Antônio Cruz/Agência Brasil
O novo Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece objetivos e metas da educação nacional para os próximos 10 anos (2026-2036), foi aprovado pelo Senado na quarta-feira (25) e segue para sanção do presidente Lula.
📝 O PNE é uma lei com as metas para a educação para a década seguinte que determina diretrizes, objetivos e estratégias para a política educacional. A versão anterior vigorou de 2014 a 2025 (após prorrogação) e tinha 20 metas. Atualmente, não há nenhum plano nacional para o setor em vigência.
É o PNE que guia as principais políticas educacionais do país, ajudando a definir prioridades de investimentos e criação ou expansão de políticas publicas. Foi com base na meta 11 do PNE 2014-2025, por exemplo, que nasceu uma parte da política do novo ensino médio que integra a etapa ao ensino técnico.
A nova versão do Plano estabelece 19 objetivos (veja mais abaixo), 73 metas e 372 estratégias que deverão ser acompanhadas a cada dois anos. Entre as metas, estão:
Ampliar o atendimento em creches para 60% das crianças de até 3 anos;
Garantir que todas as crianças de 4 e 5 anos estejam na pré-escola;
Ter ensino em tempo integral em pelo menos 65% das escolas e atender 50% dos alunos;
Reduzir desigualdades na educação básica entre grupos sociais, raciais e regionais;
Alfabetizar 80% dos alunos até o fim do 2º ano do ensino fundamental, chegando a 100% ao final da vigência do plano;
Incluir a matemática entre as metas de alfabetização.
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Para Daniela Caldeirinha, vice-presidente da Fundação Lemann, o novo Plano têm metas "elementares que destravam o desenvolvimento das crianças ao longo de toda a escolaridade." Ela destaca aquelas focadas na educação infantil e alfabetização, e as metas ligadas à equidade.
Diogo Jamra, gerente de Articulação, Advocacy, Monitoramento e Avaliação do Itaú Educação e Trabalho, também vê avanços nas metas do novo PNE, especialmente naquelas focadas em educação profissional e tecnológica.
É importante destacar também as metas relacionadas à qualidade, que articulam a necessidade de criação do sistema nacional de avaliação da educação profissional e tecnológica, estabelecendo padrões de conclusão: como a gente quer que esses alunos de EPT estejam ao final do seu processo e quais os níveis de aprendizagem adequado, com conclusão na idade certa.
O plano também estabelece metas para a educação ambiental e o uso responsável de tecnologias como suporte no ensino.
O texto fixa ainda medidas de monitoramento direto e mecanismos de incentivo, fiscalização e controle interno, externo e social, e estipula parâmetros para que estados e municípios cumpram obrigações na oferta educacional.
Além disso, o novo Plano também retoma a meta de investimento na educação pública, que não foi cumprida na versão anterior. O PNE aprovado em 2014 previa que 10% do produto interno bruto (PIB) fosse investido em educação — atualmente, o percentual está em cerca de 5,5%. O novo projeto propõe um aumento gradual do investimento, começando em 7% até o sexto ano de vigência e chegando a 10% ao final de dez anos.
Tramitação
O PNE anterior ficou em vigor até 31 de dezembro de 2025, após ser prorrogado em 2024, quando, inicialmente, deixaria de ter valor. A proposta do novo PNE só foi enviada pelo governo ao Congresso um mês antes do fim do prazo, e só foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 10 de dezembro. Com as atividades limitadas de fim de ano, o Senado não conseguiu votar a pauta ainda em 2025.
Na quarta-feira (25), após meses sem um PNE vigente, a proposta foi aprovada na Comissão de Educação e Cultura do Senado e foi analisada pelo Plenário.
Agora, o texto segue para sanção do presidente Lula (PT). Os parlamentares têm pressa na sanção do projeto, porque atualmente não existe um plano nacional para o setor em vigência.
Objetivos do novo PNE
O novo PNE tem 19 objetivos para os quais foram estabelecidas metas que permitem seu monitoramento ao longo dos dez anos. São objetivos do novo PNE:
ampliar a oferta de matrículas em creche e universalizar a pré-escola;
garantir a qualidade da oferta de educação infantil;
assegurar a alfabetização ao final do 2º segundo ano do ensino fundamental para todas as crianças;
assegurar que crianças, adolescentes e jovens concluam o ensino fundamental e médio na idade regular;
garantir a aprendizagem dos estudantes no ensino fundamental e médio;
ampliar a oferta de educação em tempo integral na rede pública;
promover a educação digital para o uso crítico, reflexivo e ético das tecnologias da informação e da comunicação;
promover a educação ambiental e o enfrentamento das mudanças climáticas em todos os estabelecimentos de ensino;
garantir o acesso, a qualidade e a permanência em todos os níveis e modalidades da educação indígena, quilombola e do campo;
garantir o acesso, a oferta e a aprendizagem dos alunos da educação especial e bilíngue de surdos;
assegurar a alfabetização e ampliar a conclusão da educação básica para todos os jovens, adultos e idosos;
ampliar o acesso e a permanência na educação profissional e tecnológica;
garantir a qualidade e a adequação da formação às demandas da sociedade, do mundo do trabalho e das diversidades de populações na educação profissional e tecnológica;
ampliar o acesso, a permanência e a conclusão na graduação, com inclusão e redução de desigualdades;
garantir a qualidade de cursos de graduação e instituições de ensino superior;
ampliar a formação de mestres e doutores, de forma equitativa e inclusiva, com foco na solução dos problemas da sociedade;
garantir formação e condições de trabalho adequadas aos profissionais da educação básica;
assegurar a participação social no planejamento e gestão educacional;
assegurar a qualidade e a equidade nas condições de oferta da educação básica.
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25/03 -
Congresso aprova Plano Nacional de Educação e define metas para os próximos 10 anos
O Senado aprovou nesta quarta-feira (25) o projeto que institui o Novo Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece objetivos e metas da educação nacional para os próximos 10 anos.
A proposta foi aprovada mais cedo na Comissão de Educação e Cultura do Senado e foi analisada pelo Plenário na tarde desta quarta. Com isso, o texto segue para sanção presidencial.
A votação foi simbólica – quando o projeto é aprovado de forma consensual, sem registro nominal de votos.
“A proposta vai além de um mero plano de metas e representa um avanço programático para o País. O texto amplia o horizonte de atuação dos entes quanto aos novos temas mencionados sem abandonar as lutas e obrigações históricas – como universalização do acesso, melhoria da qualidade, valorização docente e financiamento adequado”, afirmou a relatora na comissão, senadora Teresa Leitão (PT-PE).
Objetivos e metas
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O projeto, de autoria do governo, estabelece 19 objetivos (leia mais abaixo), com 73 metas que deverão ser acompanhadas a cada dois anos. Entre esses objetivos estão:
Atender em 10 anos 100% da demanda por vagas em creches e 60% das matrículas para crianças de zero a três anos;
Garantir vagas para todas as crianças na pré-escola em 2 anos;
Ampliar para 65% as vagas em escolas de tempo integral e 50% para jornada ampliada;
Reduzir desigualdades na educação básica entre grupos sociais, raciais e regionais;
Incluir a matemática entre as metas de alfabetização.
O plano também estabelece metas para a educação ambiental e o uso responsável de tecnologias como suporte no ensino.
O texto fixa ainda medidas de monitoramento direto e mecanismos de incentivo, fiscalização e controle interno, externo e social, e estipula parâmetros para que estados e municípios cumpram obrigações na oferta educacional.
Os parlamentares têm pressa na sanção do projeto, porque atualmente não existe um plano nacional para o setor em vigência.
O último, que estabelece diretrizes para a educação de 2014 a 2024, havia sido prorrogado pelo governo até dezembro de 2025.
No Congresso, governo tenta barrar a votação do projeto de anistia defendido pela oposição
Jornal Nacional/ Reprodução
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25/03 -
Comissão de Educação do Senado aprova Plano Nacional de Educação para os próximos 10 anos
A Comissão de Educação e Cultura do Senado aprovou nesta quarta-feira (25) o projeto que institui o Novo Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece objetivos e metas da educação nacional para os próximos 10 anos.
A votação foi simbólica – quando o projeto é aprovado de forma consensual, sem registro nominal de votos.
O texto seguiu para o plenário com urgência e a relatora na comissão, senadora Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que a proposta pode entrar em votação ainda nesta quarta.
“A proposta vai além de um mero plano de metas e representa um avanço programático para o País. O texto amplia o horizonte de atuação dos entes quanto aos novos temas mencionados sem abandonar as lutas e obrigações históricas – como universalização do acesso, melhoria da qualidade, valorização docente e financiamento adequado”, afirmou a relatora.
Objetivos e metas
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O projeto, de autoria do governo, estabelece 19 objetivos (leia mais abaixo), com 73 metas que deverão ser acompanhadas a cada dois anos. Entre esses objetivos estão:
Atender em 10 anos 100% da demanda por vagas em creches e 60% das matrículas para crianças de zero a três anos;
Garantir vagas para todas as crianças na pré-escola em 2 anos;
Ampliar para 65% as vagas em escolas de tempo integral e 50% para jornada ampliada;
Reduzir desigualdades na educação básica entre grupos sociais, raciais e regionais;
Incluir a matemática entre as metas de alfabetização.
O plano também estabelece metas para a educação ambiental e o uso responsável de tecnologias como suporte no ensino.
O texto fixa ainda medidas de monitoramento direto e mecanismos de incentivo, fiscalização e controle interno, externo e social, e estipula parâmetros para que estados e municípios cumpram obrigações na oferta educacional.
O texto já foi aprovado na Câmara dos Deputados e passou pela comissão do Senado apenas com emendas de redação – que não alteram o conteúdo no texto, só a redação do dispositivo.
Com isso, a proposta, se aprovada no plenário, não precisará voltar para nova análise dos deputados e seguirá para sanção do presidente Lula.
Os parlamentares têm pressa na sanção do projeto, porque atualmente não existe um plano nacional para o setor em vigência.
O último, que estabelece diretrizes para a educação de 2014 a 2024, havia sido prorrogado pelo governo até dezembro de 2025.
A Comissão de Educação do Senado em imagem de arquivo
Geraldo Magela/Agência Senado
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25/03 -
USP tem 11 cursos em rankings de 50 melhores do mundo por área; veja lista
Candidatos no campus universitário da Universidade de São Paulo (USP) antes de entrar no local de prova neste domingo (12).
Marina Pinhoni/g1
A Universidade de São Paulo (USP) possui 11 cursos que estão entre os 50 mais renomados do mundo em suas respectivas áreas, segundo o ranking internacional QS World University Ranking by Subject 2026, divulgado nesta quarta-feira (25).
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A lista consiste em diferentes rankings, um para cada curso, que elencam os melhores entre eles. Entre os mais bem avaliados da USP estão:
Odontologia em 15º
Engenharia de Minas em 24º
História da Arte em 25º
Antropologia em 25º
Biblioteconomia & Gestão de Informação em 28º
Engenharia de Petróleo em 29º
Agricultura e Silvicultura em 32º
Medicina em 43º
Farmácia e Farmacologia em 43º
Arquitetura em 48º
Sociologia em 50º
Outros 32 cursos da universidade ficaram entre os 50 e 100 melhores de suas áreas e 8 entram no ranking dos 100 aos 150.
Estudante que rezava terço todos os dias foi aprovado em Medicina na USP e Unicamp
O QS World University Ranking by Subject de 2026 engloba mais de 1,9 mil universidades em 100 países. São avaliados 18,3 mil cursos agrupados em 55 áreas específicas e cinco grandes áreas.
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Entre as grandes áreas, a USP está entre as 100 melhores de todas as cinco.
Ciências da Vida e Medicina em 49º
Ciência Social e Administração em 64º
Artes e Humanidades em 69º
Engenharia e Tecnologia em 74º
Ciências Naturais em 75º
De acordo com a consultoria QS Quacquarelli Symonds, responsável pelo ranking, a classificação é baseada em cinco métricas principais utilizadas para analisar os dados por área de estudo. O peso de cada uma delas varia conforme a disciplina, de modo a refletir as diferentes culturas de publicação.
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25/03 -
Raio-X da adolescência brasileira: veja dados do IBGE sobre estudantes de 13 a 17 anos
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada nesta quarta-feira (25) pelo IBGE em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação, apresenta um diagnóstico sobre a realidade de mais de 12,3 milhões de jovens entre 13 e 17 anos que estudam nas redes pública e privada no Brasil. Os dados mostram desafios em diferentes áreas como a infraestrutura escolar, violência dentro e fora da escola, saúde mental entre os estudantes e percepção da imagem corporal.
Pobreza menstrual e insegurança interfere no comparecimento às aulas
Um dos pontos de destaque é o impacto da pobreza menstrual: cerca de 15% das adolescentes deixaram de ir à escola ao menos um dia no ano anterior à pesquisa por falta de absorventes.
O índice chega a 17% na rede pública e 6% na rede privada. Enquanto o Sudeste oferece absorventes em 92% das escolas, na região Norte esse número cai para 56%.
Falta de absorvente leva alunas a faltarem às aulas
Kayan Albertin - Arte/g1
Além disso, a insegurança é um fator que influencia escolares dessa faixa etária a faltar às aulas. Mais de 1,5 milhão de estudantes (12,5%) faltaram por medo no trajeto entre casa e escola, enquanto 13,7% não se sentiram seguros dentro das próprias instituições. O estado do Rio de Janeiro apresenta o cenário mais crítico de suspensão de atividades por violência, com um índice de 25,6%, mais que o triplo da média nacional.
Ascensão dos vapes
A pesquisa aponta uma mudança drástica no comportamento de consumo de tabaco. A experimentação de cigarros eletrônicos (vapes) saltou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024. O uso recente desses dispositivos cresceu mais de 300% no período. Em contrapartida, houve uma queda na experimentação de cigarros comuns (de 22,6% para 18,5%) e de narguilé (de 26,9% para 16,4%), sugerindo uma substituição de produtos, especialmente entre alunos de escolas particulares.
Violência sexual e ambiente escolar
Os indicadores de violência sexual mostram que 9% dos estudantes afirmaram ter sido forçados a ter relações sexuais contra a própria vontade, um aumento de 2,5 pontos percentuais em relação ao último levantamento. Entre as meninas, esse índice chega a 26%. Em 66% dos casos, o primeiro episódio ocorreu até os 13 anos de idade, e a maioria dos agressores são pessoas próximas, como familiares (26,6%) e namorados (22,6%).
Violência sexual atinge mais de 1 milhão de adolescentes no país, aponta IBGE
Kayan Albertin - Arte/g1
No entorno das escolas, a percepção de violência é alta. Diretores relataram a presença de venda de drogas (38%) e assaltos (28,4%) nas proximidades das instituições. O Distrito Federal registrou os maiores índices de criminalidade no entorno escolar em diversas categorias monitoradas.
Percentual de estudantes de 13 a 17 anos em escolas cujo responsável da instituição ou diretor tiveram de suspender ou interromper as aulas por motivo de segurança em termos de violência alguma vez nos 12 meses anteriores à pesquisa,
Alberto Correa - Arte/g1
Saúde mental e imagem corporal
O bem-estar emocional dos adolescentes brasileiros tem sofrido quedas sucessivas. A satisfação com o próprio corpo caiu de 70,2% em 2015 para 58% em 2024. A insatisfação é o dobro entre as meninas (36,1%) comparada aos meninos (18,2%), sendo a aparência física o principal motivo de bullying nas escolas.
A saúde mental também foi abordado na PeNSE: 29% dos jovens relataram sentir-se tristes "na maioria das vezes" ou "sempre", índice que sobe para 41% entre as estudantes do sexo feminino. Além disso, 18,5% dos adolescentes consideram que a vida não vale a pena ser vivida, e 26,1% sentem que ninguém se preocupa com eles.
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25/03 -
15% das adolescentes faltaram à escola ao menos uma vez no ano por falta de absorventes, aponta IBGE
A falta de acesso a absorventes íntimos impacta a frequência escolar de adolescentes brasileiras. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta quarta-feira (25), cerca de 15% das estudantes do sexo feminino de 13 a 17 anos deixaram de ir à escola ao menos um dia, nos 12 meses anteriores ao levantamento, por falta de absorvente.
A comparação entre as redes de ensino evidencia a desigualdade. Na rede pública, aproximadamente 17% das meninas faltaram às aulas por não terem absorvente, enquanto na rede privada o percentual foi de 6%.
🔎 A PeNSE é realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação. Esta é a quinta edição do levantamento, feito em 2024, e abrange mais de 12,3 milhões de jovens entre 13 e 17 anos matriculados em escolas públicas e privadas de todo o país.
Entre os estados, Santa Catarina registrou o menor índice de alunas que faltaram às aulas por esse motivo: 9,2%. O Amazonas teve o maior índice, com 27,9% das adolescentes perdendo dias de aula pela ausência de absorvente.
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Falta de absorvente leva alunas a faltarem às aulas, segundo IBGE
Kayan Albertin - Arte/g1
Região Norte tem a menor oferta institucional de absorvente no país
O IBGE também estimou o percentual de estudantes entre 13 e 17 anos que estudavam em escolas que forneciam absorventes para as alunas.
No Sudeste, 92% das alunas estudavam em instituições em que o item era oferecido -- maior índice entre as grandes regiões. Em seguida estão as regiões Sul (91%), Centro-Oeste (88%), Nordeste (80%) e Norte (56%).
Veja o percentual, por unidade da federação, de estudantes do sexo feminino que estudavam em escolas que forneciam absorventes:
Percentual de estudantes entre 13 e 17 anos que estudavam em escolas que forneciam absorventes, segundo IBGE
Kayan Albertin - Arte/g1
Santa Catarina: 94,1% das estudantes
Goiás: 94,1%;
São Paulo: 93,7%;
Amapá: 93,1%;
Ceará: 92,8%;
Minas Gerais: 92,2%;
Paraná: 90,1%;
Espírito Santo: 89,4%;
Sergipe: 88,7%;
Rio Grande do Sul: 88,7%;
Mato Grosso: 87,4%;
Pernambuco: 86,6%;
Piauí: 86,2%;
Rio de Janeiro: 84,9%;
Distrito Federal: 84,7%;
Acre: 81%;
Alagoas: 80,5%;
Bahia: 79%;
Mato Grosso do Sul: 75,7%;
Amazonas: 71%;
Maranhão: 68,9%;
Paraíba: 64,4%;
Rondônia: 63,1%;
Tocantins: 56,3%;
Rio Grande do Norte: 54,9%;
Pará: 43,3%;
Roraima: 38,5%.
Muitas mulheres não têm acesso a absorventes íntimos e formas adaptadas para conter o fluxo podem trazer riscos à saúde
Alice Sousa/G1
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Veja outros resultados da PeNSE 2024:
9% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos dizem ter sido forçados a relações sexuais
Mais de 1,5 milhão de estudantes faltaram às aulas por insegurança no trajeto até a escola
3 em cada 10 estudantes adolescentes usaram cigarros eletrônicos alguma vez na vida, revela IBGE
Mais de 40% dos adolescentes de 13 a 17 anos afirmam que não estão satisfeitos com a própria imagem corporal.
Veja Mais
25/03 -
Satisfação de adolescentes brasileiros com o próprio corpo cai sucessivamente desde 2015, aponta IBGE
O sentimento de bem-estar dos adolescentes brasileiros em relação ao próprio corpo vem sofrendo um declínio contínuo na última década. Segundo os dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual de jovens de 13 a 17 anos que se declaram "satisfeitos" ou "muito satisfeitos" com sua imagem corporal caiu para 58,0%, contra 66,5% em 2019 e 70,2% em 2015.
Ao mesmo tempo, o índice de insatisfação subiu para 27,2%, enquanto 14,0% afirmaram indiferença sobre o tema.
A insatisfação com a aparência atinge mais as meninas. O levantamento mostra que 36,1% das adolescentes do sexo feminino estão insatisfeitas com o corpo, o que representa praticamente o dobro do percentual registrado entre os meninos (18,2%).
🔎 A PeNSE é realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação. Esta é a quinta edição do levantamento, feita em 2024, e abrange mais de 12,3 milhões de jovens entre 13 e 17 anos matriculados em escolas públicas e privadas de todo o país. O questionário foi feito com alunos, que responderam sobre sua percepção, e diretores das escolas, que abordaram a instituição e seu entorno.
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Autopercepção e busca pela alteração de peso
Quanto à forma como se vêem, a maioria dos estudantes (44,7%) se autodeclara como "nem gordo, nem magro". No entanto, houve um aumento sucessivo na percepção de ser "magro" ou "muito magro", saltando de 27,6% em 2015 para 36,9% em 2024. Já a percepção de ser "gordo" ou "muito gordo" recuou para 17,6%.
Essas percepções refletem-se nas atitudes dos jovens:
Perda de peso: É o objetivo principal das meninas (31,7% contra 23,1% dos meninos) e é mais comum entre alunos de escolas privadas (36,8%).
Ganho de peso: É o desejo predominante entre os meninos (25,0% contra 20,2% das meninas).
Manutenção: Cerca de 36,3% dos adolescentes afirmaram não estar fazendo nada para alterar o peso atual.
A preocupação com a estética não afeta apenas a saúde mental individual, mas é uma das motivações para a violência entre pares.
A PeNSE 2024 aponta que a aparência do rosto ou do cabelo (30,2%) e a aparência do corpo (24,7%) são os motivos mais citados pelos estudantes para terem sofrido bullying nas escolas. O dado reforça a centralidade dos padrões corporais na rotina de agressões e humilhações enfrentada por mais de um quarto dos escolares brasileiros.
Quase um terço dos adolescentes brasileiros sente-se triste
Os resultados da PeNSE 2024 também abordam a vulnerabilidade emocional entre os adolescentes. Cerca de 29% dos estudantes nessa faixa etária relataram se sentir tristes “na maioria das vezes” ou “sempre” nos 30 dias anteriores à pesquisa.
O índice é desigual entre meninos e meninas: enquanto o percentual de adolescentes do sexo masculino que relataram tristeza é de quase 17%, o valor para o sexo feminino na mesma faixa de idade é mais que o dobro: 41% das estudantes.
O IBGE também acessou na PeNSE dados sobre saúde mental:
18,5% dos adolescentes brasileiros consideraram que a vida não vale a pena ser vivida. Essa proporção chega a 25% para as meninas.
As estudantes do sexo feminino também são as que relatam maior irritabilidade e mau humor: 58,1%, contra 27,1% dos adolescentes do sexo masculino.
26,1% de todos os estudantes sentem que ninguém se preocupa com eles.
A decisão de deixar a escola pode ser motivada pela falta de engajamento com a escola, por falta de acesso a transporte, pela gravidez na adolescência, pela necessidade de entrar no mercado de trabalho ou pela defasagem no ensino acumulada dos anos anteriores, entre muitos outros fatores.
Mylena Gonçalves/UFOP
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25/03 -
9% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos dizem ter sido forçados a ter relações sexuais, aponta pesquisa do IBGE
Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que 9% dos estudantes de 13 a 17 anos afirmaram já terem sido obrigados, ameaçados ou intimidados a ter relações sexuais contra a própria vontade ao longo da vida.
🔎 A PeNSE é realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação, e fornece indicadores sobre fatores de risco e proteção de escolares. A divulgação desta quarta-feira é a quinta edição do levantamento, realizado no ano de 2024 e oferece um retrato de uma população estimada em mais de 12,3 milhões de jovens entre 13 e 17 anos matriculados em escolas públicas e privadas de todo o país
O levantamento também mostra que 18% dos alunos relataram ter sido tocados, manipulados, beijados ou expostos contra a própria vontade. Esse tipo de violência foi mais frequente entre meninas (26%) do que entre meninos (11%).
Violência sexual atinge mais de 1 milhão de adolescentes no país, aponta IBGE
Kayan Albertin - Arte/g1
Os dados também mostram que houve aumento em relação a 2019, última edição da pesquisa: o percentual de estudantes que sofreram assédio sexual cresceu 3,8 pontos percentuais, enquanto os casos de relação sexual forçada aumentaram 2,5 pontos percentuais.
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Na maioria dos casos, os agressores eram pessoas próximas. Entre os principais autores apontados estão outros familiares (26,6%), seguidos por pessoas desconhecidas (23,2%) e namorados(as) (22,6%).
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A violência sexual ocorre, muitas vezes, ainda na infância: 66% tinham 13 anos ou menos quando o episódio aconteceu.
Os dados mostram ainda que cerca de 1,1 milhão de adolescentes já foram forçados a ter relações sexuais no país, com maior prevalência na Região Norte, especialmente nos estados do Amazonas (14,0%), Amapá (13,5%) e Tocantins (13,0%).
Outros resultados da PeNSE 2024:
15% das adolescentes deixaram de ir à escola ao menos um dia no ano por falta de absorvente
3 em cada 10 estudantes adolescentes usaram cigarros eletrônicos alguma vez na vida
Mais de 1,5 milhão de estudantes faltaram às aulas por insegurança no trajeto até a escola
O percentual de satisfação com a própria imagem cai desde 2015, quando o índice era de 70,2%.
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25/03 -
3 em cada 10 estudantes adolescentes usaram cigarros eletrônicos alguma vez na vida, revela IBGE
O cenário do consumo de tabaco entre adolescentes brasileiros sofreu uma transformação nos últimos cinco anos. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados nesta quarta-feira (25) a experimentação de cigarros eletrônicos (também conhecidos como vapes, pods ou e-cigarettes) subiu de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024.
O crescimento é ainda maior quando observado o uso recente (nos últimos 30 dias anteriores à pesquisa), que saltou de 8,6% para 26,3%, um aumento superior a 300% no período.
🔎 A PeNSE é realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação. Esta é a quinta edição do levantamento, feita em 2024, e abrange mais de 12,3 milhões de jovens entre 13 e 17 anos matriculados em escolas públicas e privadas de todo o país. O questionário foi feito com alunos, que responderam sobre sua percepção, e diretores das escolas, que abordaram a instituição e seu entorno.
Perfil do consumo
Os dados mostram que as meninas experimentam mais os vapes (31,7%) do que os meninos (27,4%). A pesquisa também revela que o uso é mais comum entre alunos da rede pública (30,4%) do que na rede privada (24,9%).
Regionalmente, os maiores índices de experimentação concentram-se no Centro-Oeste (42,0%) e no Sul (38,3%), enquanto as Regiões Norte e Nordeste apresentam os menores percentuais (21,5% e 22,5%, respectivamente).
No entanto, houve uma queda na experimentação de outros produtos: o cigarro comum recuou de 22,6% para 18,5%, e o consumo de narguilé caiu de 26,9% para 16,4%.
De acordo com o IBGE, esses dados sugerem que pode estar ocorrendo uma substituição do narguilé pelo cigarro eletrônico, especialmente entre alunos de escolas particulares.
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O paradoxo da proibição e os riscos à saúde
Embora a venda, importação e propaganda de cigarros eletrônicos sejam proibidas no Brasil pela ANVISA, o produto tem sido direcionado aos jovens por meio de ambientes online e publicidade segmentada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que esses dispositivos têm nove vezes mais probabilidade de serem usados por adolescentes do que por adultos.
Apesar de frequentemente comercializados como "menos nocivos", os vapes contêm:
Nicotina: Substância altamente viciante que prejudica o desenvolvimento cerebral de adolescentes.
Toxinas e metais pesados: Níquel, estanho e chumbo, além de partículas minúsculas inaladas profundamente nos pulmões.
Diante dessa nova onda de dependência, o Programa Saúde na Escola (PSE), iniciativa conjunta entre os ministérios da Saúde e da Educação, tem incluído a prevenção do uso de tabaco em suas diretrizes. No entanto, em 2024, apenas 48,5% dos estudantes em escolas públicas com adesão ao PSE participaram de ações específicas para prevenir o uso de tabaco, uma queda em relação aos 51,4% registrados em 2019.
Outros resultados da PeNSE 2024:
9% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos dizem ter sido forçados a relações sexuais
15% das adolescentes deixaram de ir à escola ao menos um dia no ano por falta de absorvente
Mais de 1,5 milhão de estudantes faltaram às aulas por insegurança no trajeto até a escola
O percentual de satisfação com a própria imagem cai desde 2015, quando o índice era de 70,2%.
Jovem segura cigarro eletrônico
Reprodução/TV Globo
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25/03 -
IBGE: Mais de 1,5 milhão de estudantes faltaram às aulas por insegurança no trajeto até a escola
Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que cerca de 12,5% dos alunos de 13 a 17 anos deixaram de ir à escola nos 30 dias anteriores à pesquisa por falta de segurança no trajeto entre a casa e a instituição. Isso representa cerca de 1,54 milhão de adolescentes.
A pesquisa também mostra que 13,7% dos alunos (cerca de 1,69 milhão) faltaram por não se sentirem seguros dentro da própria escola, um índice que cresceu 2,9 pontos percentuais em relação a 2019, na última edição do levantamento.
O medo no caminho da escola atinge o dobro de alunos da rede pública em relação à rede privada: enquanto 13,8% dos estudantes de escolas públicas deixaram de frequentar aulas por receio no trajeto, o índice cai para 5,4% entre os alunos da rede particular.
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🔎 A PeNSE é realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação. Esta é a quinta edição do levantamento, feito em 2024, e abrange mais de 12,3 milhões de jovens entre 13 e 17 anos matriculados em escolas públicas e privadas de todo o país. O questionário foi feito com alunos, que responderam sobre sua percepção, e diretores das escolas, que abordaram a instituição e seu entorno.
Insegurança no Rio de Janeiro
O estado do Rio de Janeiro registrou o índice de 25,6% de estudantes impactados por suspensão de atividades devido à insegurança. O valor é mais de três vezes superior à média nacional: 7,7% dos estudantes no Brasil frequentavam escolas que tiveram de suspender as aulas por motivo de segurança. Em seguida, estão os estados da Bahia (22,0%) e Rio Grande do Norte (15,9%).
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Percentual de estudantes de 13 a 17 anos em escolas cujo responsável da instituição ou diretor tiveram de suspender ou interromper as aulas por motivo de segurança em termos de violência alguma vez nos 12 meses anteriores à pesquisa,
Alberto Correa - Arte/g1
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Percepção de segurança no entorno da escola
A PeNSE questionou os diretores ou responsáveis pelas instituições de ensino sobre a percepção de segurança no entorno da escola. Os dados abaixo mostram o percentual de alunos em escolas cujo responsável pela instituição viu ou presenciou violência na região nos 12 meses anteriores à pesquisa:
Assaltos e roubos a pessoas, residências e comércios: 28,4% dos estudantes.
Tiros ou tiroteios: 13,6%
Venda de drogas: 38,0%
Agressão física ou espancamento: 16,7%
Assassinato: 10,7%
Violência sexual: 9,8%
No recorte por unidades da federação, o Distrito Federal apresenta o cenário mais crítico em três das seis situações de violência monitoradas: possui o maior percentual de estudantes em escolas cujos diretores relataram, na localidade onde a escola está situada, a ocorrência de venda de drogas (63%), assaltos e roubos (57%) e agressão física ou espancamento (43%).
Em outras categorias, o Rio de Janeiro lidera isoladamente em situações de tiros ou tiroteios (35%), enquanto Amapá registra o maior índice de relatos de assassinatos (22%) e Espírito Santo a maior percepção de casos de violência sexual (23%) no entorno escolar.
Outros resultados da PeNSE 2024:
9% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos dizem ter sido forçados a relações sexuais
15% das adolescentes deixaram de ir à escola ao menos um dia no ano por falta de absorvente
3 em cada 10 estudantes adolescentes usaram cigarros eletrônicos alguma vez na vida
Mais de 40% dos adolescentes de 13 a 17 anos afirmam que não estão satisfeitos com a própria imagem corporal.
Marca de tiro em cadeira da Escola Estadual Primo Bitti, em Aracruz, ES
Reprodução/TV Gazeta
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25/03 -
'Vai, Brasa!': afinal, alguém fala assim? Novo uniforme da Seleção tem a ver com origem do nome 'Brasil'?
‘Vai, Brasa!’: alguém fala assim? Saiba se uniforme da Seleção tem sentido histórico
Sem clubismo, vamos analisar:
A origem do termo “Brasil” tem alguma relação com “brasa”?
É uma gíria usada no país?
“Brazil” com “z” foi uma invenção estrangeira?
Todas as respostas estão nesta reportagem.
O novo uniforme oficial da Seleção Brasileira, lançado pela Nike nesta segunda-feira (23), traz a palavra “brasa” bordada nas meias, logo abaixo da logo da marca. E, com perdão pelo trocadilho, mas o detalhe estético aqueceu o debate linguístico sobre o termo.
Nas redes sociais, houve quem cogitasse que a origem etimológica de “Brasil” vem diretamente de “brasa”, que é “algo muito quente, escaldante” ou “carvão em incandescência, mas sem chama”.
🥅Precisaremos de VAR para esclarecer se existe essa conexão imediata, porque não há consenso entre os linguistas.
“A origem do substantivo brasil é controversa, já que não são poucas as hipóteses que os etimologistas sustentam a respeito”, afirma Ricardo Cavaliere, filólogo, linguista e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).
🟢Corrente 1 (a mais consagrada): O nome do nosso país está associado ao pau-brasil, árvore encontrada neste território. De fato, a cor da madeira é avermelhada e lembra a cor de brasa, mas, para este grupo de especialistas, não é uma associação direta. Brasil —> vem de “pau-brasil” —> cuja madeira tem a cor de brasa.
O historiador Capistrano de Abreu afirma que o nome da mercadoria “engoliu” o nome espiritual “Ilha de Vera Cruz”, inicialmente usado.
🟡Corrente 2: “Brasil” viria de “brasa” exatamente pela cor avermelhada da madeira encontrada em abundância aqui. Estudiosos como o catalão Joan Corominas (1905-1997) e o alemão Volker Noll consideram que o termo germânico ocidental “brasa” (“fogo”, “brasa”) é a base para o nome.
Eles argumentam que a palavra "brasil" já existia no vocabulário românico (italiano, provençal, espanhol) para designar corantes vermelhos vindos do Oriente muito antes de 1500.
“Há registros do termo brasile, também escrito bresillum, braxile, brisillum entre outras variantes, em documentos jurídicos e comerciais desde o século XII, para designar uma tinta vermelha muito utilizada na fabricação de tecidos”, diz Cavaliere.
“O termo deriva do latim brasa, uma palavra muito usada na língua cotidiana para designar o carvão ardente com a cor avermelhada. Portanto, a atribuição do nome brasil a uma tintura avermelhada já era bem anterior à descoberta do pau-brasil pelos portugueses, mas tal fato não nos pode assegurar que o nome do território descoberto e ocupado venha dessa tradição latina.”
🔵Corrente 3 (a mais "diferentona" e menos difundida): Mapas anteriores à chegada dos portugueses ao território sul-americano, já no século XIV, usavam o nome “Brasil” para designar “um lugar diferente”, uma “ilha” que desconfiavam que existiria aqui.
Na mitologia irlandesa, Hy-Brasil seria uma ilha que aparecia apenas um dia a cada sete anos.
Há pesquisadores que defendem que a palavra derivaria do celta “bress”, que significa “abençoar”. Seria a “Ilha dos Abençoados” mesmo antes de ser “descoberta” pelos europeus.
⚽Quem fala 'Brasa' para se referir à Seleção?
Uniforme oficial da Seleção Brasileira traz a estampa de 'Brasa' nas meias
Reprodução/Redes sociais
Ok, não há uma teoria única que conclua a origem da palavra. Mas, em 2026, alguém fala “Brasa” para se referir à Seleção Brasileira?
No levantamento de corpus linguístico do português, formulado por Mark Davies e Michael J. Ferreira, com base em termos empregados nos últimos anos na web, a palavra “brasa” é usada no Brasil, em Portugal, em Angola e em Moçambique sempre em contextos relacionados a:
fogo;
carne;
pão;
receita;
ferro;
fogão;
cebola;
alho.
Não há registros relacionados a jogos de futebol ou a torcidas pela Seleção Brasileira.
Nas redes sociais, o predomínio é de comentários fazendo piada com a escolha da Nike e afirmando que ninguém grita “Vai, Brasa!”.
Post do X questionando a escolha da palavra 'Brasa'
Reprodução/Redes sociais
Mas há posts isolados de influenciadores ou de novos veículos de mídia, como:
CazéTV, em 2025 e em 2026, com “É o Brasa abrindo o placar” (vôlei de praia) e “Pra sempre, Brasa” (convocação da Seleção);
Pedro Certezas, com a comemoração “é o Brasa, po**a!”, em janeiro de 2026;
Comitê Olímpico Brasileiro (COB) em 2023, em campanha para as Olimpíadas de 2024 em Paris, lançando a frase “É o Brasa”.
“O que seguramente não é plausível é admitir que o brasileiro se refere ao país como “brasa”, ou que incentiva a seleção de futebol com a expressão 'vai, brasa!'. Parodiando Nelson Rodrigues, diria que nenhum brasileiro vivo ou morto torceria pela seleção com uma expressão tão ridícula”, diz Cavaliere, da ABL.
🥅Daniel Gomes da Fonseca, professor de Linguagens do Curso Anglo, afirma que o uso da palavra no contexto do esporte parece ter sido uma iniciativa da própria Nike, mas faz uma ressalva: diante de tanta diversidade linguística, é “impossível cravar”.
“A seleção, no Brasil, país ‘futebocêntrico’, não precisa ter apelido, nem ser adjetivada. No dia a dia, a de futebol é ‘a seleção’. As outras são adjetivadas: seleção de vôlei, de basquete etc. O apelido legado pela tradição é a ‘canarinho’”, explica.
“‘Brasa’ era gíria muito usada na década de 60, para algo incrível, muito legal, agitado ou excelente, tendo sido muito presente na música e na cultura da Jovem Guarda.”
Campanha do Brasil na Olimpíada de Paris
Reprodução/Redes sociais
Brazil ou Brasil?
E mais uma curiosidade: no século XIX, mesmo aqui no Brasil, o nome do país era também escrito com “z”. A Constituição de 1824, por exemplo, assim como outros registros oficiais da época, trazia “Brazil” no texto.
Segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), o primeiro registro formal acerca da grafia correta ocorreu em 11 de janeiro de 1897, quando José Veríssimo, membro da associação, propôs tornar “Brazil” o termo oficial.
Foi quando o presidente da ABL à época, simplesmente Machado de Assis, montou uma comissão para analisar o debate. O resultado só chegou em 1922, por proposta de Coelho Neto, conta a Academia. Desde então, a grafia “Brasil” passou a ser a oficial.
E no resto do mundo? Em 15 de junho de 1931, Getúlio Vargas, então presidente do Brasil, assinou um acordo entre a ABL e a Academia das Ciências de Lisboa para fixar que a grafia seria mesmo com “s” — tanto aqui quanto em Portugal.
A decisão foi formalizada por meio da Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945. Os países de língua inglesa, como não estavam contemplados no acordo, mantiveram “Brazil” com z.
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24/03 -
Seis estados não atingem metas de alfabetização na idade certa; veja quais são
Criança lê em biblioteca em comunidade rural no interior do Ceará.
Claudiana Mourato/SVM
Embora o Brasil tenha superado a meta nacional de alfabetização para 2025, os estados do Amazonas, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Santa Catarina não conseguiram atingir os índices individuais estabelecidos para o ano.
Enquanto o país alcançou a marca de 66% de crianças alfabetizadas no 2º ano do ensino fundamental — superando a meta agregada de 64% —, essas unidades da federação ficaram abaixo de seus respectivos objetivos específicos.
De acordo com os dados do Indicador Criança Alfabetizada (ICA) 2025, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 19 estados e o Distrito Federal alcançaram ou superaram suas metas.
O desempenho nacional representa um avanço em relação a 2024, quando o índice era de 59,2%. Contudo, o cenário estadual revela disparidades: o Rio Grande do Sul, por exemplo, registrou 52% de alfabetização frente a uma meta de 69%, apresentando a maior distância em relação ao objetivo proposto.
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Outros estados também enfrentaram dificuldades para cumprir o cronograma do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. O Amazonas atingiu 57% (meta de 61%), o Rio Grande do Norte ficou com 48% (meta de 51%) e Santa Catarina registrou 59% (meta de 67%). No Sudeste, o Rio de Janeiro chegou a 60%, falhando por um ponto percentual em atingir sua meta de 61%. No Norte, o Pará alcançou 58%, também ficando ligeiramente abaixo do objetivo de 59%.
Alfabetização por UF em 2025.
Arte: Dhara Pereira/g1
Próximas metas
O governo federal espera que, por meio da política de colaboração entre estados e municípios, o Brasil chegue a 80% de crianças alfabetizadas até 2030.
Essa meta já foi atingida em 2025 por três estados: Ceará (84%), Goiás (80%) e Paraná (80%).
A projeção é que as metas nacionais e estaduais aumentem de maneira progressiva ao longo dos próximos anos, até chegar a 80%.
2026: 67%
2027: 71%
2028: 74%
2029: 77%
2030: 80%
Como a alfabetização é calculada
O Indicador Criança Alfabetizada é calculado a partir de um teste aplicado a estudantes do final do 2º ano do ensino fundamental de, em média, 7 anos.
A avaliação é composta por 16 itens de múltipla escolha e três de resposta construída, sendo uma produção textual.
O padrão nacional é definido por um corte de 743 pontos na escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Para serem consideradas alfabetizadas, as crianças devem ser capazes de ler pequenos textos, fazer inferências básicas e escrever textos simples da vida cotidiana.
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24/03 -
Como a inteligência artificial padroniza a forma como as pessoas se expressam e pensam
Avanço das ferramentas de inteligência artificial aumenta riscos da exposição de imagens de crianças nas redes
Os chatbots de Inteligência Artificial (IA) estão padronizando a forma como as pessoas falam, escrevem e pensam. Se essa homogeneização continuar sem controle, corre-se o risco de reduzir a sabedoria coletiva da humanidade e sua capacidade de adaptação.
É o que argumentam cientistas da computação e psicólogos em um artigo publicado em meados de março na revista Trends in Cognitive Sciences. Eles afirmam que os desenvolvedores de IA deveriam incorporar a pluralidade do mundo real nos conjuntos de treinamento de grandes modelos de linguagem (os LLMs), não apenas para preservar a diversidade cognitiva, mas também para aperfeiçoar o raciocínio dos próprios chatbots.
Inteligência Artificial (IA): chatbots estão padronizando a forma como as pessoas falam, escrevem e pensam
Finelightarts para Pixabay
“Os indivíduos se distinguem na forma como escrevem, raciocinam e veem o mundo. Quando essas diferenças são mediadas pelos LLMs, seus estilos linguísticos, perspectivas e estratégias de raciocínio se tornam homogeneizados, produzindo expressões e pensamentos padronizados entre os usuários”, alertou o cientista da computação Zhivar Sourati, autor principal do artigo e professor da Universidade do Sul da Califórnia.
À medida que um número crescente de pessoas utiliza o mesmo punhado de chatbots para realizar suas tarefas, a diversidade vai encolhendo. Quando se usa a IA para polir a escrita, por exemplo, o texto acaba perdendo sua individualidade estilística.
“A preocupação não é apenas que os LLMs moldem como as pessoas escrevem ou falam, mas que eles redefinam o que conta como um discurso confiável, uma perspectiva correta ou até um bom raciocínio”, acrescentou Sourati.
A equipe apontou estudos indicando que os resultados dos LLMs são menos variados do que a escrita gerada por gente de carne e osso, e que tendem a refletir os valores e estilos de raciocínio de sociedades ocidentais, educadas, industrializadas, ricas e democráticas (western, educated, industrialized, rich and democratic societies, o acrônimo WEIRD) – ou seja, espelham uma fatia estreita e enviesada da experiência humana.
Embora pesquisas mostrem que indivíduos geram mais ideias quando usam LLMs, o irônico é que as equipes são menos criativas do que quando combinam suas habilidades coletivas sem o auxílio da IA. Mesmo quem (ainda) não utiliza a a tecnologia pode ser afetado: “se muitas pessoas ao meu redor pensam e falam de uma certa maneira e eu faço as coisas de um jeito diferente, acabo me sentindo pressionado a me alinhar a elas”, explicou Sourati.
A solução? Os desenvolvedores deveriam incorporar a multiplicidade global nos modelos, até para proteger o potencial de criação das futuras gerações. Para tirar a prova dos nove, fui perguntar à IA se ela está nos moldando. Eis a resposta (o negrito é meu): “Sim, a inteligência artificial está influenciando e, em muitos casos, padronizando a forma como os humanos se expressam, escrevem e se comunicam, criando um padrão de escrita perfeita, clara e gramaticalmente correta”. O curioso é que, entre os principais pontos dessa tendência, o próprio robô reconhece o “risco de desumanização”, com a perda de laços genuínos e uma baixa interação pessoal.
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23/03 -
66% das crianças do Brasil estão alfabetizadas, diz MEC
Criança lê um livro deitada na rede costurada por professora em Linhares, no ES.
Reprodução/TV Gazeta
66% das crianças do Brasil estavam alfabetizadas em 2025. Os dados são do Indicador Criança Alfabetizada, divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Ministério da Educação (MEC). Com isso, o país superou a meta de alfabetização do ano, que era de 64%.
A avaliação é aplicada para alunos 2º ano do ensino fundamental, em geral de 7 anos.
O resultado representa um avanço em relação ao ano anterior, quando 59,2% das crianças demonstraram habilidades básicas de leitura e de escrita. Na ocasião, o índice nacional ficou abaixo da meta de 60%, mas retornou ao patamar pré-pandemia de Covid-19.
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Para o MEC, são considerados alfabetizados os estudantes que leem pequenos textos, produzem inferências básicas com base na articulação entre texto verbal e não verbal;
E que ainda escrevem com desvios ortográficos textos que circulam na vida cotidiana para comunicação simples, como convidar ou lembrar de algo.
Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, avalia que o avanço é importante e deve ser celebrado, mas reforça que não se pode deixar de lado as demais 34% de crianças não alfabetizadas.
"A alfabetização adequada é a base para a sequência de toda a trajetória escolar. As crianças que no 2º ano do ensino fundamental ainda não sabem ler e escrever — e ainda são 34% no país — não conseguirão desenvolver os conhecimentos esperados nas séries seguintes. Elas não podem ser esquecidas. É preciso um esforço intencional para alfabetizá-las mesmo com atraso", diz.
O Indicador integra o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, que tem como meta alfabetizar pelo menos 80% das crianças brasileiras até os 7 anos de idade até 2030.
O MEC divulgou apenas o percentual nacional e não detalhou os dados das unidades federativas e municípios, ou outros recortes, como racial ou renda.
De acordo com o governo, os dados por estado serão divulgados na terça (24) e, por municípios, na próxima segunda-feira (30).
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23/03 -
Pagamentos do Pé-de-Meia 2026 começam nesta segunda; veja calendário completo e valores do benefício
No programa Pé de Meia, alunos do Ensino Médio recebem R$ 200 mensais, mais R$ 1 mil a cada ano concluído e um adicional de R$ 200 se prestarem o Enem.
Divulgação/MEC
O pagamento do Pé-de-Meia 2026 começa nesta segunda-feira (23) para os estudantes nascidos em janeiro e fevereiro. Este primeiro repasse do ano refere-se ao incentivo matrícula, no valor de R$ 200.
Os estudantes nascidos em outros meses devem receber o valor ainda neste mês, de maneira escalonada. (Veja o cronograma mais abaixo). Esse valor pode ser movimentados a qualquer momento.
📚 O benefício faz parte do programa federal que oferece incentivo financeiro a estudantes do ensino médio. Entre seus objetivos estão o combate à evasão escolar e a redução da desigualdade no acesso à universidade e ao mercado de trabalho.
Abaixo, veja o que é preciso saber sobre o benefício.
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Cronograma de pagamentos: como é definido
O calendário de depósitos do Pé-de-Meia é organizado de forma escalonada, seguindo o mês de nascimento do aluno beneficiário. Essa estratégia visa organizar o fluxo de atendimentos e saques nas contas abertas pela Caixa Econômica Federal.
🗓️ Confira as datas para a primeira parcela de 2026:
Janeiro e Fevereiro: 23 de março
Março e Abril: 24 de março
Maio e Junho: 25 de março
Julho e Agosto: 26 de março
Setembro e Outubro: 27 de março
Novembro e Dezembro: 30 de março
Os pagamentos são realizados à medida que as redes de ensino (estaduais, municipais e federais) repassam os dados de matrícula e frequência dos alunos para o Ministério da Educação (MEC).
As nove parcelas mensais também são pagas de maneira escalonada, em um janela de cerca de 1 semana.
🗓️ Confira as datas das demais parcelas de 2026:
2ª parcela: 27 de abril a 4 de maio
3ª parcela: 25 de maio a 1º de junho
4ª parcela: 29 de junho a 6 de julho
5ª parcela: 24 a 31 de agosto
6ª parcela: 21 a 28 de novembro
7ª parcela: 19 a 26 de outubro
8ª parcela: 23 a 30 de novembro
9ª parcela: 21 a 28 de dezembro
10ª parcela: 25 de janeiro a 1º de fevereiro de 27
A parcela pela aprovação no 1º, 2º ou 3º ano do ensino médio regular, e a parcela pela participação no Enem 2026 devem ser pagas entre 22 de fevereiro e 1º de março de 2027 — caso a rede envie os dados dentro da janela indicada pelo MEC.
Valores do benefício para o ensino médio regular
Ao longo de cada ano letivo, o estudante elegível ao programa pode acumular diferentes tipos de incentivos financeiros:
Matrícula: Parcela única de R$ 200 paga no início do ano.
Frequência: Valor anual de R1.800, dividido em nove parcelas de R$ 200, para quem mantém frequência mínima de 80%.
Conclusão: Bônus de R$ 1.000 ao final de cada ano letivo aprovado (o saque total só é permitido após a formatura no 3º ano).
Enem: Parcela única de R$ 200 para concluintes que participam dos dois dias de prova do exame.
g1 em 1 Minuto: Pé-de-Meia: quando quem se formou no ensino médio ganhará o incentivo?
Pagamento da parcela de conclusão para quem se formou em 2025
Estudantes que concluíram o ensino médio em 2025 e cujas redes de ensino enviaram os dados de aprovação com atraso também poderão receber seus valores nesta janela de março.
O benefício para esses egressos inclui os R$ 1.000 pela aprovação no último ano e os R$ 200 pela participação no Enem, totalizando até R$ 3,2 mil acumulados se somados aos bônus bloqueados de anos anteriores.
Diferente dos alunos que ainda estão cursando, aqueles que já se formaram têm o valor da conclusão liberado para movimentação imediata. O MEC ressalta que os depósitos podem ocorrer até junho para redes que ainda estão finalizando o envio de dados.
Regras e valores para o EJA de ensino médio
Os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) também têm direito à poupança do ensino médio. Para este grupo, os incentivos funcionam da seguinte forma:
Matrícula: Uma parcela de R$ 200
Frequência: Até oito parcelas de R$ 225 (sendo até quatro por semestre)
Conclusão e Enem: Parcelas de R$ 1.000 por aprovação e R$ 200 pelo Enem, seguindo a mesma lógica do ensino médio regular.
Sobre o pé-de-meia
O Pé-de-Meia é um programa do Governo Federal criado em 2024 para combater a evasão escolar no ensino médio, estimulando a permanência e conclusão na etapa escolar por meio de um auxílio financeiro.
São elegíveis estudantes de baixa renda da rede pública, de 14 a 24 anos, de famílias inscritas no CadÚnico. Além disso, os alunos devem:
possuir CPF;
estar cadastrados no CadÚnico (instrumento do governo federal para coleta de dados de pessoas em vulnerabilidade);
ter se matriculado no início do ano letivo;
alcançar frequência escolar de pelo menos 80% das horas letivas;
participar do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Como consultar
Os estudantes podem verificar sua situação e se foram contemplados através do aplicativo Jornada do Estudante ou na página oficial de consulta do MEC, utilizando o login único da conta gov.br.
Caso o nome não conste na lista, a recomendação é procurar a secretaria da escola para verificar se os dados foram enviados corretamente ao governo federal.
Veja Mais
23/03 -
ECA Digital: o que muda na proteção online de crianças e adolescentes - O Assunto #1685
Na última terça-feira (17), o presidente Lula assinou o decreto que cria o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente. O ECA Digital cria regras que obrigam redes e provedores de conteúdo a controlar o acesso de menores de 16 anos, e a garantir que eles não recebam conteúdos impróprios para a idade.
Essa é uma pauta que ganhou os holofotes do debate público depois da publicação do vídeo do influenciador Felca, em agosto de 2025. Nele, Felca denunciou a sexualização de crianças e adolescentes e o uso indevido da imagem de jovens com a finalidade de ganhar dinheiro com conteúdo online. Apenas em 2025, o Brasil registrou quase 90 mil denúncias de crimes cibernéticos: mais de 60% deles alertavam para abuso e exploração sexual infantil.
Veto à monetização de conteúdo com crianças
Neste episódio, o secretário de Políticas Digitais do Governo Federal, João Brant, relata quais são os quatro eixos mais importantes do ECA Digital. E Natuza Nery entrevista Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil, associação civil que atua na defesa dos Direitos Humanos na Internet há mais de 20 anos. Thiago explica o que muda na prática a partir de agora.
Convidado: Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil.
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O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco e Juliene Moretti. Colaboraram neste episódio Arthur Stabile e Janize Colaço. Apresentação: Natuza Nery.
O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações.
ECA Digital, Estatuto da Criança e do Adolescente que cria novas regras para o acesso de menores à internet, entra em vigor
Jornal Nacional/ Reprodução
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22/03 -
R$ 125 mil em 72 horas x ameaças e ‘cancelamentos’: os bastidores das vaquinhas de alunos de medicina para bancar curso
Desespero, corrente do bem e ameaças: os bastidores das vaquinhas para alunos de medicina
“Eu pensei bastante antes de começar essa vaquinha, porque não queria ficar pedindo dinheiro para as pessoas. Vergonha… mas não sobrou nenhuma outra opção.”
Esse é um trecho do apelo que o estudante de medicina Leonardo Reis, de Porto Alegre, postou nas redes sociais, em um vídeo pouco produzido, basicamente sem edição, que passou de 8 milhões de visualizações no TikTok.
No depoimento de menos de 3 minutos, o jovem pede auxílio financeiro para se rematricular no último ano da graduação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Ele não precisou esperar nem 3 dias para arrecadar R$ 125 mil e garantir que conseguiria arcar com as mensalidades até a formatura.
➡️Nas redes sociais, há dezenas de vídeos em que alunos de medicina divulgam vaquinhas e falam do desespero de não terem mais dinheiro para a reta final da faculdade. O rumo que essa exposição da própria história de vida pode tomar, no entanto, é imprevisível. Nos bastidores, como você verá nesta reportagem, ocorrem:
correntes do bem e mensagens de apoio;
perda de privacidade;
ameaças e “cancelamento”;
caça a contradições nas escolhas de vida do aluno;
sensação de vigilância constante;
autocobrança.
Thaís Ferreira, de 34 anos, por exemplo, teve seu passado recente revirado por quem não acreditou que ela realmente necessitaria de doações para se formar. Ela já era nutricionista e queria fazer uma segunda graduação, em medicina. Para isso, contou com a ajuda da mãe (que esgotou a própria reserva financeira), da tia e dos avós.
Nos comentários, a relação dela com a família foi objeto de discussão e de críticas.
"Estar na internet é se colocar num espaço em que se está sujeito ao cancelamento. É um cálculo pessoal: tem pessoas que vão tolerar críticas, outras que não têm estofo emocional para aguentar”, afirma o professor de Direito Filipe Medon, da FGV-Rio.
“A palavra de ordem sempre é: pense antes de postar, pois o direito ao esquecimento [para quem se arrepende] não é exercido na prática", diz ele, que também é pesquisador da “cultura do cancelamento”.
Observação: No Brasil, os cursos de medicina são os mais concorridos na rede pública. Mesmo com o avanço recente da política de cotas sociais, alunos que não receberam uma educação básica de qualidade passam anos no cursinho, mas nem sempre são aprovados em universidades como USP e Unicamp. No ensino privado, com mensalidades que chegam a R$ 15 mil, programas de acesso como Fies e Prouni têm alcance limitado.
📢Correntes do bem e mensagens de apoio
Leonardo está no último ano da graduação em medicina. Só conseguiu se rematricular após receber doações em vaquinha
Arquivo pessoal
Por que tanta gente decide ajudar? Para Leonardo Reis, a causa de “quero me formar em medicina e falta pouco” é vista com sensibilidade. Em geral, as pessoas associam essa carreira a uma oportunidade válida de ascensão social. Quando veem que um jovem está prestes a alcançar esse objetivo, querem incentivá-lo e fazem um PIX — mesmo que de R$ 5 ou R$ 10.
No caso de Léo, a mobilização começou entre pessoas próximas: familiares, colegas, professores e conhecidos da região de Porto Alegre ajudaram a levantar cerca de R$ 20 mil antes mesmo de o vídeo dele viralizar.
Depois que o apelo ganhou força no TikTok, a arrecadação disparou. Em cerca de 72 horas, somando vaquinha e depósitos feitos diretamente em sua conta, ele já havia conseguido quase R$ 120 mil — valor suficiente para dar uma entrada de R$ 80 mil e garantir a rematrícula no último ano de medicina.
Leonardo diz ter ficado impactado pela quantidade de mensagens recebidas.
“É muito incrível, sabe? Na primeira noite, eu não conseguia dormir. O que mais o marcou foram as manifestações de carinho de desconhecidos que acompanharam a história como se fosse de alguém próximo. As pessoas falavam: ‘eu estava torcendo muito por ti’”, diz.
Já Thaís Ferreira percebeu que havia uma “corrente do bem” quando, ao começar a vender brigadeiros, conseguiu levantar R$ 25 mil.
Como os vídeos viralizaram, seguidores passaram a sugerir que ela abrisse uma vaquinha para que pessoas de outras cidades também pudessem ajudar. Ela então arrecadou mais R$ 34 mil entre doações pela plataforma e transferências para a conta pessoal, atingindo os R$ 59 mil que a faculdade exigia para fechar um acordo e liberar a matrícula.
📲Perda de privacidade
Thaís conseguiu se formar em medicina após arrecadar dinheiro em vaquinha
Arquivo pessoal
Para convencer o público sobre a necessidade de ajuda, inevitavelmente o estudante expõe algum detalhe de sua vida pessoal: crises financeiras na família, dívidas assumidas, momentos de desespero e de fragilidade…
São histórias que passam a ser interpretadas e potencialmente julgadas por milhares de pessoas.
Exemplo: internautas passaram a vasculhar publicações antigas de Thaís, em busca de evidências de que ela não precisaria de ajuda financeira.
“O pessoal falava: ‘ela foi pra Disney em 2018’”, relata a jovem.
A viagem, segundo ela, aconteceu antes de a faculdade começar. “Eu nem pensava em fazer medicina. Fiz o vestibular em 2019 e comecei em 2020.”
Vieram também outros questionamentos: por que ela não vendeu o próprio carro, em vez de abrir vaquinha? Como conseguiu um ingresso para um camarote no Carnaval? Ela não tem vergonha de deixar a família inteira endividada, e ainda assim pagar por uma festa de formatura?
“Acho que só em 2 dias que eu fiquei abalada, mas foi porque estavam fazendo comentários sobre a minha família. Mas quem quisesse falar sobre mim podia falar. E a minha mãe amava, porque quanto mais falavam, mais viralizava, mais dava engajamento”, diz Thaís.
Ameaças e “cancelamento”
Dos milhares de comentários que Leonardo recebeu, nem cinco eram negativos. Só questionavam, por exemplo, por que o aluno não havia optado por uma universidade pública.
“Eu expliquei nos vídeos: fiz quatro anos de cursinho e não consegui. Minha renda não era baixa o suficiente para ter acesso ao Prouni, nem alta o suficiente para pagar as mensalidades. E basicamente não tinha universidade com Fies”, afirma.
Thaís viveu uma experiência mais violenta: até sua família foi ameaçada. Seguidores da jovem não apoiaram o fato de ela ter usado todas as economias da mãe e da tia para pagar a faculdade.
“Era meu sonho, e minha família sempre foi muito unida. Mas teve gente me mandando mensagem como ‘tomara que você e todos eles morram ou precisem desse dinheiro’”, conta.
Dezenas de outros vídeos foram postados por terceiros, expondo possíveis contradições na vida de Thaís.
Para o professor Medon, da FGV, a responsabilização civil nesses casos “não tem resposta prévia” e deve ser analisada “caso a caso”.
“A questão jurídica é: o fato de criar um perfil ou um conteúdo para cancelar uma pessoa gera dever de indenização? Sou responsável civilmente por isso?”, diz.
Segundo ele, a discussão fica entre a liberdade de expressão (o direito de alguém discordar de outra pessoa e expor sua opinião) e a falta de respeito.
“O intuito foi de ‘cancelar’ ou só de informar um fato para que as pessoas o conheçam? O tom que adota importa”, afirma o especialista. Na avaliação dele, publicações com “adjetivos fortes”, sobretudo se gerarem "monetização por meio do incentivo ao ódio”, podem indicar abuso.
👀Vigilância constante
Leonardo conta que, logo depois da campanha, começou a se policiar em situações banais.
“Eu tinha medo de alguém me ver saindo de um Uber e pensar: ‘ah, ele tá usando o dinheiro da vaquinha pra isso!”
O mesmo raciocínio se repetia em momentos simples, como sair com amigos. “Se eu fosse ao shopping, se eu fosse ao cinema, eu pensava: ‘meu Deus, e se alguém achar que estou usando as doações para comprar o ingresso? ’”
Qualquer cena do cotidiano poderia ser tirada do contexto e interpretada como sinal de desvio, exagero ou incoerência.
Thaís também passou a medir a própria exposição. Depois de conseguir a rematrícula, optou por reduzir drasticamente a presença nas redes para focar na reta final da graduação.
🩺Autocobrança
Se, de um lado, a vaquinha afasta o risco imediato de abandonar o curso, de outro ela pode criar um novo tipo de peso: a sensação de que agora é preciso corresponder à confiança depositada por milhares de pessoas.
Com Leonardo, essa cobrança apareceu de imediato: “Eu tenho que ser o melhor médico possível", passou a pensar, especialmente após o sucesso da campanha.
A ajuda recebida não virou uma sensação de dívida no sentido negativo, segundo ele, mas de responsabilidade. “As pessoas acreditaram em mim. Não quero nem chegar atrasado [à aula]", afirma.
Com Thaís, a autocobrança vem acompanhada de uma conta que ainda está longe de ser paga. Embora tenha conseguido concluir a graduação em 2025, ela diz que ainda deve à faculdade, a familiares e a um amigo que ajudou na rematrícula final. Somando tudo, estima uma quantia de aproximadamente R$ 300 mil.
Atualmente, ela trabalha em plantões e em uma unidade básica de saúde. “A cabeça pira”, diz. “Mas vejo que tenho feito a diferença no meu trabalho, então eu não me arrependo de jeito nenhum de ter usado desse recurso.”
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19/03 -
Como uniforme escolar ajudou organização a identificar vítima de abusos sexuais postados na internet
Mabel (nome fictício) conseguiu identificar a vítima e passar seus dados para a polícia
BBC
Uma menina que apareceu em centenas de imagens e vídeos de abuso sexual infantil foi localizada após anos de buscas por especialistas em segurança na internet.
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A vítima, agora uma jovem adulta, foi finalmente identificada e contatada depois que pesquisadores viram uma foto dela com uniforme escolar.
Investigadores da Internet Watch Foundation (IWF) viram a menina pela primeira vez em material de abuso sexual infantil em 2020, mas na época não tinham como encontrá-la.
Lula assina decretos que regulamentam ECA Digital
A analista que identificou a menina disse que foi "um grande alívio" ter conseguido encontrar a jovem — o que é raro para pesquisadores de segurança que trabalham nessa área.
A criança, que tinha cerca de 13 anos, foi aliciada por meio de videochamadas e mensagens de texto para criar conteúdo de si mesma — alguns deles na categoria mais extrema desse tipo de abuso.
A IWF usa denúncias do público e suas próprias buscas para encontrar e remover material de abuso sexual infantil da internet.
Embora os analistas não sejam encarregados de encontrar vítimas, ocasionalmente eles emitem relatórios para a polícia se houver pistas suficientemente fortes no material que encontram. Mas identificar com sucesso crianças abusadas a partir desse tipo de conteúdo é raro.
A analista da IWF, que prefere ser identificada como Mabel, disse que, neste caso, o rosto da menina apareceu tantas vezes ao longo dos anos que ela "simplesmente ficou gravada na minha cabeça".
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Em janeiro, um novo lote de imagens suspeitas de serem ilegais foi enviado para Mabel analisar.
Descobriu-se que elas não eram ilegais, o que normalmente significaria que os analistas passariam para o próximo caso.
Mas Mabel reconheceu imediatamente a estudante e começou a procurar pistas sobre quem ela poderia ser.
"Comecei a clicar em todas as imagens. E nesta pasta, todas eram fotografias dela na escola, no ginásio, no refeitório, sempre de uniforme escolar ou a roupa de ginástica ou o blazer", disse Mabel.
Ela deu zoom no blazer escolar e passou a tentar localizar a escola por meio de seu emblema.
Assim que conseguiu, ela foi à polícia, que contatou a escola.
Alguns dos arquivos também incluíam o nome de uma menina, o que ajudou a restringir ainda mais a busca.
A polícia conseguiu encontrar a vítima — agora uma jovem adulta — que nunca havia denunciado o aliciamento ou o abuso.
"Foi maravilhoso saber que ela agora está recebendo ajuda", disse Mabel.
A polícia disse a Mabel que a jovem também expressou gratidão e alívio ao saber que estava em andamento um trabalho para encontrar e remover imagens e vídeos dela.
"É um desfecho realmente positivo para algo que vínhamos vendo há anos e anos e anos", disse Mabel.
Identificar vítimas dessa forma é extremamente difícil e se torna ainda mais difícil com a introdução de conteúdo gerado por IA de crianças que não existem.
Na terça-feira, a Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças (NSPCC) revelou que quase 37 mil crimes de abuso sexual infantil com imagens foram registrados pelas forças policiais em todo o Reino Unido em 2025.
A organização está pedindo às empresas de tecnologia que aumentem as medidas de segurança que impedem que imagens de nudez sejam tiradas por e compartilhadas em dispositivos de crianças.
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19/03 -
4 em cada 10 alunos da EAD abandonam a graduação antes do fim, aponta levantamento
4 em cada 10 alunos da EAD abandonam a graduação antes do fim.
Getty Images
A evasão no ensino superior brasileiro segue em patamar alto e atinge principalmente os cursos à distância. Em 2024, 41,6% dos alunos da educação à distância (EAD) deixaram a graduação antes de concluir o curso, segundo dados do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2026, elaborado pelo Instituto Semesp e divulgado nesta quinta-feira (19). No ensino presencial, a taxa também é elevada e chegou a 24,8% no mesmo ano.
👉🏾 Evasão é o termo usado para descrever a saída do estudante do curso de graduação antes da conclusão, sem obtenção do diploma. Em geral, envolve situações como abandono ou desistência formal, que levam ao rompimento do vínculo com o curso ou a instituição.
Os números mais recentes mostram que, apesar da retomada do crescimento das matrículas após o período mais agudo da pandemia, ainda há dificuldades para garantir a permanência dos estudantes no ensino superior, sobretudo na rede privada e na modalidade EAD.
Para Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, a alta da evasão no EAD se deve principalmente ao modelo de aulas assíncronas, que exige autonomia do aluno.
Quando o governo expandiu o financiamento estudantil, expandiu também a oferta. O caminho foi baratear [os cursos], fazer um valor muito baixo, em um modelo baseado no uso intensivo da tecnologia e no menor uso de recursos humanos. Então, vamos para um modelo de muita atividade assíncrona que é muito complicado para a questão da evasão porque o aluno faz quase tudo de forma autônoma, que é o ponto mais importante para a evasão no EAD ser tão maior que no presencial.
Em 2024, a educação à distância se tornou majoritária no ensino superior brasileiro: 50,7% de todas as matrículas já estão nessa modalidade. O crescimento, no entanto, veio acompanhado de um índice de evasão bem superior ao do ensino presencial.
Segundo o levantamento do Semesp, que representa as mantenedoras do ensino superior no Brasil, a evasão na EAD é puxada principalmente pela rede privada, que concentra 95,9% das matrículas da modalidade. Em 2024, a taxa de desistência nos cursos EAD privados chegou a 41,9%, enquanto na rede pública foi de 32,2%.
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No ensino presencial, a evasão também é maior nas instituições privadas. No ano passado, 26,6% dos alunos da rede privada abandonaram os cursos presenciais, contra 21,4% na rede pública — o que reforça a desigualdade entre as redes.
Evasão no ensino superior em 2024, segundo levantamento do Semesp.
Arte: Alberto Correa/g1
📉 Desistência é maior entre adultos e em instituições grandes
Além da evasão anual, o Mapa do Ensino Superior também analisa a trajetória dos estudantes ao longo do tempo. No ciclo de 2020 a 2024, a taxa de desistência acumulada — que é o percentual de ingressantes que desistiram do curso ou faleceram até o ano de referência — na rede privada chegou a 64,7%. Ou seja, quase 2 em cada 3 alunos abandonaram o curso antes de se formar. Na EAD, esse índice foi ainda maior: 68,1%.
O levantamento mostra que a evasão é mais elevada entre estudantes mais velhos, perfil predominante na educação à distância. Em 2024, 67,3% dos alunos da EAD tinham 25 anos ou mais, enquanto no presencial a maioria ainda está na faixa até 24 anos. O mapa conclui que a dificuldade de conciliar estudo, trabalho e renda é um dos fatores associados à desistência.
Outro destaque do levantamento é o impacto do porte das instituições. Quanto maior a mantenedora, maior a evasão: nas instituições privadas de mega porte, a taxa de desistência acumulada chegou a 69,2%, contra 53,3% nas instituições pequenas. O dado é associado à forte expansão da EAD em grandes grupos educacionais e à lógica de escala da modalidade, de acordo com o levantamento.
📈 Permanência é desafio mesmo com retomada das matrículas
Mesmo com o crescimento de 2,5% no total de matrículas entre 2023 e 2024, o mapa aponta que o acesso ao ensino superior não tem se convertido, na mesma intensidade, em conclusão de curso. A taxa de permanência — proporção de alunos que ainda têm vínculo ativo — segue baixa, especialmente na rede privada e nos cursos EAD.
Para os pesquisadores do Instituto Semesp, os dados indicam que a evasão deixou de ser um fenômeno pontual e se tornou um problema estrutural do ensino superior brasileiro. O estudo destaca que políticas de acesso, como a expansão da EAD, precisam ser acompanhadas de estratégias de permanência, apoio acadêmico e financiamento estudantil mais eficaz para reduzir as taxas de abandono.
Apesar de avanços pontuais — como a leve queda da evasão presencial em relação a 2023 —, o cenário recente reforça que formar alunos continua sendo um desafio maior do que matriculá-los, especialmente em um sistema cada vez mais concentrado, privatizado e dependente da educação à distância.
📊 Outros detalhes do Mapa
Sistema fica mais concentrado em poucos grupos educacionais: em 2024, apenas 1,2% das instituições privadas concentram 55,1% de todas as matrículas do ensino superior. A participação das grandes mantenedoras quase dobrou em dez anos, passando de 27,7% em 2014 para 47,1% em 2024, segundo o levantamento.
Centros universitários avançam, enquanto faculdades perdem espaço: o número de centros universitários privados cresceu 201% entre 2014 e 2024 e eles já concentram 42% das matrículas da rede privada. As faculdades, por outro lado, recuaram e hoje respondem por apenas 12,4% dos alunos, mudança que altera o perfil institucional do sistema.
Poucos jovens chegam ao ensino superior: apesar do aumento geral de matrículas, a taxa líquida de escolarização dos jovens de 18 a 24 anos ficou em 20,8% em 2024, praticamente estagnada. O dado indica que o crescimento recente não tem ampliado de forma significativa o acesso da população jovem à graduação.
Cursos tradicionais seguem liderando a procura: Direito, Administração, Enfermagem, Psicologia e Pedagogia permanecem como os cursos com mais matrículas no país. Já na educação a distância, áreas ligadas à formação de professores e gestão continuam dominando a oferta e a busca dos estudantes.
Financiamento estudantil tem peso cada vez menor: o número de contratos do Fies segue com participação inferior a 1% entre os ingressantes, e o programa deixou de ser um motor de expansão do acesso. O Prouni, que já beneficiou 3,6 milhões de estudantes, respondeu em 2024 por apenas 3,1% dos alunos ingressantes da rede privada.
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18/03 -
TCU determina que MEC suspenda pagamentos do Pé-de-Meia a beneficiários mortos
O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Ministério da Educação (MEC) suspenda os pagamentos de incentivos financeiros do programa Pé-de-Meia a beneficiários identificados com CPFs vinculados a pessoas falecidas entre 2009 e 2023.
A decisão também prevê o bloqueio dos valores depositados em contas poupança desses beneficiários. A pasta terá 60 dias para realizar os bloqueios.
A medida se estende ainda à suspensão de incentivos destinados a estudantes identificados como falecidos nos anos de 2024 e 2025.
📚 Criado em 2024, o programa Pé-de-meia oferece incentivo financeiro a estudantes do ensino médio. Entre seus objetivos estão o combate à evasão escolar e a redução da desigualdade no acesso à universidade e ao mercado de trabalho.
Por meio do Pé-de-Meia, o estudante recebe um incentivo mensal de R$ 200, que pode ser sacado em qualquer momento
Divulgação/Governo Federal
O MEC também deverá analisar casos em que há indícios de renda familiar per capita superior ao limite estabelecido pelo programa. Caso seja confirmada a inelegibilidade, os pagamentos deverão ser interrompidos e os recursos já depositados em cadernetas de poupança bloqueados.
Outras determinações envolvem estudantes beneficiados que não pertenciam a famílias inscritas no Bolsa Família e que ingressaram no Pé-de-Meia no primeiro semestre de 2024, antes da ampliação do programa.
Se confirmado que esses estudantes não estavam inscritos no Bolsa Família em janeiro de 2024 e não integravam famílias de baixa renda à época da análise de elegibilidade, o MEC deverá suspender os pagamentos e bloquear os valores já creditados.
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O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome também terá 60 dias para avaliar inconsistências relacionadas à utilização de CPFs de pessoas falecidas vinculados a beneficiários do Pé-de-Meia.
Além disso, a pasta deverá reavaliar situações de beneficiários do Pé-de-Meia no primeiro semestre de 2024 que também recebem o Bolsa Família, mas cuja renda familiar per capita ultrapassa meio salário mínimo — limite previsto nas regras do programa.
Confirmadas as inconsistências, e após eventual atualização cadastral, as famílias deverão ser desligadas do Bolsa Família.
O ministério deverá ainda revisar casos em que a renda registrada na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de responsáveis por estudantes possa impactar o cálculo da renda familiar per capita no Cadastro Único (CadÚnico).
Caso as irregularidades sejam confirmadas, o ministério deverá promover a correção ou atualização dos dados cadastrais, com o objetivo de garantir maior precisão e confiabilidade às informações utilizadas na execução de políticas públicas.
As medidas foram tomadas após uma auditoria da Corte identificar inconsistências no programa. Também foram emitidas recomendações aos órgãos.
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17/03 -
MEC aplica sanções a cursos de Medicina após desempenho insatisfatório no Enamed
Exame Nacional afere nível de qualidade do ensino das instituições do curso de medicina
Assessoria
O Ministério da Educação (MEC) publicou, nesta terça-feira (17), cinco portarias que determinam a abertura de processos de supervisão contra cursos de Medicina em todo o país após resultados insatisfatórios no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025.
👉🏾 O Enamed é uma prova anual aplicada pelo MEC por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para avaliar a formação médica no Brasil. O resultado da primeira edição foi divulgado em janeiro e mostrou que, dos 351 cursos avaliados, 107 ficaram com notas 1 e 2 — sujeitos a sofrer sanções.
As medidas atingem instituições com desempenho insatisfatório no exame e variam de acordo com o percentual de alunos considerados proficientes. Em alguns casos, há desde restrição de vagas até a suspensão de entrada de novos estudantes.
Punições mais duras, com suspensão de novos alunos
Uma das portarias atinge os cursos com pior desempenho: conceito Enade 1 e menos de 30% de alunos com proficiência.
Nesses casos, o MEC aplicou as medidas mais rígidas, incluindo:
suspensão imediata de ingresso de novos estudantes;
suspensão de programas federais (como Fies);
impedimento de aumento de vagas;
abertura de processo de supervisão.
👉 Instituições afetadas:
Universidade Estácio de Sá - Campus Angra dos Reis
União das Faculdades dos Grandes Lagos
Centro Universitário de Adamantina
Faculdade de Dracena
Centro Universitário Alfredo Nasser
Faculdade Metropolitana
Centro Universitário Uninorte
Corte de 50% das vagas
Uma segunda portaria trata de cursos também com conceito Enade 1, mas com desempenho um pouco melhor: entre 30% e menos de 40% de alunos proficientes.
As sanções incluem:
redução de 50% das vagas;
suspensão de novos contratos do Fies;
impedimento de aumento de vagas;
restrições a programas federais.
👉 Instituições afetadas:
Centro Universitário Presidente Antônio Carlos
Universidade Brasil
Universidade do Contestado
Universidade de Mogi das Cruzes
Universidade Nilton Lins
Centro Universitário de Goiatuba
Centro Universitário das Américas
Faculdade da Saúde e Ecologia Humana
Centro Universitário CEUNI (Fametro)
Faculdade São Leopoldo Mandic (Araras)
Faculdade Estácio de Jaraguá do Sul
Faculdade Zarns (Itumbiara)
Redução de 25% das vagas
Uma outra portaria abrange cursos com conceito Enade 2 e desempenho entre 40% e menos de 50% de alunos proficientes.
As medidas são mais leves, mas ainda incluem restrições importantes:
redução de 25% das vagas;
suspensão de novos contratos do Fies;
impedimento de ampliar vagas;
limitações em programas federais.
👉 Instituições afetadas (principais):
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
Universidade de Ribeirão Preto
Universidade Iguaçu
Universidade Iguaçu (curso diferente)
Universidade Santo Amaro
Universidade de Marília
Universidade Paranaense
Universidade Anhembi Morumbi
Afya Universidade Unigranrio
Centro Universitário Serra dos Órgãos
Universidade de Cuiabá
Centro Universitário Maurício de Nassau de Barreiras
Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto
Centro Universitário de Santa Fé do Sul
Afya Centro Universitário de Porto Velho
Centro Universitário Ingá
Faculdade de Medicina Nova Esperança
Afya Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Faculdade Atitus Educação Passo Fundo
Afya Centro Universitário de Itaperuna
Centro Universitário Maurício de Nassau
Faculdade Morgana Potrich
Afya Faculdade de Porto Nacional
Faculdade Uninassau Vilhena
Centro Universitário Famesc
Faculdade de Medicina de Olinda
Faculdade Estácio de Alagoinhas
Faculdade Atenas Passos
Faculdade Estácio de Juazeiro
Afya Faculdade de Ciências Médicas de Jaboatão dos Guararapes
Faculdade Unicesumar de Corumbá
Faculdade Estácio de Canindé
Afya Faculdade de Ciências Médicas de Santa Inês
Supervisão sem sanções imediatas
Uma quarta portaria também abre processo de supervisão, mas não aplica, neste momento, medidas cautelares como corte de vagas ou suspensão de ingresso.
Nesse caso, as instituições terão prazo para apresentar defesa ao MEC e não há punição imediata, apenas monitoramento e análise inicial.
Supervisão em universidades federais
A quinta portara trata da inclusão de universidades federais entre os cursos de Medicina que passarão por supervisão do MEC após os resultados do Enamed 2025.
Diferentemente das demais normas, que atingem principalmente instituições privadas, esta portaria:
abre processo de supervisão para universidades públicas federais;
aplica medidas cautelares apenas em um dos casos;
indica níveis variados de desempenho entre os cursos avaliados.
📊 Medidas aplicadas
A única instituição com sanções imediatas é a Universidade Federal do Pará, que teve:
redução de 50% das vagas;
suspensão de pedidos de aumento de vagas.
Nos demais casos, há apenas abertura de supervisão, sem punições imediatas.
👉 Instituições afetadas
Universidade Federal do Pará
Universidade Federal do Maranhão
Universidade Federal da Integração Latino-Americana
Universidade Federal do Sul da Bahia
Veja os vídeos que estão em alta no g1
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17/03 -
Número de meninas em cursos de tecnologia nas Etecs cai 21% em um ano
Número de meninas diminui nos cursos de tecnologia integrados ao ensino médio das Etecs
O número de meninas matriculadas em cursos de tecnologia integrados ao ensino médio das Etecs sofreu uma queda de 21,2% em um ano.
Segundo dados do Centro Paula Souza, instituição que administra as Etecs, havia 11.923 alunas matriculadas em 2024 na modalidade. Em 2025, esse número recuou para 9.392.
Enquanto isso, mais de 26 mil meninos estavam matriculados nesses cursos no ano passado.
A maior queda proporcional na quantidade de meninas em sala foi no curso de desenvolvimento de sistemas. Em 2024, 48% dos estudantes eram mulheres. Em 2025, as alunas representaram 37% do total de matriculados.
No levantamento, foram considerados os cursos de Desenvolvimento de Sistemas, Eletroeletrônica, Eletrônica, Informática, Informática para a Internet, Mecatrônica, Programação de Jogos Digitais e Rede de Computadores.
Dentro da sala de aula
Geovana Carolina Jesus Pereira, aluna de Desenvolvimento de Sistemas na Etec Parque Belém, conta que o impacto inicial em uma sala com tantos homens quase a fez abandonar o sonho.
"Foi muito assustador no começo. Chegar numa sala que tem tantos homens assim me fez querer dar um passo atrás. Eu cheguei até a tentar desistir disso", disse Geovana à TV Globo.
A quantidade de meninas matriculadas em cursos técnicos de tecnologia integrados ao ensino médio nas Etecs caiu de 11.923 para 9.392 entre 2024 e 2025.
Reprodução/TV Globo
Já as ex-alunas Yasmin Pilla e Giovanna Mattar Romariz, da Etec Raposo Tavares, passaram por situações de preconceito durante atividades no curso de Desenvolvimento de Sistemas.
“A maioria da sala era meninos e, às vezes, surgem algumas piadas ou comentários desnecessários”, relata Giovanna, que agora cursa Jogos Digitais na Fatec.
A técnica afirmou à TV Globo que um aluno disse que ela “deveria cursar administração [curso muitas vezes associado a mulheres], porque tecnologia não é para ela”.
Nos trabalhos em grupo, um colega de Yasmin dizia que ela e as outras meninas “deveriam fazer as partes mais fáceis, porque não sabiam programar”.
“Eu sei que em aulas de programação erros podem acontecer com todos, mas, quando uma menina erra, algumas pessoas usam nosso gênero para falar esse tipo de coisa”, afirma Giovanna.
Mulheres em tecnologia
O afastamento das mulheres da área de tecnologia é fruto de barreiras culturais que começam cedo, de acordo com especialistas.
A autocobrança feminina e o machismo são fatores determinantes, segundo Aparecida Maria Zem Lopes, doutora em Ciências da Computação e coordenadora de uma pesquisa sobre a presença de mulheres na tecnologia e de um grupo de apoio para mulheres na ciência na Fatec de Jaú, o "Girls in STEM".
"Uma das questões que elas respondem é que têm medo de não irem bem em conteúdos relacionados à área de matemática e exatas”, explica a pesquisadora. “Além disso, percebem uma barreira por causa da discriminação da participação das meninas nessas áreas de tecnologia, programação e engenharia".
Esse cenário escolar se reflete diretamente no mercado de trabalho. Hoje, as mulheres representam apenas cerca de 30% dos profissionais do setor, segundo pesquisa das instituições PretaLab e ThoughtWorks.
Para tentar mudar essas estatísticas, o Centro Paula Souza tem desenvolvido ações específicas, como o projeto "Meninas na Ciência".
Segundo André Velasques de Oliveira, coordenador de comunicação da instituição, novas iniciativas estão previstas para 2026. "Teremos trilhas para subsidiar as meninas no desenvolvimento de sua carreira na área de tecnologia", afirma Oliveira.
Apesar das dificuldades, alunas como Lara Motta Carneiro Silva seguem determinadas a ocupar esse espaço.
"Meu sonho é fazer Engenharia de Software e seguir nessa área de programação e banco de dados. Quero somar com esse número e fazer parte do mercado de trabalho", projeta a estudante.
*Sob supervisão de Cíntia Acayaba e Paulo Gomes
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17/03 -
Inep divulga 'espelhos' da redação do Enem 2025 com somas de pontuação erradas; veja exemplos de notas que 'não batem'
Inep divulga 'espelhos' da redação do Enem 2025 com somas de pontuação erradas
Candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 passaram a ter acesso, nesta terça-feira (17), à vista pedagógica (conhecida como "espelho") da redação que entregaram no dia da prova. Isso inclui uma "foto" do texto que escreveram e um detalhamento da nota: para compor os 1.000 pontos totais, os corretores atribuem um valor de 0 a 200 para cada uma das 5 competências exigidas.
➡️No entanto, segundo o g1 apurou, parte dos alunos recebeu boletins em que a soma de pontos está errada. (Veja exemplos abaixo.)
Na manhã desta terça, sem apresentar justificativa, o órgão deletou das redes sociais os posts que anunciavam a divulgação dos espelhos.
A reportagem questionou o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) sobre a divergência nos dados. Em resposta, o órgão informou que: "Não há alteração ou erro na nota final da redação do Enem 2025, disponível no Boletim de Desempenho."
O Inep disse ainda que solicitou ao Cebraspe, empresa responsável pela aplicação e correção do Enem 2025, uma retificação na apresentação das notas por competências da redação. E afirmou que o sistema já está disponível para acesso.
Uma das estudantes, por exemplo, obteve nota final 880 — um resultado incompatível com o detalhamento apresentado pelo Inep:
Competência 1 (domínio da norma culta): 150
Competência 2 (compreensão da proposta e aplicação de conceitos): 170
Competência 3 (seleção e organização das informações): 150
Competência 4 (mecanismos linguísticos): 150
Competência 5 ( proposta de intervenção): 170
Soma: 790 (a nota total do boletim foi 880)
Os documentos foram conferidos na íntegra pelo g1. A pedido dos candidatos, os nomes deles serão mantidos sob sigilo.
Exemplo de erro em soma na nota do Enem 2025
Arte/g1
Veja outro exemplo de incompatibilidade: a nota da aluna, segundo o boletim final divulgado pelo Inep, foi 760. Mas, se as competências forem somadas, o total chega a 820.
Competência 1: 160
Competência 2: 170
Competência 3: 140
Competência 4: 180
Competência 5: 170
Soma: 820 (a nota total do boletim foi 760)
Um terceiro caso:
Competência 1: 150
Competência 2: 170
Competência 3: 150
Competência 4: 160
Competência 5: 170
Soma: 800 (a nota total do boletim foi 880)
Abaixo, veja a notificação sobre o post feito pelo Inep no X. A publicação foi deletada ao longo desta manhã.
Publicação do Inep sobre a disponibilização dos espelhos da redação do Enem 2025.
Reprodução
Porcentagens apresentaram arredondamentos 'para baixo'
Em outros casos, o texto de explicação da nota atribuída a cada competência traz porcentagens que também não correspondem à pontuação informada pelo Inep. Exemplo: a aluna teria atingido 90% da competência 3 (ou seja, 90% de 200 = 180), mas tirou 170.
Competência 3 apresentou porcentagem incompatível
Reprodução
Em outro, o índice seria de 100% (200 pontos), mas a nota foi 190.
Mudança de critérios de correção
Em fevereiro, o g1 mostrou, com exclusividade, documentos sigilosos que revelaram que a correção da redação do Enem 2025 seguiu 'regras' diferentes de anos anteriores.
Veja o vídeo:
Documentos mostram mudança de critérios na correção da redação do Enem 2025
Folha de rascunho da Redação do Enem.
Emily Santos/g1
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17/03 -
Leia redações nota mil do Enem 2025
ENEM 2025 - DOMINGO (16) – RIBEIRÃO PRETO (SP) – Caderno de prova laranja no 2º dia de prova
Érico Andrade/g1
Candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 já podem consultar, a partir desta terça-feira (17), os "espelhos" da redação — ou seja, as versões digitalizadas dos textos que eles entregaram no dia da prova. É necessário entrar na Página do Participante, neste endereço.
Em 2025, os candidatos tiveram de escrever sobre "Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira".
O g1 teve acesso a alguns dos textos que obtiveram a nota máxima. Confira abaixo a íntegra dos conteúdos.
⚠️Observação: as transcrições abaixo foram fiéis aos textos dos alunos, incluindo possíveis erros de português.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
✏️ Wellington Ribeiro, de Recife (PE)
redação nota 1000 wellington
Arquivo Pessoal
Na obra "Feliz aniversário, a escritora Clarice Lispector aborda, dentre outros aspectos, a realidade de exclusão vivenciada por grande parte dos idosos brasileiros, os quais, de acordo com a autora, só são lembrados por seus familiares em datas comemorativas. Ao transpor o viés literário, percebe-se a acentuação dessa problemática, a qual aborda a falta de perspectiva social perante ao envelhecimento existente no Brasil contemporâneo. À vista desse conceito, é ideal analisar o passado nacional e o descaso governamental como desafios para a plena longevidade da sociedade.
Diante desse cenário, nota-se que a dificultosa promoção de um futuro digno à terceira idade advém de um processo de desenvolvimento nacional pautado na exclusão socioespacial. Isso pode ser constatado, de forma evidente, pois o país, desde o período do Brasil Colônia, foi construído por práticas violentas (como a promulgação da Lei dos Sexagenários), as quais visavam à marginalização de escravizados com mais de 60 anos em detrimento da inserção respeitosa dessa parcela da população no cotidiano brasileiro. Nesse sentido, essa atitude segregacionista mascara, há gerações, a necessidade de reverter esse revés e naturaliza, nos dias atuais, o silenciamento desenfreado dos idosos, produzindo culturalmente a ideia de inferioridade desse grupo. Assim, torna-se inegável o contínuo retrocesso da nação a cerca do reconhecimento da velhice como importante e inevitável, à medida que a manutenção de raízes históricas degradantes existe.
Ademais, é fundamental ressaltar que a negligência estatal perpetua a aversão social ao inerente envelhecimento populacional. Essa questão se intensifica, na atualidade, ao passo que o Brasil não possui uma campanha nacional concreta e eficaz de estímulo à qualidade de vida da terceira idade. Tal panorama foi estudado pelo pesquisador Ruy Braga, o qual, a partir de uma perspectiva crítica voltada à realidade latino-americana, verbaliza que a ausência de um modelo assistencial inclusivo e socialmente comprometido permite o não reconhecimento dos idosos como integrantes ativos da sociedade. Sob essa ótica, o posicionamento do estudioso é válido, visto que políticas públicas ineficientes possibilitam a precarização do bem-estar da terceira idade, de modo a qualificar essa faixa etária como pouco importante para a edificação da nação - suprimindo o seu futuro salutar. Por isso, essa situação hostil precisa ser revertida.
É premente, portanto, uma medida que perpetue perspectivas positivas ao envelhecimento populacional. Logo, cabe ao poder Executivo Federal — mais especificamente ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania — fomentar o respeito à terceira idade. Tal ação ocorrerá por meio da criação do “Projeto Nacional Vida Feliz”, o qual engajará debates públicos — ministrados por idosos —, nos 5570 municípios brasileiros, a fim de desmistificar ideais advindos da colonização do Brasil e de protagonizar a atuação de pessoas idosas no combate direto e frontal à marginalização sofrida por elas, culminando na promoção da dignidade a essa parte da sociedade. Afinal, não é aceitável que, em um país democrático, a população envelhecida seja, como denunciado por Clarice, invisibilizada.
Caio Silva Braga, de Recife (PE)
Trecho da Redação de Caio Silva no Enem 2025.
Reprodução
Em "O Karaíba", o autor indígena Daniel Munduruku traz narrativas dos povos originários no Brasil pré-cabralino. Nessa obra, ele retrata elementos característicos das culturas e dos costumes das comunidades tradicionais, como o respeito aos mais velhos e à sua sabedoria. Nesse contexto, é nítido que a perspectiva dos personagens do livro não reflete a forma como a sociedade brasileira enxergou o envelhecimento ao longo do tempo, tampouco as tendências mais modernas disso.
Historicamente, no Brasil, envelhecer é um privilégio, não um direito. Isso é evidenciado por estratégias de manutenção da ordem social implementadas pelas elites, como a promulgação da Lei do Sexagenário — uma das leis pré-abolicionistas, que libertava escravizados maiores de sessenta anos. Ao contrário do senso comum, que vê essa medida como uma conquista para eles, a historiografia entende que essa medida não tinha intenções reais de oferecer liberdade a essas pessoas, pois suas expectativas de vida eram baixíssimas. Nesse cenário, portanto, envelhecer não era uma oportunidade para todos os brasileiros, mas um privilégio de alguns.
Por outro lado, correntes contemporâneas de pensamento colocam os idosos e o envelhecimento em outras posições: de enfrentamento ao etarismo, de atividade física e econômica e de engajamento político e social. Um exemplo disso é o filme estrelado por Fernanda Montenegro, em 2025, "Vitória", em que a atriz interpreta uma senhora em uma comunidade periférica no Rio de Janeiro e expõe suas denúncias contra a violência e o tráfico onde vive. Sob essa óptica, a figura do idoso deixa um espaço de fragilidade e impotência e passa a assumir protagonismo de sua própria vida.
Dessa forma, tendo em vista as múltiplas perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira, é necessário que o Ministério da Educação, por meio de iniciativas de capacitação e autonomia para idosos — como o "projeto envelhecer" do Cin-UFPE, que os ensina a conviver no ambiente digital — atue na formação dessas pessoas para que resgatem sua independência bem.
Carlos Eduardo Gomes dos Santos, de Mombaça (CE)
Trecho da redação de Carlos Eduardo Gomes dos Santos no Enem 2025.
Reprodução
O sociólogo e professor Boaventura de Sousa Santos afirma que a sociedade vive uma “sociologia das ausências”, uma vez que os saberes e o modo de vida de determinados grupos tendem a ser invisibilizados por não se encaixarem na lógica da racionalidade ocidental. Nesse sentido, ao analisar o hodierno contexto brasileiro, é perceptível que a população idosa é marcada pela sociologia defendida pelo professor, já que o envelhecimento desses indivíduos testemunha um descaso social de desassistência e preconceito, marcado por perspectivas que dificultam a qualidade de vida e a inclusão social. Por isso, urge uma discussão sobre essa problemática, a qual é sustentada não só pela negligência estatal, mas também pela omissão midiática.
Diante desse cenário, faz-se mister mencionar a ausência de políticas públicas de saúde para a população idosa como um dos fatores dessa estigmatização. Nessa ideia, verifica-se que esse panorama é facilmente encaixado no conceito de “necropolítica”, descrito pelo filósofo Achille Mbembe para explicar o poder do Estado de decidir quem pode viver e quem deve morrer. Partindo dessa lógica, o “deixar morrer” é visível quando se observa a realidade de milhares de idosos na comunidade brasileira, haja vista que a omissão dos órgãos estatais afeta a qualidade de vida, evidenciada pelo não destino de verbas que garantam o desenvolvimento de atividades físicas e interativas nos Centros de Referência Especializado e de Assistência Social (CREAS), além da ausência de campanhas preventivas, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), para doenças que acometem essa idade, como diabetes e hipertensão. Consequentemente, perpetua-se uma sociedade que marginaliza o envelhecimento e que sofre com os impactos causados por essa desassistência: o aumento de doenças e, com isso, o aumento de gastos públicos. Logo, fica clara a necessidade de reformular essa postura do Estado urgentemente.
Outrossim, é válido destacar, também, que a inexistência de abordagens midiáticas sobre a importância do envelhecimento configura-se como uma das causas desse imbróglio. Segundo o filósofo estadunidense Noam Chomsky, em sua obra “A fabricação do consentimento”, afirma que a maneira mais inteligente de manter as pessoas passivas é limitar o seu espectro de opinião e criticidade. Nessa acepção, conclui-se que esse comportamento intencional legitimado pelo filósofo é visualizado na agenda dos aparelhos midiáticos que envolve o envelhecimento devido à mentalidade etarista que se expressa, principalmente, pela não abordagem da importância da inclusão profissional e da representatividade em espaços importantes — a exemplo de cargos políticos e vagas em universidades — desses indivíduos. Por conseguinte, cria-se uma malha social que distancia a população idosa do convívio social, relegando-os à solidão e à passividade social. Assim, enquanto persistir essa exclusão midiática, jamais será possível atenuar esse óbice.
Portanto, cabe ao Poder Executivo, por meio do Ministério da Saúde — órgão responsável pelas diretrizes nacionais do sistema de saúde — em parceria com os CREAS, desenvolver atividades físicas de grupo e movimentos interativos, como dança e pintura, que despertem a população idosa para o cuidado físico, bem como campanhas de prevenção nas UBS às doenças da terceira idade, com a finalidade de garantir uma qualidade de vida saudável. Além disso, os veículos midiáticos devem retratar a personalidade do envelhecimento em figuras e espaços de poder para combater o idadismo. A partir dessas execuções, as perspectivas do envelhecimento no Brasil serão outras, agora não mais a da “sociologia das ausências”.
Lucas Rodrigues, de Lauro de Freitas (BA)
Trecho da redação de Lucas Rodrigues no Enem 2025.
Reprodução
O livro "A casa dos budas ditosos", escrito pelo baiano João Ubaldo Ribeiro, conta a história de CLB, uma idosa que, enfrentando estereótipos associados à velhice, mantém-se ativa e se recusa a encarar a senescência como fim. Para além da literatura, contudo, são outras as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira: cada vez mais há idosos doentes, invisibilizados e inativos. Nesse sentido, estabelece-se um cenário hostil, sustentado pelo Estado e pelas empresas, que prejudica a qualidade de vida e acelera a morte. À vista disso, tanto o descaso estatal quanto a má conduta do setor privado impulsionam esse problema.
Sob essa lógica, convém destacar a negligência do Estado como agravante dessa problemática. Isso ocorre, porque tal instituição não oferece políticas públicas em quantidade e eficiência suficientes para os idosos, comprometendo a sua qualidade de vida. Acerca disso, Achille Mbembe, filósofo camaronês, afirma, a partir de seu conceito de "Necropolítica", que o Estado decide quem vive e quem é destinado a um projeto de morte. Nesse rumo, percebe-se que a ideia do filósofo é autêntica e aplicável ao contexto do envelhecimento na sociedade brasileira, uma vez que, devido à composição hegemônica do corpo político (deputados e senadores majoritariamente distantes dos 65 anos, isto é, alheios à realidade da velhice), são escassas as políticas públicas, como a garantia de equipes especializadas em geriatria nas UBS, destinados a esse público. Em efeito, sem, por exemplo, enfermeiros e médicos em quantidade e capacitação adequados nos sistemas públicos de saúde, os idosos, cada vez mais, sobrevivem sem condições dignas de vida. Dessa forma, fica claro que a parcialidade na distribuição de qualidade de vida, cometida pelo Estado e criticada por Mbembe, é nociva ao bom envelhecimento dos cidadãos do Brasil.
Outrossim, cabe analisar a má conduta das empresas como fortalecedora dessa questão. Afirma-se isso, pois grande parte do setor privado não se preocupa com a senescência dos funcionários, acelerando a sua morte. Sob tal contexto, Jim Collins, empresário norte-americano, afirma que a mentalidade empresarial é egoísta e gananciosa. Nesse viés, a afirmação de Collins é verdadeira, já que, pela motivação gananciosa de maximizar seus lucros, muitas empresas não garantem uma vida ativa aos seus colaboradores idosos, deixando, por exemplo, de investir em programas como o "Gympass" (um plano que dá acesso a diversas academias e atividades esportivas). Por conseguinte, esses cidadãos, muitos sobrecarregados com jornadas exaustivas de trabalho, acumulam comorbidades, a exemplo da obesidade ou doenças psíquicas, como a ansiedade, o que pode acelerar a sua morte. Dessa maneira, é evidente que a conduta egoísta das empresas, exposta por Collins, prejudica o envelhecimento dos brasileiros.
Portanto, devem ser resolvidas a negligência estatal e a má conduta do setor privado enquanto obstáculos para o envelhecimento de qualidade no Brasil. Com essa finalidade, é preciso que o Estado, principal idealizador e aplicador das políticas públicas do país, por meio de parceria com o setor privado, crie políticas públicas mais assertivas e direcionadas à terceira idade, com foco em saúde e atividade física, a fim de garantir um envelhecimento ativo e, consequentemente, mitigar esse problema. Assim, a perspectiva acerca da resistência na sociedade brasileira se aproximará da perspectiva de CLB.
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17/03 -
Redação Enem 2025: 'espelhos' estão disponíveis para consulta
Folha de rascunho da Redação do Enem.
g1
Candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 já podem consultar, a partir desta terça-feira (17), os "espelhos" da redação — ou seja, as versões digitalizadas dos textos que eles entregaram no dia da prova. É necessário entrar na Página do Participante, neste endereço.
E MAIS: Leia redações nota mil do Enem 2025
Essa etapa é chamada de "vista pedagógica", porque permite que os estudantes entendam os critérios de correção e as notas que receberam em cada uma das cinco competências avaliadas no Enem (mais abaixo, veja quais são elas).
Competências avaliadas na redação
A redação do Enem vale 1.000 pontos. Cada uma das competências explicadas abaixo, portanto, representa 200 pontos.
Competência 1 - Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.
Competência 2 - Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.
Competência 3 - Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
Competência 4 - Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.
Competência 5 - Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
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17/03 -
Autonomia, confiança e desempenho: realizar tarefas domésticas na infância traz benefícios reais, dizem estudos
Realizar tarefas domésticas na infância traz benefícios pro futuro dos filhos
Crianças que participam ativamente de tarefas domésticas simples desde cedo tendem a ser bem-sucedidas no futuro. Além de atividades extracurriculares caras ou escolas de elite, as responsabilidades domésticas são um dos “segredos” para o sucesso na vida adulta, segundo estudos científicos de longo prazo.
Pesquisas indicam que lavar a louça, arrumar o próprio quarto ou ajudar a preparar o jantar são ações que moldam competências fundamentais, como a autoconfiança e a capacidade de planejamento.
Os resultados observados mostram que, com o aprendizado contínuo das crianças, o ambiente doméstico serve como um laboratório essencial para a vida adulta.
Com isso, ao participar da rotina da casa, a criança deixa de ser apenas uma "consumidora" de serviços dos pais e passa a entender seu papel como um membro contribuinte de uma comunidade. Esse engajamento precoce cria uma base sólida para a satisfação com a vida e o sucesso acadêmico.
Para Andreia Convento, neuropsicóloga especialista em Análise do Comportamento Aplicada (ABA), com experiência no acompanhamento de desenvolvimento infantil, outro benefício importante é o desenvolvimento de habilidades executivas, como planejamento, atenção e organização.
Do ponto de vista da Terapia Cognitivo-Comportamental, essas experiências ajudam a desenvolver autoeficácia, ou seja, a percepção de que ela é capaz de realizar tarefas e contribuir com o ambiente. Isso fortalece a autoestima e a sensação de pertencimento dentro da família.
Abaixo, entenda melhor como a ciência concluiu que o trabalho doméstico é, na verdade, um dos melhores investimentos educativos que os pais podem oferecer aos seus filhos.
Criança arrumando a cama.
Ron Lach/Pexels
Autonomia e sucesso escolar desde o jardim de infância
Um estudo abrangente publicado no "Journal of Developmental and Behavioral Pediatrics" acompanhou quase 10 mil crianças que entraram no jardim de infância nos Estados Unidos entre 2010 e 2011. Os pesquisadores analisaram a frequência com que essas crianças realizavam tarefas domésticas nessa fase inicial e, três anos depois, quando estavam na terceira série, avaliaram seu desempenho e percepção pessoal.
Os resultados foram claros: as crianças que realizavam tarefas domésticas com frequência no jardim de infância apresentavam maior auto competência, melhores comportamentos pró sociais e maior satisfação com a vida quando chegavam à terceira série.
Veja dicas de tarefas domésticas para crianças por faixa etária
Além do bem-estar emocional, a pesquisa identificou um impacto direto no aprendizado: realizar tarefas em casa foi associado a melhores notas em matemática.
O estudo também revelou o outro lado da moeda: crianças que raramente participavam das tarefas domésticas tinham mais chances de ficar no grupo de menor pontuação em termos de habilidade acadêmica, relacionamento com colegas e satisfação geral. Importante ressaltar que esses benefícios foram observados independentemente do sexo da criança, da renda familiar ou do nível de escolaridade dos pais, provando que a responsabilidade doméstica é uma ferramenta democrática de desenvolvimento.
Esses achados indicam que a construção da confiança das crianças não vem apenas de elogios, mas da sensação real de competência que surge ao realizar algo útil para si e para os outros. Ao dominar pequenas tarefas, o aluno transfere essa segurança para a sala de aula, sentindo-se mais capaz de enfrentar desafios lógicos e sociais.
Executar tarefas domésticas treina funções executivas
Além das competências sociais, as tarefas domésticas funcionam como um verdadeiro treino cerebral. Uma pesquisa publicada no "Australian Occupational Therapy Journal" examinou crianças de 5 a 13 anos e descobriu que a participação em tarefas domésticas prediz melhorias nas chamadas "funções executivas". Essas funções incluem a memória de trabalho e o controle inibitório, habilidades cruciais para o planejamento e a autorregulação.
Tarefas que envolvem o autocuidado, como preparar a própria refeição, ou o cuidado com a família, como ajudar a fazer o jantar para todos, exigem que a criança planeje etapas, siga instruções complexas e mude de foco entre diferentes ações. Esse esforço cognitivo ajuda a criança a desenvolver a capacidade de parar um impulso e fazer uma escolha mais apropriada, o que é fundamental tanto na vida escolar quanto na convivência social.
Curiosamente, o estudo notou que nem todas as tarefas têm o mesmo peso. Enquanto o cuidado com pessoas e com a própria rotina trouxe ganhos claros para a memória de trabalho e controle de impulsos, o cuidado com animais de estimação, isoladamente, não mostrou a mesma associação significativa com o desenvolvimento dessas funções executivas específicas. Isso sugere que a complexidade e a finalidade da tarefa importam para o estímulo cognitivo.
Portanto, quando os pais incentivam os filhos a colocar a mesa ou organizar o próprio lanche, estão estimulando áreas do cérebro responsáveis pela organização de tarefas complexas no futuro. É um aprendizado que vai além do "ajudar em casa" — trata-se de preparar a mente para gerenciar prioridades e responsabilidades que serão exigidas na faculdade e no mercado de trabalho.
Criança lavando louça
Kampus Production/Pexels
Como começar e o que esperar
Especialistas em desenvolvimento infantil sugerem que nunca é cedo demais para começar, desde que as tarefas sejam adequadas à idade. Crianças de dois ou três anos já podem ter pequenas responsabilidades. O foco não deve ser a perfeição da execução, mas o hábito e a atitude de contribuição.
“Os pais podem inserir as tarefas de forma gradual, explicando o propósito e valorizando o esforço da criança. Dessa forma, ela entende que colaborar em casa é uma forma de participação e não uma penalidade”, explica Andreia Convento.
No entanto, é preciso ter bom senso. “É importante lembrar que a criança não deve assumir responsabilidades emocionais ou funções de adulto, como cuidar integralmente de irmãos menores, administrar conflitos familiares ou realizar tarefas perigosas”, reforça a especialista.
Dicas de tarefa de acordo com a idade:
3 a 5 anos
guardar brinquedos
colocar roupas no cesto
6 a 8 anos
arrumar a própria cama
ajudar a pôr a mesa
9 a 12 anos
organizar o próprio quarto
ajudar na organização da casa
Adolescentes
preparar refeições simples
ajudar nas compras ou planejamento doméstico
Andreia Convento diz que, à medida que a criança cresce, as tarefas devem acompanhar seu nível de desenvolvimento.
“O ideal é que as tarefas estimulem planejamento e autonomia, e que não seja apenas mecânica, mas envolva também planejamento e tomada de decisão, estimulando habilidades de autonomia”, conclui a especialista.
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16/03 -
‘Eu, aluno, declaro que usei IA’: veja o que universidades permitem e proíbem em trabalhos e pesquisas
Unesp publicou manual com regras sobre o uso de IA
Arquivo Pessoal
Não adianta fingir que a inteligência artificial não existe, concluíram reitores e professores do ensino superior. Eles perceberam que qualquer tentativa de proibir 100% o uso de ferramentas como ChatGPT e Gemini pelos alunos seria em vão. Mas como garantir que esse tipo de tecnologia não vá prejudicar a formação dos jovens nem distorcer os resultados de avaliações?
📈Contexto: O Conselho Nacional de Educação (CNE) está discutindo um parecer que criará diretrizes nacionais para o emprego da IA na educação pública e privada, abrangendo todas as etapas de ensino. Até a última atualização desta reportagem, nesta segunda-feira (16), o texto ainda estava em aberto, aguardando as últimas recomendações do Ministério da Educação (MEC). Nos próximos dias, deve ser votado pelos conselheiros e encaminhado para consulta pública.
Enquanto essa resolução não é finalizada, universidades públicas brasileiras optaram por elaborar e publicar seus próprios “manuais” com regras e recomendações sobre o uso de inteligência artificial no contexto acadêmico.
Na última semana, por exemplo, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) divulgou um guia para os alunos e os docentes da graduação, classificando as práticas em três categorias:
✅PODE
Traduzir textos, parafrasear parágrafos, elaborar resumos e obter explicações adicionais;
Revisar textos produzidos (gramática e ortografia);
Criar esboços, roteiros, cronogramas e mapas mentais;
Gerar imagens, vídeos e animações, compor músicas, criar apresentações e desenvolver jogos educativos;
Traduzir textos para fins de pesquisa, desde que a tradução seja cuidadosamente revisada e validada.
❌NÃO PODE
Submeter trabalhos gerados por IA como se fossem produções originais sem declaração explícita;
Praticar plágio, deixando de citar adequadamente obras que a IA pode ter incluído nos resultados;
Utilizar IA em provas, testes e avaliações sem autorização expressa do docente;
Compartilhar informações confidenciais ou protegidas por direitos autorais;
Produzir desinformação (deepfakes) ou simular resultados experimentais sem explicitar o uso da ferramenta.
😑DEPENDE:
Gerar partes específicas de trabalhos (a permissão varia de acordo com a disciplina e as diretrizes do professor);
Fazer tarefas em grupo (as diretrizes devem ser explicadas pelo docente e combinadas com transparência entre todos os integrantes da equipe).
“Em um trabalho de conclusão de curso, o que nós esperamos é que o aluno não utilize de forma integral a inteligência artificial para a construção do seu texto. Ela não pode fazer a pesquisa por ele ou escrever por ele, mas pode corrigir erros gramaticais ou ajudar a encontrar referências”, explica Denis Salvadeo, professor da Unesp e um dos autores do guia.
Em dezembro de 2025, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aprovou um documento com regras específicas para a pós-graduação.
“A comunidade, tanto alunos quanto professores, não tinha uma orientação do que poderia ser feito. Até onde poderia usar IA em um trabalho ou uma pesquisa?”, afirma Luiz Leduíno de Salles Neto, docente do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de São Paulo (ICT/Unifesp).
“Agora, nossas diretrizes estabelecem que deve haver transparência: o autor deve indicar onde ele usou inteligência artificial. E aí, vai caber aos pares [outros pesquisadores da área], aos avaliadores e aos professores analisarem se o uso é adequado ou não.”
Tudo documentado e combinado com o professor
UFBA lançou guia com orientações sobre uso de IA por alunos e professores
Reprodução
Na Universidade Federal da Bahia (UFBA), o chamado “Guia para Uso Ético e Responsável da Inteligência Artificial Generativa” destaca a importância de o professor de cada disciplina estipular o que é permitido em determinada atividade. O docente pode exigir, por exemplo, que o estudante descreva:
a ferramenta de IA utilizada em um trabalho;
o prompt (comando) enviado e a resposta obtida.
“Se você simplesmente dá um comando, recebe um texto de volta e entrega esse texto, as habilidades de raciocínio, de acúmulo, de ligação de ideias e de síntese não são desenvolvidas. Foi só a máquina. Você entrega a atividade, mas não desenvolve a aprendizagem”, diz Adriano Peixoto, professor e membro da comissão de IA da UFBA.
“Para a universidade, o que a gente quer é justamente que o aluno aprenda, que ele desenvolva um senso crítico. Por isso, é importante exigir que ele explique por que usou a IA, qual foi o padrão de interação e qual a interpretação feita sobre a resposta.”
Na resolução sobre IA na pesquisa e na pós-graduação, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) também deixa claro:
“É obrigatória a inclusão de uma declaração explícita sobre o uso de IAG [inteligência artificial generativa] em todos os documentos finais submetidos à avaliação na Unifesp ou encaminhados para publicação.”
IA como assistente, não como ‘titular’
Em geral, o objetivo central das universidades é reforçar que a IA deve servir como uma “assistente”, sem jamais dispensar a supervisão humana.
“A tecnologia deve ser usada para apoiar, complementar e potencializar as capacidades humanas, e não para substituí-las indiscriminadamente”, afirma o guia da Unifesp.
Márcia Azevedo Coelho, pesquisadora de IA na Universidade de São Paulo (USP), ressalta que a principal preocupação com o uso indiscriminado dessas ferramentas é aceitar as respostas sem nenhum senso crítico, mas se fossem necessariamente imparciais.
“As universidades precisam preparar os alunos e os professores para que eles entendam como cada sistema funciona e quais as estruturas culturais por trás deles. Não são máquinas neutras; elas têm determinada visão de mundo”, diz.
“E estar no ensino superior é querer contribuir para alguma área. Se quero contribuir, preciso estar ali como pessoa, refletindo sobre determinado assunto, colocando minha marca, fazendo minhas conexões. O ChatGPT não dá conta disso”, diz.
Como descobrir? Punir ou não punir?
A Universidade Federal do Ceará (UFC), em portaria publicada em setembro de 2025, segue a mesma linha das demais citadas nesta reportagem: proíbe, por exemplo, que a IA sirva para “redigir seções substantivas do trabalho [de pesquisa] (métodos inéditos, testagens, resultados, discussão e conclusões)” ou “inserir referências não verificadas”.
Um dos artigos estipula que os trabalhos de pós-graduação devem ser submetidos a sistemas como o Turnitin, criado para detectar o uso de IA em um texto.
Mas, segundo especialistas ouvidos pelo g1, esse tipo de ferramenta não é 100% confiável.
“Não existem recursos que garantam que a pessoa usou IA. Eles costumam dar 'falso positivo'. O ideal é que haja um protocolo de transparência entre professores e alunos, seguindo preceitos éticos”, afirma Tadeu da Ponte, pesquisador e especialista em inteligência artificial aplicada.
Os únicos casos em que seria mais simples, por esses softwares, provar que a IA foi usada de maneira indevida são:
plágio tradicional, quando há cópia quase integral de um texto, sem a devida menção aos autores;
uso de referências falsas — o ChatGPT pode, por exemplo, “inventar” fontes e mencionar obras ou artigos científicos que sequer existem.
“Sempre deve haver uma revisão humana”, diz Ponte.
Não basta criar regras
Tadeu da Ponte reforça que só guias ou manuais não bastarão: podem apontar diretrizes, mas devem ser acompanhados de uma mudança na cultura acadêmica.
“A mentalidade precisa ser outra. Não dá mais para pensar que um aluno usa IA porque é preguiçoso. As ferramentas podem ser um recurso poderoso para o estudante e para os professores”, diz.
“Não faria sentido pedir para alguém ir de São Paulo até Sorocaba, no interior, usando um mapa impresso, se temos hoje o Waze. É preciso mais do que proibir um recurso que já existe: é momento de pensar em como ele deve ser empregado de forma adequada para a aprendizagem.”
É aí que entra a importância do letramento digital em IA, como explica a professora Márcia, da USP.
“Precisamos ensinar não só os alunos, mas também os professores, a como usar essas ferramentas. Não faz mais sentido aplicar determinadas avaliações”, afirma.
“Se for uma prova individual, tem de ser presencial, na sala de aula. Se for um seminário, mesmo que o aluno use IA para pesquisar, podemos exigir que ele apresente o que aprendeu para a sala ou associe algo a seu cotidiano. São formas de garantir o desenvolvimento de certas competências.”
Tadeu da Ponte dá mais uma sugestão para a IA no ensino superior: exercícios de simulação de práticas profissionais.
Em um curso de jornalismo, poderia haver um exercício de simulação de entrevista, em que o bot (“robô”) representaria um especialista. O aluno enviaria uma pergunta por vez a esse “entrevistado” e reagiria às respostas, como em um diálogo escrito. O professor da faculdade, nessa atividade, avaliaria justamente a conversa entre o estudante e a IA.
“Seria uma forma de avaliar um número maior de alunos e conseguir dar devolutivas mais detalhadas. Simulações assim podem ser mais interessantes do que um formato antigo de prova”, diz.
Pedagoga explica sobre o uso de inteligência artificial nas escolas
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13/03 -
'São os últimos da fila': mais de mil crianças e jovens com deficiência aguardam por adoção no Brasil
Mais de mil crianças e adolescentes com deficiência aguardam por adoção no Brasil
Diego*, de 15 anos, divide a casa com outras 14 crianças e jovens. Pode ser que, amanhã, suas companhias mudem — que uma delas vá embora, que outra chegue. Os adultos que cuidam dele também podem não ser os mesmos daqui a um ou dois meses.
➡️O adolescente foi transferido de outro abrigo para este atual, em São Paulo, em 2015, quando já havia sido diagnosticado com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ele não fala, mas interage (e dança bastante) com os demais acolhidos, todos neurotípicos.
“Diego foi inserido no Cadastro Nacional de Adoção, mas até agora não surgiu nenhum pretendente”, diz Dirce*, coordenadora da instituição.
“A gente oferece o que consegue: ele chegou aqui aos 5 anos, sem nenhum estímulo sensorial, se rastejando em vez de andar. Hoje, já faz a higiene pessoal sozinho. Mas ele precisa de uma atenção individual que só uma família conseguiria dar.”
➡️Em dezembro de 2025, havia 1.146 crianças e adolescentes de até 16 anos, com alguma deficiência, disponíveis para adoção no Brasil, segundo o Conselho Nacional de Justiça. Na fila de pretendentes ativos, mais de 32 mil.
“A conta não fecha. O perfil escolhido pelos adotantes é muito restrito. As crianças com deficiência frequentemente acabam ficando nas instituições de acolhimento até alcançarem a maioridade”, explica Mônica Gonzaga Arnoni, juíza assessora da Corregedoria Geral da Justiça de São Paulo.
Na Casa Lar Dona Meca, no Rio de Janeiro, só são acolhidos crianças e jovens com deficiência. “A gente tem a entrada, mas não tem a saída. Houve alguns casos de reintegração e de adoção, mas é um número muito pequeno”, diz Jéssica Souza, coordenadora da instituição.
Em 2025, no país inteiro, foram apenas 173 adoções de pessoas com deficiência.
Nesta reportagem, veja:
por que a institucionalização de crianças prejudica o desenvolvimento neurológico delas;
quantos pretendentes no cadastro de adoção aceitariam alguém com deficiência, como fizeram Fabrício e Bruno;
quais os receios mais comuns envolvidos na escolha;
o destino de pessoas com deficiência como Rinaldo, que chegam à maioridade sem terem sido adotadas;
a importância de tomar a decisão com consciência, para que não haja um novo abandono;
a história de um casal que não queria alguém com deficiência, mas cujo caminho cruzou-se com o do pequeno Davi, autista.
'O desenvolvimento do bebê em instituição fica inteiro em risco'
Cama em abrigo de São Paulo
Fábio Tito/g1
A permanência em abrigos, mesmo que em boas condições, traz consequências para o processo inteiro de desenvolvimento dos bebês — principalmente pela ausência de vínculos duradouros e de atenção exclusiva.
“Os efeitos do cuidado institucional alteram a estrutura e o funcionamento do cérebro, os avanços cognitivos, as funções executivas, o desenvolvimento emocional e a saúde mental”, diz Charles Zeanah, neurocientista romeno, professor de psiquiatria e pediatria na Universidade de Tulane (EUA) e um dos principais pesquisadores do mundo sobre os efeitos da institucionalização no comportamento humano.
“Todas essas áreas ficam em risco quando bebês são criados sob cuidados coletivos, em vez de individuais”, completa.
➡️Em crianças com deficiência, os prejuízos tornam-se ainda mais evidentes se elas não forem acolhidas ou adotadas por uma família. A ausência de um adulto de referência, capaz de observar sinais individuais e ajustar estímulos no dia a dia, limita avanços que dependem de constância, previsibilidade e repetição — bases da estimulação precoce.
“Qualquer um que vá para o abrigo tem como cuidador uma pessoa ‘estranha’, que cuida de várias outras. Vão alimentar, dar banho e limpar a criança, mas os estímulos adequados e individuais na motricidade e na comunicação ficam muito prejudicados. Em casos de desenvolvimento atípico, a falta de estimulação precoce nos primeiros meses e anos de vida é ainda mais notável”, diz Silvana Maria Blascovi de Assis, professora do curso de Fisioterapia da Universidade Mackenzie.
“Mesmo que haja terapias na instituição, nunca será explorado o potencial máximo da criança. Precisaria da continuidade em casa. No abrigo, nunca vai haver um cuidador para cada acolhido”, diz.
✏️Os benefícios desse cuidado individualizado aparecem na trajetória de Sérgio, diagnosticado com autismo e adotado pelo casal Fabrício Pellegrino e Bruno Bruhns. Quando chegou à família, aos 12 anos, ele vinha de uma instituição estruturada, com escola e acompanhamento profissional. Ainda assim, os avanços mais consistentes só começaram fora do ambiente coletivo.
“Mesmo sendo bem cuidado no abrigo, ele era aprovado automaticamente na escola e não sabia fazer contas. Com apoio em casa, material adaptado, tempo e alguém olhando só para ele, conseguiu aprender”, conta Fabrício.
Para o pai, a principal mudança não veio de uma troca de serviços, mas da constância do vínculo.
“É sentar junto para fazer a tarefa, repetir, testar outro jeito quando não dá certo. Às vezes, é parar porque ele está cansado. Isso ninguém consegue fazer quando cuida de várias crianças ao mesmo tempo em um abrigo”, diz Fabrício. “Faz diferença ter alguém ali todo dia, olhando, insistindo, ajustando. Isso muda tudo.”
Quantos aceitam crianças com deficiência na adoção?
Fabrício e Bruno relatam as mudanças na vida do filho deles, Sérgio, após a saída do abrigo
Giaccomo Voccio/g1
Dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento mostram que 67% dos pretendentes aceitam apenas crianças que não tenham deficiência. A resistência é ainda maior quando o diagnóstico envolve um comprometimento intelectual: só 5% dos habilitados consideram essa possibilidade. Já em casos de deficiências exclusivamente físicas, como surdez ou cegueira, o índice de aceitação é um pouco mais alto, de 27,9%.
Na contramão dessas estatísticas, estão Fabrício e Bruno, pais de Sérgio, mencionados há pouco nesta reportagem. Ao preencherem o cadastro de adoção, optaram por não estabelecer qualquer recorte de idade, sexo, cor ou condição de saúde.
“Não queríamos fazer escolha, porque não é assim que achamos que se tem um filho”, afirmam.
Quando foram questionados pela assistência social se essa “flexibilidade” tinha como objetivo acelerar o processo, eles foram categóricos: “Se me dissessem que demoraria ainda mais sem escolher, eu manteria a decisão da mesma forma”, diz Fabrício.
Para eles, a imprevisibilidade faz parte do processo.
“Mesmo adotando um filho típico, ele poderia sofrer ou desenvolver uma doença que ninguém sabia… não existe garantia que vai ter um filho saudável que não vai precisar de tratamento”, afirmam.
➡️Apesar de terem sido completamente abertos nos critérios de adoção, Fabrício e Bruno ponderam que essa não é uma escolha possível para todos. Na opinião deles, quem reconhece não ter condições de cuidar de uma criança maior ou com necessidades específicas deve explicitar isso no processo. “Melhor assim do que pegar [a criança ou o adolescente] e devolver”, diz Bruno.
Qual é o medo dos pais?
Quarto de abrigo voltado para pessoas com paralisia cerebral
Fábio Tito/g1
Os principais fatores que afastam as famílias da ideia de escolher uma pessoa com deficiência são:
sobrecarga emocional;
dificuldades financeiras para garantir os tratamentos adequados;
falta de apoio do poder público na educação e na saúde;
desconhecimento sobre as necessidades da criança/jovem;
medo das mudanças na rotina.
Ou seja: para que o número de crianças e adolescentes com deficiência diminua drasticamente nas instituições, é preciso um esforço do poder público e da sociedade:
Para evitar o abandono:
O defensor público Gustavo Samuel Santos afirma que “muitas vezes, o Estado retira a criança da mãe por falta de condições de moradia ou de apoio à família pobre, em vez de investir em políticas de habitação e assistência”.
“Quando uma criança nasce com deficiência ou adquire uma deficiência ao longo da vida, essa família inevitavelmente vai precisar de apoio especializado. Infelizmente, muitas vezes, esse apoio não existe”, explica Matilde Luna, diretora da Rede Latinoamericana de Acolhimento Familiar e diretora do Unicef Argentina (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
Ao serem abandonadas e irem para abrigos, essas crianças “tornam-se as últimas da fila da adoção e as últimas a receber cuidado adequado”, diz a especialista.
Para incentivar a adoção:
“É muito difícil que as pessoas se disponham a adotar uma criança com deficiência se não houver apoio apropriado. E é aí que estamos falhando”, diz Matilde Luna.
Além de informação, é preciso oferecer assistência concreta — inclusive financeira — para custear profissionais, terapias, acompanhamento e estimulação. Ou, evidentemente, garantir que o serviço público esteja disponível para atender todas as necessidades, sem ter de enfrentar batalhas desgastantes na Justiça.
“Quanto mais cedo esse trabalho for feito, melhor. Crianças que permanecem em instituições por longos períodos sofrem danos profundos. A institucionalização pode comprometer a interação social, a aprendizagem e o desenvolvimento de forma duradoura”, diz a especialista. “A sociedade precisa ser sensibilizada.”
A cada ano que passa, as chances de uma pessoa no abrigo ganhar uma família diminuem: o interesse dos adotantes cai sensivelmente quando a criança completa 10 anos. De janeiro de 2019 a dezembro de 2025, foram adotados 1.026 indivíduos com deficiência, sendo que mais da metade deles (544) tinha até 4 anos.
E quando a hora da adoção nunca chega?
Instituição recebe apenas pessoas com paralisia cerebral para buscar reintegração às famílias de origem ou adoção
Fábio Tito/g1
Instituições como a Fraternidade Irmã Clara, em São Paulo, acolhem também pessoas que já atingiram a maioridade, mas que não têm autonomia para morar sozinhas nem familiares disponíveis para esses cuidados.
É onde Rinaldo Castro, de 37 anos, morava quando foi entrevistado. A casa tinha vários quartos no corredor: alguns com grades e camas hospitalares, outros com bichinhos de pelúcia sobre a cama. Nesta instituição, em São Paulo, só há acolhidos com paralisia cerebral — e ele era o único verbal. Todos os outros expressavam-se com gritos (mesmo que de alegria) e gemidos. Não havia silêncio.
“Aqui, na minha casa, é lógico que é muito bom. Mas é que às vezes o que mais me incomoda… é que eu fico triste sem saber por que tô ficando. Hoje, até que tô mais aliviado”, conta.
O foco da instituição continua sendo o de cuidar da pessoa com paralisia cerebral até que a família dela se reestruture e possa reintegrá-la. Por dificuldades financeiras, no entanto, a ONG teve de transferir recentemente Rinaldo e mais 11 jovens para outro abrigo.
"A coisa mais difícil da minha vida foi levá-los embora", diz uma funcionária.
Emilia Tanaka, coordenadora administrativa da instituição, explica qual a missão perseguida pelo projeto. “Nosso trabalho é fortalecer os familiares e dar as condições para a criança ou o jovem retornar. Alguns passam só os finais de semana com os parentes, por exemplo, para fortalecer os laços”, diz.
“Mas no caso de muitas, de muitas mesmo, nem sabemos a origem delas. E, infelizmente, é muito difícil que alguém ‘de fora’ se interesse por adotá-las.”
Ou seja: a ideia de manter a pessoa apenas por um período limitado no projeto acaba se mostrando impossível em alguns casos. São acolhidos que passam a vida inteira naquela casa: saem apenas para ir a escolas especiais ou fazer passeios organizados pela ONG.
“A gente tenta oferecer o melhor, mas não substituir a família, porque seria impossível”, diz Tanaka. “Nosso amor é para aliviar um pouco a dor de não ter ninguém, mas sem a pretensão de tomar esse lugar.”
Quais as alternativas antes da adoção?
Tênis são identificados com o nome da criança acolhida
Fábio Tito/g1
A Justiça sabe que, quando a adoção passa a ser o único caminho, as chances de crianças e adolescentes com deficiência ganharem pais e/ou mães diminuem significativamente.
A ordem de prioridade costuma ser a seguinte:
retorno à família de origem, com apoio do Estado (nos casos em que houve destituição);
busca pela extensão da família (tios, avós, padrinhos);
acolhimento familiar provisório (pessoas que acolhem a criança em suas casas por determinado período; pode haver, depois disso, a tentativa de reinserção à família de origem);
adoção, um caminho legítimo para quando não há possibilidade de reintegração.
🔔No mundo, o avanço de estudos sobre institucionalização de crianças fez com que a existência de abrigos fosse vista como obsoleta. A prioridade passou a ser garantir a vida em família, mesmo que em condição “provisória”.
No Brasil, há estes programas de acolhimento por períodos limitados: quem estiver interessado pode se candidatar e ficar com a criança ou com o jovem por até 2 anos. As intenções são evitar a institucionalização prolongada em abrigos e oferecer um ambiente familiar, individualizado e mais próximo do cotidiano de uma casa.
Como funciona? O serviço é previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e executado pelos municípios. Famílias voluntárias passam por cadastro, capacitação e acompanhamento de equipes técnicas (assistentes sociais e psicólogos). A criança ou o adolescente vai morar com essa família por um período provisório, enquanto a Justiça trabalha para resolver a situação:
reintegração à família de origem ou a outros parentes, como avós, tios etc.;
ou, se isso não for possível, encaminhamento para adoção.
Durante esse período, a família acolhedora recebe apoio técnico e, em geral, um auxílio financeiro para ajudar nas despesas — não é salário nem pagamento pela criança. O Estado é que detém a tutela legal do acolhido.
Pode adotar? A princípio, não. A família acolhedora não pode se habilitar à adoção da criança no Brasil. Há exceções raríssimas, analisadas pela Justiça caso a caso.
Entra aí o risco de haver mais uma ruptura de laços, que pode reforçar a sensação de abandono, explica Charles Zeanah, que estranha a regra brasileira de impedir a conversão do acolhimento em adoção.
“A adoção é vista como preferível e como uma situação mais permanente para a criança que não retornará à família biológica”, afirma.
Na Romênia, onde há casais que acolhem crianças até a maioridade, mesmo sem adotá-las, um estudo organizado por Zeanah mostrou que aquelas que permaneceram em configurações estáveis (seja por adoção ou por acolhimento) apresentaram melhores resultados de desenvolvimento cognitivo do que as que sofreram uma ou mais rupturas.
'Adotar não é fazer caridade'
Sala em abrigo guarda equipamentos como cadeiras de rodas e botas ortopédicas
Fábio Tito/g1
A pessoa que mora em um abrigo já enfrenta as consequências do abandono e/ou da falta de vínculo familiar. Por isso, é essencial que os adotantes estejam bem informados e conscientes sobre as necessidades da criança. Uma nova rejeição gerará um prejuízo ainda maior.
Por isso, quem se sensibiliza com a situação de menores com deficiência em instituições deve entender que adotá-los “não é uma forma de caridade. Adoção é forma de ter filho”, como explica ao g1 a defensora pública Renata Tybiriçá.
“A adoção é um ato permanente, e a criança é um sujeito de direitos, não um objeto de escolha descartável.”
Quem já adotou filhos com deficiência busca transmitir a realidade: expor as dificuldades e as alegrias de aumentar a família, sem visões distorcidas ou idealizadas.
“Não dá para romantizar. Precisa ser uma escolha consciente, para que não haja devolução depois. Meu filho Matheus, sinceramente, se não fosse pela adoção, nem sei se estaria vivo. Ele toma muitas medicações, tem epilepsia e lesão cerebral. Foram muitas terapias para ele engatinhar, andar e chegar aonde chegou”, diz Suzana Schettini, moradora do Recife.
Ela adotou sozinha, aos 45 anos, o caçula, depois de se divorciar do pai de seus outros dois filhos.
Matilde Luna, do Unicef, reforça a mensagem: “é essencial trabalhar com verdade e transparência”.
“As famílias precisam abandonar a ideia do ‘filho ideal’, e as crianças também precisam ser protegidas de idealizações irreais sobre o que é uma família. A adoção e a parentalidade são construções, processos longos e complexos, ainda mais quando há deficiência envolvida”, diz.
‘Vai ser foguete, não dá’
Kelly e Júnior Oliveira são pais de Davi, que tem TEA
Fábio Tito/g1
Foi de forma gradual que se construiu a história de Kelly, Júnior e o pequeno Davi Oliveira, um dos irmãos de Diego, citado no início da reportagem.
Davi também tem autismo, mas não mora mais em abrigos desde 2020, quando foi adotado pelo casal. Diego continua em uma instituição, e os dois meninos mantêm contato em momentos específicos: viagens, passeios, visitas e datas comemorativas. Kelly e Júnior amam vê-los juntos e organizam esses encontros, mas não têm condições de adotar mais uma criança com TEA.
“Quando resolvemos entrar na fila de adoção [antes da chegada de Davi], preenchemos na ficha ‘sim’ para irmãos e ‘não’ para deficiência. Mas a pessoa que digitou os dados trocou as informações. Resultado: me ligaram, falando de uma menina com paralisia cerebral. Expliquei que não daria, que nossa opção era ‘não’ para deficiência”, conta Kelly.
“Dois anos depois, me telefonaram de novo, perguntando se a gente aceitava PCD. Falei que não e desliguei, mas fiquei com aquilo na cabeça. Será que era meu filho dessa vez, me esperando?”
Kelly conversou com o marido, que rejeitou a ideia na mesma hora. “Vai ser foguete, sai fora, não dá”, respondeu ele. Mas a postura durou pouco, e ele chorou no dia seguinte, querendo conhecer Davi.
“Era uma criança acelerada! Gritava, corria! Mas eu vi que ele piscou para mim quando me viu. Ele não falava, estava de fralda, gostava de cavar a parede, de jogar longe tudo o que davam para ele e de arrancar linha dos lençóis. Não dava”, diz Kelly.
Era o que ela pensava. Duas semanas depois, o casal estava novamente na instituição. Júnior abraçou a esposa e falou: "boneca, não tem como, é o nosso filho". Virou para Davi e disse: “vem com o pai”.
Hoje, cinco anos depois, Davi vive com Kelly e Júnior em uma rotina que mistura escola pública, terapias, natação e muitas brincadeiras, principalmente na cama elástica do quarto do menino.
Ele, que não falava nada e ainda usava fraldas quando chegou, aprendeu a se comunicar, demonstra afeto e circula pela casa com a intimidade de quem sempre pertenceu ao local.
“ A construção não é um estalo, é no dia a dia, no banho, na brincadeira e no cansaço também”, diz Kelly.
Júnior resume o que a adoção significou para a família: “Nossa vida já era boa. Mas, sem o Davi, ela não seria completa”.
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12/03 -
A armadilha da carga cognitiva: por que estudar mais tempo nem sempre te ajuda a aprender mais
GETTY IMAGES via BBC
Você tenta estudar, mas é difícil. Você lê o texto várias vezes, mas não retém nada.
A solução não é necessariamente passar cada vez mais horas examinando suas anotações, segundo a especialista em educação Noelia Valle, professora de fisiologia da Universidade Francisco de Vitoria, na Espanha. Ela é a criadora do site de divulgação científica La Pizarra de Noe ("A lousa de Noe", em tradução livre).
"Imagine tentar encher uma garrafa d'água com uma mangueira de incêndio com potência máxima", compara ela, em um artigo no site de notícias acadêmicas The Conversation. "A maior parte da água seria derramada e a garrafa continuaria meio vazia."
A educadora explicou à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) por que o enfoque quantitativo costuma ser ineficaz.
"O cérebro humano não aprende por acumulação, mas por integração", segundo ela.
O motivo tem a ver com dois conceitos fundamentais: memória de trabalho e carga cognitiva. E, quando o assunto é aprendizado, menos é mais, afirma a especialista.
Valle compartilhou conselhos práticos para melhorar nosso rendimento nos estudos.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
A memória de trabalho e a carga cognitiva
A memória de trabalho é a capacidade ou espaço de trabalho cerebral que manipula certas informações de forma temporária, a fim de realizar tarefas complexas como o raciocínio, explicou Valle à BBC.
"Ela é o processador ou a RAM do nosso cérebro, ou seja, a capacidade de reter e manipular informações durante um breve período de tempo."
"É como uma tábua de cortar, o espaço físico onde você coloca todos os ingredientes que precisa cortar e misturar", compara ela.
"Se você colocar ingredientes demais, eles irão cair da tábua. E a memória de trabalho não pode 'cozinhar' [processar] mais do que cabe naquela tábua."
Portanto, a carga cognitiva é a quantidade de esforço mental (a receita) que a memória de trabalho deve realizar para processar (cozinhar) as novas informações, segundo Valle.
A carga cognitiva tem duas partes: a intrínseca, que é a dificuldade inerente do tema; e a extrínseca, que pode aumentar quando o esforço mental for inútil, por ser provocado por explicações confusas ou excesso de estímulos, explica a educadora.
"Fazer um ovo frito traz menos carga cognitiva intrínseca do que cozinhar uma paella à valenciana", compara ela.
"E, se a receita estiver mal redigida, se faltar luz ou se alguém estiver perturbando enquanto você cozinha, a dificuldade [carga extrínseca] do processo aumenta."
A professora Noelia Valle é a criadora do site de divulgação científica 'La Pizarra de Noe'.
Arquivo pessoal de Noelia Valle
Na nossa 'RAM' cabem apenas 5 a 9 elementos
Nossa capacidade de aprender depende do uso eficiente da nossa memória de trabalho, segundo Valle.
"O problema é a que a nossa capacidade é muito limitada e só pode conter de cinco a nove elementos. Tanto é assim que, se excedermos esta capacidade, se recebermos mais informações em um mesmo momento do que nosso cérebro pode processar, elas irão se perder."
Quando se fala em um limite de cinco a nove "elementos", estamos falando de dados ou de conceitos?
Podem ser ambos, segundo a especialista.
"Em psicologia, os fragmentos ou unidades de informação são chamados de chunks."
"A memória de trabalho tem espaço para manipular entre cinco e nove chunks. A diferença entre dados e conceitos depende se a pessoa que os gerencia é especialista ou novato."
"Para um estudante do primeiro ano de medicina, 'frequência cardíaca alta', 'pressão arterial baixa' e 'pele fria' são três dados diferentes, que ocupam espaço na memória de trabalho", explica a professora. "Se eu der mais três sintomas, ela fica saturada."
"Para um médico especialista, estes três dados são automaticamente agrupados em um único conceito: 'choque hipovolêmico'."
"O médico ocupa um único chunk da sua memória de trabalho com este conceito complexo e, por isso, sobram seis ou sete lacunas livres para incluir o tratamento, a informação que ele irá fornecer à enfermeira e o histórico do paciente."
Valle destacou que a memória de trabalho não diferencia se o que está sendo empregado é um dado simples ou um conceito complexo, que já estava armazenado na memória de longo prazo.
"Cabem cinco a nove elementos, mas o tamanho deles depende do seu grau de conhecimento", prossegue ela.
"Aprender consiste exatamente em transformar muitos dados soltos em um único conceito sólido, para que ocupe menos espaço na memória de trabalho e nos permita pensar em coisas mais difíceis."
"A memória dos especialistas não é maior; ela é mais organizada."
Valle destaca que os docentes podem ajudar a reduzir a complexidade intrínseca de um tema, por exemplo, segmentando as informações, do simples até o complexo.
Os professores também podem reduzir a carga extrínseca, eliminando distrações desnecessárias, como excesso de animações em uma apresentação, entre outras medidas.
Explicar o que aprendemos para outra pessoa ajuda a aumentar o nosso rendimento. 'O cérebro não aprende enquanto recebe informações, mas quando se esforça para recuperá-la', segundo Noelia Valle.
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Como melhorar o nosso rendimento?
Evidências indicam que é mais eficaz estudar duas horas por dia por várias semanas do que estudar muitas horas seguidas no mesmo dia, segundo a educadora.
E, nessas duas horas, é importante fazer intervalos para descansar.
"Estudando duas horas seguidas, é mais provável que você sature o espaço da sua memória de trabalho e acumule tanta carga cognitiva que acabe fatigado", explica a professora. "E o cansaço e a frustração são distrações, ou seja, carga extrínseca [ruim]."
"Fazer breves pausas a cada meia hora permite, de um lado, que as informações passem da memória de trabalho para um estado de consolidação. E, de outro, ao voltar do descanso, você irá obrigar o cérebro a recordar onde estava."
"O cérebro não aprende enquanto recebe informações, mas sim quando se esforça para recuperá-las", destaca Valle.
Entre as tarefas que realizamos para aprender, as de manutenção (como reler ou recordar uma lista de elementos) têm efeitos neuronais limitados, segundo ela.
"Mas as tarefas de atualização [de pensar], que desafiam constantemente o cérebro a manipular as informações e não apenas a retê-las, são as que se associam mais consistentemente ao aumento da atividade em regiões do cérebro que são fundamentais para o aprendizado e a recompensa."
Valle oferece alguns exemplos de tarefas que nos obrigam a pensar:
Mudar de formatos: transformar um texto em um esquema ou desenho, ou passar um gráfico para uma explicação verbal. Estas atividades nos obrigam a reorganizar mentalmente o conteúdo.
Realizar testes de autoavaliação e reescrever a resposta, corrigindo e ajustando o raciocínio.
Praticar o que a educadora chama de "dois atrás": ao ler uma lista de passos ou termos, parar e explicar a relação entre o conceito atual e aquele que apareceu duas posições antes.
Explicar a uma outra pessoa o que foi aprendido.
"O melhor é se a pessoa a quem explicarmos não detiver o conhecimento, pois o seu esforço será muito maior", prossegue a professora.
"Ao acabar de ler esta reportagem, por exemplo, explique para alguém a diferença entre dado e conceito para a memória de trabalho."
"Se ninguém quiser ou puder escutar, conte para você mesmo, por escrito (pois sempre é bom praticar a redação) ou falando. E, quando estiver estudando, deixe por escrito perguntas sobre o que foi mais complicado de entender, para que, ao voltar ao estudo, você comece respondendo àquelas perguntas."
Valle destaca que, "hoje em dia, a IA pode nos ajudar, gerando perguntas ou problemas com diferentes formatos e níveis de dificuldade".
Transformar um texto em um esquema ou desenho, ou passar um gráfico para uma explicação verbal, nos obriga a reorganizar mentalmente o conteúdo estudado.
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O sono e o entorno
O sono é fundamental para os processos de consolidação da memória, segundo Valle.
"Sabemos que, enquanto dormimos, o sistema glinfático limpa o cérebro dos resíduos metabólicos e também que, enquanto sonhamos [fase REM], repetimos o que foi aprendido durante o dia, o que ativa os mesmos neurônios e reforça suas conexões."
O espaço e o momento escolhidos para estudar também são importantes, afirma a professora.
"Se você estudar em um espaço desordenado, com ruídos, ou deixar ativadas as notificações do celular, o seu cérebro usará parte da memória de trabalho para inibir esses estímulos."
"Por outro lado, o momento do dia em que começamos a estudar deve ser escolhido de acordo com o nosso cronotipo, ou seja, devemos estudar quando nossas funções executivas estiverem no pico", orienta Valle.
"Tentar memorizar algo complexo quando o corpo está no nível mais baixo de energia aumenta a carga cognitiva necessária para uma mesma tarefa."
"Enquanto sonhamos [fase REM], repetimos o que foi aprendido durante o dia, o que ativa os mesmos neurônios e reforça suas conexões", segundo a professora Noelia Valle.
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Relacionar as informações com nossa própria realidade
Aprendemos melhor aquilo no que pensamos, novamente, porque o esforço necessário promove a consolidação da memória.
Em termos celulares, consolidar significa criar novas conexões entre os neurônios. E sabemos que os neurônios que são ativados em conjunto acabam se unindo.
Por isso, ativar a recordação das novas informações com exemplos cotidianos conhecidos ajuda a criar essa nova conexão, o que garante sua passagem da memória de trabalho para a memória de longo prazo, explica Valle.
"Se você estiver estudando a inflação, compare o preço do café de hoje com o de um ano atrás", orienta ela. "Ao conectar a definição com algo que o afeta, você irá criar uma âncora de onde retirar a recordação quando precisar recuperá-la."
"Além de ajudar a aprender, isso treinará seu pensamento crítico, o que também é benéfico."
"Se você estiver estudando a inflação, compare o preço do café de hoje com o de um ano atrás. Ao conectar a definição com algo que o afeta, você irá criar uma âncora de onde retirar a recordação quando precisar recuperá-la."
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O que fazer quando a complexidade de um tema parece intransponível?
Antes de nos sentirmos frustrados, devemos ter claro que, quando somos principiantes em algum tema, a carga cognitiva é sempre muito alta, segundo Valle.
"Quando você aprende a dirigir, precisa pensar em pisar na embreagem, olhar para os espelhos, mover a alavanca de câmbio, acelerar suavemente, ligar a seta, girar o volante e frear."
"Como cada ação ocupa um espaço na memória de trabalho, você se sente saturado e, se nesse momento, alguém fizer uma pergunta irrelevante, o mais seguro é que você não saiba o que responder", destacou a educadora à BBC News Mundo.
"Quando você já sabe dirigir e automatizou todos esses movimentos [eles ficam guardados na sua memória de longo prazo], pode manter um diálogo e ouvir o rádio enquanto dirige."
Nesses momentos de frustração, Valle recomenda começar fragmentando as informações.
"Deixe-as em pedaços tão pequenos que pareçam ridículos, de tão fáceis de aprender. Esses pequenos sucessos gerarão dopamina, que ajudará a superar os desafios."
Ela também aconselha a preparar esquemas simples com palavras-chave, para garantirmos que a ordem está correta.
"Depois, você passa a elaborar mapas conceituais complexos, integrando as informações relacionadas", orienta a professora.
Em momentos de frustração, Valle recomenda fragmentar as informações. "Deixe-as em pedaços tão pequenos que pareçam ridículos, de tão fáceis de aprender. Esses pequenos sucessos gerarão dopamina, que ajudará a superar os desafios."
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Entender e respeitar seu cérebro
Um cérebro mais forte trabalha menos.
Segundo a neurociência, treinar a memória de trabalho causa redução da atividade em regiões fundamentais do cérebro, especialmente na rede frontoparietal, que é fundamental para as funções executivas, explica Valle.
"Da mesma forma que um atleta experiente consome menos energia para executar uma ação, em comparação com um principiante, o cérebro, à medida que se torna mais hábil em uma tarefa, exige menos recursos neuronais para atingir o mesmo resultado ou até mesmo ter melhor rendimento."
O aprendizado eficaz não se resume em forçar o nosso cérebro além dos seus limites, segundo a especialista.
"Trata-se de entender e respeitar a arquitetura cognitiva com que todos nós operamos para minimizar os esforços inúteis e maximizar o aprendizado profundo."
O aprendizado eficaz se baseia "em sermos mais inteligentes em relação à forma de apresentação das informações para o nosso cérebro", conclui a professora.
Leia aqui o artigo de Noelia Valle no site de notícias acadêmicas The Conversation, com mais conselhos para professores e estudantes. E o site de divulgação científica da professora, "La Pizarra de Noe", está disponível neste link.
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11/03 -
Alunos do ITA projetam jogo em que garota de 15 anos foge de 6 homens em ilha; apresentação teve foto de Epstein
Alunos do ITA projetam jogo inspirado no caso Jeffrey Epstein
Alunos do curso de engenharia da computação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) apresentaram em sala de aula um projeto de jogo de computador baseado no caso Epstein. No jogo, a vítima é uma personagem de 15 anos, sequestrada e mantida numa ilha por seis homens e que precisa tentar fugir.
O caso aconteceu no instituto em uma aula na manhã desta quarta-feira (11). Um grupo, formado apenas por homens, apresentou o jogo que fazia referência ao caso Jeffrey Epstein.
Alunos simulam caso Epstein em projeto de jogo no ITA
Arquivo Pessoal
Em nota enviada ao g1, o ITA afirmou que o caso ocorreu quando os alunos foram convidados a apresentar propostas iniciais de temas para o desenvolvimento de jogos que seriam trabalhados ao longo do bimestrea e que a proposta dos alunos foi imediatamente descartada por ter sido identificada como "assunto inapropriado".
"O ITA destaca que o caso está sendo tratado de forma célere e responsável, dentro das normas vigentes da instituição", disse o instituto (veja nota na íntegra ao final do texto).
🔴 Epstein foi um financista americano que se tornou conhecido mundialmente por comandar um esquema de abuso e exploração sexual de meninas menores de idade. Investigadores apontam que ele atraía adolescentes — algumas com apenas 14 anos. Epstein foi preso em 2019 e acusado formalmente de tráfico sexual de menores, mas morreu na prisão enquanto aguardava julgamento.
Alunos do ITA apresentam proposta de jogo em que menina de 15 anos tem que fugir de ilha
Arquivo Pessoal
O ITA é um instituto vinculado à Aeronáutica, focado em engenharia, especialmente na área aeroespacial. A instituição fica em São José dos Campos, no interior de São Paulo.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
O que era o jogo?
O game chamava 'A Fuga de Sid', o nome faz referência a um aluno do ITA, mas que não faz parte dessa turma, nem mesmo estava quando o trabalho foi elaborado ou apresentado.
O jogo tinha como personagem principal uma menina de 15 anos que era sequestrada e levada a uma ilha.
No local, ela tinha que tentar fugir conseguindo acesso a um barco e gasolina. Para isso, precisava fugir dos seis vilões do jogo, todos eles homens.
Alunos do ITA usam caso Epstein para basear jogo
Arquivo Pessoal
Na proposta do jogo, cada um desses vilões tinham uma preferência, que ela deveria usar para tentar fugir. Por exemplo, um deles não gostava de pessoas que ficavam rindo. Com isso, a personagem teria que adequar suas expressões às preferências de cada vilão para tentar fugir.
Fotos da apresentação mostram que , em um dos slides, os alunos mostraram uma imagem do Epstein. (Veja a imagem acima)
A informação do que ocorreu chegou ao g1 depois que prints revelavam a apresentação em um grupo do WhatsApp com alunos e ex-alunos.
O g1 conversou com um aluno que estava na sala e contou que a apresentação do projeto seguiu até o fim, sem a interrupção da professora.
“Houve apenas um comentário de aquele era um tema sensível, mas os alunos apresentaram e ainda ouviram risos da turma”, contou um aluno que não quis se identificar.
Repercussão em grupo de alunos
Após a aula, o tema repercutiu em um grupo de alunos do WhatsApp na instituição. Na troca de mensagens, meninas repreendem o comportamento e são respondidas com figurinha de Epstein.
Em conversa, aluno responde com figurinha do WhatsApp com Epstein
Arquivo Pessoal
Depois, um dos meninos responde que não tinham pensado que o uso de uma figura como Epstein poderia se “conectar com a realidade”.
“Não, sendo genuíno mesmo mano. A gente pensou por tipo 10min sobre o tema nos inspirando em figurinhas tipo do Sid com o Epstein (com certeza vocês já viram no grupo isso), rascunhamos a apresentação sem pensar gerando imagens aleatórias e não pensamos na conexão que isso tinha com a realidade”, escreveu um dos alunos.
Veja a nota do ITA na íntegra:
A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), esclarece que a atividade mencionada ocorreu durante uma aula do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ministrada para alunos do curso de Engenharia de Computação e que tem, entre os exercícios propostos, a concepção de um jogo interativo, com o objetivo de que os estudantes desenvolvam habilidades de programação e estruturação de código.
No contexto dessa atividade, os alunos foram convidados a apresentar propostas iniciais de temas para o desenvolvimento de jogos que seriam trabalhados ao longo do bimestre, exclusivamente no âmbito acadêmico da disciplina.
Em relação ao tema específico mencionado na reportagem, a proposta foi imediatamente descartada por ter sido identificada como assunto inapropriado. O ITA destaca que o caso está sendo tratado de forma célere e responsável, dentro das normas vigentes da instituição. Ações de conscientização serão reforçadas junto à comunidade discente por meio do Grupo de Trabalho de Equidade de Gênero e demais órgãos da estrutura administrativa e acadêmica do Instituto.
O ITA reafirma seu compromisso com a formação técnica e ética de seus estudantes e com a promoção de um ambiente acadêmico seguro, pautado pelo respeito, pela responsabilidade e pela integridade.
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11/03 -
Pé-de-Meia: quando quem se formou no ensino médio ganhará o incentivo de R$ 3 mil? Datas variam de um estado para outro; veja cronograma
Pé-de-Meia: pagamento após conclusão do ensino médio não caiu na conta de todos os alunos
Parte dos beneficiários do programa Pé-de-Meia, do Ministério da Educação (MEC), não havia recebido, até esta quarta-feira (11), o pagamento de duas parcelas previstas, mesmo atendendo a todos os pré-requisitos:
R$ 1 mil a todos os participantes que terminaram o ensino médio em 2025 (além do desbloqueio de R$ 2 mil referentes aos outros dois anos desta etapa escolar);
R$ 200 aos concluintes que prestaram a última edição do Enem e compareceram aos dois dias de prova.
➡️A princípio, o calendário de pagamento teria se encerrado em 5 de março. Segundo a pasta, no entanto, as redes de ensino ainda estão no prazo para enviar informações ao MEC e confirmar quais alunos foram aprovados. Os valores podem ser depositados nas contas dos jovens até junho.
Veja as próximas datas previstas mais abaixo e a previsão de pagamento no seu estado.
Se a rede enviou em janeiro as informações, garantiu que seus alunos recebessem o dinheiro na primeira janela de pagamento (26 de fevereiro a 5 de março).
Já nos estados que não entraram nesse lote, mas que mandaram as listas de alunos até 6 de março, os jovens poderão sacar a quantia na próxima janela (23 a 30 de março).
Possíveis ajustes e inclusões de novos alunos (como aqueles aprovados após programas especiais de recuperação) podem ser feitos no sistema até 8 de maio. O último período de depósitos ocorrerá de 29 de junho a 6 de julho de 2026.
O g1 perguntou a cada secretaria estadual quando os dados foram ou serão enviados ao governo federal. Veja abaixo:
Estados em que a maioria recebeu o pagamento até 5 de março:
Alagoas (90% dos beneficiários receberam; alunos de escolas que não enviaram os dados estarão nos próximos lotes)
Amapá
Amazonas
Bahia (246 mil receberam; outros 95 mil receberão entre 23 e 30 de março)
Maranhão (processo continuará ocorrendo até junho)
Minas Gerais
Paraíba
Rio de Janeiro
Rio Grande do Norte (88% receberam)
Rio Grande do Sul (parte ainda vai receber nos próximos lotes)
Tocantins (8.710 receberam; 6 mil nomes estão em processamento e estarão nos próximos lotes)
Distrito Federal
Estados em que o pagamento cairá entre 23 e 30 de março:
Acre
Ceará
Espírito Santo
Goiás
Mato Grosso
Mato Grosso do Sul
Pará
Paraná
Pernambuco
Piauí (os que foram enviados em 28/01 receberam)
Roraima
São Paulo
Sergipe
(além de cerca de metade dos alunos do Tocantins e de 95 mil da Bahia)
Até a última atualização desta reportagem, as redes de Santa Catarina e de Rondônia não haviam informado as datas e o status de envio dos dados.
Janelas seguintes de pagamento, para nomes enviados posteriormente:
27 de abril a 4 de maio de 2026
25 de maio a 1º de junho de 2026
29 de junho a 6 de julho de 2026
Transferências dependem também da data de nascimento
No programa Pé de Meia, alunos do Ensino Médio recebem R$ 200 mensais, mais R$ 1 mil a cada ano concluído e um adicional de R$ 200 se prestarem o Enem.
Divulgação/MEC
O pagamento para os concluintes do ensino médio ocorre de acordo com o mês de nascimento de cada um:
Janeiro e fevereiro: 1º dia da janela de pagamento
Março e abril: 2º dia da janela de pagamento
Maio e junho: 3º dia da janela de pagamento
Julho e agosto: 4º dia da janela de pagamento
Setembro e outubro: 5º dia da janela de pagamento
Novembro e dezembro: 6º dia da janela de pagamento
💰Valores prometidos pelo Pé-de-Meia
Após efetuar matrícula: R$ 200 (parcela anual)
Ao cumprir a frequência mínima nas aulas: R$ 1.800 por ano, pagos em nove parcelas
Ao concluir o ensino médio: R$ 1.000 depositados ao final de cada ano eletivo (o valor total só pode ser sacado após a formatura)
Ao fazer o Enem no último ano: R$ 200 (parcela única)
✒️Quais os pré-requisitos?
Os valores do Programa Pé-de-Meia serão depositados na conta bancária apenas dos estudantes de baixa renda do ensino médio público, desde que eles:
possuam CPF;
estejam cadastrados no CadÚnico (instrumento do governo federal para coleta de dados de pessoas em vulnerabilidade);
tenham se matriculado no início do ano letivo;
alcancem frequência escolar de pelo menos 80% das horas letivas;
participem do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
No caso dos bônus, é exigido que:
não tenham sido reprovados no fim do ano letivo;
façam o Enem no fim do 3º ano do ensino médio.
✒️Por que o programa foi criado?
Segundo o governo Lula, os objetivos do programa são:
reduzir a evasão escolar, já que especialmente os alunos de baixa renda correm um risco maior de abandonar os estudos e entrar precocemente no mercado de trabalho, para ajudar financeiramente a família;
incentivar que os jovens de escola pública façam o Enem (em 2023, por exemplo, apenas 46,7% dos concluintes de colégios públicos se inscreveram na prova);
diminuir a desigualdade no acesso à universidade e ao mercado de trabalho formal.
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11/03 -
Aos 12 anos, Enzinho estuda todo dia para o Enem, faz cursinho e sonha com faculdade de medicina: ‘achei melhor já começar’
Menino de 12 anos faz cursinho para o Enem e estuda com simulados
O nome dele definitivamente não é raro entre os nascidos na década de 2010. Mas Enzo Santos (Enzinho, como gosta de ser chamado), de 12 anos, foge de qualquer estereótipo de sua geração: estuda para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)... com certa antecedência, digamos assim.
“Achei melhor já começar, porque tenho sonhos muito grandes: quero fazer medicina e ser perito criminal”, diz o menino, que está no 7º ano de uma escola particular em Aurora, no Ceará.
“Para ter uma boa base, montei cronogramas semanais com os horários bem certinhos da escola, do cursinho preparatório e das aulas de inglês.”
🔬Direto de sua escrivaninha, ao lado do microscópio que pediu de aniversário, o menino posta vídeos nas redes sociais contando sobre os estudos do dia.
“Hoje, depois que cheguei em casa, fiz um simulado”, afirma em um dos posts. “Terminei de jantar e fui fazer anotações sobre os conteúdos vistos mais cedo; depois, treinei com flash cards para ver se aprendi”, conta em outro.
Em matemática e em ciências da natureza — áreas que envolvem conteúdos muito mais avançados do que os vistos no ensino fundamental —, o aluno filtra só as questões do Enem que abordam temas já aprendidos, como operações básicas, porcentagem e razão/proporção. “Lá para o final do ano, vou poder fazer simulados dessas disciplinas.”
Enzinho tem vídeos com mais de 2 milhões de visualizações — como um em que, usando uma camiseta do Tom e Jerry, o cearense diz que estudou os enunciados de questões de Linguagens, resolveu questões e anotou seus erros em um caderno. “É isso, gente! Esse é meu diário de hoje!”, despede-se, empolgado.
📖'Mas ele brinca?'
Enzinho diz que ama estudar (e já se prepara para o Enem)
Arquivo pessoal
Entre elogios e dúvidas, há também comentários de preocupação com a rotina da criança. Mas Enzo garante que a busca por novos conhecimentos parte só dele.
“Desde pequenininho, sempre tive sede por me sentir inteligente, sabe? Mas respeito meu cansaço e vou dormir, senão, meu cérebro não aprende mais”, conta.
“Com essa questão de burnout, hoje em dia, a gente precisa colocar limites. No meu tempo livre, leio livros de ficção científica e vejo telas, como toda criança. Amo documentários.”
A professora Priscilla Brígida, mãe de Enzinho, confirma que a iniciativa de estudar sempre partiu dele próprio.
“Enzo nunca foi forçado a isso. Aqui em casa, sempre existiu e existe o equilíbrio. O que vocês veem realmente nasce dele. Nasce da curiosidade, nasce do brilho nos olhos. É impressionante a alegria que Enzo sente quando ele aprende algo novo”, conta.
"A infância dele, para mim, é sagrada. Quero que ele cresça seguro e amado.”
💻Conselhos e dicas de estudo para adultos
Nos comentários dos postos de Enzo, adolescentes e adultos escrevem frases (algumas bem-humoradas) como:
“Quero ser como você quando crescer!”
“E eu, vendo isso depois de procrastinar mais um dia?”
“Graças a Deus, já passei no Enem. Boa sorte aos concorrentes dele.”
“Eu estava fazendo slime nessa época."
Existem ainda aqueles que querem dicas de estudo ou palavras de incentivo para iniciar a preparação para o Enem.
“Tento responder com mensagem de voz para dar um apoio. Muita gente quer saber como começar. Dou conselhos e falo sempre que o estudo move montanhas”, diz o menino.
Enzo ama ler livros de ficção científica e assistir a documentários sobre ciência
Arquivo pessoal
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11/03 -
Sem atualização desde 2022, governo federal divulga dados de beneficiários do BPC que estão na escola
Crianças brincam em recreio de escola em Ribeirão Preto, SP, que proibiu celulares há dois anos
Tiago Aureliano/EPTV
O governo federal divulgou, pela primeira vez desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu, em 2023, o número de beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) que estão na escola. O pareamento dos dados estava atrasado desde 2022.
Em 2024, o índice de crianças e adolescentes, de 0 a 18 anos, que recebem o benefício e estão matriculadas na escola chegou a 83%. O número corresponde a 870.093 jovens.
É o maior índice da história desde que o Programa BPC na Escola começou, em 2007.
🔎O BPC é um benefício pago a idosos com mais de 65 anos e a pessoas com deficiência de qualquer idade. Para receber o benefício, a renda por pessoa da família deve ser igual ou menor que um quarto do salário mínimo, ou seja, de R$ 379,5. O valor do benefício equivale a um salário mínimo: R$ 1.518.
Os dados do BPC e do Censo Escolar são considerados fundamentais para o acompanhamento e monitoramento de crianças e adolescentes de baixa renda e com deficiência. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social, o monitoramento permite fortalecer ações de inclusão e garantir o direito à educação.
O cruzamento é feito pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Em 2025, o g1 mostrou o atraso no pareamento.
Na época, o MDS disse que aguardava desde maio de 2024 parecer da Procuradoria Jurídica do Inep com regras para regular o acesso e o compartilhamento das bases de dados de beneficiários com deficiência.
A pasta também informou em nota que, "somente após a realização dos Pareamentos pelo INEP/MEC, será possível gerar a Nova Relação de Beneficiários e realizar a inserção no Sistema BPC na Escola, para possibilitar que as equipes técnicas dos municípios e do Distrito Federal realizem a aplicação do Questionário de Identificação de Barreiras do Programa BPC na Escola".
Entenda a importância de manter os dados atualizados para não perder o BPC
No último pareamento divulgado, realizado em 2022, foram identificados 500.670 beneficiários do BPC com deficiência, entre 0 e 18 anos. Do total, cerca de 70% foram identificados com registro de matricula em escola e 149.879 beneficiários estavam sem registro de matrícula.
Em 2008, ano que o pareamento começou a ser feito, apenas 21% dos beneficiários estavam matriculados. Em 2021, esse índice chegou a 65,3%.
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10/03 -
‘Sem mim, você não é nada’: alunas da EJA ‘rasgam’ frases machistas em vídeo viral e pedem liberdade para estudar
Conheça a história por trás de vídeo viral em que alunas da EJA ‘rasgam frases’ machistas
“Você não vai sair de casa sem a minha permissão.”
“Se me deixar, ninguém mais vai me querer.”
“Se não for minha, não será de mais ninguém.
“Você não precisa estudar nem trabalhar, eu sustento você.”
“Sem mim, você não é nada.”
Em um vídeo que viralizou nesta semana, as frases acima foram “rasgadas” por alunas da Educação para Jovens e Adultos (EJA) para sensibilizar a população sobre os impactos do machismo na educação de mulheres.
Qual é a história por trás do viral?
Alunas da EJA participam de vídeo viral sobre machismo x educação
Reprodução/Redes sociais
O vídeo foi gravado em Várzea Alegre (CE), na Escola Figueiredo Correia, como uma ação para o Dia da Mulher.
As estudantes que aparecem nas imagens não estão retratando o que elas mesmas ouviram — atuam, na verdade, como porta-vozes de colegas que sofreram violência psicológica.
“"Temos alunas com muita vontade de ir para a escola, mas os maridos chegam em casa e não as deixam ir... decidimos trabalhar essas frases para incentivar e mostrar que a educação é um caminho de liberdade”, afirma Lucivânia Alves, professora da turma.
Ao g1, duas das mulheres que participaram do vídeo contaram como a EJA foi decisiva para que adquirissem mais independência.
Kelly Barreto dos Santos, de 45 anos, é pescadora e, com o incentivo do marido, encontrou um tempo na rotina exaustiva para fazer frequentar a escola à noite.
“Antigamente, eu não conseguia ler as palavras. Hoje, eu já consigo... E posso ir ao mercado e pegar meu troco direitinho”, diz.
Ela é colega de Josefa Borges, de 65 anos, que sempre esteve atribulada com tarefas domésticas e cuidados do lar — até decidir que queria ser alfabetizada.
“Nunca tive a oportunidade de estudar quando era mais nova. Eu sabia só escrever meu nome mesmo. E agora eu sei bastante conta... somar as contas de matemática, as contas que a professora faz… Eu faço tudo”, conta.
Cenário Nacional:
A ação das alunas ocorre em um momento crítico para a modalidade no Brasil. Segundo dados do Censo Escolar (INEP), houve uma queda acentuada nas matrículas da EJA, influenciada pelo fechamento de turmas. A modalidade teve, no total, 734 “classes” a menos em 2025 em comparação com 2024, segundo o Censo Escolar (Inep).
Só no ensino médio, foram cerca de 130 mil matrículas a menos em um ano: de 976.390 (2024) para 845.627 (2025).
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09/03 -
Adolescentes passam um terço do horário letivo no celular e têm prejuízos na atenção, revela estudo
Aluno usando celular na sala de aula em escola no Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
Adolescentes passam quase um terço do dia letivo conectados a smartphones e checam os aparelhos dezenas de vezes para acessar redes sociais e aplicativos de entretenimento. É o que revela um novo estudo do Departamento de Psicologia e Neurociência da Universidade da Carolina do Norte.
Os resultados, divulgados nesta segunda-feira (9), mostram que esse comportamento está diretamente ligado a uma menor capacidade de atenção e a um controle de impulsos mais fraco entre os estudantes.
A pesquisa, que acompanhou jovens de 11 a 18 anos do sudoeste dos Estados Unidos, mostrou que o uso do celular não ocorre apenas nos intervalos, mas de forma persistente ao longo de todas as horas de aula. De acordo com os pesquisadores, essa fragmentação da atenção prejudica habilidades fundamentais para o sucesso acadêmico.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Os dados detalhados pela pesquisa revelam a onipresença dos aparelhos nas salas de aula:
⌚ Tempo total: em média, os jovens passam 2,22 horas do período escolar conectados ao smartphone
⌛ Frequência: os estudantes checam o aparelho, em média, 64 vezes durante o horário das aulas
📱 Principais usos: mais de 70% do tempo de tela é dedicado exclusivamente a redes sociais e aplicativos de entretenimento
🗓️ Diferença por idade: alunos mais velhos (15 a 18 anos) passam cerca de 23 minutos por hora no celular, enquanto os mais novos (11 a 14 anos) passam 11 minutos
👥 Adesão total: nenhum dos participantes do estudo conseguiu ficar totalmente sem usar o celular durante o período escolar
“O que mais nos surpreendeu foi a enorme quantidade de tempo que os adolescentes passam nos seus celulares durante a escola”, afirmou Kaitlyn Burnell, professora assistente de pesquisa e coautora do estudo.
O perigo das "checadinhas" constantes
O estudo identificou que o ato de checar o celular repetidamente é mais prejudicial ao controle cognitivo do que o tempo total que o aluno passa olhando para a tela. Essas interrupções frequentes causam o que os cientistas chamam de fragmentação da atenção, dificultando o foco profundo necessário para a aprendizagem.
“Nossas descobertas mostram que a verificação frequente do telefone pode minar as próprias competências de que os alunos precisam para ter sucesso na sala de aula”, explicou Eva Telzer, professora de psicologia e neurociência e autora principal do trabalho.
O impacto foi medido através de testes que avaliaram a capacidade do jovem de resistir a estímulos e manter o foco em tarefas específicas.
De acordo com os pesquisadores, as redes sociais oferecem recompensas imediatas que competem com o esforço exigido pelo estudo. Isso cria um desafio para o cérebro adolescente, que ainda está desenvolvendo sistemas de autorregulação.
Alunas leem na hora do recreio ao invés de usarem celular em escola que proibiu aparelho em 2022 em Ribeirão Preto, SP
Tiago Aureliano/EPTV
Políticas escolares além do banimento
Diante dos resultados, os autores defendem que as escolas adotem políticas que limitem o acesso a plataformas altamente estimulantes durante o tempo de instrução. No entanto, o estudo ressalta que o simples banimento pode não ser suficiente para resolver o impacto profundo que esses aparelhos têm no bem-estar cognitivo e social dos jovens.
As conclusões sugerem a necessidade de programas de alfabetização digital que ajudem os alunos a gerenciar o uso da tecnologia de forma mais intencional. “Políticas que restrinjam o acesso a plataformas altamente reforçadoras, incluindo redes sociais e aplicativos de entretenimento, durante o tempo de instrução podem ajudar a proteger a atenção e o envolvimento acadêmico dos alunos”, conclui Telzer.
Proibição dos celulares em escolas do Brasil
No Brasil, o uso de celulares nas escolas foi proibido por meio de uma lei sancionada em janeiro de 2025. A proibição está em prática há um ano e é válida durante aulas, recreios e intervalos.
Diversas instituições relataram um período inicial de adaptação desafiador: alunos demonstraram crises de abstinência, com relatos de irritação, choro e até comportamentos agressivos, como chutes em cadeiras, especialmente nos primeiros dias ou semanas.
Durante a implementação, escolas adotaram medidas práticas para fiscalização, como bolsinhas para guardar aparelhos, caixas coletivas ou armários trancados, entregues aos funcionários no início do dia e devolvidos ao final. Em São Paulo e Rio de Janeiro, 62% das unidades conseguiram plena adesão após um semestre, embora 38% enfrentassem resistências iniciais.
Com o tempo, os benefícios começaram a aparecer. Professores e alunos notaram maior concentração nas aulas, melhora nas notas e redução de distrações como plágio ou chats excessivos. Estudantes como Gustavo Campos, de Campinas (SP), relataram notas mais altas e reflexão sobre hábitos ruins após seis meses da medida.
A interação social também ganhou força. Jovens passaram a fazer novas amizades cara a cara, brincar mais e estudar em grupo, trocando telas por conversas no recreio e maior participação em sala. Coordenadores destacam que o ambiente escolar ficou mais acolhedor, com alunos olhando para colegas e lousa em vez de celulares.
Apesar dos avanços, desafios persistem em algumas turmas, com um em cada seis estudantes admitindo uso escondido por motivos como contato familiar ou redes sociais, segundo pesquisas. A maioria das escolas, porém, celebra a mudança como positiva para o aprendizado e desenvolvimento emocional.
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09/03 -
Pergunta de R$ 300 mil: qual livro foi proibido na ditadura argentina? Veja se você acertaria
Uma pergunta de história geral eliminou o amazonense Luiz Cordovil do quadro "Quem quer ser um milionário?" neste domingo (8), no "Domingão com Huck". Caso tivesse acertado a questão, ganharia R$ 300 mil e poderia arriscar responder ao desafio de R$ 1 milhão.
Veja se você saberia a resposta (e, em seguida, leia a explicação):
Qual destes clássicos da literatura mundial a ditadura militar argentina proibiu?
a) "Dom Quixote"
b) "A Montanha Mágica"
c) "Guerra e Paz"
d) "O Pequeno Príncipe"
Cordovil ganhou R$ 150 mil por ter chegado até esse ponto do jogo.
O gabarito está logo após a foto abaixo. Não vale colar, hein?
Participante errou questão de história no quadro do 'Domingão com Huck'
Reprodução/TV Globo
Resposta: d) "O Pequeno Príncipe"
📖Explicação:
Durante a ditadura militar argentina, o livro "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry, chegou a ser retirado de escolas e bibliotecas em algumas regiões da Argentina por ser considerado “subversivo”. Isso ocorreu no contexto da repressão cultural da ditadura militar, entre 1976 e 1983.
📕Por que a obra foi vista como 'problemática'? Autoridades educacionais alegaram que o clássico:
incentivava o pensamento crítico e a imaginação, vistos como perigosos por regimes autoritários — frases como "O essencial é invisível aos olhos" sugeriam que a verdade não estava no que o Estado apresentava;
transmitia valores humanistas, como amizade, empatia e responsabilidade — interpretados como princípios que desviariam a juventude do rigor militar esperado;
questionava autoridade, poder e materialismo — o personagem do Rei, que exige obediência cega mas não tem súditos reais, era lido como uma sátira aos ditadores.
Durante a ditadura argentina, milhares de livros foram proibidos ou queimados, e obras de sociologia, pedagogia crítica e literatura sumiram das prateleiras das escolas.
Um exemplo famoso é o banimento do livro infantil “Un elefante ocupa mucho espacio”, de Elsa Bornemann, acusado de promover ideias “subversivas”, porque o conto principal narra uma greve de animais de circo.
Vídeos
Veja um vídeo sobre uma questão da Unicamp 2025 que também tratou
Unicamp 2025: confira a correção da questão de história sobre ditadura argentina
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08/03 -
Quase um terço dos jovens diz que mulher deve obedecer ao marido, revela pesquisa global
Um terço dos jovens diz que mulher deve obedecer ao marido, aponta pesquisa
Apesar da ideia de que as novas gerações defendem mais a igualdade de gênero, uma pesquisa global com 23 mil pessoas revelou que homens da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) são os que mais concordam com visões tradicionais sobre o comportamento de homens e mulheres na sociedade.
O levantamento realizado pela Ipsos em parceria com o Instituto Global de Liderança Feminina do King's College London aponta que 31% dos jovens homens acreditam que a esposa deve sempre obedecer ao marido, um índice mais que o dobro do registrado entre os homens da geração Baby Boomer (nascidos entre 1946 e 1964).
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, o resultado chama atenção, mas não chega a ser surpreendente. O crescimento de visões conservadoras entre parte dos jovens sobre as relações entre homens e mulheres já vem sendo observado em diferentes pesquisas e reflete um momento mais amplo de fortalecimento do conservadorismo moral na sociedade. As redes sociais também contribuem para a formação de ambientes que reforçam e reproduzem esses valores.
Geração Z e Baby Boomers: visões sobre papéis de gênero
Arte g1
Resultados do Brasil
Os novos dados mostram que o Brasil está entre os países com maiores percentuais de concordância com algumas afirmações ligadas a visões tradicionais sobre homens e mulheres.
70% dos brasileiros sentem que está sendo exigido demais dos homens para apoiar a igualdade, um índice muito superior à média global de 46%
➡️Homens que cuidam dos filhos são menos masculinos
No Brasil:
16% dos homens concordam que homens que participam do cuidado com os filhos são menos masculinos
16% dizem não concordar nem discordar
O país aparece na 8ª posição entre 29 países.
Na média global:
21% dos homens da Geração Z concordam
19% dos Millennials concordam
8% dos Baby Boomers concordam
➡️Uma mulher “de verdade” não deve iniciar o sexo
No Brasil:
17% concordam totalmente com a afirmação
20% dizem não concordar nem discordar
O país ocupa a 7ª posição entre 25 países com maior percentual de concordância.
Na média global:
21% dos homens da Geração Z concordam
16% dos Millennials
7% dos Baby Boomers
➡️A esposa deve sempre obedecer ao marido
No Brasil:
21% concordam com a afirmação
20% dizem não concordar nem discordar
O país ocupa a 9ª posição entre 29 países.
Na média global:
31% dos homens da Geração Z concordam
29% dos Millennials
13% dos Baby Boomers
“O espanto de que quase um terço dos jovens concordem com uma afirmação que representa um valor tradicional de gênero vem da crença de que existe um caminho inflexível em direção à adesão a valores mais igualitários em relação ao gênero e à expressão das liberdades individuais a cada nova geração. Mas nenhuma experiência humana é estática e caminha em uma só direção. Esta é a primeira questão importante. A segunda é entender que existe uma diversidade entre os países muito importante de ser tratada”, complementa Felicia Picanço.
1/3 dos jovens diz que mulher deve ser submissa ao marido
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Por que ideias tradicionais sobre o papel da mulher ainda persistem?
Parte dessa persistência se explica pelo peso das normas culturais e sociais transmitidas ao longo das gerações. Embora muitas pessoas entrevistadas no estudo defendam, no plano individual, uma divisão mais igualitária das responsabilidades entre homens e mulheres, as expectativas sociais ainda associam tarefas como cuidados com a casa e com os filhos às mulheres, enquanto o papel de provedor permanece mais ligado aos homens.
“Eu entendo que o fato de um terço dos homens da geração Z concordarem que a esposa deve obedecer ao marido reflete discursos que existem na sociedade há muito tempo. Embora tenha havido um movimento forte de mulheres reivindicando autonomia e independência, ainda persistem discursos machistas e conservadores. Esses valores continuam sendo transmitidos por diferentes caminhos, como a religião, a mídia e a própria criação familiar, passada de geração em geração”, explica Maíra Liguori, presidente da Think Olga, organização social focada em promover o debate público e a equidade de gênero.
A pesquisa analisou atitudes em relação à igualdade de gênero em 29 países. Apesar de serem os mais propensos a acreditar que uma mulher não deve parecer muito independente ou autossuficiente, os homens da Geração Z também foram o grupo mais propenso a afirmar que mulheres com carreira de sucesso são mais atraentes.
41% concordam com essa ideia, em comparação com 27% dos Baby Boomers, considerando homens e mulheres.
Segundo a socióloga membro titular da Academia Brasileira de Ciências, Nadya Guimarães, consistências absolutas nas maneiras de pensar dificilmente existem. Muitas vezes, o que aparece é uma espécie de dissociação cognitiva, isto é, as pessoas podem defender certos valores em um contexto e, em outro, pensar ou agir de forma diferente.
“Nem tudo é completamente consistente, e é justamente por isso que é interessante observar onde aparecem as coerências e as contradições. No espaço público, por exemplo, já está bastante consolidada a ideia de que a entrada das mulheres no mercado de trabalho foi um avanço. Isso já é praticamente consensual.”
A socióloga Felicia Picanço, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que a reação conservadora já foi mais associada a gerações mais velhas.
“Na primeira década dos anos 2000, o backlash era associado às gerações mais velhas que se sentiam ameaçadas pelas conquistas das mulheres, a presença de imigrantes e as perdas econômicas fruto das recessões das grandes economias e da perda da qualidade dos estados de bem-estar europeus. Na última década, o backlash está presente entre os mais jovens, como visto nas pesquisas recentes. Aquilo que parecia no subterrâneo ou localizado em experiências muito particulares vem se espalhando com as redes sociais e se visibilizando em pesquisas de opinião como estas”, diz.
🔎Backlash: usada para descrever uma reação contrária ou retrocesso diante de avanços sociais ou políticos.No contexto de gênero e direitos das mulheres, o termo significa uma reação negativa ou resistência contra conquistas de igualdade.
Resistência aos avanços da igualdade
A pesquisa também mostra que parte significativa da população acredita que os avanços na igualdade de gênero já foram suficientes. Cerca de metade dos entrevistados (52%) afirma que os esforços para garantir direitos iguais às mulheres já foram longe o suficiente em seus países.
Além disso, 46% dos participantes concordam que “está sendo exigido demais dos homens para apoiar a igualdade”, enquanto 44% acreditam que a promoção da igualdade feminina chegou a um ponto de discriminar os homens.
De acordo com o professor de psicanálise da Universidade de São Paulo (USP), Christian Dunker, transformações sociais profundas costumam gerar reações diferentes dentro da sociedade. Segundo ele, parte das pessoas se adapta mais rapidamente às mudanças, enquanto outras permanecem vinculadas a valores tradicionais.
“Existe uma falsa associação entre valores conservadores e práticas conservadoras. Uma pessoa pode defender valores tradicionais e, ainda assim, ter práticas progressistas ou o contrário.”
Redes sociais e discurso de ódio
Um estudo realizado em 2024 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em parceria com o Ministério das Mulheres identificou um crescimento do discurso de ódio contra mulheres na internet.
Entre 2018 e 2024, foram identificados 137 canais que propagam misoginia. Em alguns casos, os criadores vendem livros e cursos que defendem o ódio contra mulheres independentes e feministas e afirmam que é necessário humilhar ou controlar mulheres para conquistá-las.
Para especialistas, parte das respostas registradas na pesquisa pode estar relacionada à influência dessas comunidades online.
"Uma mulher que busca sua liberdade, sua autonomia e sua independência não está necessariamente desafiando o masculino, mas é assim que muitos homens acabam se sentindo atacados"
O futuro das relações de gênero
Para especialistas, embora persistam resistências, as mudanças nas relações entre homens e mulheres tendem a continuar.
Segundo Felicia Picanço, houve avanço na adesão a valores menos hierarquizados entre os gêneros, mas ainda há resistência em relação à redistribuição de responsabilidades dentro da família. “Alcançamos um nível maior de adesão a valores menos hierarquizados de gênero, ou seja, reduziu-se a crença de que a mulher é inferior aos homens. Mas ainda existe resistência a mudanças maiores nos valores que essencializam os atributos femininos, como a ideia da mulher cuidadora dos filhos e dos idosos. Os homens estão sendo convocados a uma maior participação nos cuidados, e o enfrentamento das desigualdades precisa começar dentro de casa, na distribuição das tarefas domésticas e de cuidado.”
“O meu papel como uma pessoa que trabalha nessa área, minha obrigação é sempre ter um olhar propositivo e de melhoria para o futuro. Então, para continuar fazendo o que eu faço, eu preciso acreditar que estamos caminhando numa direção melhor do que a que estamos hoje, não pior. Mas, independentemente das minhas convicções individuais, eu acredito que estamos avançando”, finaliza Maíra.
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06/03 -
Pé-de-Meia: pagamento após conclusão do ensino médio não caiu na conta de todos os alunos; entenda
Cronograma do Pé-de-Meia continuava exibindo o prazo de 5 de março no site da Caixa Econômica, na manhã desta sexta (6)
Reprodução
Estudantes beneficiários do programa Pé-de-Meia, do Ministério da Educação (MEC), afirmam que não receberam o pagamento de duas parcelas previstas, mesmo atendendo a todos os pré-requisitos:
R$ 1 mil a todos os participantes que terminaram o ensino médio em 2025 (além do desbloqueio de R$ 2 mil referentes aos outros dois anos desta etapa escolar);
R$ 200 aos concluintes que prestaram a última edição do Enem e compareceram aos dois dias de prova.
A princípio, o calendário de pagamento teria se encerrado nesta quinta-feira (5).
➡️Segundo a pasta, no entanto, as redes de ensino ainda estão no prazo para enviar informações ao MEC e confirmar quais alunos foram aprovados. Os valores podem ser depositados nas contas dos jovens até junho, afirmou o ministério em vídeo divulgado na noite de quinta-feira (5).
No site do MEC, em comunicado de 26 de fevereiro, o ministério orienta que os estudantes acompanhem regularmente sua situação na página “Consulta Pé-de-Meia”.
"Caso o pagamento não seja realizado nestas primeiras datas, não é necessário realizar nenhuma ação imediata. É importante aguardar a atualização das informações pela rede de ensino. Os repasses poderão ocorrer até o período de 29 de junho a 6 de julho de 2026", diz a nota.
“Até junho? E quem estava dependendo desse dinheiro para planos de agora, faz o quê? Chora? Tenho muitas coisas para pagar. Que desorganização absurda”, protestou um estudante no X.
Anna Fablicio, de 18 anos, relata a mesma frustração.
"Mesmo tendo finalizado a escola e atendendo a todos os requisitos do programa, não recebi o pagamento. Eu estava contando com esse dinheiro para fazer cursinho pré-vestibular e para comprar um notebook para estudar", diz ao g1. "Fiquei 3 horas tentando falar com o MEC, mas encerraram o chat de atendimento."
O g1 perguntou quais redes estaduais ainda não haviam enviado os dados necessários para a liberação do pagamento. Até a última atualização desta reportagem, o MEC não havia respondido.
Cronograma inicialmente divulgado
No programa Pé de Meia, alunos do Ensino Médio recebem R$ 200 mensais, mais R$ 1 mil a cada ano concluído e um adicional de R$ 200 se prestarem o Enem.
Divulgação/MEC
O pagamento para os concluintes do ensino médio deveria ter sido efetuado nas seguintes datas, de acordo com o mês de nascimento de cada um:
Janeiro e fevereiro: 26/02
Março e abril: 27/02
Maio e junho: 02/03
Julho e agosto: 03/03
Setembro e outubro: 04/03
Novembro e dezembro: 05/03
"Os valores não aparecem nem nos extratos futuros. Ninguém dá informação de nada. Era para eu ter recebido em 28 de fevereiro, mas o depósito continua zerado", diz Antonio Marcos, que concluiu o 3º ano em dezembro de 2025.
💰Valores prometidos pelo Pé-de-Meia
Após efetuar matrícula: R$ 200 (parcela anual)
Ao cumprir a frequência mínima nas aulas: R$ 1.800 por ano, pagos em nove parcelas
Ao concluir o ensino médio: R$ 1.000 depositados ao final de cada ano eletivo (o valor total só pode ser sacado após a formatura)
Ao fazer o Enem no último ano: R$ 200 (parcela única)
✒️Quais os pré-requisitos?
Os valores do Programa Pé-de-Meia serão depositados na conta bancária apenas dos estudantes de baixa renda do ensino médio público, desde que eles:
possuam CPF;
estejam cadastrados no CadÚnico (instrumento do governo federal para coleta de dados de pessoas em vulnerabilidade);
tenham se matriculado no início do ano letivo;
alcancem frequência escolar de pelo menos 80% das horas letivas;
participem do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
No caso dos bônus, é exigido que:
não tenham sido reprovados no fim do ano letivo;
façam o Enem no fim do 3º ano do ensino médio.
✒️Por que o programa foi criado?
Segundo o governo Lula, os objetivos do programa são:
reduzir a evasão escolar, já que especialmente os alunos de baixa renda correm um risco maior de abandonar os estudos e entrar precocemente no mercado de trabalho, para ajudar financeiramente a família;
incentivar que os jovens de escola pública façam o Enem (em 2023, por exemplo, apenas 46,7% dos concluintes de colégios públicos se inscreveram na prova);
diminuir a desigualdade no acesso à universidade e ao mercado de trabalho formal.
MEC divulga calendário de pagamentos do Pé-de-Meia 2026
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06/03 -
Como funciona uma bomba atômica? Qualquer urânio serve para fabricá-la? Veja perguntas e respostas
Como funciona uma bomba atômica?
O programa nuclear iraniano está no centro do conflito que eclodiu no último sábado (28) envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
Nesta reportagem, entenda:
O que é uma bomba atômica?
O que significa o “235” ao lado do urânio usado nas bombas?
O que é enriquecimento de urânio?
Por que usam urânio e/ou plutônio?
Por que a bomba é tão devastadora? Quais os efeitos?
É a bomba mais poderosa do mundo?
Por meio de ataques estratégicos, o governo americano, de Donald Trump, e o israelense, de Benjamin Netanyahu, tentam neutralizar as usinas de Teerã, alegando que o regime já deteria matéria-prima e tecnologia de mísseis suficientes para produzir e lançar uma bomba atômica.
A Defesa do Irã: O governo iraniano nega qualquer intenção militar, sustentando que suas pesquisas e instalações servem apenas para fins pacíficos, como a produção de energia e avanços na medicina.
O Risco Global: Analistas alertam que essa tensão pode gerar uma "corrida por armas" na região. Até agora, nenhum artefato nuclear foi de fato utilizado nos combates.
🔴O que é uma bomba atômica?
Destruição da cidade de Hiroshima, no Japão, pela bomba atômica durante a 2ª Guerra
Arquivo Nacional dos EUA
A bomba atômica "convencional" (como as lançadas em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, na II Guerra Mundial) funciona a partir de um processo chamado fissão nuclear.
Toda matéria é feita de átomos, que possuem um núcleo composto por prótons e nêutrons.
Normalmente, os núcleos são estáveis. Mas alguns elementos específicos muito pesados, como o urânio, apresentam um equilíbrio mais frágil.
Se o núcleo do urânio-235, por exemplo, recebe um nêutron a mais, já fica desbalanceado e se quebra de repente, em duas ou mais partes menores.
"O princípio é quebrar núcleos atômicos e usar a energia resultante dessa quebra para a explosão", explica Leandro Tessler, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Fissão nuclear causada por uma bomba atômica.
Arte: Alberto Correa/g1
Quando um nêutron atinge o núcleo de um átomo instável, como o do urânio-235, ele se divide em dois elementos mais leves (como bário e criptônio) e libera três novos nêutrons, além de uma quantidade colossal de energia.
Esses três nêutrons atingem outros núcleos de átomos de urânio “vizinhos”. Cada um vai sofrer o mesmo processo (dividir-se em elementos mais leves, produzir energia e liberar 3 nêutrons).
É como uma fileira de dominós sendo derrubada: gera uma reação em cadeia descontrolada.
“A bomba atômica está baseada em juntar tanto urânio-235 que essas reações ficam incontroláveis e geram muita energia”, afirma Tessler.
Atenção: Na natureza, o U-235 sofre decaimento ao longo do tempo. Mas isso ocorre de forma lenta e não gera uma reação em cadeia.
🔴O que significa o “235” ao lado do urânio usado nas bombas?
235 é o número da massa do urânio. Vamos revisar alguns conceitos de química aprendidos na escola:
Massa = nº de prótons + nº de nêutrons
Todo átomo de urânio vai ter 92 prótons.
Mas há variação no número de nêutrons.
O urânio-235, por exemplo, que é o usado para fabricar bombas, tem 92 prótons e 143 nêutrons (92 + 143 = 235).
Só que ele compõe uma fração muito pequena do urânio natural (só 0,72%).
A maior parte do urânio natural encontrado em rochas é formada por urânio-238 (92 prótons + 146 nêutrons = 238).
Por que é importante saber essa diferença? É que, para alimentar reatores nucleares ou fabricar bombas atômicas, o desafio dos cientistas é separar o urânio-235 do resto. Esse é um processo caro e demorado.
🔴O que é enriquecimento de urânio?
Enriquecer urânio é aumentar a proporção do urânio-235 em relação ao urânio-238.
Para isso, é necessário separar o 235 do restante.
O processo costuma ocorrer de forma mais eficiente nas chamadas ultracentrífugas.
Como isso acontece?
O urânio natural é transformado em gás e entra em um tubo, que gira a altíssima velocidade.
Por causa da força centrífuga, esse gás roda – o urânio-238, que é mais pesado, vai para as bordas, e o 235, que é o usado na bomba, fica no miolo e pode ser separado.
O que representava só 0,72% do total vai a uma concentração muito mais alta. Se for de mais de 85% ou de 90%, já estará no nível suficiente para produzir uma bomba nuclear.
André Scarpinati Luchetti, do Instituto de Química da Unesp Araraquara, faz uma comparação com as centrífugas de laboratórios médicos, que giram tubos de ensaio com amostras de sangue.
"Essas máquinas separam o nosso sangue: os glóbulos vermelhos, que são mais densos, vão para o fundo, enquanto o plasma, menos denso, fica por cima. O enriquecimento em ultracentrífugas segue esse princípio, mas em uma versão muito mais potente.”
Importante: O “esforço” necessário para enriquecer o urânio-235 de 0,72% para 20% é muito maior do que o exigido para elevar de 20% para 90%. Por isso, há o temor de que países com estoque dessa substância atinjam muito rapidamente o potencial necessário para criar a bomba. Veja o infográfico abaixo.
Infográfico - enriquecimento de urânio
Arte/g1
🔴Por que usam urânio e/ou plutônio?
Ambos são materiais físseis. Outros núcleos até podem sofrer fissão, mas não têm a disponibilidade, a estabilidade e/ou as propriedades nucleares adequadas.
Um material físsil é aquele que:
é “quebrado” ao absorver um nêutron;
libera energia e mais nêutrons;
consegue sustentar a reação em cadeia.
Os dois principais materiais físseis viáveis para armas são:
Urânio-235 - Existe na natureza (representa 0,72% da composição do urânio natural), mas precisa ser enriquecido.
Plutônio-239 - É produzido artificialmente dentro de reatores nucleares.
Apesar de o plutônio ser mais eficiente na fissão nuclear e exigir uma quantidade menor de material para fabricar uma bomba, ele oferece mais riscos de acidentes.
Como apresenta uma maior taxa de fissão espontânea, exige um sistema de implosão muito mais sofisticado, com sincronização extremamente precisa, para que a reação ocorra no momento planejado, e não “sem querer”.
Exemplos: A bomba de Hiroshima era de urânio-235, e a de Nagasaki, de plutônio-239.
🔴Por que a bomba atômica é tão devastadora? Quais os efeitos?
Imagem rara do cogumelo atômico de Hiroshima foi encontrado em arquivo de escola da cidade
AFP/Escola Honkawa
Para se ter uma ideia do poder de uma bomba, veja a comparação a seguir:
1 kg de TNT libera aproximadamente 4 × 10⁶ joules
1 kg de urânio totalmente convertido em energia liberaria cerca de 9 × 10¹⁶ joules (a eficiência real costuma ser menor)
Conclusão: o urânio gera 20 bilhões de vezes mais energia que uma dinamite por quilo.
A bomba lançada sobre Hiroshima, por exemplo, teve potência equivalente a cerca de 15 mil toneladas de TNT.
Os estragos são gigantescos, porque:
a energia é liberada em frações de segundo;
o calor aquece o ar instantaneamente;
o ar superaquecido expande-se de forma violenta.
Resultados:
➡️Forma-se uma onda de choque devastadora, capaz de destruir prédios e pontes, “empurrando” tudo o que existe pela frente.
➡️A radiação térmica (o tipo de calor que sentimos ao aproximar a mão de uma churrasqueira ligada, por exemplo, mas em proporções bem maiores) mata quem estiver por perto e causa queimaduras (internas, de órgãos que ficam superaquecidos e param de funcionar, e externas) em quem estiver distante.
➡️A radiação ionizante pode alterar o DNA dos seres vivos e gerar câncer (os efeitos permanecem também a longo prazo na região).
“O que acontece é uma grande onda de choque quente que incendeia e esparrama tudo. Pedaços dos tecidos biológicos (queimados) puderam ser encontrados nas regiões mais próximas dos epicentros de Hiroshima e Nagasaki”, conta Luchetti.
🔴É a bomba mais poderosa do mundo?
Não. A chamada bomba de hidrogênio (ou bomba termonuclear) é mais potente.
Enquanto a bomba atômica tradicional funciona por fissão (quebra de núcleos pesados), a bomba termonuclear combina fissão e fusão (união de núcleos leves para formar um núcleo mais pesado).
“Normalmente, envolve isótopos [átomos com o mesmo número de prótons e diferente número de nêutrons] do hidrogênio que se fundem para formar hélio. É um processo semelhante ao que ocorre no interior do Sol”, explica André Luchetti.
Como a fusão libera ainda mais energia do que a fissão, essas bombas de hidrogênio são significativamente mais destrutivas.
🔴Do que um país precisa para fabricar uma bomba atômica?
Não basta dispor de urânio-235 ou de plutônio-239. Um país necessita de:
instalações de enriquecimento de urânio (como as ultracentrífugas explicadas mais acima) ou reatores capazes de produzir plutônio;
sistemas de blindagem e de manipulação de material radioativo;
especialistas em física nuclear, modelagem computacional e engenharia de materiais, por exemplo;
armas nucleares fabricadas com precisão, com sistemas de sincronização e de detonação;
“sistema de entrega” com mísseis balísticos, aviões ou submarinos nucleares.
É importante lembrar que é uma decisão política de altíssimo risco, que representa o rompimento de tratados internacionais. Ou seja: além da tragédia humanitária de enorme proporção, ainda leva a sanções econômicas e a isolamento diplomático.
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05/03 -
Desafio LED 2026 tem inscrições prorrogadas até 8 de março; iniciativa vai distribuir R$ 300 mil
Desafio LED
Divulgação
Estudantes brasileiros maiores de 18 anos agora terão até 8 de março de 2026 para se inscrever no Desafio LED: Me dá uma luz aí!. Neste ano, o tema é evasão escolar. A edição vai premiar cinco propostas inovadoras, que dividirão R$ 300 mil.
Promovido pela Globo e pela Fundação Roberto Marinho, em parceria com o g1, o edital convida jovens de todo o país a desenvolver soluções para o país enfrentar um dos principais desafios da educação brasileira: manter crianças e adolescentes na escola.
🎓 Quem pode participar
Estudantes com 18 anos ou mais
Com matrícula ativa no primeiro semestre de 2026
💻Como se inscrever?
A inscrição é gratuita e deve ser feita pelo site www.movimentoled.com.br.
👩🎓 O que o edital busca?
A chamada prioriza propostas conectadas a diferentes contextos sociais, que reconheçam a educação como instrumento de transformação.
Entre as frentes possíveis estão:
uso criativo de tecnologia;
metodologias inovadoras de ensino;
estratégias de engajamento familiar;
ações comunitárias;
iniciativas de acolhimento e fortalecimento do pertencimento.
Os cinco projetos selecionados passarão por uma jornada de desenvolvimento com mentorias especializadas, com foco na estruturação das ideias até a criação de um protótipo viável.
As propostas vencedoras serão apresentadas no palco do Festival LED, no Rio de Janeiro.
Para se inspirar: conheça os projetos vencedores de 2025
🔹 Ana Paula de Souza Silva (RJ) – Plataforma Te Guio (1º lugar)
Espaço digital que reúne informações acessíveis, suporte emocional e orientação para famílias e educadores, promovendo inclusão de crianças do espectro autista.
🔹 Milena Aparecida Nicolay Nogueira (RJ) – Útero Pop (2º lugar)
Projeto de educação menstrual voltado a meninas e pessoas a partir dos 8 anos, com foco em autoconhecimento, respeito e autoestima.
🔹 Ethan Freitas da Silva Gonçalves de Alcântara (RJ) – Jogo Lendas Matemáticas (3º lugar)
Jogo físico com tabuleiro e cartas que torna o aprendizado da matemática mais acessível e lúdico.
🔹 Pedro Henrique Pereira Novaes (BA) – Plataforma QG Uni (4º lugar)
Ferramenta digital que conecta estudantes a opções de moradia acessível e segura, ampliando o acesso ao ensino superior.
🔹 Albert de Souza Nunes (AM) – Acessibilidade sobre as águas (5º lugar)
Iniciativa que leva recursos pedagógicos adaptados e formação docente a comunidades ribeirinhas do Amazonas, promovendo inclusão de crianças cegas ou com baixa visão.
Veja a apresentação final de 2025:
Festival LED 2025 | Desafio LED - Me dá uma luz aí, a apresentação final
Desafio LED
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05/03 -
Salário inicial de professor da rede estadual do MS chega R$ 13 mil; veja valores por estado
Professor em sala de aula
Pexels/Imagem ilustrativa
Um levantamento do Movimento Profissão Docente revelou que a remuneração inicial média dos docentes das redes estaduais que trabalhavam 40 horas semanais foi de R$ 6.212,36 em 2025, desconsiderando possíveis gratificações ou vantagens pecuniárias. O valor correspondia a 4,09 salários mínimos e a 128% do piso nacional.
Os valores variam em cada estado. No Mato Grosso do Sul, um professor com licenciatura em início de carreira com jornada de trabalho de 40 horas semanais recebia um salário de R$ 13.007,12. Essa era a maior remuneração inicial no país no ano passado.
Em contrapartida, o salário inicial para professor com a mesma jornada de trabalho na rede estadual do Rio de Janeiro era de R$ 4.867,77 (piso do magistério em 2025). É o que mostra o Planos de Carreira e Remuneração do Magistério das Redes Públicas Estaduais 2025, divulgado na terça-feira (3).
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Cada unidade federativa tem políticas de salário-base, gratificações e adicionais que variam, inclusive de acordo com a modalidade de remuneração (entenda mais abaixo), e impactam o valor bruto pago aos docentes
Em alguns estados, o salário inicial pode ser maior quando considera-se essas gratificações. Em Goiás, o valor pode chegar a R$ 7.160,49, um aumento de R$ 2 mil em gratificações ou vantagens.
Salário de docentes em início de carreira.
Arte: Gui Sousa/Dhara Pereira/g1
Os números foram extraídos com base em uma pesquisa legislativa detalhada, cujos dados foram validados por 20 secretarias estaduais de educação. O resultado foi um documento que identificou avanços, desafios e oportunidades para o fortalecimento das carreiras docentes no Brasil.
Como cada rede possui suas próprias regras de jornada de trabalho, que podem variar de um estado para outro, as jornadas com menos de 40 horas foram ajustadas para permitir a comparação. Além disso, o levantamento levou em consideração abonos para atingimento do piso nacional do magistério ou mesmo do piso de remuneração definido no âmbito do próprio estado.
Remuneração de final de carreira
A pesquisa também indicou qual era a remuneração máxima para professores das redes estaduais, valores pagos a docentes em final de carreira.
A remuneração final média sem gratificações de um professor da rede pública estadual de ensino no Brasil foi de R$ 9.338,16. Entre os estados, os valores variam de R$ 5.090,10 (PI) a R$ 26.586,54 (MS).
Caso haja gratificações ou vantagens, os salários podem sofrer variações.
Salário de docentes em final de carreira.
Arte: Gui Sousa/Dhara Pereira/g1
Importante: Alguns estados oferecem ainda adicionais por tempo de serviço ao longo da carreira. Esses valores não foram considerados na composição da remuneração final dos profissionais.
Modelos de remuneração das redes
As redes públicas estaduais de educação têm um de dois regimes de remuneração: vencimento ou subsídio.
Vencimento: é o valor básico do salário do professor, definido em lei para a jornada de trabalho. Sobre esse valor podem ser acrescentadas outras parcelas, como adicionais por tempo de serviço, gratificações por titulação (especialização, mestrado, doutorado), bônus ou vantagens específicas da carreira. Ou seja, o contracheque é composto pelo vencimento mais esses acréscimos.
Subsídio: é um valor único, pago em parcela única, que já engloba possíveis adicionais e gratificações. Nesse modelo, não há acréscimos separados no contracheque — o professor recebe um montante fechado, definido conforme o nível e a classe na carreira
Atualmente, apenas seis estados utilizam o subsídio como regime de remuneração em suas redes: Alagoas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e São Paulo.
O estudo do Movimento Profissão Docente defende que este modelo garante maior transparência, já que simplifica o sistema de remuneração e elimina distorções entre os profissionais, por exemplo. Além disso, a entidade defende que o subsídio é mais atrativo aos profissionais que estão ingressando na docência, que têm mais clareza sobre o salário que vai receber pela função.
Salário dos professores será de R$ 5.130,63 em 2026; entenda o reajuste do piso
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03/03 -
Inep lança site para gerar certificado do ensino médio via Enem; parte dos candidatos é classificada como 'não apta' mesmo atingindo notas mínimas
Aplicativo não oferece a opção de emitir declaração do ensino médio
Arquivo pessoal
O Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep) lançou, nesta segunda-feira (2), uma plataforma de emissão de "diplomas escolares" para candidatos que:
já têm mais de 18 anos;
fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 e atingiram as notas mínimas estipuladas (450 pontos em cada prova e mais de 500 na redação).
Como as matrículas nas universidades começaram em fevereiro, sem que esse site tivesse sido lançado, alunos protestaram nas redes e explicaram que, sem o certificado, poderiam perder a vaga no ensino superior. O Inep, então, lançou uma solução improvisada para gerar atestados "provisórios".
Foi aí que parte dos candidatos descobriu que não teria direito ao documento: aqueles que se inscreveram no Enem 2025 como "concluintes do ensino médio" não conseguiram emitir o "diploma", mesmo tendo mais de 18 anos e tirando as notas mínimas na prova. E continuam com a mesma questão na nova plataforma.
Como usar o site de emissão de certificados?
É preciso acessar o site https://certificacaodigital.inep.gov.br e seguir as orientações a seguir:
entrar com Gov.br;
confirmar os dados pessoais;
clicar em "certificado" e, em seguida, em "solicitar certificado". A solicitação será registrada pela instituição certificadora, e o documento será fornecido em alguns minutos.
Enem 2025: 1º dia de prova foi no domingo (9).
Angelo Miguel/MEC
Enem como diploma escolar: alunos não conseguem documento e temem perder vaga na faculdade
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26/02 -
Prêmio Jovem Cientista: iniciativas para enfrentar a crise climática são homenageadas em cerimônia em Brasília
Cerimônia de entrega do Prêmio Jovem Cientista nesta quinta-feira (26), em Brasília
Ana Lídia Araújo/g1
A cerimônia de premiação da 31ª edição do Prêmio Jovem Cientista reuniu, nesta quinta-feira (26), estudantes, pesquisadores e autoridades no SESI-Lab, em Brasília.
O evento marcou a entrega oficial dos prêmios aos vencedores e, mais uma vez, destacou a importância da educação científica como resposta concreta às mudanças climáticas.
O prêmio é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Roberto Marinho, com patrocínio master da Shell e apoio da Editora Globo e Canal Futura. Em 2025, recebeu 919 inscrições em 2025.
O secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, João Alegria, destacou a conexão entre ciência e identidade cultural. Segundo ele, os projetos premiados “articulam ciência com cultura, território, ancestralidade”.
“Existe um jeito brasileiro de fazer ciência. Quando a gente associa método científico ao conhecimento tradicional, aos saberes das comunidades, a gente dá passos à frente e conquista inovações”, afirmou.
Em 2025, o Prêmio Jovem Cientista desafiou jovens pesquisadores a propor respostas às mudanças climáticas – indicando soluções de produtos sustentáveis, resilientes e eficazes para o combate a desastres
Prêmio Jovem Cientista reconhece iniciativas de combate à mudança do clima
Quase mil inscritos, 12 premiados
Dos 919 inscritos, 10 pesquisadores e duas instituições foram reconhecidos por seus trabalhos. Desses, um é da região Norte e 4 da região Nordeste – confira na lista abaixo.
Os vencedores receberam bolsas de estudo, notebooks e uma premiação em dinheiro que vai de R$ 12 mil a R$ 40 mil.
Para o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Olival Freire Junior, um dos pontos mais simbólicos desta edição foi a forte presença de estudantes do Norte e do Nordeste entre os vencedores.
“Quando você pega o telefone para dizer para alguém do Amapá que essa pessoa foi premiada em primeiro lugar numa categoria de prêmio altamente competitivo de jovens talentos do Brasil inteiro, isso mostra que essa vocação para a ciência está hoje disseminada em todo o território nacional. Isso é um trunfo para o futuro do país”, afirmou.
O presidente também adiantou o tema da próxima edição: ‘Inteligência Artificial para o Bem Comum’.
O vice-presidente de Relações Corporativas da Shell Brasil, Flávio Rodrigues, que patrocina o prêmio, destacou o papel do incentivo à inovação entre jovens.
“O tema desse ano, mudanças climáticas, é um tema complexo. Trazer os jovens e fazer com que eles possam refletir sobre isso e serem reconhecidos pode gerar um estímulo muito positivo e de curiosidade, que pode certamente fazer uma mudança muito grande na vida deles.”
CNPq anuncia os vencedores do 31º Prêmio Jovem Cientista
Lista completa de ganhadores
Categoria Estudante do Ensino Médio
🥇 Raul Victor Magalhães Souza, de 16 anos: chegou a 94,5% de precisão em previsões climáticas no Ceará com os saberes dos "profetas das chuvas" combinado à IA.
Morador do Ceará, ele fez o mapeamento na região do Vale do Jaguaribe. Para ele, a tecnologia deve caminhar junto com a tradição.
“Eu acredito que a tecnologia não deve ser somente utilizada como eu fiz no meu projeto. Eu propus basicamente a integração da tecnologia juntamente com a cultura e a tradição que é tão importante para o nosso país” disse ao g1.
O objetivo agora é ampliar a ferramenta para mais regiões e outros tipos climáticos.
Com o mesmo projeto, Raul foi selecionado para participar neste ano da Regeneron International Science and Engineering Fair, nos Estados Unidos – conhecida como uma das maiores feiras de ciências do mundo. O jovem contará com patrocínio da Fundação Roberto Marinho para participar do evento.
🥈Beatriz Vitória da Silva, de 18 anos, de Pernambuco: produziu um filtro à base de cascas de fruta-do-conde que reduz consumo de água e poluentes na produção de casas de farinha.
🥉Gabriel da Silva Santos, de 19 anos, de Pernambuco: criou sistema que monitora o crescimento de plantas de girassol ornamental no agreste de Pernambuco.
Categoria Estudante do Ensino Superior
🥇 Manuelle da Costa Pereira, de 23 anos, do Amapá: a estudante de engenharia florestal criou um kit de energia solar portátil para castanheiros na Floresta Amazônica. Ela foi a primeira do estado a conquistar o prêmio.
Segundo ela, o kit permite gerar energia solar para iluminar acampamentos e carregar baterias, reduzindo o uso de combustível poluente. A ideia surgiu da própria experiência no campo.
“Eu vim de uma comunidade que é profundamente conectada com a floresta e com o trabalho do extrativismo. Nessas vivências, a gente começou a entender o trabalho deles, que é brilhante, identificar quais são os gargalos e, a partir disso, pensar em alternativas que pudessem minimizar os problemas enfrentados durante esse trabalho, que é tão cansativo”, explicou.
🥈Isac Diógenes Bezerra, de 22 anos, do Ceará: o estudante de tecnologia em redes de computadores criou um sistema de monitoramento em tempo real do consumo de água com a Internet das Coisas.
🥉Anna Giullia Toledo Hosken, de 21 anos, do Rio de Janeiro: a estudante de medicina integrou dados clínicos e mapas de riscos aumentando a eficácia de ações preventivas a catástrofes climáticas em Petrópolis.
Pesquisadores que venceram o Prêmio Jovem Cientista 2025 recebem premiação em Brasília
TV Globo/Reprodução
Categoria Mestre e Doutor
🥇 Elizângela Aparecida dos Santos, de 32 anos, de Minas Gerais: a doutora em economia aplicada criou o índice de identificação de municípios brasileiros mais resilientes às mudanças climáticas.
“Quando a gente fala em vulnerabilidade, a gente correlaciona todos os aspectos sociais, econômicos, estruturais, ambientais e climáticos de cada município do Brasil”, explicou.
Segundo ela, a pesquisa pode ajudar o poder público a direcionar melhor os recursos e o identificar municípios que precisam de mais de políticas públicas.
Entre os principais achados, ela identificou características recorrentes nos municípios considerados mais resilientes.
“Existiam municípios que se classificaram como mais resilientes porque tinham características estruturais, econômicas e sociais importantes. Em muitos casos, eram municípios com prefeituras lideradas por mulheres, com maior assistência técnica rural, estabelecimentos associados a sindicatos ou associações e maior acesso a saneamento básico, como eletricidade e água potável”, disse.
🥈Luíz Fernando Esser, de 33 anos, do Paraná: o biólogo e pós-doutorando em mudanças climáticas desenvolveu um algoritmo para tornar mais acessível a utilização de métodos de alta precisão em projeções climáticas.
🥉Tauany Aparecida da Silva Santa Rosa Rodrigues, de 31 anos, do Rio de Janeiro: a bióloga criou um sistema automatizado que mensura o impacto das alterações térmicas – consequências das mudanças climáticas – em ecossistemas aquáticos continentais.
Ao todo, foram 352 trabalhos inscritos na categoria de Mestre e Doutor, 211 na categoria de Estudante do Ensino Superior e 356 na categoria do ensino médio.
Outras premiações
Prêmio Jovem Cientista 2025
Reprodução
🏅A professora Ana Paula Melo do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi premiada na categoria Mérito Científico pela sua trajetória acadêmica.
🏅 Na categoria de Mérito Institucional Ensino Superior, a vencedora foi a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Já na categoria Mérito Institucional Ensino Médio, o primeiro lugar ficou com a Escola Técnica Estadual Professor Paulo Freire, de Pernambuco.
Vista aérea da floresta amazôonica. a maior floresta tropical do mundo
Agência Brasil
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26/02 -
Pé-de-Meia começa a pagar hoje R$ 1.000 a alunos aprovados no 1º, 2º e 3º ano do ensino médio em 2025
No programa Pé de Meia, alunos do Ensino Médio recebem R$ 200 mensais, mais R$ 1 mil a cada ano concluído e um adicional de R$ 200 se prestarem o Enem.
Divulgação/MEC
O governo federal começa a pagar nesta quinta-feira (26) o incentivo de R$ 1.000 do programa Pé-de-Meia a estudantes aprovados no 1º, 2º e 3º ano do ensino médio em 2025. Os depósitos serão feitos até 5 de março, conforme o calendário oficial.
📚O programa oferece incentivo financeiro a estudantes do ensino médio. Entre seus objetivos estão o combate à evasão escolar e a redução da desigualdade no acesso à universidade e ao mercado de trabalho.
Uma parcela adicional de R$ 200 será depositada para quem participou dos dois dias do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025, desde que tenha cursado o terceiro e último ano em 2025.
O incentivo por frequência, no valor total de R$ 1.800, será dividido em até nove parcelas. Confira os prazos na tabela a seguir:
Calendário de pagamento
Incentivo para o EJA
Os alunos inscritos na Educação para Jovens Adultos (EJA) também têm direito ao incentivo. Segundo o ministério, o valor é de R$ 900 pago em quatro parcelas:
Calendário de pagamento
Saiba como ter acesso ao programa Pé de Meia
O que é o pé-de-meia?
O Pé-de-Meia é um programa do Governo Federal criado em 2024 para combater a evasão escolar no ensino médio, estimulando a permanência e conclusão na etapa escolar por meio de um auxílio financeiro.
São elegíveis estudantes de baixa renda da rede pública, de 14 a 24 anos, de famílias inscritas no CadÚnico. Além disso, os alunos devem:
possuir CPF;
estar cadastrados no CadÚnico (instrumento do governo federal para coleta de dados de pessoas em vulnerabilidade);
ter se matriculado no início do ano letivo;
alcançar frequência escolar de pelo menos 80% das horas letivas;
participar do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Os alunos elegíveis recebem:
R$ 200 reais pagos pela matrícula no início do ano letivo.
R$ 1.800 pagos em 9 parcelas ao longo do ano.
R$ 1.000 de bônus pela aprovação no final do ano letivo.
R$ 200 pela realização do Enem no último ano do ensino médio.
Para terem direito ao bônus, é exigido que:
não tenham sido reprovados no fim do ano letivo;
façam o Enem no fim do 3º ano do ensino médio.
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26/02 -
Ensino técnico e educação integral crescem em 2025, mesmo em cenário desfavorável, mostra Censo
Confira os principais destaques do Censo Escolar 2025
Os dados do Censo Escolar 2025, divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que, apesar de o número total de alunos matriculados na educação básica ter caído vertiginosamente (1 milhão a menos em apenas um ano), dois pilares continuaram avançando:
educação integral, quando os estudantes passam, no mínimo, 35 horas por semana no colégio;
ensino técnico, principalmente integrado ao novo ensino médio, favorecendo a capacitação profissional dos jovens.
Veja os números abaixo:
Educação integral
A jornada estendida de estudantes nas escolas é vista por especialistas como uma alternativa para:
diminuir a evasão, estreitando os laços do aluno com a comunidade escolar;
melhorar a formação pedagógica, cultural, esportiva e cidadã das crianças e dos adolescentes;
possibilitar tempo maior para reforço de habilidades de leitura e de matemática;
reduzir risco de exposição à violência, especialmente entre os mais vulneráveis.
➡️De 2024 a 2025, em todas as etapas, houve um aumento (mesmo que discreto) na porcentagem de alunos matriculados em tempo integral, principalmente na rede pública.
Veja o gráfico abaixo:
Avanço do tempo integral na educação básica
Arte/g1
Mas, atenção: em 2025, os repasses diretos da União ao programa de tempo integral caíram de forma muito acentuada em comparação com anos anteriores — de cerca de R$ 2,1 bilhões em 2023 e R$ 2,5 bilhões em 2024 para apenas R$ 75,8 milhões em 2025.
Isso ocorreu principalmente por uma mudança na legislação, pela aprovação da Emenda Constitucional nº 135/2024 (parte do pacote de ajuste fiscal).
Os recursos para fomentar o programa passaram a ficar vinculados ao Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), transferindo a responsabilidade para estados e municípios. A partir de 2026, prefeitos e governadores passaram a ter de aplicar ao menos 4% da verba do fundo em iniciativas relacionadas ao fomento das matrículas em tempo integral.
“É uma responsabilidade que entra dentro de um dinheiro que eles já recebiam antes. Precisamos acompanhar essa repercussão e ver se os avanços vão se sustentar. Tivemos uma evolução recente importante”, afirma Gabriel Corrêa, diretor de políticas públicas da ONG Todos Pela Educação.
Governo de SP amplia em 80,7% as matrículas no ensino técnico para 2026
Paulo Guereta/Governo de SP
Ensino técnico
No Novo Ensino Médio, parte da carga horária dos estudantes é dedicada a “itinerários formativos”: são “trilhas” de aprofundamento em áreas escolhidas pelos próprios jovens.
É possível, por exemplo, que uma escola ofereça a opção de um itinerário que mescle Matemática e Ciências da Natureza ou Linguagens e Ciências Humanas.
Uma das alternativas é justamente a Educação Profissional e Tecnológica (EPT), na qual entra o ensino técnico. A intenção é que os jovens aliem o currículo básico do ensino médio a formações profissionalizantes, que os preparem melhor para o mercado de trabalho.
No levantamento a partir de dados do Censo, o g1 considerou três categorias:
educação técnica associada ao ensino médio (caso dos alunos que optaram por esse itinerário formativo);
magistério/normal (voltado à formação, de nível médio, de professores)
e ensino técnico integrado à Educação de Jovens e Adultos (EJA - ensino médio).
De 2024 a 2025, houve um incremento de cerca de 208 mil novas matrículas: de 1.082.146 para 1.290.081.
A maior parte dos alunos está em escolas estaduais (75% do total). Em seguida, aparecem os institutos federais (19%), a rede privada (4%) e as escolas municipais (0,8%).
Ensino técnico avançou em 2025
Arte/g1
Abaixo, veja outros dados do Censo:
➡️Número de professores temporários continua alto
O Censo Escolar mostrou que o número de professores temporários está acima do aceitável. Mais de 813 mil profissionais tinham este tipo de vínculo em 2025, o que representava cerca de 42,6% de todos os docentes em atuação na educação básica.
Em geral, contratos temporários envolvem condições de trabalho mais precarizadas, como a ausência de aumentos ou de bônus (como quinquênios) por tempo de carreira.
Na rede estadual, o problema é ainda maior: os temporários são maioria (48,6%) e ultrapassam os efetivos (48,5%). Há, ainda, os terceirizados (0,63%) e os "CLT" (2,18%).
➡️Índice de professores com licenciatura cai
Outro cenário revelado pelo Censo foi o de queda no índice de professores de educação básica com licenciatura. Mesmo que 96,1% dos professores tivessem formação docente em 2025, a taxa era maior em 2024 (96,85%).
Além disso, apenas 4,04% dos professores de educação básica em atuação no ano passado tinham mestrado. Aqueles com doutorado eram 1,13%. Em 2024, eram 3,9% com mestrado e 1,11% com doutorado.
➡️Sobe número de alunos pretos e pardos na educação básica
Os dados raciais mostram que:
Em 2024, 41,37% dos alunos de anos iniciais no ensino fundamental declararam-se pardos. Em 2025, essa fatia passou a 45,15%. Em números absolutos, o aumento foi de mais de 545 mil estudantes.
Nos anos finais, 43% eram pardos em 2024, contra 46,15% em 2025 (aumento de 255.997 declarações).
Quanto aos alunos pretos, também houve crescimento no ensino fundamental entre 2024 e 2025. Percentualmente, eles passaram de 3,93% para 4,65% (anos iniciais) e de 4% para 4,74% (anos finais).
Em contrapartida, o número de estudantes considerados amarelos foi menor em 2025 em toda a educação básica. Dos quase 42,5 milhões de alunos considerados neste recorte, apenas 153.569 eram amarelos.
Na creche e no ensino médio, houve um aumento no número de matrículas de indígenas. No entanto, esses alunos não representaram nem 1% do corpo discente em nenhuma das etapas da educação básica.
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26/02 -
Em um ano, Brasil tem queda de 1 milhão de matrículas nas escolas, diz Censo; ensino médio registra menor número de alunos do século
Confira os principais destaques do Censo Escolar 2025
Entre 2024 e 2025, o número de matrículas na educação básica brasileira apresentou uma queda de mais de 1 milhão: despencou de 47,08 milhões para 46,01 milhões. É o que mostram os dados do Censo Escolar 2025, divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, e com os técnicos do MEC, há dois fatores que explicam a diminuição:
Queda na população em idade escolar nos últimos quatro anos
Diminuição da repetência com mais alunos sendo sucessivamente aprovados
No geral, os dados apontam que o atendimento aos alunos está aumentando (menos alunos em idade escolar fora da escola), apesar da queda absoluta no número de matriculados. "Essa (queda nas matrículas) é um dado bom", afirmou Camilo.
O presidente do Inep, Manuel Palacios, diz que o Brasil está muito próximo de universalizar a educação básica. "Isso é uma vitória histórica do país. É a primeira geração que pode dizer, com segurança, que estamos todos na escola", disse Palacios.
Ensino técnico e educação integral crescem em 2025, mesmo em cenário desfavorável, mostra Censo
Pé-de-Meia começa a pagar hoje R$ 1.000 a alunos aprovados no 1º, 2º e 3º ano do ensino médio em 2025
Queda de matrículas
➡️Em termos absolutos, foi uma redução ainda maior do que a observada entre 2020 e 2021, durante a pandemia de Covid-19. O fechamento prolongado de escolas e as crises sanitária e econômica levaram a uma queda de 600 mil: de 47,2 milhões para 46,6 milhões.
O total refere-se ao número de alunos em todas as etapas escolares: creche, pré-escola, ensino fundamental, ensino médio, curso técnico, curso de qualificação profissional e Educação para Jovens e Adultos - EJA.
Os principais elementos que culminaram nesse “encolhimento” em 2025 foram:
redução drástica nas matrículas do ensino médio, com o menor número de alunos de toda a série histórica do Censo no século XXI (São Paulo, por exemplo, “perdeu” mais de 250 mil estudantes em um ano, segundo o Inep);
retração da educação infantil, tanto na creche quanto na pré-escola, mostrando estagnação no atendimento às crianças;
enfraquecimento da Educação para Jovens e Adultos (EJA);
diminuição do ensino técnico subsequente (modalidade cursada após a conclusão do ensino médio, mas que, ainda assim, é contabilizada como parte da educação básica).
De acordo com Fábio Pereira Bravin, pesquisador da equipe de Diretoria de Estatísticas Educacionais do Inep, a diminuição no número de matrículas é justificada por uma redução na população-alvo da educação básica, em especial a população de 0 a 4 anos e de 15 a 17 anos.
Veja, logo após o gráfico, os detalhes de cada item e entenda o “raio-X” da educação de 2025.
Gráfico mostra queda no número de matrículas na educação básica
Arte/g1
🚨Ensino médio: menor número de alunos
Sala de aula vazia em escola pública
Divulgação
Apesar das iniciativas do Ministério da Educação (MEC) para combater a evasão escolar no ensino médio, como o Pé-de-Meia (auxílio financeiro pago aos jovens que frequentam o colégio) e o Novo Ensino Médio (mudanças curriculares para aproximar os adolescentes da escola), o número de matrículas diminuiu em 2025 e atingiu o menor patamar do século XXI.
As variações entre 2024 e 2025 foram as seguintes, segundo o Censo Escolar:
Rede Pública: Queda de aproximadamente 6,30%. O número de alunos passou de 6.759.848 para 6.334.224.
Rede Privada: Aumento de cerca de 0,59%. As matrículas subiram de 1.030.548 para 1.036.655.
Total: Considerando ambas as redes, a redução foi de aproximadamente 5,39%, caindo de 7.790.396 para 7.370.879 matrículas.
📢Tanto em números absolutos quanto em percentuais, São Paulo teve a queda mais significativa no número de matrículas do ensino médio: em apenas um ano, o estado perdeu 251.987 alunos (13,6%).
Ensino médio teve queda no número de matrículas
Arte/g1
Considerando os 26 estados e o Distrito Federal, essa etapa escolar apresentou diminuição no número de matrículas em todos os entes federados, com exceção do Amapá (+ 0,84% alunos de 2024 a 2025), do DF (+0,53%) e de Pernambuco (+0,42%).
São Paulo apresentou queda acentuada no número de matrículas
Arte/g1
Desde 2001, a tendência histórica das matrículas no ensino médio mudou: começou com um crescimento inicial bem significativo, com pico histórico de 9,16 milhões em 2004, seguido por um declínio gradual, atingindo em 2025 o patamar mais baixo em mais de duas décadas (7,3 milhões).
A rede pública, que chegou a ter 8 milhões de alunos em 2004, registrou apenas 6,3 milhões em 2025. Já a rede privada manteve-se relativamente estável ao longo do período, sempre em torno de 1 milhão de matrículas, com uma leve tendência de recuperação nos últimos quatro anos.
O crescimento discreto das escolas particulares não foi suficiente para cobrir o buraco da rede pública: o saldo aponta para uma redução total de cerca de 1 milhão de matrículas no ensino médio neste quarto de século.
Outras etapas também apresentam dados preocupantes:
🚨Educação infantil: Brasil mostra estagnação
A educação infantil é composta por:
creche (0 a 3 anos)
e pré-escola (4 e 5 anos, fase obrigatória).
No total, houve um recuo de 205.712 matrículas (-2,17%), sendo 200.667 apenas na pré-escola.
Esta etapa, por sinal, na rede pública, apresentou o menor índice desde 2018. O número de estabelecimentos também diminuiu: em apenas um ano, de 2024 a 2025, foram 1.126 pré-escolas a menos na rede pública e 250 a menos na rede privada.
Censo traz dados que mostram retração na educação infantil
Arte/g1
Justamente pelas faixas etárias atendidas, a educação infantil é a fase mais suscetível a mudanças demográficas de curto prazo (depende do número de crianças nascidas nos anos anteriores).
Mas o Plano Nacional da Educação (PNE), por exemplo, estabelece metas que levam em conta a porcentagem de alunos matriculados, e não o número absoluto deles. O Brasil não cumpriu os objetivos previstos até dezembro de 2024:
Acesso à creche (Pnad Contínua 2024): 39,7% (meta era de 50%);
Acesso à pré-escola (Pnad Contínua 2024): 93,4% (meta era de 100%).
Como o acesso à creche já estava muito baixo, o esperado era que, mesmo diante de qualquer oscilação demográfica, o número de matrículas aumentasse de 2024 a 2025. E não foi o que ocorreu: houve uma redução de aproximadamente 5 mil.
“O Brasil precisa avançar muito. O fato é que estamos estagnados. No novo PNE, que está em discussão no Congresso, a meta deve subir para 60% nas creches”, afirma Gabriel Corrêa, diretor de políticas públicas da ONG Todos Pela Educação.
Pelas projeções populacionais com base no DataSUS e no Censo do IBGE, o país terá de aumentar em mais de 1 milhão as matrículas nas creches na próxima década (ou seja, mais de 100 mil novas matrículas por ano, em média) para atingir o objetivo do PNE.
“Se não entendermos que é preciso ter política pública articulada com os municípios para aumentar o atendimento, especialmente dos mais vulneráveis, ficaremos novamente longe da meta daqui a 10 anos.”
🧑🏫Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem redução
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) teve uma queda de 5,8% no número de matrículas em 2025, em relação ao ano anterior. Só no ensino médio, foram cerca de 130 mil matrículas a menos: de 976.390 em 2024 para 845.627 em 2025.
Mesmo com um aumento no número de escolas que ofertam a EJA (801 novos estabelecimentos), a modalidade teve, no total, 734 turmas a menos em comparação com 2024.
A etapa integrada à educação profissional com formação inicial continuada (FIC) também recuou: 3,94% de matrículas a menos.
Já o curso técnico integrado ao EJA, uma nova modalidade apresentada no Censo Escolar 2025, teve 56.946 matrículas.
👩🏫Ensino Técnico para quem já se formou encolhe
O ensino técnico pode ser ofertado de três formas:
Integrado – ensino médio + técnico juntos, na mesma matrícula;
Concomitante – ensino médio e técnico ao mesmo tempo, mas com matrículas separadas (o aluno pode cursar em escolas diferentes, por exemplo);
Subsequente – técnico feito depois de concluir o ensino médio.
Dos três, apenas o subsequente apresentou queda. De todas as etapas da educação básica, foi a maior diminuição proporcional (de 16,25%, com 161.410 alunos a menos entre 2024 e 2025).
Observação: O técnico subsequente é considerado pelo Inep como parte da educação básica, porque é uma modalidade da educação profissional de nível médio (ou seja, não é ensino superior).
Ensino fundamental
Houve uma redução de 195.589 alunos entre 2024 e 2025. É um declínio proporcionalmente menor (-0,75%) ao registrado pelas etapas acima, devido ao grande volume total de matrículas do 1º ao 9º ano.
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25/02 -
Saresp: ensino fundamental tem recorde em matemática, mas ainda não recuperou português pré-pandemia
Saresp: ensino fundamental tem recorde em matemática, mas ainda não recuperou português
Os estudantes da rede estadual paulista alcançaram em 2025 o melhor desempenho da série histórica em matemática no ensino fundamental, segundo os resultados do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), divulgados nesta quarta-feira (25). Apesar dos avanços, a proficiência em língua portuguesa no 5º e 9º anos ainda não retornou ao patamar pré-pandemia.
Matemática — 2º, 5º e 9º anos do ensino fundamental
Desempenho recorde nas três séries avaliadas.
No 9º ano, o percentual de estudantes nos níveis adequado e avançado saltou de 14,9% em 2024 para 24,7% no ano passado.
A média dos alunos do 9º ano foi de 260,3 pontos, alta de 11,8 pontos em relação a 2024.
Em comparação com 2019 (pré-pandemia), a média cresceu 0,4 ponto.
Houve redução dos estudantes abaixo do básico: 6% no 2º ano e 11,8% no 5º ano.
Língua Portuguesa — anos iniciais
Resultados melhoraram e já retornaram ao patamar anterior à Covid-19.
Língua Portuguesa — 5º e 9º anos - anos finais
As médias ainda não atingiram os níveis pré-pandemia.
Língua Portuguesa — 5º ano (comparativo)
2019: média de 216,8 pontos.
2024: média de 213,9 pontos.
Língua Portuguesa — evolução da proficiência média (geral)
2019: 249,6 pontos.
2022: 244,2 pontos (queda sob impacto da crise sanitária).
2025: 243 pontos.
Estudante da rede pública estadual de São Paulo faz a prova do Saresp
Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
Em entrevista coletiva, o secretário da Educação, Renato Feder, ponderou que, na comparação entre 2024 e 2025, houve alta de oito pontos. Segundo ele, os estudantes que hoje estão no 9º ano foram alfabetizados durante a pandemia e carregam defasagens acumuladas.
"Temos dois sentimentos. É suficiente? Não. Mas estamos na direção certa. Esses alunos tiveram impacto forte nos anos iniciais. Estamos recuperando e retomando o patamar anterior" disse.
Feder atribuiu a melhoria nos indicadores a um conjunto de medidas: reorganização da grade horária (com aulas ampliadas de 45 para 50 minutos), material estruturado com apoio de plataformas, acompanhamento digital das atividades e reforço escolar com professores tutores.
Dados do Saresp mostram evolução consistente em matemática; por outro lado, português ainda não alcançou patamar pré-pandemia
Reprodução/TV Globo
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) também admitiu que ainda há avanços a serem alcançados, mas celebrou aumento da frequência escolar. De acordo com a Secretaria da Educação, a taxa de frequência média subiu de 78% no primeiro semestre de 2023 para quase 90% no fim do ano passado. Na prática, isso representa cerca de 300 mil alunos a mais nas escolas diariamente.
Tarcísio também reforçou que os melhores resultados nos anos iniciais em língua portuguesa indicam uma tendência de melhora futura.
"Estamos vendo avanço expressivo nos primeiros anos. Isso projeta um futuro melhor. Esses alunos quando estiverem avançando e chegarem por exemplo no 9º ano, vão ter um resultado muito melhor porque não vão ter a dificuldade de aprendizado que esses alunos hoje tem. É por isso que a questão da recuperação é fundamental, a gente precisa diminuir esse gap", declarou Tarcísio.
No ensino médio, a comparação com anos anteriores ficou impossibilitada por mudanças no modelo de avaliação, que encerraram a série histórica iniciada em 1996. Para manter a comparabilidade, a secretaria anunciou que aplicará o Saresp no meio do ano, nos moldes antigos, para a 3ª série, paralelamente ao Provão Paulista.
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25/02 -
Ministro da Educação anuncia R$ 120 milhões para Ufac e Ifac durante agenda em Rio Branco
Ministro Camilo Santana fala sobre recursos para Hospital Universitário no Acre
O ministro da Educação, Camilo Santana, cumpre agenda em Rio Branco na manhã desta quarta-feira (25) para anunciar novos investimentos na rede federal de ensino no Acre, além de melhorias na rede estadual.
Ao lado de gestores das instituições e de parlamentares, ele confirmou a destinação de mais de R$ 120 milhões para a Universidade Federal do Acre (Ufac) e o Instituto Federal do Acre (Ifac), com recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
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Segundo o Ministério da Educação, são R$ 301,9 milhões em investimentos no estado, sendo R$ 170 milhões na educação básica, R$ 33,6 milhões na educação profissional e tecnológica e R$ 90 milhões na educação superior.
Para a educação básica, o valor será para a aquisição de 33 ônibus e construção de sete creches e 10 escolas de tempo integral. Já sobre o ensino técnico e superior, os recursos serão destinados à construção do campus do Ifac em Feijó e do Hospital Universitário da Ufac, além de 10 obras de melhorias no instituto e na universidade.
A agenda começou às 9h, com visita técnica ao Laboratório de Paleontologia da Ufac. No local, foram apresentados projetos acadêmicos e estruturais previstos para a universidade. Em seguida, às 10h30, o ministro esteve no laboratório IFMaker do campus Rio Branco do Ifac.
Ministro da Educação, Camilo Santana, durante agenda em Rio Branco
Júnior Andrade/Rede Amazônica
Para a Ufac, estão previstos cerca de R$ 90 milhões em investimentos. O pacote inclui ampliação de salas de aula, modernização de laboratórios, melhorias na biblioteca, obras de urbanização nos campi e intervenções na infraestrutura geral da instituição.
Entre os anúncios, está a construção do primeiro Hospital Universitário do Acre. Atualmente, o estado é o único do país que não conta com uma unidade vinculada à rede federal de ensino superior. (Veja vídeo acima)
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Camilo Santana afirmou que os recursos representam um reforço na estrutura do ensino superior e técnico no estado.
"O mais importante que nós estamos trabalhando, é no nosso Hospital Universitário aqui do Estado. Esse é o último estado até hoje que a gente ainda não conseguiu implementar o nosso Hospital. Havia um compromisso do governador de fazer uma doação ao Hospital do Estado, então, nós já temos R$ 50 milhões no parquet para fazer as mudanças", complementou.
Segundo o ministro, o governo federal aguarda a definição sobre a cessão de um terreno que teria sido sinalizado pelo governo do estado em 2023. Caso o espaço não seja oficialmente disponibilizado, o Ministério da Educação deve buscar uma alternativa para viabilizar a obra.
A reitora da Ufac, Guida Aquino, acompanhou a visita e destacou a importância dos recursos para a expansão da universidade. "Também quero agradecer cada voto de confiança que tive dessa comunidade dando o meu melhor, juntos somos sempre mais fortes", declarou.
Guida Aquino, reitora da Ufac, ao lado do ministro Camilo Santana e do reitor do Ifac, Fábio Storch
Jhenyfer de Souza/g1
Expansão do Ifac no interior
O Ifac deve receber R$ 33,6 milhões para ampliação e melhorias. Entre as ações previstas estão a implantação de um novo campus em Feijó, a construção de restaurantes estudantis em Cruzeiro do Sul e Sena Madureira e a projeção de uma nova unidade em Epitaciolândia, na região de fronteira com a Bolívia.
O reitor do Ifac, Fábio Storch, também participou da agenda, assim como parlamentares da bancada acreana, entre eles as deputadas federais Socorro Neri e Meire Serafim, além do senador Sérgio Petecão e vereadores da capital.
Os investimentos integram o Novo PAC voltado à educação e têm como foco a ampliação da oferta de vagas, melhoria da infraestrutura e fortalecimento do ensino superior e técnico no Acre.
VÍDEOS: g1
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25/02 -
STF diz que MEC pode decidir sobre regras para abertura de cursos de Medicina
Cerca de 30% dos cursos de Medicina vão ser punidos após avaliação ruim no Enamed
O Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que o Ministério da Educação (MEC) pode decidir sobre a abertura de cursos e vagas de graduação de Medicina por meio de editais, como previsto na Lei do Mais Médicos. A conclusão faz parte da análise de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade e foi publicada nesta quarta-feira (25) no Diário Oficial da União.
O pedido de análise da ADI foi feito pelo Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (Crub) e pela Associação Brasileira das Instituições de Educação Superior Comunitárias (Abruc), que questionava parte da lei que regula a abertura de cursos de Medicina em instituições privadas de ensino.
Até o início de fevereiro, um edital do governo federal previa a ampliação da oferta do curso por universidades privadas, com 5.900 novas vagas. No entanto, o MEC revogou o edital após a divulgação dos resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed).
STF diz que MEC pode decidir sobre regras para abertura de cursos de Medicina
Assessoria
Ao STF, as entidades questionaram a validade da lei que condiciona a abertura de novos cursos de Medicina a um processo prévio de chamamento público, feito pelo MEC — ou seja, um edital público para selecionar propostas antes de autorizar as faculdades. Para elas, isso poderia violar princípios como a livre iniciativa e a autonomia universitária, porque impediria que instituições pedissem autorização individualmente ao MEC.
O STF decidiu, por maioria, que essa regra é constitucional — ou seja, não há problema em a lei exigir que a criação de cursos de Medicina siga um chamamento público com critérios técnicos. Esse entendimento foi firmado em conjunto com outra ação parecida, a ADC 81, que tratou da mesma regra da lei.
Na prática, isso significa que:
O MEC não precisa aceitar pedidos individuais de autorização de cursos ou de vagas fora de chamamentos públicos.
A criação de cursos deve obedecer primeiro a um edital — como previa a lei do Mais Médicos — organizado pelo governo.
O foco dessa regra está em organizar melhor a expansão da formação médica no país, usando critérios técnicos e planejamento, e não simplesmente autorizar qualquer pedido à medida que é apresentado.
O que acontece agora? A decisão do STF dá segurança jurídica ao modelo previsto na lei e afeta como o MEC organiza a oferta de novas vagas e cursos de Medicina em universidades privadas. Na prática, ela significa que, para haver novas graduações, será necessário que exista um chamamento público estruturado com critérios claros para selecionar propostas, em vez de autorizações isoladas por demanda individual.
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24/02 -
O risco da inteligência artificial para o futuro do aprendizado e do trabalho
Na semana passada, acompanhei o Century Summit VI, evento realizado pela Universidade Stanford que, nessa sexta edição, teve como tema “Longevidade, aprendizado e o futuro do trabalho”. Allison Pugh, professora de sociologia da Universidade Johns Hopkins, foi responsável por uma das palestras mais impactantes. Enquanto a maioria dos participantes apontou a inteligência artificial como a saída para os impasses contemporâneos, ela preferiu alertar para o risco da idealização da IA.
Allison Pugh, professora de sociologia da Universidade Johns Hopkins: empresas de IA visam ao lucro e farão de tudo para que sua tecnologia ocupe todos os espaços possíveis de ensino, mentoria e companhia
Reprodução
Para escrever seu mais recente livro, The last human job: the work of connecting in a disconnected world (em tradução livre, O último emprego humano: o trabalho de conectar-se em um mundo desconectado), Pugh entrevistou, ao longo de cinco anos, cerca de cem pessoas que exercem o que batizou de “trabalho de conexão” (connective labor). São profissionais como médicos, enfermeiros, terapeutas, cuidadores e até cabeleireiros, que, na sua avaliação, “vivenciam a empatia e enxergam o outro – e isso é o que o ser humano faz de melhor”, afirmou.
A socióloga enfatizou que o futuro do aprendizado e do trabalho deve estar centrado nas pessoas. “Focar no potencial humano é o que leva à inovação. Quando há uma conexão mútua entre os indivíduos, eles constroem algo”, disse. Também ressaltou que criou o termo “trabalho de conexão” para chamar a atenção para a sua importância:
“Estamos num momento crítico para pensar em como a inteligência artificial será usada, e o mais preocupante é ela ser apresentada como uma solução para substituir esses ‘trabalhos de conexão’. Não podemos perder de vista que as empresas de IA visam ao lucro e farão de tudo para que sua tecnologia ocupe todos os espaços possíveis de ensino, mentoria e companhia. A IA é moldada para manter o engajamento de quem a consome e seu objetivo é atender a todos os anseios da pessoa, inclusive desencorajando que se busque a ajuda de outro ser humano. Essa não é a IA que queremos. Queremos a tecnologia que fabricará medicamentos eficientes em tempo recorde, mas não aquela que pretende intervir ou mediar a vida de alguém”.
Foi uma declaração forte e necessária para os tempos em que vivemos. Na opinião de Pugh, aprendizados e relacionamentos precisam de uma certa tensão, que ela chama de “fricção”. É assim que o indivíduo sai da sua zona de conforto para alcançar algo a que aspira:
“Educadores sabem como essa fricção é relevante ao longo de toda a existência. A criatividade não acontece quando estamos satisfeitos. O sentido de propósito não nasce de estado contínuo de bem-estar e felicidade, mas de interações que envolvem dificuldades e tensões. No entanto, a IA é enaltecida porque não nos julga, porque não dorme e está sempre a postos e solícita. O que os algoritmos fazem é eliminar a fricção. Só que, no ambiente de trabalho e na vida, ocorre justamente o oposto. É fundamental a capacidade de se relacionar, o que pode estar sendo afetado, e até comprometido, quando se forja a ideia de que a inteligência artificial é a solução para tudo”.
Para se ter uma ideia do tamanho da encrenca: na semana passada, o jornal The New York Times publicou reportagem relatando que a Meta, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, está se preparando para gastar US$ 65 milhões (perto de R$ 340 milhões) em 2026 para apoiar políticos favoráveis à indústria de inteligência artificial. O montante é o maior investimento eleitoral já feito pela empresa e sinaliza uma prioridade corporativa de escala bilionária.
Inteligência artificial na educação
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23/02 -
Conselho Nacional de Educação marca data para votar regras para o uso de inteligência artificial nas escolas
Sala de aula de escola pública em Roraima
DPE-RR/Divulgação
A comissão do Conselho Nacional de Educação (CNE) criada para debater as regras para uso de inteligência artificial nas escolas da educação básica e nas universidades deve votar parecer no dia 16 de março. Uma versão inicial começou a ser discutida nesta segunda-feira (23), mas o Ministério da Educação pediu ajustes no texto.
Entre as regras, estão questões como a inclusão da IA no currículo dos alunos e o uso da ferramenta pelos professores, tanto para as unidades de ensino básica como para as de ensino superior.
O texto passou por um ano e meio de debates na comissão com especialistas, Ministério da Educação e Unesco. Após a votação, o texto vai para consulta pública e votação no plenário do conselho. Por fim, segue para a homologação do ministro da Educação.
Ensino começa a integrar inteligência artificial no Brasil; especialistas veem oportunidade, mas com riscos
O que diz o texto
De acordo com o relatório, o uso pedagógico da inteligência artificial deve ser orientado para fins educativos explícitos e sempre supervisionado por profissionais da educação. O texto proíbe a atuação pedagógica automatizada.
A formação dos professores deve garantir competência técnicas e críticas para a utilização pedagógica. A IA poderá dar apoio, por exemplo, à correção de avaliações objetivas, mas cabe ao professor a análise qualitativa e a decisão final sobre os resultados. Mas fica proibida a correção automatizada de avaliações dissertativas ou formativas.
Além disso, as redes de ensino deverão promover letramento digital que contemplem a compreensão de riscos, benefícios, princípios éticos e funcionamento básico dos modelos de IA.
Tanto na educação básica, como na educação superior, a integração ao ensino da IA poderá ocorrer de forma transversal e interdisciplinar.
O texto também foca nos cursos de licenciatura e outros que são destinados à docência. A presença da IA na formação deverá contemplar fundamentos para uso crítico e ético da IA em processos de ensino e aprendizagem, competência para análise de dados educacionais, avaliação mediada por tecnologia e a preparação para atuação pedagógica em ambientes híbridos e digitais.
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23/02 -
'Quantas Terras cabem no Sol?': engenheiro erra pergunta e perde chance de ganhar R$ 1 milhão; veja se você acertaria
Participante errou questão no "Quem quer ser um milionário"
Reprodução/TV Globo
Aproveite que você não está sob a pressão de disputar R$ 300 mil — bem pertinho de chegar ao prêmio de R$ 1 milhão. Não há plateia nem pessoas do Brasil inteiro acompanhando seu desempenho. Responda:
🌍"Quantas Terras são necessárias para preencher o volume total do nosso Sol?"
a) 1 milhão e 100 mil
b) 1 milhão e 200 mil
c) 1 milhão e 300 mil
d) 1 milhão e 400 mil
A resolução está mais abaixo. Foi essa questão que interrompeu a excelente sequência de acertos do engenheiro Leonardo Cremonesi, de 27 anos, que participou do quadro "Quem Quer Ser um Milionário?" neste domingo (22), no "Domingão com Huck", exibido na TV Globo.
Se ele tivesse escolhido a alternativa correta, só precisaria de mais dois acertos para ganhar a recompensa máxima de R$ 1 milhão.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Resolução
1- Queremos saber quantas vezes o volume da Terra cabe dentro do volume do Sol. Isso é simplesmente a divisão:
Número de Terras = Volume do Sol ÷ Volume da Terra
2 - Volume da Terra ≈ 1,083 × 10¹² km³ (ou 1,083 trilhões de km³) /// Volume do Sol ≈ 1,412 × 10¹⁸ km³
3- 1,412 × 10¹⁸ ÷ 1,083 × 10¹² = (1,412 ÷ 1,083) × 10⁶
4- Calculando 1,412 ÷ 1,083 ≈ 1,304. Então: 1,304 × 1.000.000 = 1.304.000
5- Na maioria dos livros didáticos, arredonda-se para 1.300.000 (1 milhão e 300 mil).
Resposta correta: 1 milhão e 300 mil (o participante chutou a alternativa "1 milhão e 400 mil")
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20/02 -
Revalida: documento do Ministério da Saúde contradiz gabarito do Inep; candidatos pedem anulação de questão
Um documento oficial do Ministério da Saúde, emitido em 22 de janeiro de 2026 e obtido pelo g1, contradiz uma resposta apontada como correta pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) no gabarito da primeira etapa do Revalida 2025.02.
A questão que apresentou divergência aborda a profilaxia da malária em regiões endêmicas do Brasil (entenda mais abaixo).
Candidatos pedem a anulação da pergunta e afirmam que um ponto a mais na nota teria sido decisivo no resultado final. É o caso de Vitória Sampaio, de 29 anos, brasileira que se formou em medicina na Universidade Upal, em Cochabamba.
“Eu e muitas pessoas seríamos beneficiadas por esse ponto, que é legítimo e tem base sólida e irrefutável. Estamos em uma situação complicada, de angústia e de injustiça", diz.
➡️O Revalida, cujos resultados foram publicados em dezembro de 2025, habilita que médicos formados no exterior possam trabalhar no Brasil, desde que atinjam o desempenho mínimo nos testes. Classificaram-se para a segunda fase aqueles que acertaram ao menos 61 das 100 questões objetivas.
Qual é a pergunta discutida?
Questão sobre malária no Revalida é alvo de discussão
Reprodução
Candidatos reivindicam o cancelamento da pergunta 40, que apresenta o caso de uma médica jovem e saudável que trabalhará em uma comunidade indígena na Amazônia.
Quem fez a prova teve de identificar o método preventivo medicamentoso mais adequado para a profissional, considerando que ela atuará em uma área endêmica de malária.
As alternativas listam diferentes remédios, exigindo que o candidato selecione a quimioprofilaxia correta para evitar a infecção durante o trabalho de campo. Segundo o gabarito, a resposta correta é doxiciclina.
O que o Ministério da Saúde afirma a respeito disso?
Documento do Ministério da Saúde afirma que não há recomendação de profilaxia para malária no Brasil
Arquivo pessoal
Uma das candidatas do Revalida enviou à pasta uma solicitação de informação pela plataforma Fala.Br. Ela pergunta quais são as diretrizes no Brasil para a profilaxia da malária:
“Há recomendação de quimioprofilaxia da malária para moradores ou profissionais de saúde atuantes em áreas endêmicas no Brasil, em especial na Região Amazônica?”
A resposta, enviada em documento protocolado pela Coordenação-Geral da Eliminação da Malária, da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, foi a seguinte:
“Não há recomendação de quimioprofilaxia para moradores ou profissionais de saúde residentes ou atuantes na região amazônica e demais regiões do território nacional. O Brasil, especialmente na região amazônica, conta com uma rede descentralizada de serviços de diagnóstico e tratamento da malária, que assegura, de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a realização do exame diagnóstico oportuno e a dispensação do tratamento nos casos confirmados.”
Na segunda pergunta enviada, o Ministério reafirma que não há profilaxia na recomendação brasileira:
“Em quais situações específicas a quimioprofilaxia da malária é indicada no contexto nacional, considerando o perfil epidemiológico brasileiro?”
Resposta da pasta:
“Não há indicação de quimioprofilaxia da malária para moradores ou profissionais de saúde no contexto nacional.
No Brasil, há predomínio de casos causados por Plasmodium vivax, espécie para a qual a eficácia da quimioprofilaxia é considerada baixa. Considerando a malária por Plasmodium falciparum, a profilaxia pode não assegurar a proteção ou cura do paciente, além de favorecer o surgimento de resistência aos antimaláricos utilizados. Dessa forma, considerando a ampla cobertura da rede de diagnóstico e tratamento da malária no país, não se recomenda a quimioprofilaxia para viajantes em território nacional.”
Nenhuma das alternativas da questão, portanto, seria válida.
Qual foi a alternativa apontada como correta pelo Inep?
Em entrevista ao g1 em dezembro de 2025, logo após a divulgação dos gabaritos, o infectologista da Fiocruz Marcus Lacerda, diretor do Programa Especial para Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (TDR) da Organização Mundial de Saúde (OMS), já havia afirmado que a avaliação de casos como o da médica da Amazônia é a feita caso a caso, sem apoio de diretrizes nacionais do Ministério da Saúde.
"Nessa região amazônica, a profilaxia deve ser direcionada sobretudo ao Plasmodium falciparum, já que para malária vivax é limitada. Hoje, a única opção para vivax é a tafenoquina, que no Brasil está aprovada apenas para tratamento, não para profilaxia", explica.
“Considerando isso, o artesunato é descartado porque não existe em apresentação oral, apenas injetável. A cloroquina também está contraindicada, pois só atua na profilaxia da malária vivax e não é eficaz contra o falciparum, comum na Amazônia. Assim, a melhor e única alternativa viável é a doxiciclina, que tem boa eficácia contra o Plasmodium falciparum e é a opção utilizada na prática quando o benefício da profilaxia supera os riscos.”
Diante do documento enviado pela pasta, Marcus reforça o que já havia explicado:
“A minha resposta foi referente à literatura médica mundial disponível [que aponta para a possibilidade do uso de doxiciclina]. Mas, como eu disse, o Ministério da Saúde não faz essa indicação”, afirma.
➡️Como a questão deixa claro que o caso fictício é no Brasil, dentro do Programa Mais Médicos, o esperado é que as diretrizes do país sejam levadas em conta pelo Inep na formulação do gabarito.
O edital do Revalida afirma que a prática médica avaliada na prova deve estar alinhada ao funcionamento e às exigências do sistema público de saúde do Brasil (SUS), que é gerido pelo Ministério da Saúde.
Inep diz que questão não tem erros
O g1 entrou em contato com o órgão do Ministério da Educação (MEC), apresentou os documentos enviados pelo Fala.Br e questionou se a pergunta será anulada.
O Inep respondeu que "todos os questionamentos foram submetidos à Banca de Análise de Recursos", que os julgou como improcedentes. "Não há erro conceitual, metodológico ou científico na formulação do item, nem na alternativa considerada correta", afirma o instituto, em nota.
"O cenário descrito na questão — profissional de saúde não imune atuando em área indígena remota da Amazônia — é compatível com a literatura nacional e internacional de medicina de viagem e saúde do trabalhador (...), conforme diretrizes do Ministério da Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de autoridades sanitárias internacionais amplamente reconhecidas."
Por que a mesma questão foi anulada no Enamed, mas não no Revalida?
Enamed x Revalida: questões iguais, gabaritos diferentes
Como o g1 mostrou em 15 de dezembro, três questões exatamente iguais estavam presentes tanto no Enamed quanto no Revalida, mas só foram anuladas no primeiro. Uma delas era justamente a da malária.
Enamed: avaliação que mede o desempenho de estudantes de Medicina e que pode ser usada na seleção de vagas para residentes.
Revalida: prova que avalia médicos formados no exterior para que possam trabalhar no Brasil.
Ter conteúdos iguais não é um problema, já que a aplicação dos testes ocorreu no mesmo dia, em 19 de outubro. Segundo o Inep alegou à época, a pergunta da quimioprofilaxia só foi cancelada no Enamed por questões técnicas relacionadas à Teoria de Resposta ao Item (TRI)", como "ajustes estatísticos", e não por erro conceitual. Entenda aqui.
Questão igual no Revalida e no Enamed só foi anulada neste último
Reprodução
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20/02 -
Desafio LED 2026 vai distribuir R$ 300 mil; inscrições terminam em 1º de março
Desafio LED
Divulgação
Estudantes brasileiros maiores de 18 anos têm até 1º de março de 2026 para se inscrever no Desafio LED: Me dá uma luz aí!, que neste ano tem como tema a evasão escolar. A edição vai premiar cinco propostas inovadoras, que dividirão R$ 300 mil.
Promovido pela Globo e pela Fundação Roberto Marinho, em parceria com o g1, o edital convida jovens de todo o país a desenvolver soluções para o país enfrentar um dos principais desafios da educação brasileira: manter crianças e adolescentes na escola.
🎓 Quem pode participar
Estudantes com 18 anos ou mais
Com matrícula ativa no primeiro semestre de 2026
💻Como se inscrever?
A inscrição é gratuita e deve ser feita pelo site www.movimentoled.com.br.
👩🎓 O que o edital busca?
A chamada prioriza propostas conectadas a diferentes contextos sociais, que reconheçam a educação como instrumento de transformação.
Entre as frentes possíveis estão:
uso criativo de tecnologia;
metodologias inovadoras de ensino;
estratégias de engajamento familiar;
ações comunitárias;
iniciativas de acolhimento e fortalecimento do pertencimento.
Os cinco projetos selecionados passarão por uma jornada de desenvolvimento com mentorias especializadas, com foco na estruturação das ideias até a criação de um protótipo viável.
As propostas vencedoras serão apresentadas no palco do Festival LED, no Rio de Janeiro.
Para se inspirar: conheça os projetos vencedores de 2025
🔹 Ana Paula de Souza Silva (RJ) – Plataforma Te Guio (1º lugar)
Espaço digital que reúne informações acessíveis, suporte emocional e orientação para famílias e educadores, promovendo inclusão de crianças do espectro autista.
🔹 Milena Aparecida Nicolay Nogueira (RJ) – Útero Pop (2º lugar)
Projeto de educação menstrual voltado a meninas e pessoas a partir dos 8 anos, com foco em autoconhecimento, respeito e autoestima.
🔹 Ethan Freitas da Silva Gonçalves de Alcântara (RJ) – Jogo Lendas Matemáticas (3º lugar)
Jogo físico com tabuleiro e cartas que torna o aprendizado da matemática mais acessível e lúdico.
🔹 Pedro Henrique Pereira Novaes (BA) – Plataforma QG Uni (4º lugar)
Ferramenta digital que conecta estudantes a opções de moradia acessível e segura, ampliando o acesso ao ensino superior.
🔹 Albert de Souza Nunes (AM) – Acessibilidade sobre as águas (5º lugar)
Iniciativa que leva recursos pedagógicos adaptados e formação docente a comunidades ribeirinhas do Amazonas, promovendo inclusão de crianças cegas ou com baixa visão.
Veja a apresentação final de 2025:
Festival LED 2025 | Desafio LED - Me dá uma luz aí, a apresentação final
Desafio LED
Divulgação
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19/02 -
Pé-de-Meia: MEC divulga calendário de pagamentos para o ano de 2026
Por meio do Pé-de-Meia, o estudante recebe um incentivo mensal de R$ 200, que pode ser sacado em qualquer momento
Divulgação/Governo Federal
O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta quinta-feira (19) as regras e o calendário de pagamento do programa Pé-de-Meia para 2026.
📚 O programa oferece incentivo financeiro a estudantes do ensino médio. Entre seus objetivos estão o combate à evasão escolar e a redução da desigualdade no acesso à universidade e ao mercado de trabalho.
O benefício no valor de R$ 1000 será pago entre 26 de fevereiro e 5 de março para aqueles que foram aprovados em cada um dos três anos letivos do ensino médio em 2025.
Uma parcela adicional de R$ 200 será depositada para quem participou dos dois dias do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025, desde que tenha cursado o terceiro e último ano em 2025.
O incentivo por frequência, no valor total de R$ 1.800, será dividido em até nove parcelas. Confira os prazos na tabela a seguir:
Calendário de pagamento
Incentivo para o EJA
Os alunos inscritos na Educação para Jovens Adultos (EJA) também têm direito ao incentivo. Segundo o ministério, o valor é de R$ 900 pago em quatro parcelas:
Calendário de pagamento do EJA
O que é o pé-de-meia?
O Pé-de-Meia é um programa do Governo Federal criado em 2024 para combater a evasão escolar no ensino médio, estimulando a permanência e conclusão na etapa escolar por meio de um auxílio financeiro.
São elegíveis estudantes de baixa renda da rede pública, de 14 a 24 anos, de famílias inscritas no CadÚnico. Além disso, os alunos devem:
possuir CPF;
estar cadastrados no CadÚnico (instrumento do governo federal para coleta de dados de pessoas em vulnerabilidade);
ter se matriculado no início do ano letivo;
alcançar frequência escolar de pelo menos 80% das horas letivas;
participar do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Os alunos elegíveis recebem:
R$ 200 reais pagos pela matrícula no início do ano letivo.
R$ 1.800 pagos em 9 parcelas ao longo do ano.
R$ 1.000 de bônus pela aprovação no final do ano letivo.
R$ 200 pela realização do Enem no último ano do ensino médio.
Para terem direito ao bônus, é exigido que:
não tenham sido reprovados no fim do ano letivo;
façam o Enem no fim do 3º ano do ensino médio.
Alunos que não receberam bônus do Pé-de-Meia devem procurar diretoria da escola
Pagamento de R$ 1,2 mil liberado para quem concluiu a etapa
Os alunos beneficiados pelo programa Pé-de-Meia que concluíram o ensino médio e participaram do Enem em 2024 já podem sacar os bônus de R$ 1.200. Com esse último pagamento, estes estudantes terão recebido até R$ 3,2 mil reais por seu último ano na etapa escolar.
Aqueles que ainda não receberam o bônus de R$ 1.000 pela aprovação devem procurar a diretoria da escola responsável ou outra autoridade da rede de ensino, de acordo com o Ministério da Educação.
Segundo a pasta, o valor pode não ter sido depositado caso a rede de ensino ainda não tenha enviado para o MEC os dados da aprovação do estudante.
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19/02 -
Após problemas, inscrições para o Pé-de-Meia Licenciaturas são adiadas para 20 de fevereiro; incentivo mensal é de R$ 1.050
As inscrições para o Pé-de-Meia Licenciaturas, programa do Ministério da Educação (MEC) que dá um incentivo mensal de R$ 1.050 a estudantes da graduação que se formarão professores, deveriam ter sido abertas no domingo (17), de acordo com o edital original publicado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), mas foram adiadas para sexta-feira (20).
A alteração ocorreu depois que candidatos entraram na plataforma oficial, entre domingo e segunda-feira (18), e foram surpreendidos com um aviso de adiamento do cronograma, sem qualquer aviso prévio do MEC (veja mais abaixo).
O novo prazo foi publicado no Diário Oficial da União desta terça (19). Os interessados poderão se inscrever ao longo de todo o ano, de 20 de fevereiro a 19 de dezembro de 2026.
Atenção: não há pagamento retroativo. Mesmo que você tenha direito ao benefício desde já, caso preencha seus dados apenas em junho, por exemplo, não receberá o dinheiro dos meses anteriores.
Pé-de-Meia Licenciaturas teve inscrições adiadas sem aviso prévio
Arquivo pessoal
O g1 entrou em contato com o MEC e a Capes para saber o motivo da mudança de datas. Os órgãos não haviam respondido até a última atualização desta reportagem.
Tire suas dúvidas sobre o programa abaixo:
✏️Como fazer a inscrição?
É preciso preencher o cadastro na Plataforma Freire, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes):
O aluno deve enviar seus dados pessoais, o currículo e o termo de concordância assinado.
Em seguida, tem de informar em qual instituição de ensino está matriculado.
✏️Quem pode participar?
O programa exige que o aluno tenha:
sido aprovado em um curso de licenciatura presencial no segundo semestre de 2025 ou no primeiro de 2026, no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), no Programa Universidade para Todos (Prouni) ou no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies);
obtido nota igual ou superior a 650 no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Não há critérios de renda.
✏️De quanto é a bolsa?
O auxílio pago aos estudantes aprovados será de R$ 1.050 por mês, do início ao fim do curso. Dessa quantia, R$ 700 poderão ser sacados imediatamente e R$ 350 serão depositados em uma poupança (liberada após a formatura).
As bolsas são pagas pelo MEC, por meio da Capes, e beneficiarão até 12 mil alunos em 2026.
✏️Quando saem os resultados?
Eles são divulgados mensalmente, até o dia 30 de cada mês, a partir de março.
Sala de aula vazia de faculdade de SC
Unisul/Divulgação
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Pé-de-meia Licenciatura: entenda mais sobre benefício para estudantes do ensino superior
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19/02 -
Milena, do BBB, erra crase e fica fora da festa do líder; você também se confunde? Faça QUIZ
Não bastando ter de copiar centenas de vezes uma frase com o nome do seu rival no Big Brother Brasil 26, a participante Milena ainda encontrou um obstáculo maior, que confunde brasileiros mais do que as dinâmicas da semana apresentadas por Tadeu Schmidt: a crase.
Em algumas linhas, a jovem escreveu "Quero muito ir à festa do Jonas" com o sinal gráfico trocado pelo acento agudo: "á festa do Jonas". Consequentemente, foi reprovada no desafio.
✏️Como BBB também é cultura, vamos aproveitar esse deslize de Milena para ajudar você a revisar os casos em que a crase deve ser usada. Faça o quiz abaixo e descubra se você atingiria pontuação suficiente para curtir a festa do líder:
10 perguntas rápidas sobre crase: você iria à festa do líder?
📝O que é crase?
Milena errou o uso da crase no desafio e foi barrada na festa do líder.
Reprodução/Redes sociais
Em termos mais técnicos, a crase é a junção da preposição "a" (como em "vou a algum lugar") e do artigo "a" ("a praia é bonita"). Quando essa dupla se aproxima, forma o famoso "à".
Exemplo: "Vou à (a + a) praia bonita que você me recomendou outro dia".
É diferente do acento agudo (á), que indica o som aberto das vogais “a”, “e” e “o” (como em “café” e “avó”).
📝Quais são as regras gerais para utilizar a crase?
O acento grave só pode ser usado, em geral, antes de palavras femininas (já que, antes das masculinas, o artigo "a" não existe). A duplinha "a + a" fica sem uma de suas integrantes, e a crase deixa de ser usada. Exemplo: Eu vou à praia (praia é feminino, tem crase). E vou ao hotel em seguida (hotel é masculino, não tem crase).
➡️Exceções: Em alguns casos pontuais, a crase pode aparecer antes de um substantivo masculino. Como em: "Ele está com um tanquinho à Cauã Reymond." A crase é usada porque um termo no feminino ("à moda de") está implícito. Seria um "Ele está com um tanquinho (à moda de) Cauã Reymond".
O mesmo ocorre em expressões como “bife à milanesa”, “frango à passarinho” e “gol à Pelé”.
A crase aparece tanto no singular (“vou à aula”) quanto no plural (“vou às aulas”), desde que haja a soma de preposição + artigo feminino. Exemplo: "Abri uma exceção às regras combinadas no início do ano."
Em locuções formadas por substantivos femininos no plural, também haverá crase. Exemplos: "Às vezes, gosto de comer um sanduíche." "Ela o traiu às claras!"
📝Outras regras:
As situações de uso da crase não se restringem aos exemplos citados acima. Há outras regras, como:
não usar antes de verbos no infinitivo: "Ela está tentada a comer um doce";
não usar antes de pronomes pessoais (mesmo que no feminino): "Vou entregar isso a ela" [afinal de contas, não existe artigo para "ela", certo? Ninguém diz "A ela foi ao shopping".);
não usar antes de pronomes de tratamento: "Refiro-me a vossa senhoria." (não importa se a pessoa é um homem ou uma mulher. Não haverá crase.);
não usar antes dos pronomes relativos "que", "quem", "cuja': "A explicação a que me refiro é esta aqui";
não usar antes de palavras repetidas: “Cara a cara"; “Frente a frente"; “Dia a dia";
usar antes de horas determinadas: “A prova começa às 14h.” “O programa vai ao ar à 1h.”;
escolher entre usar ou não usar quando estamos falando de nomes próprios (vai depender da sua intimidade com o sujeito): "Ela referiu-se à Maria, nossa irmã" ou "Ela referiu-se a Dilma Rousseff, ex-presidente.";
escolher entre usar ou não usar antes de pronomes possessivos femininos: "A juíza rebateu as alfinetadas à sua decisão/a sua decisão".
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Projeto Educação: professor tira dúvidas sobre uso da crase
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19/02 -
Cansaço físico x habilidade técnica: estudo revela impactos de substituir caneta e papel por teclados nas escolas
Caneta e papel ou teclados? Estudo revela o que alunos preferem
Na Austrália, os alunos do 2º ano do ensino fundamental estão se preparando para passar do papel e caneta para os teclados e plataformas digitais, e uma pesquisa nacional com mais de 500 alunos revelou que os estudantes têm conexões e reações diferentes a depender do modo como escrevem.
A partir do 3º ano, os alunos australianos realizam avaliações nacionais de maneira digital, e, para se preparar para os testes, passam a utilizar plataformas digitais de maneira mais assídua durante as aulas.
A pesquisa, liderada pela Dra. Anabela Malpique, professora sênior de alfabetização da Faculdade de Educação da Edith Cowan University (ECU), buscou entender se a mudança na forma de escrever trazia impactos para os alunos.
"Os exames nacionais manuscritos foram descontinuados nas escolas primárias australianas. Os alunos são obrigados a fazer testes online de alfabetização e matemática a partir do 3º ano — por isso, é importante entender a diferença no desempenho da escrita entre as modalidades em papel e em computador", explicou a professora em um comunicado divulgado pela universidade no começo deste ano.
O resultado, divulgado em novembro de 2025, aponta que, apesar de os alunos demonstrarem atitudes muito positivas em relação ao uso de computadores, eles ainda se sentem mais "capazes" quando escrevem à mão.
O impacto da motivação e da habilidade
Os pesquisadores examinaram como a atitude e a motivação dos escritores iniciantes influenciam a qualidade de seus textos. Um dos achados principais é que a postura positiva em relação à escrita à mão impacta diretamente no sucesso no trabalho em papel.
De acordo com a Dra. Malpique, atitudes negativas ou falta de confiança na escrita à mão também impactam o resultado final dos textos, que tendem a ter qualidade inferior.
Criança estuda em computador
Thomas Park/ Unsplash
No entanto, o mesmo não ocorre no ambiente digital: gostar de usar o computador não garante um texto melhor. Para o sucesso na escrita digital, o fator determinante é a chamada "automaticidade no teclado" — ou seja, a habilidade técnica e a rapidez ao digitar — e não apenas a motivação do aluno.
“Em contrapartida, atitudes específicas em relação à escrita de textos em computador não contribuíram de forma única ou estatisticamente significativa para prever a qualidade e a produtividade da composição em computador”, afirmou a especialista.
Cansaço físico vs. dificuldades técnicas
As entrevistas realizadas com os estudantes trouxeram perspectivas sobre os desafios de cada formato:
Escrita à mão: Frequentemente associada à fadiga física. Relatos de crianças mencionam que "dói a mão" ou que se sentem "cansadas" ao fazer o esforço psicomotor.
Escrita digital: Associada a dificuldades técnicas. Os alunos relataram dificuldades em coordenar os movimentos e em localizar as letras no teclado, o que torna o processo mais lento e frustrante para alguns.
Equilíbrio no ensino
Diante dessa mudança de comportamento e da crescente digitalização das avaliações escolares, a recomendação dos especialistas é que as escolas adotem uma abordagem equilibrada.
Segundo a Dra. Malpique, os professores devem focar no desenvolvimento de ambas as competências: as habilidades psicomotoras necessárias para a caligrafia e a fluência técnica no teclado, além de estimular crenças motivacionais positivas nos alunos.
A recomendação para as escolas é que não ignorem a transição: é preciso equilibrar o suporte às habilidades psicomotoras com o estímulo a crenças positivas, garantindo que os estudantes consigam migrar do papel para o digital sem perdas na qualidade do aprendizado.
O estudo faz parte do projeto "Escrita para Todos", que investiga como a alfabetização se transforma na era digital.
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